Vladimir Putin
Vladimir Vladimirovitch Putin é um político russo, ex-advogado e ex-oficial de inteligência que atua como presidente da Rússia desde 2012. Putin ocupou cargos contínuos como presidente ou primeiro-ministro desde 1999: como primeiro-ministro de 1999 a 2000 e de 2008 a 2012, e como presidente de 2000 a 2008. Ele é o líder russo ou soviético que permanece há mais tempo no poder desde Josef Stalin.
Nasceu ao dia 7 de outubro de 1952, em Leningrado (atual São Petersburgo). Seu pai, Vladimir Spiridonovitch Putin (1911–1999), participara da Segunda Guerra Mundial, onde foi gravemente ferido. A mãe era Maria Ivanovna Shelomova (1911–1998). O pai era operário qualificado numa fábrica de vagões de comboios; sua mãe Maria tinha diversos trabalhos, como vigia noturna ou limpeza; ferira-se durante a guerra, quase morrera de fome, mas sobrevivera ao cerco a Leninegrado. Seu avô era um renomado chef de cozinha, que trabalhava para diversas autoridades, cozinhando, inclusive, para Lenin e Stalin. Vladimir Putin era o terceiro filho da família, apesar de os irmãos mais velhos já terem falecido: Albert, nascido cerca de 1930, morreu na infância, e Viktor, nascido em 1940, morreu de difteria e fome em 1942 durante o cerco de Leninegrado pelas forças nazis na II Guerra Mundial. Vladimir foi batizado às escondidas de seu pai, membro do Partido Comunista da União Soviética.
Em 1975, aos 23 anos de idade e recém-graduado no curso de Direito, ingressa no Comitê de Segurança Nacional, o KGB. No mesmo ano, acaba o seu curso preparatório, assumindo o posto de Oficial Júnior, de acordo com o antigo sistema organizacional do KGB. A partir de 1977, passa a trabalhar no setor de contrainteligência no departamento investigativo do KGB de Leningrado. Em 1979, forma-se de um curso semestral em Moscou, voltando para Leningrado no mesmo ano. Em 1985, como Major de Justiça, se especializa em inteligência estrangeira, aprendendo alemão. Entre 1985 e 1990, trabalhou em Dresden, na Alemanha Oriental, chefiando o departamento de fronteiras. Putin renunciou ao cargo de tenente-coronel em 20 de agosto de 1991, no segundo dia da tentativa de golpe de Estado na União Soviética em 1991 contra o presidente soviético Mikhail Gorbachev. Putin teria dito em uma ocasião posterior: "Assim que o golpe começou, eu imediatamente decidi em que lado eu estava", embora também tenha observado que a escolha era difícil porque ele passara a melhor parte de sua vida com "os órgãos".
Primeiro-Ministro (1º mandato)
Em 16 de agosto de 1999, a Duma Estatal aprovou a nomeação de Vladimir Putin como Primeiro-Ministro da Rússia com 233 votos (vs. 84 contra, 17 abstenções). Putin na época era praticamente desconhecido do público em geral, e não se esperava que durasse mais do que seus predecessores. Ele foi inicialmente considerado um leal a Yeltsin; como outros primeiros-ministros de Boris Yeltsin, Putin não escolhia os próprios ministros, seu gabinete era determinado pela administração presidencial. No mesmo ano, deu-se a explosão de uma bomba num centro comercial no centro de Moscovo e uma série de atentados bombistas nunca resolvidos, que vários críticos disseram ser provavelmente encenados pelo FSB sob bandeira falsa, em edifícios de apartamentos de Moscovo, atribuídos a terroristas chechenos. Sob as ordens de Putin, precedidas por bombardeamentos aéreos, unidades do exército russo atravessaram a fronteira para a parte chechena do país em 1 de outubro de 1999. Pouco antes, combatentes chechenos e árabes tinham invadido o Daguestão, dando início à Guerra do Daguestão, que durou seis semanas, após a qual começou a Segunda Guerra da Chechénia. Enquanto político, Putin liderou as acções militares na Chechénia, como a destruição extensiva da capital Grozny, de que não restou um único edifício de pé, que foi a que mais afetou a população civil. Durante esta "guerra suja" foram verificados muitíssimos crimes de guerra, principalmente do lado russo. Civis chechenos, incluindo pessoal médico, foram alvo de ataques militares por forças russas, e centenas de civis chechenos, incluindo prisioneiros de guerra foram executados sumariamente. Mulheres e também homens eram espancados, torturados e violados, casas saqueadas e incendiadas.
Presidente (2000-2008)
Prometendo reconstruir o país, Vladimir Putin, presidente em exercício, foi eleito oficialmente presidente da Rússia com mais de 53% dos votos, o que lhe deu uma vitória logo no primeiro turno. As eleições foram desde logo alvo de acusações de fraude maciça, com desaparecimento de votos e urnas, mortos votantes, e outras irregularidades. Putin tomou posse em 7 de maio de 2000, apontando Mikhail Kasyanov como seu primeiro-ministro. Como meio de consolidar poder, Putin anunciou um decreto que dividia as 89 subdivisões da Rússia em 7 distritos federais, de forma a facilitar a administração do país. Durante seu primeiro mandato, procurou esfriar as ambições políticas de alguns dos oligarcas russos, como Boris Berezovski, que de acordo com a BBC, teria "ajudado Putin a ingressar na família, fundando o partido que formou a base parlamentar de Putin".
Primeiro-Ministro (2º mandato)
A constituição russa não permite um terceiro mandato, portanto Putin não pôde disputar as eleições de 2008. Em 8 de maio, no dia seguinte às eleições, consideradas por observadores ocidentais "nem justas nem livres", Dmitri Medvedev, o presidente eleito, escolheu Putin como seu primeiro-ministro, de modo a manter o seu poder político. A crise financeira de 2008 afetou duramente a economia russa, interrompendo o fluxo de crédito barato e investimento do Ocidente. Este fato coincidiu com a tensão nas relações entre a União Europeia e os Estados Unidos logo após a Guerra na Ossétia do Sul em 2008, na qual a Rússia derrotou os EUA e a Geórgia, aliada da OTAN. Por outro lado, as largas reservas financeiras acumuladas nos anos em que o preço do petróleo estava em alta foram capazes de salvar o país e lidar com a crise, dando continuidade ao crescimento econômico do país. As medidas anticrise do governo russo vêm sendo elogiadas pelo Banco Mundial, que disse em seu relatório de novembro: "Política fiscal prudente e reservas financeiras substanciais protegeram a Rússia de consequências mais profundas do choque externo". O próprio Putin citou o modo como a Rússia conseguiu lidar com a avalanche de consequências da crise econômica mundial como um dos dois principais proveitos de seu segundo mandato como primeiro-ministro. O outro proveito terá sido a estabilização das taxas de crescimento da população russa no período 2008-2011, após um longo período de colapso demográfico, iniciado nos anos 1990.
Presidente (2012-2018)
Em 4 de março de 2012, Putin venceu as eleições presidenciais no primeiro turno, com 63% dos votos. Vários chefes de estado parabenizaram Putin pela vitória nas eleições. O presidente venezuelano Hugo Chávez congratulou pessoalmente Putin pela vitória, afirmando que o presidente russo é "uma força ativa por detrás dos laços estratégicos e de cooperação entre Venezuela e Rússia". O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também parabenizou Putin, dizendo que está "certo de que, sob sua liderança, a Rússia continuará a trilhar o caminho de sucessos que vem alcançando nos planos interno e internacional e que a sólida parceria com o Brasil será aprofundada, intensificando o denso diálogo político que logramos consolidar nos últimos anos".
Política interna
A política interna de Putin, principalmente durante seu primeiro mandato, visou a criação de um "poder vertical". Em 13 de maio de 2000, sancionou um decreto dividindo as 89 subdivisões da Rússia entre 7 distritos comandado por representantes nomeados por si mesmo, de forma a facilitar a administração federal. Putin também desenvolveu uma política de crescimento das subdivisões: o número caiu de 89 em 2000 para os atuais 83, após a fusão dos okrugs com demais subdivisões próximas. Em julho de 2000, de acordo com uma lei proposta por Putin e aprovada pelo Soviete Federal, o presidente ganhou o direito de despedir chefes das subdivisões federais. Em 2004, as eleições para governadores por voto direto foi extinta. Essa jogada foi vista como necessária por Putin, para dar fim às tendências separatistas e livrar-se daqueles governadores que estavam conectados com o crime organizado. A medida, de fato, parece ter sido temporária, já que em 2012, segundo proposta do presidente Dmitri Medvedev, sucessor de Putin, as eleições para governadores foram reintroduzidas, e junto delas, as reformas de Medvedev também simplificaram o registro de partidos políticos e reduziram o número de assinaturas necessárias por candidatos partidos não-parlamentares para lançar candidatos independentes à presidência, afrouxando a rigidez e restrições impostas pela antiga legislação de Putin.
Política externa
Uma série de revoluções coloridas nas ex-repúblicas soviéticas, nomeadas Revolução Rosa na Geórgia em 2003, Revolução Laranja na Ucrânia em 2004 e Revolução das Tulipas no Quirguistão em 2005, friccionaram as relações desses países com Rússia. Em dezembro de 2004, Putin criticou as revoluções Rosa e Laranja, dizendo: "Se tens revoluções permanentes, corres o risco de mergulhar o espaço pós-soviético em conflitos intermináveis". Uma série de disputas econômicas entraram em erupção entre a Rússia e alguns vizinhos, como a proibição da importação russa do vinho da Geórgia. E em alguns casos, como os litígios de gás entre a Rússia e Ucrânia, os conflitos econômicos afetaram outros países europeus, por exemplo, quando uma disputa de gás de janeiro de 2009 com a Ucrânia fez a empresa estatal russa Gazprom interromper suas entregas de gás natural à Ucrânia, deixando uma série de países europeus, para quem a Ucrânia transita gás russo, com grave escassez de gás natural.
Oriente Médio
Com o início da Guerra Civil Líbia, Putin condenou as intervenções militares do país, considerando a resolução da ONU como "defeituosa e falha", declarando que ela "permite tudo e faz lembrar as Cruzadas medievais". Durante todo o episódio, Putin condenou as medidas tomadas pela OTAN. Ao saber da morte de Gaddafi, Putin denominou o ato como um "homicídio planejado", questionando "Eles mostraram ao mundo todo como Gadaffi fora morto. Havia sangue por todos os lados. É isso que eles chamam de Democracia?". Segundo o correspondente Dmitri Trenin, do New York Times, entre 2000 e 2010, a Rússia de Putin vendeu cerca de US$ 1,5 bilhão de dólares em armamentos para a Síria, fazendo de Damasco o sétimo maior cliente de Moscou. Durante toda a Revolução Síria, a Rússia ameaçou vetar quaisquer sanções contra o governo sírio, continuando a vender armas para o governo de Bashar Al-Assad. Putin se opôs contra qualquer intervenção estrangeira. Em Paris, no dia 1 de junho de 2012, rejeitou a declaração do presidente François Hollande, exigindo que Assad se retirasse. Putin propagou o discurso governista do governo de Assad de que os militantes contrários ao regime eram muito mais responsáveis pelo banho de sangue do que as próprias forças sírias e adeptos do governo. Putin questionou: "Quantas pessoas pacíficas terão sido mortas pelos ditos militantes? Vós contastes? Há ainda centenas de vítimas." Ele também se posicionou a respeito das antigas intervenções da OTAN e os seus resultados, questionando novamente: "O que está acontecendo na Líbia, no Iraque? Eles se tornaram mais seguros? O que eles estão planejando? Ninguém o sabe". Apesar disso, ele ofereceu a renúncia do presidente em troca da pacificação do país com uma transição controlada em 2012.
Em termos de preferências políticas, cientistas políticos e jornalistas classificam Vladimir Putin como um conservador, embora um dos principais portais de notícias do mundo, Business Insider, acredite que Vladimir Putin não é um conservador, mas um verdadeiro político que é guiado unicamente pelos seus próprios interesses e não por princípios morais ou ideológicos. Entre os filósofos e historiadores citados por Putin, há predominantemente conservadores de direita: Ivan Ilyin, Konstantin Leontiev, Lev Gumilev, Nikolai Berdiaev, Nikolai Karamzin, Dmitri Mendeleiev, Vladimir Solovyov. O filósofo favorito de Putin se chama Ivan Ilyin, um crítico consistente do poder comunista na Rússia. O filósofo Michel Elchaninov caracterizou as principais características da visão de mundo de Putin como o conservadorismo, a teoria antiocidental de um "caminho russo" especial e o eurasianismo. O próprio Putin em 2011 e 2013 se autodenominou um "conservador não-comunista" e um pragmático com tendência conservadora, em 2014 ele se considerou um liberal e se autodenominou "o maior nacionalista da Rússia" (em 2018, acrescentando "o nacionalista mais correto e eficaz" na Rússia). numa das suas entrevistas televisivas em 2022, ele afirmou que vê o seu objetivo como "a unificação do povo russo". Segundo Peskov, Putin é cético e "sem otimismo" em relação à monarquia - o próprio Putin disse em 2016 que sempre gostou de ideias socialistas.
Família
Putin foi casado com Ludmila Putina, que conheceu na universidade. Putin e Ludmila viveram na Alemanha entre 1985 e 1990. Pouco antes de voltar à União Soviética, houve rumores que Putin estaria envolvido com uma espiã alemã, e teria inclusive deixado uma criança para trás. Em 6 de junho de 2013, Putin e Ludmila anunciaram o divórcio ao vivo pela televisão russa. Teve duas filhas com a ex-esposa: Maria Putina (nascida em Leningrado, 1985) e Ekaterina Putina (nascida em Dresden, Alemanha Oriental, 1986). Suas filhas cresceram na Alemanha Oriental e estudaram em escolas alemãs em Moscou, até a posse do pai como Primeiro-Ministro. Futuramente, elas estudariam economia internacional na Academia de Finanças de Moscou. Fotografias de suas filhas são raramente divulgadas pela imprensa russa, por razões de segurança, e diferentemente da família Iéltsin, a família Putin não possui uma foto familiar para fins oficiais.
Religião
Em janeiro de 2012, durante a campanha eleitoral, Putin disse que na infância foi batizado na Igreja Ortodoxa. O batismo ocorreu em novembro de 1952 (no dia de São Miguel) em Leningrado, na Catedral da Transfiguração. Putin traçou repetidamente paralelos entre o cristianismo e a ideologia comunista, argumentando que os principais valores do Código do Construtor do Comunismo — "liberdade, fraternidade, igualdade, justiça" — afirmando que a experiência socialista da Rússia como União Soviética foi uma utopia — "estão todos estabelecidos nas Sagradas Escrituras, está tudo lá […] As ideias são geralmente boas […], mas a implementação prática destas ideias maravilhosas no nosso país estava longe do que os socialistas utópicos estabeleceram".
Riqueza pessoal
Cálculos de 2007 estipulam que a riqueza de Putin é de aproximadamente 3,7 milhões de rublos (cerca de R$ 206,5 mil) em contas bancárias, um apartamento de 77 m² em São Petersburgo, 260 ações do Banco de São Petersburgo e dois automóveis Volga M21 dos anos 1960 herdados de seu pai, mas que não são registrados para uso rodoviário. Em 2012 Putin declarou uma renda de 3,6 milhões de rublos (cerca de de R$ 200,9 mil). O relatório fez com que líderes da oposição, como Boris Nemtsov, questionassem como Putin é capaz de manter certas posses, como seus 11 relógios de luxo com valor estimado de US$ 700 mil (cerca de R$ 2,8 milhões). Em 2017, estimou-se a fortuna de Putin em cerca de US$ 200 bilhões de dólares, entre contas bancárias no exterior e bens, muitos adquiridos supostamente de maneira ilícita, como mansões e super-iates. Quando questionado em uma conferência de imprensa, em 14 de fevereiro de 2008, se era a pessoa mais rica da Europa, como alguns jornais afirmaram, Putin respondeu: "Sim, sou o homem mais rico não somente da Europa, como também do mundo, eu acumulo emoções, eu sou rico e satisfeito pelo fato de o povo russo ter-me confiado duas vezes a liderança de um país tão glorioso como a Rússia, e considero que essa é a minha maior riqueza. Quanto aos rumores sobre riqueza material, olhei esses documentos, e isso é conversa fiada, indigno de discussão, pura besteira. Eles enfiaram o dedo nos narizes deles e mancharam esses papéis com a sujeira que saiu. É isso que acho".
Artes marciais
Putin é conhecido praticante de artes marciais. Pratica sambo (graduado como mestre - faixa azul) e judô (faixa preta, sexto dã). Embora não seja o primeiro político praticante de artes marciais, é o que possui os melhores resultados. Em função desses resultados, possui os títulos honorários de presidente da Federação Internacional Amadora de Sambo (FIAS) e da Federação Internacional de Judô (FIJ).
Música e Pintura
Em Dezembro de 2010, em um concerto organizado para uma fundação de caridade para crianças de São Petersburgo, Putin tocou no piano a canção popular russa Pátria, que era a música tema do seriado de espionagem favorito de Putin. No mesmo evento, ele cantou em inglês a canção Blueberry Hill, de Fats Domino, em um auditório formado por diversos astros europeus e de Hollywood, como Kevin Costner, Kurt Russell, Sharon Stone, Alain Delon e Gérard Depardieu. Um quadro pintado por Putin em 2008, sob o nome "Узор на заиндевевшем окне", foi vendido, em São Petesburgo, por 37 milhões de rublos (860 000 euros). A pintura foi feita para uma coleção de pinturas de personalidades russas famosas. Os pintores escolhidos deveriam ilustrar uma das letras do alfabeto russo, de modo a ligar o quadro ao conto Véspera de Natal, de Nikolai Gogol, que naquele ano celebraria seus 200 anos. O ano de finalização da pintura, que ilustrava uma janela coberta de neve entre uma cortina de estilo ucraniano, coincidiu com a disputa de gás entre Rússia e Ucrânia, responsável por deixar diversos países europeus sem gás em pleno Janeiro.
Putin cultiva uma imagem pública de atividade ao ar livre, desportiva e dura, demonstrando a sua destreza física e participando em atos invulgares ou perigosos, tais como desportos radicais e interação com animais selvagens, parte de uma abordagem de relações públicas que, segundo a Wired, "cultiva deliberadamente a imagem de macho, super-herói". Por exemplo, em 2007, o tabloide Komsomolskaya Pravda publicou uma enorme fotografia de férias de Putin, de tronco nu, nas montanhas siberianas sob a manchete: "Seja como Putin". Algumas das atividades foram criticadas por serem encenadas. Seu governo geralmente é comparado e descrito por alguma mídia especializada pró-Putin com as administrações ao longo da história norte-americana, como os governos de Abraham Lincoln e de Franklin Delano Roosevelt. De acordo com Caleb Maupin, tal como Lincoln, tinha uma visão moralista e cristã da política, ignorou partes da constituição americana para suprimir a autonomia local, rivalizou com as elites exportadoras tradicionais do país e com a elite do sistema financeiro, tomou posse como um político moderado e conciliador, concordando entrar para a política por causa da persuasão de seus admiradores. Também ambos se basearam em uma aliança com o Estado Russo, cujo czar também havia abolido a servidão em 1861, cooperando com Lincoln para contrapor a um apoio britânico aos confederados. Ambos se ancoravam em movimentos sociais da época, sejam eles esquerdistas ou radicais, embora nenhum dos dois seja marxistas ou socialistas, mas críticos ao capitalismo sem fiscalização, segundo Maupin. Ambos os governos são hoje considerados populares em seus países e são demonizados pela mídia durante vários anos. Outros autores comparam as suas políticas com a tática conservadora de Nixon.
Putinismos
Assim como o primeiro-ministro Victor Chernomyrdin, cujas inúmeras declarações atrapalhadas e gafes verbais ficaram mundialmente conhecidas, Putin produziu um grande número de aforismos e bordões, conhecidos como putinismos. Vários deles foram criados durante suas conferências anuais de perguntas e respostas, em que Putin responde questões de jornalistas e do auditório, assim como de russos espalhados pelo país, que ligam pessoalmente ou comunicam-se através de estúdios localizados em toda a Rússia. Putin é conhecido pela sua linguagem forte, direta e afiada. Os exemplos mais populares de putinismos incluem:
Avaliações e pesquisas
Sua popularidade subiu de 31% em agosto de 1999 para 80% em Novembro de 1999, e nunca caiu para menos de 65% durante sua primeira presidência. Observadores veem as altas taxas de aprovação de Putin como uma consequência das significantes melhoras no padrão de vida e a reinserção da Rússia no cenário mundial, ocorrida durante sua presidência. A popularidade de Putin pode ser, também, um reflexo da televisão estatal ou controlada pelo estado. Uma pesquisa conduzida pelo World Public Opinion nos Estados Unidos e pelo Levada Centre na Rússia no período de Junho/Julho de 2006 mostrou que "nem os russos nem os americanos acreditam que a Rússia é governada com um alinhamento anti-democrático" e que "os russos geralmente apoiam a concentração de poder político e apoiam fortemente a estatização das indústrias de gás e petróleo da Rússia".


