Bitcoin
Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada e de código aberto, um dinheiro eletrônico para transações financeiras ponto a ponto
O artigo descrevendo o funcionamento do bitcoin foi publicado em 2008 por Satoshi Nakamoto, pseudônimo de um programador ou grupo de programadores anônimo(s). Uma versão inicial do software foi lançada em 2009. Até 2012, a moeda era usada principalmente em mercados negros virtuais, tais quais o Silk Road. Desde 2013, o uso e a cotação da moeda perante o dólar tem aumentado significativamente, com o valor máximo histórico sendo registrado a 6 de outubro de 2025, ultrapassando 126 000 dólares por bitcoin. A cotação tem sofrido alta instabilidade, devido, entre outros fatores, a ataques contra bolsas de câmbio virtuais. De dezembro de 2017 a fevereiro de 2018, o valor do bitcoin caiu 70%, por exemplo.
Criação da moeda
Em 18 de agosto de 2008 o domínio "bitcoin.org" foi registrado, e em outubro o estudo Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System foi publicado por Satoshi Nakamoto em uma lista de discussão sobre criptomoedas. Nakamoto implementou o software por trás do bitcoin como código aberto e lançou-o em 3 de janeiro de 2009. No mesmo mês, a rede foi criada quando Nakamoto minerou o primeiro bloco da blockchain, conhecido como first block ou genesis block. Embutido no primeiro bloco estava o texto The Words 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks.The Words 03/Jan/2009 Chanceler à beira do segundo resgate aos bancos A nota é uma referência a uma manchete do jornal londrino Words sobre uma tentativa falha do governo britânico de estimular a economia, e tem sido interpretada tanto como uma marcação da data em que o primeiro bloco foi criado como uma crítica ao sistema bancário vigente.:18
Uso inicial
De 2011 a 2012, a criptomoeda foi usada principalmente em mercados negros como o Silk Road. Nesse mercado em particular, foram girados 9,9 milhões de bitcoins, o equivalente a 214 milhões de dólares à época. No mesmo ano o preço variou de 30 centavos de dólar por bitcoin, até 31,50 dólares por bitcoin. Em setembro de 2012, a Bitcoin Foundation foi fundada, com o objetivo de promover o desenvolvimento do protocolo.
Aumento na cotação e adoção
A cotação bitcoin-dólar e a popularidade da criptomoeda cresceram significativamente durante 2013. Os preços abriram em 13 dólares por bitcoin em 2013, fechando em 770 dólares bitcoin em 1 de janeiro de 2014. Em 2013 a blockchain dividiu-se em duas cadeias independentes. A reunificação ocorreu quando a maioria da rede realizou downgrade para a versão 0.7 do software. A divisão causou uma queda de 23% nos preços no Mt. Gox, a principal bolsa de câmbio à época. No mesmo ano, o FinCEN estabeleceu regulações sobre "moedas virtuais descentralizadas", legislação que englobava mineradores de bitcoin norte-americanos. Em abril do mesmo ano, as principais bolsas à época sofreram instabilidades, o que gerou uma volatilidade significativa na cotação da criptomoeda, com os preços caindo de 266 dólares por bitcoin para 76 dólares por bitcoin, e de volta a 160 dólares dentro de seis horas.
Recorde de preço em 2025
Em maio de 2025, o Bitcoin ultrapassou a histórica marca de US$ 111 mil, estabelecendo um novo recorde em dólares americanos, embora o fluxo de ETFs tenha se mantido moderado, conforme análise do BeInCrypto Brasil. O site observou ainda que, apesar do recorde, a taxa de funding em contratos futuros permanece baixa — indicando menor especulação — e que o interesse do varejo segue restrito, elementos que reforçam a maturidade do atual ciclo de valorização.
Perspectivas futuras
Uma análise de Fred Krueger divulgada pelo BeInCrypto Brasil estimou que o Bitcoin teria cerca de 77 % de probabilidade de alcançar um novo recorde histórico até o fim de 2025, com projeção de valor próximo a US$ 108 mil, reforçada pela queda do dólar e maior liquidez global.
Regulação
Em abril de 2017, o Japão criou a primeira legislação de regulação da criptomoeda, como forma de pagamento, e da atividade das casas de câmbio, que chamou a atenção de novos investidores/compradores no país asiático, fazendo a cotação global ter uma super alta. A legislação possui o objetivo de aumentar a proteção de consumidores e empresas que usam as criptomoedas, evitando crimes de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. A Índia ainda é um país com incertezas sobre a adoção da criptomoeda, devido preocupações do Reserve Bank of India (RBI). Enquanto a Venezuela e o Vietnã estão receptivos a adoção. A Austrália possui um sistema de regulação.
A rede Bitcoin cria e distribui um novo lote de bitcoins aproximadamente 6 vezes por hora aleatoriamente entre participantes que estão rodando o programa de mineração de criptomoedas, onde qualquer participante minerador tem chance de ganhar um lote. O ato de gerar bitcoins é comumente chamado de "minerar" (em referência a "mineração do ouro"). A probabilidade de um certo minerador ganhar um lote depende do poder de processamento computacional com que ele contribui para a rede Bitcoin em relação aos outros. A quantia de bitcoins geradas por lote nunca passa de 50 BTC, e esse valor está programado no protocolo bitcoin para diminuir com o passar do tempo, de modo que o total de bitcoins criadas nunca ultrapasse 21 milhões de unidades BTC. Com a redução desse prêmio, espera-se que a motivação para se rodar nó gerador (computador executando um programa de mineração) mudará para o recebimento de taxas de transação. No caso do Bitcoin, o algoritmo utilizado no emprego do sistema de prova-de-trabalho é o SHA-256.
Unidades
A unidade de conta do sistema Bitcoin é o "bitcoin". Os símbolos usados para representar o bitcoin são BTC, XBT e . Pequenas quantidades de bitcoin usadas como unidades alternativas são: milibitcoin (mBTC), microbitcoin (µBTC) e satoshi (nomeado em homenagem ao criador do bitcoin). Em 7 de outubro de 2014, a Fundação Bitcoin divulgou um plano para inscrever o bitcoin no padrão internacional de moedas ISO 4217, e mencionou o BTC e XBT como os candidados principais.
Blockchain
A tecnologia Blockchain ("Cadeia de Blocos" em inglês) é um tipo de banco de dados distribuído, que tem a função de livro-razão de contabilidade pública (saldos e transações de contas), onde são registradas as transações bitcoin. Esta tecnologia permite que esses dados sejam transmitidos entre todos os participantes da rede (nós P2P) de maneira descentralizada e transparente. Dessa maneira, não é necessária a confiança em um terceiro ou entidade central para que os dados de contabilidade estejam corretos e não sejam fraudados. O blockchain é um livro público de transações, apesar de ter algumas informações anônimas — o bitcoin está associado a um número que somente seu proprietário conhece — basta uma conversão para um câmbio não virtual que tudo fica às claras.
Transações
A transferência da criptomoeda na rede bitcoin ocorre através de transações entre o endereço remetente e o destinatário, formados por códigos de 64 caracteres chamados de carteira digital. A transação na rede ocorre através da internet, não sendo possível cancelar ou reverter após ela ter sido enviada pela rede.
Carteiras
Uma carteira digital bitcoin armazena as informações que são necessárias para ocorrer as transações das criptomoedas. Embora as carteiras frequentemente sejam descritas como um lugar para armazenar ou carregar bitcoins, uma descrição melhor para uma carteira seria a de um meio para "armazenar as credenciais digitais que permitem o usuário usar os seus fundos bitcoin". As carteiras utilizam criptografia de chave pública, na qual duas chaves criptográficas são geradas, uma pública e uma privada. A chave privada é responsável pelo acesso dos fundos da carteira, enquanto que a chave pública pode ser divulgada para o recebimento de fundos. Existem vários tipos de carteiras, que geralmente são dividas nos subgrupos:
Posse
A posse de bitcoins implica que um usuário tem a habilidade de gastar as criptomoedas associadas a um endereço específico. Para fazer isso, deve-se usar uma carteira para assinar digitalmente a transação usando a chave privada correspondente ao seu endereço. Não é possível assinar uma transação (e gastar bitcoins) sem que se conheça anteriormente a chave privada do endereço. A rede verifica a assinatura usando uma chave pública. Se a chave privada for perdida, a rede bitcoin não irá reconhecer nenhuma outra evidência de posse; e os bitcoins vinculados ao endereço tornar-se-ão inutilizáveis, ou seja, serão efetivamente perdidos. O primeiro software de carteira se chama Bitcoin Core e foi lançado em 2009 por Satoshi Nakamoto, o possível inventor do Bitcoin. Ele é um software de código-aberto, e originalmente se chamava bitcoind. Às vezes chamado de "cliente Satoshi", também é conhecido como o cliente de referência para implementações, pois serve para definir o protocolo bitcoin atuando como padrão. Na versão 0.5, o cliente deixou de usar o toolkit de interface de usuário wxWidgets e passou a usar o software Qt, e o novo pacote passou a ser conhecido como Bitcoin-Qt. Após o lançamento da versão 0.9, o Bitcoin-Qt mudou de nome e passou a ser chamado de Bitcoin Core.
Oferta
Atualmente, o minerador que descobre um novo bloco recebe como recompensa bitcoins novos (recém-criados) e as taxas das transações incluídas naquele bloco. Desde 28 de novembro de 2012, a recompensa inclui 25 bitcoins novos (recém-criados) a cada bloco adicionado à cadeia de blocos (blockchain). Para poder resgatar sua recompensa, uma transação especial chamada de coinbase é incluída pelo minerador junto com os pagamentos que ele processou. :ch. 8 Todos os bitcoins em circulação podem ser rastreados retrogradamente até as suas respectivas transações coinbase. O protocolo bitcoin especifica que a recompensa a cada bloco adicionado será diminuída pela metade a cada quatro anos, em média. Em vista disso, estima-se que no ano de 2140, quando o limite arbitrário de 21 milhões de bitcoins produzidos será atingido, a recompensa será removida completamente e, a partir de então, os mineradores receberão apenas as taxas das transações do bloco como recompensa pelo seu trabalho.
Satoshi Nakamoto declarou em seu livro branco que: "O problema básico com moedas convencionais é toda a confiança necessária para fazê-las funcionar. O banco central deve ser confiável para não desvalorizar a moeda, mas a história das moedas fiduciárias está cheia de violações dessa confiança."
Raízes da economia austríaca
De acordo com o Banco Central Europeu, a descentralização do dinheiro oferecida pelo bitcoin tem suas raízes teóricas na escola austríaca de economia, especialmente com Friedrich von Hayek em seu livro Denationalisation of Money: The Argument Refined (em português: Desestatização do dinheiro), no qual Hayek defende um mercado livre completo em produção, distribuição e gestão de dinheiro para acabar com o monopólio dos bancos centrais.
Anarquismo e libertarianismo
De acordo com o The New York Times, libertários e anarquistas foram atraídos pela ideia filosófica por trás do bitcoin. O primeiro apoiador do bitcoin, Roger Ver, disse: "No início, quase todo mundo que se envolveu o fez por razões filosóficas. Vimos o bitcoin como uma grande ideia, como uma forma de separar o dinheiro do estado." The Economist descreve o bitcoin como "um projeto tecno-anarquista para criar uma versão online do dinheiro, uma forma de as pessoas fazerem transações sem a possibilidade de interferência de governos ou bancos maliciosos". O economista Paul Krugman argumenta que as criptomoedas como o bitcoin são "uma espécie de culto" baseado em "fantasias paranóicas" do poder governamental.
Bitcoin é uma das primeiras implementações do conceito criptomoeda descentralizada, descrito originalmente em 1998 por Wei Dai na lista de discussões Cypherpunk. Em 2010, a economia de Bitcoin ainda era pequena comparada ao sistema financeiro tradicional e o software oficial ainda estava no estágio beta. Entretanto, em diversas partes do mundo serviços e bens reais (como músicas, eletrônicos, veículos, hospedagens, restaurantes e desenvolvimento de software) já vinham sendo negociadas com essa moeda, sendo aceita tanto para serviços online quanto para bens tangíveis. Em 2017, de acordo com um estudo da Universidade de Cambridge, havia entre 2,9 e 5,8 milhões de detentores únicos de carteiras de criptomoedas, a maioria detendo carteiras de bitcoin. O número mostra um aumento significativo desde 2013, quando haviam de 300 mil a 1,3 milhões de usuários. Algumas organizações e associações aceitam doações em bitcoins, dentre elas a Electronic Frontier Foundation, Free Software Foundation, Wikimedia Foundation, Mozilla Foundation (somente durante algum tempo), Internet Archive, Freenet, The Pirate Bay, WikiLeaks e Singularity Institute. As multinacionais Microsoft, e Dell aceitam pagamentos em Bitcoin.
Compra e Venda
Bitcoins podem ser comprados e vendidos tanto online como offline. Os usuários de serviços de câmbio online realizam lances de compra e venda. O uso de um serviço de câmbio online implica certo risco, estando sujeito à falência, ou ataques de hackers que furtam os bitcoins de clientes que estiverem sob sua custódia. Mas existem registros da ocorrência de ambas as situações. Existem terminais de auto-atendimento para saque de bitcoins (ATM), que permitem a troca de dinheiro em espécie por bitcoins e vice-versa. Uma evolução é o advento do câmbio descentralizado trustless, ou seja, que não requer confiança entre as partes transacionando.
Diferenças monetárias
Ao contrário das moedas normais/fiat, Bitcoin se destaca por suas propriedades tecnológicas superiores e neutralidade da rede, nenhum administrador ou programador pode controlar a emissão (causar inflação ou deflação) de bitcoins devido a sua natureza descentralizada, suavizando possíveis instabilidades financeiras causadas por políticas econômicas de bancos centrais como na crise econômica do Chipre. Ao contrário dos bancos centrais, o sistema blockchain implementa um conjunto de regras que governam a rede Bitcoin. As regras são determinadas pela governança de código aberto. Estas regras são escritas pelos programadores em protocolos de código aberto auditável por todos, mas eles não são auto-executáveis. Para que as regras tenham validade é necessário criar um consenso social onde pelo menos 51% dos usuários (carteiras bitcoin) devem aceitar as regras, mas estas regras podem ser reescritas e alteradas a qualquer momento, se houver um consenso na comunidade de que as regras devem ser alteradas. Existe uma inflação programada no protocolo Bitcoin que ajusta a emissão de novas moedas, porém, por ser um código aberto totalmente auditável, a inflação é previsível e de conhecimento público. A emissão de novas moedas bitcoins portanto não pode ser manipulada ou ofuscada para alterar o poder de compra dos usuários. No entanto, grandes movimentos especulativos de oferta e demanda podem fazer com que o seu valor sofra oscilação no mercado de câmbio.
Valor de mercado
As criptomoedas não possuem um market cap/valor de mercado, da mesma maneira que o ouro ou as moedas nacionais/fiat. Nomear o valor total de bitcoins muda a função original da criptomoeda. Originalmente, foi planejado a ser uma rede de pagamentos descentralizada que usa a unidade de conta bitcoin, talvez sem a intenção de interagir com moedas emitidas por governos. O bitcoin, como uma unidade de conta, possui atributos semelhantes a uma moeda. Este pode ser divisível, possui fungibilidade limitada e direitos de propriedade, que o fazem teoricamente uma boa reserva de valor. Assim os desenvolvedores estão criando novos protocolos com o objetivo de oferecer produtos financeiros mais complexos em plataformas também confiáveis em paralelo com a blockchain.
Resultados
Hipóteses de falha para bitcoin incluem: vulnerabilidades ainda não descobertas no protocolo, desvalorização da moeda devido a queda da demanda, repressão por uma autoridade financeira global. Os sites de câmbio bitcoin podem sofrer repressão por um governo local. No entanto, provavelmente seria impossível "banir todas as criptomoedas em todo o mundo". A descentralização, a internacionalização e o pseudo-anonimato incorporados em bitcoin parecem ser uma reação aos processos contra companhias de moedas digitais centralizadas como E-gold e Liberty Dollar. Num artigo investigativo o Times irlandês, Danny O'Brien relatou "Quando eu mostro essa economia bitcoin pras pessoas, elas perguntam: 'Isso é legal?' Perguntam: 'É um golpe?' Eu imagino que tem vários advogados e economistas por aí se esforçando pra tentar responder essas perguntas. Eu suspeito que a gente poderá incluir legisladores nessa lista em breve." Em fevereiro de 2011, a cobertura por Slashdot e o subsequente efeito Slashdot afetaram o valor de bitcoin e a disponibilidade de alguns dos sites relacionados.
Contratos e títulos de propriedade
Criptomoedas como o bitcoin têm implementado casos especiais de registros/regulação, nos quais a propriedade é o dinheiro. Possuindo mecanismos que possibilitam a execução de contratos e títulos de propriedade mais gerais. O Código que suporta esse tipo de aplicação é uma parte não muito à vista do protocolo bitcoin, baseado no proof-of-work (replicação bizantina probabilística e anônima). Uma proposta para utilizar bitcoin para execução de contratos e registros de ativos replicados é chamada de "moedas coloridas". Desde 2016 tem uma tecnologia em desenvolvimento é a rede Lightning, que busca solucionar a barreira da escalabilidade das redes das criptmoedas, modelada após o trabalho do ex-desenvolvedor de bitcoin, Mike Hearn, e os canais de pagamento do co-fundador da Blockstream, Matt Corallo. O conceito básico da Lightning Network é que, ao usar o contrato Hashed Timelock (HTLC) para transações multipartidárias, permitidindo que os receptores pré-determinem o valor da negociação antes de finalizá-la. A camada de pagamento, proposta por Joseph Poon e Thaddeus Dryja, promete suportar uma quantidade de transações financeiras similares a quantidade suportada por um rede de cartão de crédito.
Desempenho em crises
Durante a pandemia de COVID-19 e crise econômica subsequente, a cotação da criptomoeda em relação ao dólar caiu drasticamente em um primeiro momento, junto com ações e outras classes de ativo. Após a queda inicial, apresentou valorização rápida de 80%. Ao final de maio, comparada com outras classes de ativo, o desempenho final foi melhor que ações durante a crise, mas pior que o ouro, com volatilidade maior que ambos.
Críticas ao Bitcoin são uma constante desde o início de sua adoção, e o embasamento para as mesmas varia entre episódios reais, projeções de mercado e falhas de design. Entre os críticos de Bitcoin encontram-se ex-usuários, tecnólogos, economistas e políticos.
Tecnologia
Embora muitos considerem o Bitcoin uma moeda segura por causa de sua encriptação ponta-a-ponta, os riscos aos quais os usuários estão expostos fora da rede são o foco do problema. Uma vez que o acesso aos fundos de uma conta dependem unicamente da posse de uma chave secreta, os fundos de carteiras online podem ser hackeados, e os fundos de carteiras offline compartilham as mesmas inseguranças de dinheiro em espécie e obrigações ao portador (títulos de crédito). O funcionamento da rede Bitcoin depende da ocorrência de um número bastante limitado de ações que diz respeito à criação de novos nós, fabricação de transações, mineração de moedas, prova de trabalho e estabelecimento de consenso. Porém, é uma visão crescente a de que a rede Bitcoin como originalmente implementada não é escalável.
Economia
Diferentes críticas econômicas são levantadas, como o uso limitado como moeda se comparado ao dólar e outras moedas fiduciárias, bem como a alta volatilidade de sua cotação. O Bitcoin foi descrito como uma bolha especulativa por pelo menos oito ganhadores do Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel. Ben Bernake, ex-presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, aponta o caráter altamente volátil do preço da criptomoeda como um sério problema. Entre aqueles que levantaram essa questão está o ex-presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Ben Bernake, que acusou a criptomoeda de ser altamente volátil. Apenas em 10 meses a cotação em dólar de um bitcoin cresceu uma ordem de grandeza, passando de cerca de US$ 13/BTC para US$ 1000/BTC de janeiro a novembro. Especula-se que eventos globais como a crise financeira europeia - em particular a crise financeira do Chipre, além de declarações positivas do FinCEN dando maior respaldo legal à moeda, tenham motivado o recrudescimento da cotação.
Político
A anonimidade proposital das transações que ocorrem na rede Bitcoin possibilita que a moeda seja utilizada como forma de pagamento em transações ilegais, como apostas e tráfico de drogas. Por outro lado, a arquitetura descentralizada do Bitcoin é uma escolha de design proposital com o objetivo de impossibilitar a regulação interna de seus mecanismos por um indivíduo ou instituição específica. Essa consequência foi atrativa para aqueles que viam com antipatia os episódios em que o governo de um país emitia cédulas e cedia crédito a grandes empresas com o propósito de evitar que as mesmas falissem, em detrimento do valor das reservas e salários da classe trabalhadora. Porém, a pressão feita pelas instituições governamentais pela existência de fiscalização e taxação podem diminuir o valor atrelado às bitcoins existentes.
Criminal
Além dos problemas e críticas em relação a sua capacidade como uma moeda funcional, o projeto também encontra dificuldade de aceitação por causa das possibilidades negativas. Onde todas as transações na rede são registradas com a identificação de nós pelos seus pseudônimos, e um usuário mal-intencionado pode utilizar da inexistência de registros de sua identidade na rede para fins ilícitos. O uso de bitcoins para o pagamento de transações no mercado negro (como a compra de drogas ilícitas, armas, etc) tem sido praxe. O bitcoin pode se tornar um atrativo às atividades criminosas na medida em que é valorizado ante moedas oficiais e é aceito como forma de pagamento em diversas transações onlines para compra de bens (roupas, jogos, músicas) e serviços (hotéis, restaurantes), em diversas partes do mundo.


