Assembleias de Deus no Brasil
As Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus, ou simplesmente Assembleia de Deus, constituem um conjunto de igrejas autônomas que, em comunhão doutrinária e histórica, formam uma única denominação cristã de origem protestante e de orientação pentecostal no Brasil. Trata-se do ramo mais antigo entre as Assembleias de Deus em âmbito mundial, anterior, inclusive, à organização institucional de sua denominação coirmã nos Estados Unidos. No contexto do pentecostalismo brasileiro, a Assembleia de Deus é considerada a segunda igreja de linha pentecostal estabelecida no país, sucedendo a Congregação Cristã no Brasil, fundada em 1910 pelo missionário ítalo-americano Louis Francescon. Como curiosidade histórica, nos primeiros anos de implantação dessas duas denominações no Brasil, houve relações próximas e intercâmbio fraterno entre seus líderes e membros, especialmente em virtude das afinidades doutrinárias iniciais e do ambiente comum do avivamento pentecostal, antes de suas trajetórias institucionais se consolidarem de forma distinta.
A Assembleia de Deus no Brasil teve sua origem no início do século XX, no contexto do movimento pentecostal internacional, por intermédio dos missionários sueco-americanos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Ambos chegaram ao Brasil em 19 de novembro de 1910, aportando na cidade de Belém, capital do estado do Pará, provenientes dos Estados Unidos, onde haviam sido influenciados pelo avivamento pentecostal então em curso. Antes de sua vinda ao Brasil, Vingren e Berg mantiveram contato com o movimento de renovação espiritual associado ao Avivamento da Rua Azusa, ocorrido em Los Angeles, em 1906, sob a liderança do pastor afro-americano William Joseph Seymour, evento amplamente reconhecido como marco do pentecostalismo moderno. Também foram influenciados por ensinamentos difundidos por líderes como Charles Fox Parham, que enfatizavam a atualidade do batismo no Espírito Santo, acompanhado pela evidência do falar em línguas (glossolalia), bem como a continuidade dos dons espirituais descritos no Novo Testamento.
A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) surgiu no contexto do expressivo crescimento das Assembleias de Deus no país nas primeiras décadas do século XX. Após aproximadamente trinta anos da implantação do movimento pentecostal no Brasil, iniciado em 1911 pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, os pastores nacionais compreenderam a necessidade de criar um organismo de caráter nacional que possibilitasse a coordenação, o diálogo doutrinário, a organização administrativa e a representação institucional da denominação. A idealização da CGADB partiu fundamentalmente da liderança pastoral brasileira, em um momento de transição no qual as Assembleias de Deus ainda se encontravam sob forte influência administrativa dos missionários suecos. Os primeiros passos concretos ocorreram em uma reunião preliminar realizada na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, nos dias 17 e 18 de fevereiro de 1929, quando se discutiu a viabilidade e os objetivos de uma convenção geral.
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As Assembleias de Deus estão dividida em três denominações principais, as duas primeiras, formadas a partir das missões de Daniel Berg e Gunnar Vingren, são a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB), estes sendo os "guarda-chuvas" das denominações no país, consideradas herdeiras da missão sueca. A terceira denominação é a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério Madureira (CONAMAD), fundada por brasileiros, em específico pelo Pr. Paulo Leivas Macalão, na década de 50. As igrejas filiadas à CGADB e à CADB são popularmente chamadas de Assembleia de Deus "Missão", quando as filiadas à CONAMAD são popularmente conhecidas como Assembleia de Deus "Madureira". Existem ainda diversos outros grupos assembleianos que se desfiliaram ou nunca foram filiados à qualquer das três grandes convenções. Exemplos são a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Assembleia de Deus Ipiranga, Assembleia de Deus Ministério de Perus e Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Logo, há diversas denominações que usam o nome "Assembleia de Deus" no Brasil.
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As diversas denominações assembleianas variam em seus documentos confessionais, sendo alguns extremamente simples, enquanto outros extensos. O credo da Assembleia de Deus (aprovado pelo Concílio Geral das Assembleias de Deus nos EUA) é semelhante aos credos da maioria das denominações protestantes. É uma denominação de origem proto-pentecostal, ou seja pentecostal clássica. A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil publicou, em 2016, uma Declaração de Fé, documento que afirma as doutrinas da inerrância bíblica, o canon protestante, Trindade, Diofisismo, morte expiatória de Cristo, pecado original, arminianismo, credobatismo , batismo por imersão, a visão da Ceia como memorial da morte de Cristo, domingo como o dia de culto e o batismo com o Espírito Santo como distinto da salvação. Algumas igrejas tem se alinhado com o Neopentecostalismo, como a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do televangelista Silas Malafaia, aderindo à Teologia da Prosperidade, sistema de gestão empresarial e uso intenso de mídias como a televisão e o rádio além de uma visão liberal a respeito dos usos e costumes e um intenso engajamento político.
Inicialmente caracterizada por um rigorismo de conduta, fruto do que o sociólogo Paul Freston chama de "ethos sueco-nordestino", mesclando o pietismo nórdico com o patriarcalismo nordestino, hoje muitas igrejas Assembleias de Deus vêm experimentando, recentemente, grandes mudanças comportamentais concernente a usos e costumes. Atualmente, a Assembleia de Deus passa por uma relativação dos usos e costumes, em quanto muitos pastores e ministérios e regiões do país se renovam, outros preferem manter as tradições assembleianas do passado. Contudo, a CGADB ratificou seu estatuto em 2011, e na seção de usos e costumes removeu diversos itens, dando mais liberdade às mulheres. Já a Convenção Nacional nem sequer cita em sua resolução (na atualidade) usos e costumes em seu estatuto, deixando clara a liberdade.


