Boanerges Ribeiro
Boanerges (Adiron) Ribeiro foi um pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, cujo Supremo Concílio presidiu, nos mandatos de 1966 a 1970, 1970 a 1974 e 1974 a 1978. Nesse período saíram da Igreja Presbiteriana do Brasil alguns membros, os quais deram origem a outras igrejas como a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Presbiteriana Renovada, esta de linha pentecostal.
Graduou-se Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1941, tendo ainda obtido licenciatura em Filosofia, mestrado e doutorado em Ciências Sociais. Foi pastor da Igreja Presbiteriana do Brás, em São Paulo-SP, tendo sido, a partir daquele pastorado, fundador de 17 outras igrejas na Capital do Estado. Numa delas, a Igreja Presbiteriana do Calvário, no bairro do Campo Belo, exerceu o pastorado durante mais de 30 anos, recebendo o título de pastor emérito, ficando ali até o final de sua vida. Também foi pastor em uma Igreja Presbiteriana, de membros norte-americanos, em Saint Louis, Michigan, nos Estados Unidos da América. Atuou como professor universitário, em várias instituições, incluso o seminário onde estudou e recebeu a graduação em Teologia. Como representante da Igreja Presbiteriana do Brasil, atuou em congressos e encontros nacionais e internacionais. Foi Preletor do Sínodo Reformado Ecumênico, em Sydney, e da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana na América, em Jackson, Mississipi, EUA.
Em recente entrevista à Revista Veja, o Reverendo Caio Fábio D'Araújo Filho, ex-pastor presbiteriano exonerado à pedido em 2003, tendo exercido o Ministério desde 1977, denunciou o envolvimento do Pastor Presbiteriano Boanerges Ribeiro com a Ditadura Militar no Brasil, sendo este um dos pastores que usou seu cargo para perseguir ideologicamente pessoas contrárias ao Regime e entregá-las ao policiamento do Estado de Exceção: A igreja evangélica comumente se aproxima do militarismo. Haja vista as fanfarras e bandas marciais de muitas denominações evangélicas, que incluem muitos policiais militares como tocadores de instrumentos. O linguajar evangélico é agressivo e aguerrido. Isso é claramente percebido nas músicas cantadas congregacionalmente e nas mensagens pregadas nos púlpitos – há sempre um inimigo externo a ser derrotado e combatido. A atração dos evangélicos pelo militarismo é historicamente demonstrada pelo apoio de todos os grupos denominacionais à Ditadura Militar, entre os anos de 1964 a 1985 no Brasil. A Igreja Presbiteriana do Brasil (pela qual nutro um carinho especial), apoiou o Golpe de 1964. Por exemplo, o pastor presbiteriano Boanerges Ribeiro perseguiu aqueles que pensavam diferente e que tinham um pouquinho mais de sensibilidade social, os entregando ao regime. O Rubem Alves, inclusive, foi dedurado pelos próprios amigos e teve que se viver exilado nos Estados Unidos. No meio Batista, o pastor Nilson Fanini entregou muita gente aos militares… Penso que o atual encantamento dos evangélicos pelas armas é apenas a manifestação pública da natureza bélica que sempre tiveram.


