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Anglicanismo no Brasil

A história do anglicanismo no Brasil inicia-se no século XIX, no contexto da transferência da corte portuguesa para o Brasil, o que trouxe destaque para a região nas relações exteriores e possibilitou a abertura das primeiras capelas anglicanas no país. O anglicanismo é o grupo protestante mais antigo em operação contínua no Brasil. Inicialmente vinculado à Igreja da Inglaterra e restrito aos membros da colônia britânica, o anglicanismo começou a arregimentar fiéis brasileiros após as iniciativas missionárias de membros da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, que obtiveram êxito a partir de 1889, quando foi proclamada a República, o que desvinculou a Igreja Católica do Estado brasileiro e permitiu a livre conversão dos brasileiros a qualquer religião além da católica. Em 1955, as capelas anglicanas mantidas pela Igreja da Inglaterra fundiram-se ao distrito missionário do Brasil, então operado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Dez anos mais tarde, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) foi oficialmente separada da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, tornando-se a 19ª Província eclesiástica autônoma da Comunhão Anglicana. Desde então, houve diversos cismas no anglicanismo brasileiro, geralmente em resistência à aceitação de costumes mais liberais pela IEAB, além da introdução de jurisdições estrangeiras não vinculadas à Comunhão Anglicana. Atualmente, todas as vertentes existentes no movimento anglicano internacional – anglo-católica, evangélica, liberal e carismática – encontram-se representadas no país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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História

Origem do anglicanismo

O cristianismo chegou na Inglaterra entre os séculos I e II, antes do fim da perseguição aos cristãos no Império Romano. Inspirada na antiga religião celta, a fé cristã desenvolveu tradições e práticas distintas nas ilhas britânicas, se tornando o que estudiosos posteriormente chamariam de cristianismo céltico. Esta forma de religiosidade seria mais espiritual, ecológica e mística, embora não haja um consenso entre os acadêmicos. Em 597 d.C. o então Bispo de Roma, Papa Gregório enviou Agostinho e 40 monges beneditinos numa missão para converter os anglos e unificar os celtas à Igreja Católica. Através de um acordo, os líderes religiosos locais se submeteram à autoridade papal. Com a ajuda de cristãos residentes em Kent, Agostinho estabeleceu a sede da Igreja de Roma na Inglaterra em Cantuária, capital do Reino de Kent, e se tornou o primeiro Arcebispo de Cantuária em 598 d.C. Embora algumas práticas do cristianismo céltico tenham sido alteradas após o Sínodo de Whitby, em 664 d.C., os cristãos locais já reconheciam a autoridade papal.

A chegada de cidadãos britânicos no Brasil

A historiografia brasileira e muitas obras de história eclesiástica relatam que a introdução do Anglicanismo no Brasil ocorreu no início do século XIX, com o estabelecimento de capelanias para atender aos súditos do Império Britânico presentes em solo brasileiro. A assinatura do Tratado de Comércio e Navegação entre Portugal e Inglaterra não só impulsionou as relações comerciais e diplomáticas entre as duas nações amigas, mas também criou as condições necessárias para a chegada do culto anglicano ao Brasil. Porém, também existe a tese de que o culto anglicano se estabeleceu primeiro em Pernambuco durante a ocupação holandesa no século XVII, sendo defendida por alguns estudiosos, como o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, e nas teses de Maria Eduarda Castro Magalhães Marques e Rafael Vilaça Epifani Costa. Ele menciona que, durante o governo de Maurício de Nassau, havia uma comunidade de ingleses em Recife, assistida por um capelão, o reverendo Samuel Batsealer, chamado de Ecclesiastes Anglicanus Mauritstadii. A presença inglesa no Brasil Holandês era significativa, com registros de uma companhia de soldados ingleses composta por 150 a 180 homens, comandada por John Godlad. Além disso, Batsealer é citado como ministro da igreja inglesa, cujo templo ficava localizado no Convento e Igreja de Santo Antônio.

Missionários americanos e a indigenização

Após a independência do Brasil, houve a tentativa de se implantar uma igreja anglicana voltada para o povo brasileiro. Assim sendo, foram realizados os primeiros trabalhos missionários por religiosos anglicanos no país. Em 1853, o reverendo William Cooper foi enviado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos para realizar trabalho missionário no país, a pedido de um episcopaliano do Rio de Janeiro, provavelmente membro da colônia americana. No entanto, o navio de Cooper naufragou no Caribe a caminho do Brasil e ele desistiu da missão, retornando para os Estados Unidos. Em 1860, o reverendo escocês Richard Holden desembarcou em Belém, no Pará, também enviado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Holden conduziu a menos fracassada das missões, permanecendo no país por doze anos. Ele escolheu Belém devido à existência de um posto de distribuição de bíblias na cidade e à expectativa de que o Rio Amazonas fosse aberto à navegação internacional. Em Belém, tentou criar uma comunidade anglicana, mas não obteve sucesso. Usou a imprensa local para difundir a religião, escrevendo artigos em jornais que provocaram a ira do então bispo católico da cidade, Dom Antônio de Macedo Costa. Holden foi responsável pela primeira tradução do Livro de Oração Comum em português e por uma dezena de hinos e viajava pelos afluentes do Rio Amazonas para vender bíblias nas comunidades ribeirinhas. Em 1862, após o fracasso da missão no norte, mudou-se para Salvador, onde também valeu-se da imprensa para propagar o anglicanismo. Encontrou forte oposição na capital baiana e sofreu três tentativas de assassinato. Devido à sua personalidade forte e seu estilo polêmico de pregar, Holden começou a encontrar oposição também na Igreja Episcopal dos Estados Unidos, que havia patrocinado sua vinda ao Brasil. Em 1864, ele aceitou o convite do Dr. Robert Kalley para atuar como pastor na Igreja Congregacional Fluminense no Rio, onde a consciência social era mais profunda. Mais tarde abandonou o anglicanismo e se tornou darbista.

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Igrejas

Embora a IEAB seja o ramo mais antigo e organizado do anglicanismo no Brasil, com 136 anos de existência, há diversas Igrejas que disputam a herança da tradição anglicana no país. Há pelo menos 24 grupos que usam a denominação "anglicana" ou "episcopal". Apesar disso, a IEAB é a única Igreja vinculada, de facto e de jure, à Comunhão Anglicana. Para fazer parte da Comunhão, as Igrejas precisam reconhecer a primazia (liderança) de honra do arcebispo de Cantuária, colaborar financeiramente de acordo com seus recursos para a manutenção do escritório central da Comunhão Anglicana, enviar bispos para representar sua província na Conferência de Lambeth (reunião dos bispos anglicanos que ocorre a cada dez anos), designar ou eleger um bispo primaz que representará a igreja local no encontro bienal dos primazes e designar ou eleger representantes (bispos, clérigos ou leigos) para fazerem parte do Conselho Consultivo Anglicano.

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Fontes consultadas

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