Pesquisa · Mapa mental

BlackRock

BlackRock, Inc. é uma empresa multinacional estadunidense de gestão de investimentos. Fundada em 1988, começou como uma gestora institucional de ativos de renda fixa, com ênfase em gestão de riscos. É a maior gestora de ativos do mundo, com US$ 15,3 trilhões em ativos sob gestão em 2026. Sua sede fica em Nova Iorque. A empresa mantém 70 escritórios em 30 países e atende clientes em 100 países.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/10/2026
01

História

1988–1999

A BlackRock foi fundada em 1988 por Larry Fink, Robert S. Kapito, Susan Wagner, Barbara Novick, Bennett Golub, Hugh Frater, Ralph Schlosstein e Keith Anderson. O grupo pretendia oferecer gestão de ativos a clientes institucionais com uma abordagem centrada em risco. Fink, Kapito, Golub e Novick haviam trabalhado juntos no First Boston, onde Fink e sua equipe estiveram entre os primeiros participantes do mercado estadunidense de títulos lastreados em hipotecas. Fink perdeu US$ 90 milhões enquanto era codiretor da divisão de renda fixa do First Boston. A experiência o levou, junto com os demais fundadores, a desenvolver práticas de controle de risco e dever fiduciário que consideravam mais rigorosas. Para obter o capital inicial, Fink procurou Peter Peterson, da Blackstone Group, que apoiou a ideia de uma empresa dedicada à gestão de riscos. Peterson chamou o negócio de Blackstone Financial Management. Em troca de 50% da operação de títulos, a Blackstone concedeu inicialmente a Fink e sua equipe uma linha de crédito de US$ 5 milhões. O negócio passou a dar lucro em poucos meses. Em 1989, seus ativos haviam quadruplicado, chegando a US$ 2,7 bilhões, e a participação da Blackstone havia caído para 40%.

1999–2009

Em 1 de outubro de 1999, a BlackRock abriu seu capital e vendeu ações a US$ 14 cada em uma oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Ao fim daquele ano, administrava US$ 165 bilhões. A empresa cresceu de forma orgânica e por aquisições. Em 2000, criou a BlackRock Solutions para oferecer gestão de riscos e análise de investimentos a investidores institucionais e outras grandes gestoras. A plataforma reúne serviços de consultoria e tecnologia e é baseada no sistema Aladdin, nome formado por Asset Liability and Debt and Derivative Investment Network. Em agosto de 2004, a BlackRock fez sua primeira aquisição de grande porte ao comprar da MetLife a SSRM Holdings, controladora da State Street Research & Management, por US$ 325 milhões em dinheiro e US$ 50 milhões em ações. A operação elevou os ativos sob gestão de US$ 314 bilhões para US$ 325 bilhões. O negócio também incorporou, em 2005, a atividade de fundos mútuos da State Street Research & Management.

2010–2019

Em fevereiro de 2010, após precisar levantar capital por causa da crise financeira de 2008, o Barclays vendeu à BlackRock a unidade Barclays Global Investors (BGI), que incluía a iShares, por US$ 13,5 bilhões. O Barclays recebeu uma participação próxima de 20% na BlackRock. Em 1 de abril de 2011, a empresa passou a integrar o índice S&P 500. Em 2013, a Fortune incluiu a BlackRock em sua lista anual World's 50 Most Admired Companies. Em 2014, os US$ 4 trilhões sob gestão fizeram dela a maior gestora de ativos do mundo. No fim de 2014, o Sovereign Wealth Fund Institute informou que investidores institucionais respondiam por 65% dos ativos administrados pela BlackRock.

2020–presente

Em maio de 2020, o PNC Financial Services vendeu sua participação na BlackRock por US$ 14,4 bilhões. Em março, o Federal Reserve havia escolhido a BlackRock para administrar dois programas de compra de títulos corporativos criados em resposta à pandemia de COVID-19. O trabalho abrangia o Primary Market Corporate Credit Facility, de US$ 500 bilhões, e o Secondary Market Corporate Credit Facility. Também incluía compras, pelo Federal Reserve, de títulos lastreados em hipotecas comerciais garantidos pela Government National Mortgage Association, Fannie Mae ou Freddie Mac. Em agosto de 2020, a BlackRock recebeu autorização da China Securities Regulatory Commission para criar uma operação de fundos mútuos no país. Foi a primeira gestora global a obter permissão do governo chinês para iniciar esse tipo de negócio.

02

Finanças

Em 2020, a organização sem fins lucrativos American Economic Liberties Project publicou um relatório afirmando que as três grandes gestoras BlackRock, Vanguard e State Street administravam, juntas, mais de US$ 15 trilhões em ativos globais, valor equivalente a mais de três quartos do produto interno bruto dos Estados Unidos. O relatório defendeu reformas estruturais e maior regulação dos mercados financeiros. Em 2021, a BlackRock superou US$ 10 trilhões em ativos sob gestão. Em 30 de junho de 2025, o total era de US$ 12,53 trilhões. Em 2025, a empresa registrou receita de US$ 24,22 bilhões, lucro operacional de US$ 7,045 bilhões, lucro líquido de US$ 5,553 bilhões, ativos totais de US$ 170,0 bilhões e patrimônio líquido de US$ 55,89 bilhões.

03

Controvérsias

Riley Moore, então tesoureiro da Virgínia Ocidental, afirmou em junho de 2022 que a BlackRock e outras cinco instituições financeiras deixariam de poder fazer negócios com o estado por sua posição em relação à indústria de combustíveis fósseis. Em outubro, a Luisiana retirou US$ 794 milhões administrados pela BlackRock em resposta ao apoio da empresa a políticas ESG e energia verde. Em dezembro, Jimmy Patronis, diretor financeiro da Flórida, anunciou que o governo estadual retiraria US$ 2 bilhões em investimentos sob gestão da BlackRock após o reforço de padrões e políticas ESG. A BlackRock respondeu que a decisão colocava a política acima dos interesses dos investidores. Em agosto de 2021, a BlackRock criou seu primeiro fundo mútuo na China depois de captar mais de US$ 1 bilhão de 111 mil investidores chineses. Foi a primeira empresa estrangeira autorizada pelo governo chinês a operar uma gestora de fundos mútuos integralmente controlada por capital estrangeiro no país. Em artigo no The Wall Street Journal, George Soros chamou a iniciativa de "erro trágico" e afirmou que ela prejudicaria os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos e de outras democracias.

Poder e participação acionária

O porte dos ativos e das atividades da BlackRock levou The Economist e Basler Zeitung a chamá-la de maior banco paralelo do mundo. Em 2020, os representantes Katie Porter e Chuy García apresentaram na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos um projeto destinado a limitar a BlackRock e outras instituições do sistema bancário paralelo. Em 4 de março de 2021, a senadora Elizabeth Warren defendeu que a empresa fosse classificada como "grande demais para falir" e regulada sob esse enquadramento. A BlackRock aplica recursos de seus clientes, entre eles os detentores de cotas de fundos iShares, em muitas companhias de capital aberto, inclusive empresas que competem entre si. Pelo tamanho dos fundos que administra, aparece entre os maiores acionistas de muitas companhias. A BlackRock afirma que essas ações pertencem a seus clientes, não à própria gestora. Pesquisadores independentes sustentam a mesma distinção, embora a empresa reconheça que pode exercer o voto acionário em nome dos clientes e, em muitos casos, sem participação direta deles. Na década de 2020, a BlackRock passou a permitir que investidores institucionais participassem das votações correspondentes a quase metade dos ativos de índices de ações que administra.

Propriedade comum

"Propriedade comum" é a situação em que empresas concorrentes em um mesmo mercado têm acionistas relevantes em comum. Esse arranjo pode reduzir a concorrência, prejudicar consumidores e afetar o funcionamento do mercado. Também pode estar relacionado a remunerações maiores para diretores executivos mesmo quando a concorrência entre as empresas diminui. Um estudo citado com frequência concluiu que a propriedade comum eleva preços. A BlackRock respondeu com um white paper que chamou o mecanismo de "vago e implausível". Seu relatório anual de 2023 apresentado à SEC, porém, listou a propriedade comum como um possível risco para o negócio. O documento registrou que, em 2023, a Federal Trade Commission e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicaram novas diretrizes para fusões reconhecendo que a propriedade comum poderia reduzir os incentivos à concorrência. O relatório acrescentou que medidas regulatórias poderiam prejudicar a BlackRock e que o tema poderia receber maior atenção em investigações, estudos, propostas de regras, decisões de política pública e análises de fusões e aquisições.

Investimentos ESG

Em 2017, a BlackRock ampliou seus projetos de governança ambiental, social e corporativa com novas contratações e produtos. A empresa passou a tratar de questões ambientais e de diversidade em cartas dirigidas a diretores executivos e em votações de acionistas, por vezes ao lado de investidores ativistas e redes como o Carbon Disclosure Project. Em 2017, apoiou uma resolução de acionistas que pedia à ExxonMobil medidas ligadas às mudanças climáticas. Em 2018, pediu a empresas do Russell 1000 com menos de duas mulheres no conselho de administração que aumentassem a diversidade de gênero. Em agosto de 2021, um ex-executivo que havia sido o primeiro diretor global de investimentos sustentáveis da BlackRock chamou os investimentos ESG da empresa de "placebo perigoso que prejudica o interesse público". Ele argumentou que instituições financeiras eram incentivadas a oferecer produtos ESG porque esses produtos cobravam taxas maiores e elevavam os lucros. Em outubro, o conselho editorial do The Wall Street Journal criticou a BlackRock por defender que a SEC exigisse de empresas privadas a divulgação pública de seus efeitos climáticos, da composição dos conselhos e de outros indicadores. O editorial afirmou que exigências ESG poderiam aumentar riscos jurídicos e de reputação, afastar companhias do mercado aberto e prejudicar bolsas, gestoras de ativos e, sobretudo, investidores de varejo.

Investimentos em atividades ligadas às mudanças climáticas

Em dezembro de 2018, a BlackRock era a maior investidora do mundo em usinas termelétricas a carvão, com US$ 11 bilhões em ações de 56 empresas do setor. Também detinha mais reservas de petróleo, gás e carvão térmico por meio de seus investimentos do que qualquer outra gestora, em um total correspondente a 9,5 gigatoneladas de emissões de CO2, ou 30% das emissões de energia de 2017. Grupos ambientalistas como o Sierra Club e a Amazon Watch lançaram em setembro de 2018 a campanha "BlackRock's Big Problem". A campanha acusava a empresa de ser a "maior força por trás da destruição climática no planeta", em parte por sua oposição ao desinvestimento em combustíveis fósseis.

Investimentos em fabricantes de armas

Em maio de 2018, manifestantes contrários às armas de fogo protestaram diante da assembleia anual da BlackRock em Manhattan. Após conversas com fabricantes e distribuidores de armas, a empresa lançou em 5 de abril de 2018 dois ETFs que excluíam ações de fabricantes e de grandes varejistas de armas, entre eles Walmart, Dick's Sporting Goods, Kroger, Sturm Ruger, American Outdoor Brands e Vista Outdoor. As mesmas ações foram retiradas de sete fundos ESG que já existiam.

Estudo sobre a incorporação de ESG às regras bancárias

O Provedor de Justiça Europeu abriu uma investigação em maio de 2020 sobre a decisão da Comissão Europeia de contratar a BlackRock para estudar a integração de riscos e objetivos ambientais, sociais e de governança às regras bancárias da União Europeia, o chamado arcabouço prudencial. Parlamentares europeus questionaram a imparcialidade da gestora por causa de seus investimentos no setor.

04

Pessoas-chave

Em 2026, o conselho de administração da BlackRock tinha 19 integrantes. Entre os antigos integrantes do conselho estão:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando