Boitatá
Boitatá é um termo de origem tupi que descreve o fenômeno natural do fogo-fátuo, dando origem a uma das mais antigas entidades míticas registradas no Brasil. Essa lenda se manifesta como uma serpente incandescente, guardiã das matas e florestas.
Pontos-chave
- Boitatá é um termo tupi que significa 'coisa de fogo'.
- A lenda se originou do fenômeno natural do fogo-fátuo.
- É descrito como uma grande serpente incandescente ou uma tora em brasa.
- O Boitatá é o guardião dos campos, matas e florestas.
- Os primeiros registros da lenda datam de 1560, feitos por Padre José de Anchieta.
Imagem: Rodrigo_Soldon · BY · Openverse
O nome mais comum, 'Boitatá', vem do tupi 'mba'e' (coisa) e 'tatá' (fogo), significando 'coisa de fogo'. Essa denominação se relaciona com a imagem de uma serpente incandescente. No entanto, o nome popular varia em diferentes regiões do Brasil: no Sul, é conhecido como Baitatá ou Batatá; na Bahia, como Biatatá; em Minas Gerais, como Bata; no Nordeste, como Batatão; e em Sergipe e Alagoas, como Jean de la foice ou Jean Delafosse.
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Um dos primeiros registros sobre o Boitatá data de 1560, feito pelo Padre José de Anchieta. Ele observou que o fogo se movia deixando um rastro luminoso, semelhante à marcha ondulada de uma serpente. O biólogo Hitoshi Nomura corrobora essa observação, explicando que a imagem da serpente surgiu devido ao deslocamento das chamas.
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No folclore brasileiro, o Boitatá (também chamado de Mboitatá) é uma colossal cobra de fogo, que, assim como a Cobra-Grande, habita as águas e aterroriza. Ele atua como guardião dos campos, sob as ordens de Jaci, a deusa das plantas. Pode se transformar em uma tora em chamas para punir aqueles que causam incêndios em áreas de vegetação. A lenda tem sua raiz no fenômeno do fogo-fátuo, causado pela decomposição de matéria orgânica que libera gases inflamáveis. Correntes de ar podem fazer essas chamas se moverem, criando a ilusão de uma cobra flamejante. A obra 'Lendas do Sul' (1913), de João Simões Lopes Neto, apresenta um conto que detalha essa lenda, descrevendo o Boitatá ora como uma cobra preta, ora como uma grande serpente com olhos luminosos como faróis, uma imagem que se consolidou no imaginário popular.


