Boemundo I de Antioquia
Boemundo I de Antioquia, o Grande, Boemundo de Taranto ou Boemundo de Altavila, príncipe de Taranto, foi o primeiro príncipe de Antioquia e um dos líderes da Primeira Cruzada.
O título de príncipe de Taranto não terá sido usado por Boemundo durante a sua vida, mas sim criado por Rogério II da Sicília em 1132. Foi concedido retroactivamente a Boemundo em 1153, como Antiocenus et Tarentinus princeps (Príncipe de Antioquia e Taranto) no Codice diplomatico Barese, e depois geralmente chamado de princeps Tarentinus (Príncipe de Taranto). Durante a sua vida, Boemundo assinava documentos simplesmente como Roberti ducis filius (Filho do duque Roberto) até à tomada de Antioquia. O seu filho e sucessor Boemundo II de Antioquia referia-se ao pai como magnus Boamundus (que pode ser lido como Boemundo o Grande, devido à sua enorme estatura física ou aos seus feitos guerreiros; ou como Boemundo o Velho, talvez para se diferenciar do filho, supostamente o Novo). Por fim, devido à disputa que Boemundo I teve com o irmão, e com a subsequente diminuição do ducado de Apúlia, foi chamado de duque da Apúlia (dux Apuliae) por alguns cronistas. Mas o título mais frequentemente usado durante a sua vida teria sido príncipe de Antioquia (Antiocenus princeps).
Boemundo acompanhou o pai no seu ataque ao Império Bizantino (1080–1085) e comandou os normandos durante a ausência de Guiscardo (1082–1084). Penetrou pela Tessália até Lárissa, mas foi posteriormente repelido por Aleixo I Comneno. Esta primeira hostilidade com Aleixo teve uma influência determinante nas acções e na política do imperador, desde o início da Cruzada dos Nobres de Boemundo (a quem o seu pai tinha destinado o trono de Constantinopla). Roberto Guiscardo teria deixado ordens para o seu filho continuar a avançar pelo ocidente bizantino e provavelmente até onde fosse possível, até mesmo Constantinopla. Assim, na primavera de 1082, Boemundo saiu de Castória e cercou Janina. Na região ao redor de Janina encontravam-se colónias de valáquios, federados do Império Bizantino com quem Boemundo acordou uma paz. Terá provavelmente recebido o apoio militar destes, uma vez que deixou muitos locais fortificados ainda nas mãos dos bizantinos.
Quando Roberto Guiscardo morreu, a 17 de julho de 1085, Boemundo, que se encontrava em Salerno, herdou as possessões do seu pai no Adriático, que em pouco tempo foram perdidas para os bizantinos. O seu meio-irmão mais novo, Rogério Borsa, herdou a Apúlia e as possessões italianas e, juntamente com a sua mãe, Sigelgaita de Salerno, voltou rapidamente para a península Itálica. Segundo o cronista inglês Orderico Vital, Boemundo fugiu para Cápua, temendo ser assassinado por Sigelgaita, de quem se dizia ter envenenado Guiscardo. Outra interpretação desse acontecimento é que Boemundo se queria aliar com o príncipe Jordão I de Cápua, em resposta à aliança entre Rogério Borsa e o seu tio, o conde Rogério I da Sicília, que assegurara o reconhecimento do sobrinho como duque em Setembro. Com o apoio de Cápua, Boemundo revoltou-se contra o irmão e tomou Oria, Otranto e Taranto. Mas os irmãos acabariam por acordar uma paz em março de 1086 e passaram a governar em conjunto. No final do verão de 1087, Boemundo reiniciou o conflito com o apoio de alguns vassalos do irmão. Surpreendeu e derrotou Rogério em Fragneto e retomou Taranto.
Em 1096, Boemundo acompanhava o tio Rogério I da Sicília no ataque à cidade de Amalfi, que se revoltara contra Rogério Borsa. Bandos de cruzados começaram a passar, atravessando a península Itálica a caminho de Constantinopla. A sua motivação está aberta a debate: foi tomado pelo zelo da cruzada ou, possivelmente, viu esta como uma oportunidade de criar um principado seu no Oriente. O cronista Godofredo Malaterra do século XI afirma claramente que Boemundo tomou a cruz apenas com a intenção de pilhar e conquistar terras gregas. O príncipe de Taranto organizou um exército normando, talvez um dos melhores da hoste cruzada. Atravessou o mar Adriático e entrou em Constantinopla pela rota que tinha tentado seguir em 1082–1084. Teve o cuidado de observar uma atitude política para com Aleixo I Comneno e, quando chegou a Constantinopla em Abril de 1097, prestou homenagem ao imperador. Este exigira aos líderes da cruzada o juramento de lhe entregarem as terras reconquistadas aos muçulmanos. É possível que Boemundo tivesse negociado com Aleixo sobre um principado em Antioquia. Se o fez, não terá sido encorajado pelo bizantino.
Antioquia era uma antiga cidade bizantina que tinha sido conquistada pelos muçulmanos há apenas cerca de uma década, em 1085. Boemundo foi o primeiro a posicionar-se no cerco cruzado em outubro de 1097]e i um dos principais intervenientes da acção bélica, rechaçando as tentativas dos muçulmanos de oferecer ajudas a partir do leste, e fazendo a ligação das forças sitiantes no ocidente com os navios genoveses no porto de São Simeão. Com mais de quatrocentas torres, a cidade era quase impenetrável e o cerco arrastou-se pelo inverno, causando grandes dificuldades para os cruzados que foram frequentemente forçados a comer até os próprios cavalos ou, conforme as lendas, os corpos dos companheiros cristãos que não sobreviveram. Face às dificuldades do cerco, Boemundo viu a ocasião de tomar um domínio para si. Imediatamente ameaçou, com o pretexto da demora do cerco, voltar à Itália para trazer reforços, mas as suas capacidades estratégicas e a importância do contingente que o acompanhava eram absolutamente necessárias à cruzada. Por isso foi-lhe prometido tudo o que quisesse para continuar. Entretanto a partida de Tatício, o representante do Império Bizantino, deu-lhe um pretexto para alegar uma traição, o que podia autorizar os cruzados a considerarem-se livres do seu juramento a Aleixo I Comneno.
Em 1100, Boemundo foi capturado por Danismende Gazi, o emir de Sivas, e ficou aprisionado até 1103. Durante este período, Tancredo da Galileia assegurou a regência de Antioquia, aumentando o principado ao tomar as cidades de Tarso e Lataquia do Império Bizantino. Mas entretanto Raimundo IV de Toulouse estabeleceu-se, com a ajuda de Aleixo, no Condado de Trípoli, e conseguiu controlar a expansão de Antioquia para o sul. Resgatado em 1103 por Balduíno de Bourg, Boemundo começou por atacar os vizinhos muçulmanos para lhes tomar os abastecimentos. Mas a derrota decisiva das forças aliadas de Edessa e Antioquia na batalha de Harã impossibilitou a criação do grande principado oriental pretendido por Boemundo. Depois de um ataque grego ao Reino Arménio da Cilícia, o príncipe de Antioquia viu-se forçado a voltar à Europa para recrutar reforços que lhe permitissem defender a sua posição. Conseguiu um casamento com Constança, a filha do rei Filipe I de França, e juntou um poderoso exército. Sobre este casamento, o Abade Suger de Saint-Denis teceu elogios a Boemundo e ao príncipe Luís de França, irmão da noiva e futuro rei da França.
Ao longo dos tempos, muitas obras se escreveram sobre o primeiro príncipe de Antioquia:


