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Palácio de Blenheim

O Palácio de Bleinheim é um suntuoso palácio rural inglês, situado em Woodstock, Oxfordshire, Inglaterra. Construído no centro de uma extensa propriedade nobre entre 1505 e 1722, Blenheim destaca-se como a única residência aristocrática leiga a ostentar a titulação de "palácio".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Os Churchill

John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, nasceu em Devon. Apesar de a sua família ter relações aristocráticas, foram mais "gentis" que propriamente membros altamente colocados nos escalões superiores da sociedade setecentista. Ao se juntar ao exército britânico em 1667, serviu inicialmente em Tânger e foi depois enviado como assistente de Luís XIV de França nas guerra holandesas, onde foi promovido a coronel. Em 1678 desposou Sarah Jennings e sete anos mais tarde, na subida ao trono do Rei Jaime II, foi elevado a Barão Churchill. Foi então um dos líderes da supressão da Rebelião Monmouth. Na subida ao trono de Guilherme III, Churchill foi elevado a Conde de Marlborough, um título que se extinguira na sua família materna. Durante a Guerra de Sucessão Espanhola ganhou renome militar, obtendo a partir de 1702 uma série de triunfos militares: Batalha de Blenheim em 1704, Batalha de Ramillies em 1706, Batalha de Oudenarde em 1708 e Batalha de Malplaquet em 1709. Restituindo a Inglaterra livre das forças de Luís XIV de França, tornou-se um herói nacional e foi carregado com honras, incluindo o Ducado de Marlborough. Dizia-se naquela época que juntamente com a sua esposa, melhor amiga e confidente de Rainha Ana, o Duque de Marlborough governava virtualmente o país. Não foi por isso surpresa que a Rainha Ana tivesse decidido que a última honra ao herói fosse a oferta de um grande palácio. Foi dado a Marlborough o antigo Woodstock Palace para local do novo palácio e o Parlamento da Grã-Bretanha votou uma soma substancial de dinheiro dirigida à sua construção.

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Placa do portão leste

A placa por cima do maciço portão leste dá uma visão asséptica da história da construção do palácio, lendo-se nela: "Sob os auspícios duma soberana generosa, esta casa foi construída para John, Duque de Marlborough e sua Duquesa Sarah, por Sir J. Vanbrugh entre os anos 1705 e 1722. E o Real Solar de Woodstock, juntamente com uma doação de 240.000 libras dirigidas à construção de Blenheim, foram dados por Sua Majestade Rainha Ana e confirmados por acto do parlamento."

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O local

A propriedade oferecida pela nação a Marlborough para o novo palácio foi o Solar de Woodstock, por vezes chamado de Palácio de Woodstock, o qual tinha sido um domínio real e, na realidade, era pouco mais que um pavilhão de caça. A lenda obscureceu as origens do solar. O Rei Henrique I fechou o parque para conter veados. Henrique II alojou ali a sua amante Rosamund Clifford (algumas vezes conhecida como "Fair Rosamund"). Ao que parece o despretensioso pavilhão de caça foi reconstruído muitas vezes, e teve uma história desprovida de interesse até o reinado de Isabel I, a qual, antes de subir ao trono foi aprisionada ali pela sua irmã, Maria I, entre 1554 e 1555. Isabel fôra implicada com Thomas Wyatt (filho). O cativeiro de Isabel em Woodstock foi curto, e o solar manteve-se na obscuridade até que foi bombardeado e arruinado pelas tropas de Oliver Cromwell durante a Guerra civil inglesa. Quando o parque estava a ser reajardinado como cenário para o palácio, Sarah Churchill desejou que as ruínas históricas fossem demolidas, enquanto que Vanbrugh, um conservacionista inicial, queria-as restauradas e incluiu-as num arranjo paisagístico. A Duquesa, como acontecia frequentemente nas suas disputas com o arquitecto, ganhou e os vestígios do solar foram varridas para longe.

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Arquitecto

O arquitecto selecionado para o projeto era controverso. A Duquesa era conhecida por favorecer Sir Christopher Wren, famoso pela Catedral de São Paulo e muitos outros edifícios nacionais. O Duque, de qualquer forma, na sequência de um encontro casual num teatro, terá contratado Sir John Vanbrugh nessa mesma ocasião. Vanbrugh, um popular dramaturgo, era um arquitecto leigo, que trabalhava habitualmente em conjunto com o experiente Nicholas Hawksmoor. O duo havia completado recentemente as primeiras etapas do barroco Castle Howard. Este gigantesco palácio do Yorkshire foi um dos primeiros edifícios ingleses no Estilo Barroco Flamejante Europeu. Marlborough tinha ficado obviamente impressionado com este grandioso edifício e desejou algo semelhante para Woodstock. Blenheim, no entanto, não providenciaria a Vanbrugh os aplausos arquitetónicos que este imaginara. O disputado sobre-financiamento levou a acusações de extravagância e impraticabilidade de desenho, muitas destas acusações apontadas pelas facções Whig no poder. Vanbrugh não encontrou defesa na Duquesa de Marlborough, a qual se vira frustrada no seu desejo de contratar Wren. Lady Sarah apontou críticas a Vanbrugh a todos os níveis, desde o desenho ao gosto. Em parte os seus problemas apareceram daquilo que pedia do arquitecto. A nação (assumido então, por arquitecto e proprietários, que iria pagar as contas) queria um monumento, mas a Duquesa não queria apenas um adequado tributo ao seu marido mas também uma residência confortável, dois requisitos que não eram compatíveis na arquitetura do século XVIII. Finalmente, nos primeiros dias da construção o Duque estava frequentemente longe nas suas campanhas militares, e foram deixadas à Duquesa as negociações com Vanbrugh. Mais conhecedora que o seu marido do precário estado das ajudas financeiras que recebiam, tentou conter as ideias grandiosas de Vanbrugh, com modos arrogantes (como era sua vontade), em vez de explicar as suas verdadeiras razões por trás da sua frugalidade.

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Financiando a construção

A precisa responsabilidade para o financiamento do novo palácio sempre tem sido objeto de debate, sem resolução até aos dias de hoje. Que uma poderosa nação liderada pela sua Rainha tencionou dar ao seu herói nacional uma residência apropriada não há dúvida, mas o tamanho exato e natureza dessa casa é questionável. Uma autorização datada de 1705 e assinada pelo tesoureiro parlamentar, Sidney Godolphin, 1º Conde de Godolphin, nomeava Vanbrugh como arquitecto, e descrevia a sua remessa. Desafortunadamente para os Churchill, em parte nenhuma esta autorização menciona a Rainha ou a Coroa. Este erro providenciou a cláusula de fuga para o Estado quando os custos e a luta política se agravaram. É interessante notar que o palácio como um prêmio foi debatido poucos meses depois da Batalha de Blenheim, numa época em que Marlborough ainda tinha muitas vitórias a dar ao país. O Duque de Marlborough contribuiu com 60.000 libras para o custo inicial quando a obra começou em 1705, as quais, suplementadas pelo Parlamento, dariam para construir uma casa monumental. O Parlamento votou fundos para a construção de Blenheim, mas as somas exatas não foram mencionadas, nem previsões para a inflação ou despesas de "orçamento estourado". Quase desde o início que os fundos foram irregulares. A Rainha Ana pagou alguns deles, mas com relutância crescente e lapsos, na sequência das suas frequentes altercações com a Duquesa. Depois do seu argumento final em 1712, todo o dinheiro do Estado cessou e o trabalho foi interrompido. Foram ainda gastas 220.000 libras e 45.000 ficaram em dívida para os trabalhadores. Os Marlboroughs foram forçados ao exílio no Continente, e só regressaram depois da morte da Rainha em 1714.

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Desenho e arquitectura

Vanbrugh planejou Blenheim em perspectiva, para ser melhor visto à distância. Como o local cobre cerca de sete acres (28.000 m²) isso também era uma necessidade. Próximas e ao mesmo nível as fachadas podem aparecer ameaçadoras, ou oprimir, devido à muita pedra e ornamentação. O plano do Palácio de Blenheim é basicamente um largo bloco central retangular, contendo por trás da fachada Sul os principais apartamentos de cerimônia. No lado Leste estão os conjuntos de apartamentos privados do Duque e Duquesa, no lado Oeste, a todo o comprimento fica a Galeria Longa, inicialmente concebida como uma galeria de pintura. O bloco central é flanqueado por dois blocos de serviços em volta de pátios quadrados (não visíveis na planta). O pátio Este contém as cozinhas, lavandaria e outras oficinas domésticas, O pátio Oeste adjacente à capela, contém os estábulos e a escola equestre interior. Os três blocos juntos formam o "Grande Pátio" desenhado para impressionar o visitante ao chegar ao Palácio. Abundam pilastras e pilares, enquanto dos telhados, eles próprios lembrando uma pequena cidade, grandes estátuas à maneira Renascentista de Basílica de São Pedro em Roma contemplam os visitantes em baixo. Outro sortido de estatuária com aparência de troféus marciais, e o leão inglês devorando o galo francês, também decoram os telhados mais baixos. Muitas delas foram feitas por mestres como Grinling Gibbons.

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Interior

O esquema interno das salas do bloco central de Blenheim foi definido pela etiqueta da Corte de então. Apartamentos de Estado foram desenhados como salas axiais de importância crescente e uso público, levando à sala principal. Os grandes palácios,como Blenheim, tinham dois tipos de apartamentos de estado, um em frente ao outro. O mais grandioso, público e importante era o saláo central ("B" na planta apresentada) o qual servia como sala de jantar comunal. De cada lado do salão existem conjuntos de apartamentos de estado, diminuindo em importância mas crescendo em privacidade: a primeia sala("C") pode ter sido uma câmara de audiência para receber hóspedes importantes, a sala seguinte ("L") uma sala de estar privada, a seguinte ("M") pode ter sido o quarto do ocupante da suite, sendo por isso a mais privada. Uma das salas mais pequenas entre o querto e o pátio interno foi pensada como quarto de vestir. Esta organização reflecte-se no outro lado do salão. Os apartamentos de estado foram idealizadas para uso exclusivo pelos visitantes mais importantes, tal como o soberano. No lado esquerdo (Este) da planta, em cada lado da sala de saudações (marcada com a letra "O") pode ver-se um mais pequeno mas quase idêntico esquema de salas, que eram as suites dos próprios Duque e Duquesa. Desta forma a sala de saudações corresponde exactamente ao salão em termos de importância em relação às suites menores.

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O parque e jardins

Blenheim fica situado no centro de um parque ondulante. Quando Vanbrugh colocou os olhos pela primeira vez sobre ele, em 1704 concebeu imediatamente um plano tipicamente grandioso: através do parque gotejava o pequeno Rio Glyme, e Vanbrugh contemplou este riacho pantanoso atravessado pela "mais fina ponte na Europa". Desta forma, ignorando a segunda opinião oferecida por Sir Christopher Wren, o riacho foi canalizado em três pequenos canais correntes e por cima ergue-se uma ponte de proporções gigantescas, tão gigantesca que foi dito que continha 30 salas bizarras. Enquanto a ponte foi, de facto, uma divertida maravilha, neste cenário parecia incongruente, provocando o comentário de Alexander Pope: "As carpas, quando passam debaixo deste vasto arco, murmuram, como se parece com as baleias, obrigado pela sua Graça" Outro dos esquemas de Vanbrugh foi o grande parterre, com cerca de meia milha de comprimento e tão largo como a frente Sul. Também no parque, completado depois da morte do 1º Duque, fica a coluna de Vitória. Tem 134 pés de altura e termina uma grande avenida de olmeiros que leva ao palácio, os quais foram plantados na posição das tropas de Marlborough na Batalha de Blenheim. Vanbrugh queria um obelisco para marcar o local do antigo solar, e os encontros de Henrique II, os quais haviam tido lugar ali, causando o comentário da Duquesa, "Se erguessem obeliscos para todos os actos deste género que os nossos reis praticaram, o país ficaria cheio de coisas muito bizarras". O obelisco nunca foi realizado.

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Fortunas falidas

Aquando da morte do 1º Duque em 1722, como ambos os seus filhos estavam mortos, foi sucedido pela sua filha Henrietta Godolphin, 2.ª Duquesa de Marlborough. Esta era uma sucessão pouco habitual e requereu um Acto do Parlamento, pois só os filhos homens podiam suceder no título de um Ducado. Quando Henrietta morreu, o título passou para o neto de Marlborough, Charles Spencer, 3.º Duque de Marlborough, cuja mãe era a segunda filha de Marlborough, Anne Spencer, Condessa de Sunderland (1683-1716). O 1º Duque como um soldado não era um homem rico, e a fortuna que possuiu foi maioritariamente usada para finalizar o palácio. Em comparação com outras famílias ducais britânicas os Marlboroughs não foram muito abastados, ainda que tenham vivido confortavelmente até ao tempo de George Spencer-Churchill, 5º Duque de Marlborough (1766-1840), um perdulário que depauperou o que restava da fortuna da família. Com o tempo, o 5º Duque foi forçado a vender outras propriedades da família, mas Blenheim foi salvo dele por obrigação de herança. Isto não a venda do Boccaccio dos Marlboroughs por umas meras 875 libras, e a sua própria biblioteca em 4.000 lotes. Quando morreu em 1840 deixou a propriedade e a família com problemas financeiros.

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O 9.º Duque de Marlborough

Charles Spencer-Churchill, 9.º Duque de Marlborough (1871–1934) pode ser creditado como tendo salvo o palácio e a família. Tendo herdado em 1892 um ducado quase falido, foi forçado a encontrar uma solução rápida de drástica para os problemas. Impedido pelos estritos ditâmes sociais do final do século XIX de ganhar dinheiro, só lhe foi deixada uma solução, tinha que casar com o dinheiro. Em Novembro de 1896 ele, fria e abertamente sem amor casou com Consuelo Vanderbilt, uma norte-americana, herdeira de uma fortuna ferroviária e renomada beleza. O casamento foi celebrado depois de longas negociações com os seus pais divorciados: a sua mãe desesperava por ver a sua filha transformada numa Duquesa, e o pai da noiva, William Kissam Vanderbilt, pagou pelo privilégio. O preço final foi de 2.500.000 dólares (54.100.436,75 em 2007) em 50.000 partes do capital social da Beech Creek Railway Company com um mínimo de 4% de dividendos garantidos pela New York Central Railroad Company. O casal receberia um rendimento anual de 100.000 dólares cada um, pelo resto das suas vidas. A noiva mais tarde afirmou que foi fechada na sua sala até concordar com o casamento. O contrato foi, na verdade, assinado na sacristia da Igreja Episcopal de St. Thomas, em Nova Iorque imediatamente após serem feitos os votos de casamento. Na carruagem à saída da igreja, Marlborough disse a Consuelo que amava outra mulher, e não voltaria à América, pois "desprezava qualquer coisa que não fosse britânica".

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