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Besta (arma)

A besta, balestra ou balesta é uma arma com um arco de flechas adaptado a uma das extremidades de uma haste e acionado por um gatilho, o qual projeta virotes - dardos similares a flechas, porém mais curtos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Componentes

A besta consiste num arco (de madeira, corno de animal ou aço), montado sobre uma haste ou coronha (a que se dá o nome de tiller ou stock em inglês), que é um suporte de madeira sobre o qual assenta o projéctil, regra geral, o virote. As extremidades do arco são unidas por uma corda, que está segura por uma lingueta ou trava a que se dá o nome de noz (e em inglês dá pelas designações nut ou catch). Na extremidade superior da haste, ao pé do arco, há um estribo ou uma argola ou, nas bestas mais rudimentares, um laço de metal, que o besteiro pisa, para segurar a besta, enquanto a está a armar. O gatilho, que nas bestas medievais consiste numa alavanca de metal, acciona-se para disparar os projécteis, que podem ser flechas, virotes (flechas curtas usadas nas bestas) ou pelouros (balas esféricas de metal). As bestas mais pesadas e potentes valiam-se de mecanismos mais sofisticados para ser armadas, sendo que depois recebiam o nome em função do tipo de mecanismo.

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Período Clássico

China

Acredita-se que as primeiras bestas de assédio foram criadas pelos chineses, no século VI a.C., sendo que as bestas portáteis só terão surgido por torno do século IV a.C. Porém, só ulteriormente, após o século III a.C., é que a besta chinesa (nǔ, 弩) se tornou perfectiva o suficiente para que o uso viesse a ser amplamente difundido pela China. Encontraram-se em Xi'an bestas entre os soldados do exército de terracota no túmulo do imperador Qin Shi Huangdi (260 a.C.-210 a.C.). Há achados arqueológicos recentes de bestas chinesas, no túmulo 138 em Saobatang, na província de Hunan, que datam de meados do século IV. d.C. É provável que estas bestas sejam os protótipos mais antigos conhecidos de bestas de bodoque, posto que usavam pelotas de barro cozido como munições. Jing Fang, matemático e músico da dinastia Han,(78–37 d.C.), comparou a Lua à forma de uma pelota de barro de um bodoque. O Zhuangzi também menciona bodoques.

Grécia

Por seu turno, no mundo ocidental, os gregos antigos já tinham bestas de assédio, a que chamavam «gastrafetas» (γαστραφέτης, lit. 'a que lança da barriga'), desde o século III a.C. A primeira descrição conhecida é-nos dada, no século I d.C. por Héron de Alexandria, na sua obra Belopoeica, na qual cita os trabalhos do seu antecessor, o engenheiro grego Ctesibius (fl. 285–222 a.C.). Heron descreve a gastrafeta como a precursora da catapulta, o que situa temporalmente esta invenção por torno de 420 a.C. A gastrafeta consistia num arco compósito de grandes dimensões, montado sobre uma haste. Na extremidade da haste havia um apoio côncavo no qual o guerreiro apoiava a barriga, para armar a gastrafeta. Ao contrário da besta romana e medieval, armava-se fazendo deslizar a noz ao longo de duas cremalheiras, em vez de puxar pela corda do arco.

Romanos

A quirobalista (cheirobalista) era um engenho que disparava setas a longas distâncias. Há autores, como Campbell e Schellenberg, que especulam que seria posterior à época de Heron, por torno de 100 d.C., Apolodoro de Damasco engenheiro grego, terá trabalhado para os romanos, munciando-os com manubalistas. Neste engenho, as molas eram esticadas em duas valvas metálicas, adjacentes à haste. A balista de Heron era o engenho de torção de dois braços, mais sofisticado ao dispor dos romanos. Os Romanos serviam-se das bestas tanto para fins militares, como para finalidades venatórias (caça). No final do século IV d.C., o autor Vegécio, na sua obra De Re Militaris faz menção de arcubalistarii (arcobalisteiros) a colaborar com arqueiros e artilheiros, no campo de batalha.

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Idade Média

Na Europa, também há vários registos, inclusive na Guerra dos Cem Anos onde os besteiros genoveses deram apoio à França contra a invasão da Inglaterra. Porém foi mal-sucedida, pela fraca estratégia usada pelos franceses e pelo baixo número de guerreiros que utilizavam a arma. Nesta época, entre os séculos XIV e XVI, as bestas tinham um alcance considerável, cerca de 100 passos (entre 230 e 250 metros de distância), e pesavam entre cinco a sete quilogramas enquanto o arco longo inglês tinha um alcance entre 180 e 200 metros, o que dava vantagem à besta. Porém, ela tinha um intervalo muito grande entre os disparos: o besteiro tinha de colocar um novo quadrelo na haste, enrolar então a corda com uma alavanca que se encontrava na parte anterior da arma, até ao ponto certo para o novo tiro, o que, além de requerer muita força física, demorava cerca de dois a cinco minutos, tempo que não se tinha na guerra contra os arqueiros ingleses, apelidados de Arlequim, que significa demónio. Eles conseguiam atirar facilmente cerca de cinco flechas no curto espaço de vinte segundos; além disto, o besteiro estava sempre acompanhado de um segundo homem que carregava um pavês - escudo comprido feito de carvalho e salgueiro que era usado para defender o besteiro dos ataques de flechas inimigas nos momentos em que ele carregava a sua besta, o que era sempre feito atrás deste escudo. A besta tinha força suficiente para atravessar a maioria das armaduras da época, como cotas de malha e algumas armaduras leves de placas, a uma boa distância. Porém havia outras bestas chamadas leves, que não tinham o mesmo alcance e potência, sendo usadas principalmente na caça.

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Renascimento

Nos exércitos europeus, os besteiros montados e desmontados, misturados com os fundibulários, os lançadores de dardos e os arqueiros, ocupavam uma posição central em formações de batalha. Normalmente, atacavam antes dos cavaleiros. Os besteiros também eram importantes em contra-ataques para proteger a infantaria. Junto com as armas de haste feitas a partir de equipamentos agrícolas, a besta também era usada por camponeses rebeldes, como se mostrou na revolta dos Taboritas no século XV, uma comunidade religiosa na região da Boêmia, considerada herética pela Igreja Católica. Os cavaleiros equipados com lanças provaram-se ineficazes contra formações de lanceiros, alabardeiros e piqueiros combinados com besteiros, cujas armas podiam penetrar a armadura da maioria dos cavaleiros. O desenvolvimento de mecanismos para rearmar permitiu o uso de bestas sobre o cavalo, levando ao surgimento de novas táticas de cavalaria.

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Em função do projéctil

Os projécteis das bestas podiam ser flechas, virotes, incluindo as respectivas variantes incendiárias e envenenadas; pelouros e bodoques. Os besteiros portugueses eram conhecidos por envenenarem os virotes com erva-besteira.

Bestas de flechas

As bestas de flechas terão sido, presuntivamente, as primeiras versões de bestas a ser criadas. A gastrafera grega, por exemplo, era uma besta de flechas, o que bem se vê, dadas as suas grandes dimensões. As bestas de flechas eram maiores do que as bestas de virotes, dada exactamente a respectiva dimensão dos projécteis que disparavam. As flechas, enquanto projécteis das bestas podiam medir entre 60 a 90 centímetros e pesariam em torno dos 20 a 30 gramas, sendo, em geral, um pouco mais finas e leves que as usadas nos arcos, para minimizar o risco de encravar na calha da haste da besta. O calcanhar de aquiles deste tipo de bestas é que são pouco precisas. Isto porque as flechas tendem a entortar e torcer-se, quando projectadas, por um impulso posterior, que as atinge com grande velocidade. Pelo que, amiúde, era difícil ao besteiro fazer as devidas compensações para obviar estes problemas aerodinâmicos, resultantes do cariz mecânico da arma.

Bestas de virotes

Estas bestas correspondem ao tipo mais emblemático de besta, terão começado a ser utilizados por torno do século IV d.C., tendo conhecido lauto uso ao longo da Idade Média e do Renascimento. Muniam-se de virotes, que são projécteis de haste de madeira e ponta metálica, curtos, semelhantes à seta, mas de mais reduzidas dimensões e ideados para serem disparados por uma besta, em vez de um arco. O virote médio mediria entre 25 a 45 centímetros de comprimento, com à volta de 8 a 13 milímetros de grossura. A contraponta do virote, chamada conto, é emplumada ou empenada, o que significa que contém pequenas rémiges (que são penas direccionais, ou peças de outros materiais que funcionam como tal), normalmente de coiro ou madeira, que estão dispostas de forma helicoidal, com o intuito de aumentar a estabilidade de voo dos virotes, quando disparados, conferindo-lhes um voo giroscópico (ou seja, o virote gira sobre si próprio, enquanto percorre a sua trajectória, desde a besta até ao alvo).

Bestas de bodoques

Esta qualidade de bestas caracteriza-se por lançar cascalho ou bodoques, palavra actualmente obsoleta no português, mas que na era medieval designava pequenas pelotas ou balas de barro cozido, envoltas numa bolsinha no meio de uma corda dupla. O termo provém do grego pontikón (káryon), «noz pôntica», tendo passado pelo latim pontĭca nux, e ulteriormente sofrido alterações por força da influência árabe, convolando-se no vocábulo bunduq, que significava «noz; avelã; bala». Caracterizava-se por ter duas cordas e por a haste conter uma concavidade, dentro da qual se alojava o bodoque. Os primeiros exemplares das bestas de bodoque tinham um arco de metal, que era retesado manualmente, ao contrário de outras bestas suas contemporâneas que já estavam dotadas de outros mecanismos de armamento, como polés, garruchas e armatostes.

Bestas de pelouros

Estas bestas, por seu turno, caracterizavam-se por disparar esferas de chumbo ou pedra (pelouros), servindo-se do mesmo engenho usado pelas bestas de bestas de bodoques, se bem que com maior potência, a fim de poder projectar estas munições mais pesadas. Aprestavam-se de uma alavanca para se armarem. Os primeiros exemplares terão aparecido a partir do século XVI, na Alemanha, tendo conquistado grande popularidade pela Europa fora, entre 1760 e 1810, permanecendo em uso em partes das Américas nos finais do século XIX e início do XX. Foi incorporado na coronha um gatilho de alavanca sofisticado, que tornou esta besta mais maneirinha e portátil, facilitando o seu uso na caça.

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Em função do arco

As bestas também se podem classificar em função do respectivo tipo de arco que assenta na haste.

Besta de arco simples

Este tipo de bestas era dotada de arcos de madeira, idênticos aos arcos curtos comuns. Os arcos em questão não mediriam mais do um metro e vinte centímetros e contariam com um poder de tracção na ordem dos 20 aos 30 quilos. Pesam entre um a dois quilos e têm até um metro e quarenta centímetros de comprimento. Foi este tipo de besta que mais se usou na Europa, durante a Alta Idade Média. Posteriormente, caíram em desuso, quando os cruzados contactaram com os arcos compósitos árabes e do próximo oriente, acabando, depois, por adoptá-los e adaptá-los às suas bestas. Em todo o caso, este tipo de besta continuou a ter uso no âmbito venatório (caça), durante o resto da Idade Média.

Besta de arco laminado

Este tipo de bestas, feitas de ripas de madeira ou bambu coladas, eram as mais características da China antiga. Ficavam a meio termo entre as bestas de arco simples e as de arco compósito, valendo-se de um poder de tracção que ascendia até aos 50 quilos. Mediam, em regra, entre 80 a 90 centímetros e pesavam entre um a dois quilos e meio. As bestas chinesas eram, por sinal, mais curtas do que as ocidentais, medindo entre 55 e 80 centímetros de comprimento.

Besta de arco compósito

Tradicionalmente, desde a Antiguidade clássica, que foram mais utilizadas no Oriente. Terão sido adoptadas pelos romanos, mas só ganham autêntico relevo no plano europeu a partir do século XII, no contexto das cruzadas. Foram alcunhadas de cerveiras, por o arco que usavam ser amiúde feito com os cornos de cervos. Ora, isto conduziu à elaboração de bestas de arco menor, com dimensões na casa dos 60 aos 75 centímetros, com amplitudes de extensão da corda na ordem dos 20 aos 30 centímetros. No entanto, isto conferia-lhes um poder de tracção muito significativo, na gama dos 100 quilos ou mais. Quanto às dimensões da besta em si, e não só do arco, esta pesava à volta de quilo e meio a três quilos e meio, medindo em média por volta de um metro de comprimento.

Besta de arco de aço

Também chamadas balestras (do castelhano e do italiano arbalestas, que terá vindo do francês medieval arbalest, que por seu turno, será uma deturpação do latim arcuballista), embora essa designação tenha sido sempre pouco comum em Portugal, preferindo-se a nomenclatura "besta de arco de aço". O seu uso incipiou-se na Europa, por volta do século XIV, sendo certo que são capazes de já terem sido usadas, antes, desde o século XI na Espanha sob domínio islâmico. Caracteriza-se pelo arco de aço, que media 75 centímetros, aguentava com um poder de tracção de 450 quilos e tinha uma amplitude de extensão, ao retesar a corda, de 30 centímetros. As balestras de maiores dimensões orçavam um potencial de tracção na casa das duas toneladas e tinham alcance de 900 metros. No entanto, para se dispor de todo este potentado bélico, careciam de manivelas, roldanas ou cremalheiras para serem armadas. A evolução da siderurgia, mormente no que respeita ao fabrico do aço, tornou estas armas relativamente corriqueiras nos séculos XV e XVI.

Balestrino

Besta de pequenas dimensões, dotada de um arco com uns exíguos 40 centímetros de semicircunferência, que se armava mediante o accionamente de um armatoste, inserido no corpo da haste. Podia ser levada às escondidas, o que a tornava numa arma proibida. Disparava virotes especialmente pequenos (com pouco mais de cinco centímetros), amiúde envenenados. Como o nome sugere, esta variedade de besta é oriunda da Itália, reportando-se ao período do Renascimento. Acrescentando-se uma coronha e um gatilho de pistola, esta besta transforma-se numa besta-pistola, que é uma sub-variedade das bestas compostas.

Besta composta

Esta categoria de bestas compreende as bestas modernas. Surgiu nos anos 60 do século XX, servindo-se de um arco composto, dotado de polias (espécie de roldana com correias de correr, como as correias de uma bicicleta). Este mecanismo de polias permite armar a besta à mão sem grande exerção física, sem acarretar qualquer prejuízo para o poder tênsil da corda e dispensando o recurso a mecânismos de armação. Se bem que há variantes que se servem de uma espécie de armatoste, para minorar ainda mais o esforço associado ao acto de armar a besta. A haste das bestas compostas de maiores dimensões afeiçoa-se à coronha de uma espingarda e nas mais reduzidas assemelha-se mais à de uma pistola (como por exemplo, por antonomásia, é o caso das bestas-pistola). O despoletar do tiro é comunicado por um gatilho, também à guisa de uma arma de fogo, situado sob a haste.

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Em função do tipo de mecanismo

Esta variedade de besta era armada com o auxílio de um engenho denominado garrucha, que consistia numa engrenagem, accionada à manivela, cujos dentes ou crenulas, uma vez postas em contacto com uma cremalheira, puxavam a noz e retesavam a corda. Esta arma foi empregada a partir do século XIV e permitia uma força de tracção que variava entre os 160 e os 450 quilos, sendo certo não permitia mais de dois ou três tiros por minuto. Não pesava mais de 4 quilos e a garrucha pesaria entre quilo e meio e três quilos. Estas bestas constituíam bestas de assédio ou de cerco, pelo que os besteiros se podiam proteger por de trás de paveses (escudos grandes transportados por escudeiros) e nas seteiras das muralhas. Os disparos esmavam um alcance que podia ascender até aos 400 metros. De acordo com o Elucidário de Viterbo sabe-se que as bestas de garrucha se muniam ou com virotes de ponta de garrocha ou com uma variedade peculiar de quadrelos, chamados garrochões, (que são projécteis de haste de madeira extremada por uma ponta de ferro farpada). Também se fica a saber, pela mesma obra, que D. João I, em 1410, oficializou a besta de garrucha como a arma de preceito para as tropas que guardavam a localidade de Freixo de Espada à Cinta.

Besta simples

Esta classe de besta não tem estribo, nem laço, em vez disso é armada puxando-se pela corda do arco à mão, enquanto os pés pisam o arco, a fim de segurar a besta contra o chão. As bestas simples empunhas na Escandinávia do século X ao século XVII davam pelo nome de Skåne Lockbow e mediam 81 centímetros de comprimento, in totum. O arco simples de madeira, que lhes encimava a haste, media à volta de 90 centímetros de comprimento. Este arco tinha uma força de tracção de cerca 25 quilos e um alcance de 50 metros. Pesariam cerca de um quilo e meio. Na Alta Idade Média, um besteiro, munido deste tipo de besta, poderia disparar até cinco tiros por minuto.

Besta de gancho

A besta de gancho é assim definida por causa do gancho, também chamado «gafa», pendente do punho do besteiro, que firma o estribo com o pé e segura a haste da arma à mão, no comenos em que puxa pela corda com a gafa presa também ao cinto. Com isso ele puxava a corda até conseguir esticá-la o quanto necessário. Este engenho foi usado na Europa a partir do século XII, porém, também era conhecido na China desde há muito, tendo continuado a ser usado nesse território até quando este tipo de bestas já tinha caído em desuso no Ocidente. O mecanismo permite-lhe uma força tractiva de 75 quilos. Oferecia uma cadência de tiro de cinco virotes por minuto, aos besteiros experientes.

Besta de cavaleiro

Este tipo de besta era usada pela tropa de cavalaria. Armava-se com um gancho, que ia preso ao boldrié ou talim do cavaleiro, ao qual se prendia uma corda, enquanto se empurrava o estribo com o pé. Este engenho foi utilizado na Europa a partir do século XIII e possibilitava um poder de tracção de 45 quilos, bem como uma cadência de tiro de cinco virotes por minuto, às mãos dos besteiros mais experientes. A besta, em si, não pesaria mais de quilo e meio, obtendo disparos com um alcance máximo na casa dos 100 metros.

Besta de polé

Esta besta armava-se com uma polé, que era uma roldana, numa correia ou corrente ou numa cremalheira, que se prendia pela coronha ao cinto do besteiro e, na contraponta da haste da besta, metia-se por um pino, que estava na base da haste. O gancho da polé puxava a corda da besta com mais eficácia, possibilitando uma força de tracção na ordem dos 100 quilos. Contudo, o engenho era particularmente frágil, pelo que acarretava o risco de a polé se engastalhar, de escorregar ou se de emaranhar na arma. No que toca à sua cadência de tiro, não dá azo a mais de quatro virotes por minuto, às mãos de um besteiro cadimo. Esta classe de besta não pesava mais de 3 quilos, mas os seus disparos tinham um alcance máximo de 160 metros.

Besta de balancim

Esta besta usou-se desde o século XIII e caracterizava-se por valer-se de uma alavanca de madeira presa no estribo, com um gancho na ponta, que propelia a corda para a noz com ajuda de uma outra alavanca mais reduzida. Tratando-se de uma besta com poder de tracção de pelo menos 55 quilos, o besteiro normalmente ajoelhava-se de maneira a poisar a besta no chão, para a poder carregar. Exceptuando-se os casos em que a tração do arco da besta fosse fraca, por exemplo, se fosse inferior a 30 quilos, em que à partida conseguiria armá-la em pé. No que concerne à sua cadência de tiro, oportuna pelo menos dois virotes por minuto, oferecendo tiros com alcance máximo de 120 metros.

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Na cultura popular

Guilherme Tell, herói lendário da Suíça, para se livrar da prisão, teria tido que atirar uma flecha numa maçã colocada sobre a cabeça do próprio filho. Esta teria sido uma ordália, ou prova divina de sua inocência (caso acertasse) ou culpa (se errasse), no conceito do direito medieval europeu.

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Enquadramento Jurídico

Na lei portuguesa, as bestas são qualificadas, à luz da alínea ao) do n.º 1 do artigo 2.º, do «Regime Jurídico das Armas e Munições», como sendo toda a arma branca, dotada de mecanismo destinado ao disparo de virotões. Sendo consideradas armas de categoria A, quando se encontrem nas condições previstas na hipótese-legal prefigurada pela alínea ab) do n.º 2 do artigo 3.º do já mencionado regime legal. Havendo uma proibição geral para a cedência, uso, detenção e aquisição das armas de classe A, nos termos do art.º 4 do já mencionado diploma legal, a sua eventual aquisição, uso, detenção ou cedência carece de ser justificada legalmente, sob pena de cominação penal ou contra-ordenacional.

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Fontes consultadas

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