Blairo Maggi
Blairo Borges Maggi GCMTGV • GOMM • GOMA é um engenheiro agrônomo, empresário e político brasileiro filiado ao Progressistas (PP). Foi o 53.º governador de Mato Grosso de 2003 a 2010 e senador da República pelo mesmo estado de 2011 até maio de 2016. Exerceu a função de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Michel Temer, de 12 de maio de 2016 a 1º de janeiro de 2019.
Formação acadêmica e início da carreira
Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná, Blairo chegou a Mato Grosso para plantar soja em Itiquira, no sul do estado. O negócio prosperou, dando origem ao atual Grupo Amaggi fundado por Blairo, um dos grupos empresariais que mais produzem e exportam soja do País bem como com negócios em diversas atividades econômicas, incluindo logística de transportes, pecuária e produção de energia elétrica.
Desenvolvimento como agrônomo e como empresário
O pai de Blairo, André Antônio Maggi, havia fundado em 1973 a Sementes Maggi, uma produtora de sementes de soja cujo cultivo começava a avançar pelo cerrado e produtora a qual tornou-se depois o Grupo Amaggi fundado por Blairo e o qual é um dos principais acionistas junto de sua mãe Lúcia, do cunhado Itamar Locks e da irmã Marli. Os Maggi foram os líderes mundiais na produção de soja nos 1990 e início dos 2000, o que rendeu ao político a fama de "rei da soja". Em 2014, segundo a revista Forbes, a família era a sétima mais rica do país, sendo Blairo o segundo político mais rico do Brasil. Considerado o maior produtor individual de soja do mundo, Blairo Maggi (através do Grupo Amaggi) é responsável por 5% da produção anual do grão brasileiro. Na safra de 2005/2006 perdeu o título para seu primo Eraí Maggi Scheffer, presidente do Grupo Bom Futuro.
Vida pública
Blairo ingressou na política como suplente do senador Jonas Pinheiro, ocupando o posto de primeiro suplente do senador eleito em 1994. Naquela época, era filiado ao antigo Partido Progressista (PP). A proximidade com o senador refletiu em todo o seu governo eleito em 2002. Governou Mato Grosso de 2003 a 2007, tendo sido reeleito para o termo 2007-2010. Em 2002, ao postular pela primeira vez o governo de Mato Grosso, admitiu preferir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em relação ao seu então correligionário Ciro Gomes, indicado pelo Partido Popular Socialista (PPS; atual Cidadania). Eleito com 51% dos votos, priorizou os investimentos em infraestrutura no estado, tendo pavimentado mais de mil quilômetros de rodovias estaduais.
Eleições presidenciais de 2026 e apoio a Renan Santos
No contexto das articulações políticas para as eleições presidenciais de 2026, Blairo Maggi manifestou aproximação e aceno de apoio ao pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, uma das lideranças do MBL (Movimento Brasil Livre). Em julho de 2026, após uma reunião em Mato Grosso que contou com a presença de diversas lideranças políticas regionais e do setor do agronegócio, Maggi divulgou registros do encontro em suas redes sociais. Na publicação, destacou a candidatura de Renan Santos como uma alternativa à polarização política no país. A movimentação de Blairo Maggi insere-se no cenário de divisão interna do agronegócio e da direita regional, refletindo a busca de setores do setor produtivo por candidaturas alternativas ao bolsonarismo tradicional no estado de Mato Grosso.
Imagem: Antônio Cruz/ABr · BY · Openverse
De ascendência paterna alemã e italiana, Blairo é casado com Terezinha Maggi, e possui com ela três filhos: André, Belisa e Ticiane.
Imagem: Emanuel Pinheiro · BY-ND · Openverse
Em 2005, quando governava Mato Grosso, Blairo foi contemplado com o antiprêmio Motosserra de Ouro, criado pela ONG ambientalista Greenpeace, por sua relevante contribuição ao desmatamento e à destruição da Floresta Amazônica. No entanto, Maggi se recusou a receber o prêmio, que seria entregue pela Mulher Samambaia durante um movimentado evento conduzido pelo Repórter Vesgo. O desmatamento do ano ficou em cerca de 24 597 km², dos quais mais de 48% apenas no estado governado por Blairo. Maggi chegou a afirmar que "Esse negócio de floresta não tem o menor futuro". Quatro anos após, em 2010, o Greenpeace novamente presenteou o governador Maggi - dessa vez, com uma caixa de bombons de cupuaçu,[fonte confiável?] fruto de uma árvore originária da Amazônia brasileira. Maggi foi premiado por implementar o programa MT Legal, criado por ele mesmo em 2008 com a finalidade de promover o licenciamento ambiental e o uso de tecnologias de controle do uso do solo através de imagens de satélite, além de fiscalizar as atividades desenvolvidas nas propriedades rurais, de modo a preservar matas ciliares e nascentes e afinal reduzir o passivo ambiental do seu estado.[carece de fontes?] Até outubro de 2011, segundo informado no site de Blairo Maggi, o programa havia cadastrado 20 milhões de hectares de propriedades - cerca de metade da área de produção agrícola de Mato Grosso.
Imagem: CNA Brasil · BY-NC-SA · Openverse
Em 14 de setembro de 2017, foi alvo de uma operação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal batizada como "Operação Malebolge", com cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em endereços do ministro. A Operação Malebolge é uma sequência da Operação Ararath, que investiga desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro por meio de factorings clandestinas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que Blairo Maggi solicitou ao então presidente do BicBanco (hoje Banco Industrial e Comercial), José Bezerra de Menezes, que fizesse empréstimos ao ex-secretário Eder de Moraes para cobrir um desfalque de 130 milhões de reais deixados pela gestão de Maggi como governador de Mato Grosso (MT).
Imagem: PT - Partido dos Trabalhadores · BY · Openverse
Durante a Operação Carne Fraca, como Ministro da Agricultura, Blairo anunciou medidas que chamou de “desburocratização do agronegócio”, cujo ponto fundamental foi a redução da fiscalização sanitária. Blairo Maggi afirmou que "Temos de confiar mais nas empresas que fazem. Quem vai penalizar as empresas, uma vez erradas, pegas numa infração, é o sistema de fiscalização, mas é principalmente o mercado que tem de punir aquele que faz as coisas erradas". Poucos meses após o anúncio, a Operação Carne Fraca se tornou conhecida, evidenciando a corrupção sistêmica dos agentes e processos que deveriam garantir a qualidade da carne e de seus derivados. Durante a 22ª Conferência do Clima em Marrakech, um dos encontros mais importantes da ONU, o ministro minimizou o conflito agrário, afirmando, sobre o número de mortes de ambientalistas no ano, que "é só 50". Naquele ano houve, no mundo, 200 mortes do tipo, sendo 50 no Brasil, o que fez do país o campeão mundial de assassinato de ambientalistas.


