Boas Novas
Boas Novas é uma rede de televisão brasileira pertencente ao pastor Samuel Câmara, que em 1993, comprou a Rede Brasil Norte do Grupo Simões, para transformar em Boas Novas em Manaus.
Compra da RBN
Em 1.º de janeiro de 1993, o pastorado da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM), liderado por Samuel Câmara, decide adquirir uma emissora de rádio em Manaus para ampliar a difusão de suas ideias para mais fiéis. Na época, o Grupo Simões havia colocado à venda a Rádio Ajuricaba (hoje Rádio Boas Novas Amazonas), e iniciou as negociações com os pastores. Assim como a rádio, estava à venda desde 1991 a Rede Brasil Norte (RBN), afiliada à Rede Manchete, que possuía emissoras em Manaus e Porto Velho. Tendo a oportunidade de adquirir também um canal de televisão, a IEADAM negociou então a compra de todos os veículos, que estavam avaliados em 9 milhões de dólares. As negociações prosseguiram até 7 de janeiro, chegando ao valor final de 3,25 milhões de dólares (o equivalente na época a 45 bilhões de cruzeiros), que deveriam ser pagos em prestações. Ficou estipulado que a igreja deveria pagar uma entrada de 100 mil dólares ao firmar o contrato de venda em 15 de janeiro, e para ter o controle total do veículos, deveria desmbolsar em até 60 dias mais 450 mil dólares, e mais 24 parcelas nos meses subsequentes para completar a transação.
Formação da rede (1993–1999)
No dia 15 de março, a comitiva formada pelo pastor Samuel Câmara, Paulo Oliveira, Wanderley Dallas, Climilton Braga Júnior, Miquéias Fernandes e Francisco Souza, foi em direção a sede do Grupo Simões com o cheque para quitar a segunda parcela. Às 20h do mesmo dia, a comitiva efetuou o pagamento. Após a aquisição, o pastor Samuel Câmara lançou o desafio para toda a igreja, para que apresentassem sugestões de logomarca e de nome, com as quais a rede deveria ser identificada doravante. Nesse meio tempo decidiu-se utilizar à mesma sigla "RBN" (que anteriormente significava Rede Brasil Norte), mas que a partir de agora passaria a significar Rede Boas Novas. A emissora manteve a retransmissão da programação da Rede Manchete, da qual a RBN era afiliada desde 1986, mas passou a ocupar gradativamente a grade de programação com seus próprios programas.
Década de 2000
Em 2000, a RBN deixa ser exibida nas antenas parabólicas, depois de permanecer cinco anos, passando ter outro satélite internacional com alcance mais do que a BrasilSat B1, apesar das inúmeras reclamações aos telespectadores, principalmente frequentadores da igreja. Em 15 de março de 2001, por ocasião do 8.º aniversário da RBN, foi implantado o website e o streaming da rede, onde pela primeira vez uma emissora evangélica no Brasil passa a transmitir sua programação ao vivo via internet. Entre 2003 a 2004, foi quando a Rede Boas Novas começou a fase mais abrangente de sua expansão, na ocasião antes e depois de 10 anos da rede. Foi definidora a atuação do pastor e deputado federal Silas Câmara, parlamentar da Assembleia de Deus no Amazonas.
Década de 2010
Em abril de 2010, o prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso (que havia derrotado o poderoso grupo político local ligado à Igreja Assembleia de Deus, através das urnas na prefeitura em 2008), acusou a mesma igreja e um pastor local (que cedeu sala em anexo no prédio da retransmissora de TV, para que funcionasse a Rádio Nova Coari FM após incêndio sofrido pela emissora), por fazerem críticas à administração local. O prefeito criticou o fato do espaço está cedido para a rádio e ameaçou tomar providências contra o local e o pastor da Igreja, caso eles não tomassem providências para mudar o local para a rádio funcionar. Entre 22 a 29 de maio, a rede fez a cobertura da Exposição Cristã Norte 2010 em Manaus que debate o tema “Avivamento para Transformar o Planeta”, com apresentações de 25 pastores e preletores de diversos países, apresentação de mais de 25 cantores e bandas de renome da música gospel e a maior feira de produtos e serviços evangélicos.
A Boas Novas tem duas emissoras próprias e quase cem retransmissoras e afiliadas. No Rio de Janeiro, em uma área de 13 mil metros quadrados, a emissora conta com 3 modernos estúdios com 961 m² ao todo (sendo 293,98 m² do Estúdio 1; 222,89 m² do Estúdio 2 e 444,16 m² do Estúdio 3) com toda infra-estrutura para produção e exibição de programas. A emissora também conta com equipamentos avançados para captação ótica Sony XDCAM, tapeless, servidores digitais de áudio e vídeo para produção, recepção e exibição de produtos, materiais e propaganda em qualquer formato de vídeo. A programação da Boas Novas pode ser assistida de todo Brasil pela antena parabólica em receptor digital.
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
Contratação irregular de obreiros como funcionários
Em 14 de abril de 2005, a Fundação Boas Novas foi condenada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 11.ª Região, a não mais contratar obreiros sob regime de "trabalho voluntário" para a Boas Novas Manaus e outras empresas da fundação, com o objetivo de evitar a sonegação de direitos trabalhistas destes funcionários. A ação civil pública foi proferida pelo procurador Carlos Eduardo Carvalho Brisolla, que ainda obrigou a fundação a regularizar a situação contratual dos obreiros que haviam sido contratados irregularmente, sob pena de multa diária de 1 mil reais em caso de descumprimento.
Escândalo dos sanguessugas
Em 14 de dezembro de 2009, o Tribunal de Contas da União condenou o ex-diretor executivo e o diretor executivo da Fundação Boas Novas, mantenedora da emissora, Dan Câmara e José dos Santos, os ex-membros da comissão de licitação da entidade Miquéias de Lima, Samuel da Silva, Ronaldo Lucena e a empresa E. F. Medeiros a devolverem, solidariamente, R$ 562.092,06 aos cofres do Fundo Nacional de Saúde. O TCU detectou irregularidades em dois convênios firmados entre a Fundação Boas Novas e o Ministério da Saúde para compra de 18 ambulâncias e três micro-ônibus, distribuídos a diversos municípios do Amazonas "para fortalecer o Sistema Único de Saúde". A fiscalização do TCU não localizou as seis ambulâncias, mas descobriu que os veículos foram adquiridos a preços elevados, acima do valor de mercado. Todos os mencionados no processo e as empresas envolvidas também foram obrigados a pagar multa de 8 mil reais ao Tesouro Nacional.
Irregularidades da Fundação Boas Novas
Em 14 de janeiro de 2011, a PF instaurou um inquérito criminal para investigar se os recursos federais destinados à Fundação Boas Novas nos últimos dez anos, vem sendo utilizados para promover as campanhas eleitorais de Silas Câmara. Segundo o inquérito, durante esse período, a fundação recebeu quase R$ 9 milhões em emendas propostas pelo próprio parlamentar e aprovadas na Câmara Federal. Em 26 de março de 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a Polícia Federal (PF) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Amazonas cumpram diligências no inquérito policial 3.092 em que o deputado federal Silas Câmara (agora no PSD) é acusado de praticar crime eleitoral por meio da Fundação Boas Novas, durante a campanha de 2010.
Remessa de dinheiro irregular
Em 9 de setembro de 2010 a Polícia Federal do Acre informou que apreendeu três dias antes, R$ 472.130,00 que estavam dentro da caixa de papelão na posse do homem (cujo nome não foi revelado) e que teriam como destino a candidata à deputada federal Antônia Lúcia Câmara, esposa do deputado federal pelo Amazonas, Silas Câmara (PSC). Apesar da apreensão e o envolvimento da esposa Antônia Lúcia Câmara, ela é eleita deputada federal em outubro do mesmo ano. O caso foi protocolado em novembro pelo Ministério Público Eleitoral do Acre (MPE-AC) na Justiça Eleitoral acriana, contra o deputado federal Silas Câmara e a mulher Antônia Lúcia Câmara é do número 178782.2010.601.0000 classe 3.


