Estudos bizantinos
Os Estudos Bizantinos, ou Bizantinologia, são um campo interdisciplinar das humanidades que explora a rica tapeçaria da história, cultura, vestuário, religião, arte, ciência, economia e política do Império Bizantino. Hieronymus Wolf (1516–1580), um humanista alemão da Renascença, é reconhecido como o fundador desta disciplina fascinante.
Pontos-chave
- Estudos Bizantinos são uma disciplina interdisciplinar focada no Império Bizantino.
- Hieronymus Wolf, humanista renascentista, é considerado o fundador da bizantinologia.
- Bizâncio combinava cultura grega, tradições romanas, influência oriental e fé cristã.
- A história bizantina geralmente começa com Constantino, o Grande, e a fundação de Constantinopla.
- A disciplina se consolidou como independente entre o final do século XIX e início do século XX.
Esta seção explora a definição, o contexto histórico e as características fundamentais de Bizâncio, bem como as complexidades linguísticas e literárias que moldaram sua identidade.
O Que São os Estudos Bizantinos?
Os Estudos Bizantinos constituem a disciplina acadêmica dedicada à história e cultura de Bizâncio. Este termo abrange tanto o Império Bizantino genericamente quanto a Idade Média grega ou de língua helênica, incluindo sua capital, Constantinopla (anteriormente Bizâncio). A unidade do objeto de estudo contrasta com a diversidade de abordagens especializadas que o tema engloba. Embora a designação 'bizantinos' não existisse na Alta Idade Média, já havia estudos sobre o império. O interesse por Bizâncio e suas fontes gregas originais cresceu significativamente entre os humanistas italianos no final da Idade Média, expandindo-se pela Europa e Rússia no século XVII. A bizantinologia se estabeleceu como disciplina independente entre o final do século XIX e o início do século XX.
Bizâncio: Cultura e Períodos
A cultura grega/helenística, as tradições do estado romano, a influência oriental e a fé cristã, aliadas a uma relativa unidade linguística e cultural, são pilares da Bizâncio medieval. A história bizantina é comumente considerada a partir do reinado de Constantino, o Grande (r. 306–337) e da fundação de Constantinopla. O período 'romano-ocidental' ou antigo de Bizâncio inicia-se, o mais tardar, em 395, com a divisão do Império Romano em Ocidente e Oriente, estendendo-se aproximadamente até 641.
As Línguas e Literatura Bizantinas
É possível identificar três níveis de discurso no grego bizantino: o aticismo (linguagem literária), o koiné (língua comum do período helenístico) e o demótico (língua popular, precursora do grego moderno). Havia uma diglossia notável entre o grego falado e o escrito (clássico). Os principais gêneros literários bizantinos incluem a historiografia (em estilo clássico e crônicas), hagiografias (biografias e panegíricos), coleções hagiográficas (menaia e synaxaria), epistolografia, retórica e poesia. Da administração bizantina, amplamente estudada, existem descrições de povos e cidades, registros de cerimônias da corte e listas de precedências. A literatura técnica abrange, por exemplo, textos sobre estratégia militar. Também foram preservadas coleções de leis civis e canônicas, além de documentos e atas diplomáticas. Há ainda alguns textos em demótico.
Esta seção detalha as metodologias e ferramentas essenciais para a pesquisa em Estudos Bizantinos, incluindo o estudo de textos, documentos, moedas, pesos, medidas e a cronologia.
Modos de Transmissão de Conhecimento
Os modos de transmissão de conhecimento em Bizâncio envolvem o estudo de textos preservados principalmente em papiros, pergaminhos ou papel, além de inscrições, moedas e medalhas. Os rolos de papiro da Antiguidade foram gradualmente substituídos por códices de pergaminho na Idade Média (ver codicologia). O papel foi introduzido no século IX, chegando através dos árabes e chineses (ver papirologia).
Diplomática Bizantina
A diplomática bizantina dedica-se ao estudo dos documentos de Bizâncio. Estes podem ser classificados pela sua origem (seculares, como imperiais e privados; ou sagrados, como patriarcais e episcopais) ou pelo seu meio de preservação (originais, imitações ou cópias simples). Os documentos imperiais se subdividem em promulgações de leis (edikton, typos, pragmatikos typos, thespisma, neara, nomos, sakra, mandatum principis), decisões sobre casos específicos (epístolas: epistule, sakra; subscriptio: lysis [governo, impostos], semeiosis), documentos de política externa (tratados, cartas para governantes estrangeiros: sakrai, grammata, basilikon, chrysobullos horismos, chrysobullon sigillon, prokuratorikon chrysobullon) e documentos administrativos (rostagmata [horismoi], sigillia, codicilli).
Numismática Bizantina
A numismática bizantina foca no estudo das moedas do Império. O sistema monetário bizantino, baseado no padrão-ouro desde a Antiguidade Tardia, incluiu moedas de prata, bronze e cobre até meados do século XIV. Com o declínio econômico e político do período final, o padrão-ouro foi abandonado no último século da história bizantina, sendo substituído por um sistema baseado em prata.
Metrologia Bizantina
A metrologia bizantina estuda os pesos e medidas utilizados no império. Um grande número de medidas de comprimento era empregado, incluindo dáctilo (daktylos), côndilo (kondylos), antíquere (anticheir), palaiste, dichas, espítame (spithame), pechys, bema (passo), orgia (braça), schoinion (para campos), pletro (plethron), mílio (million), allage, 'dia de viagem', entre outras. As medidas de área incluíam módio, grande módio (megalos modios) e zeugário (zeugarion). Para volume, usavam-se litra, tagário (tagarion), pinácio e módio; especificamente para vinho e água, megárico (megarikon), metro e tetárcio (tetartion). As medidas de peso eram critócoco (krithokokkon), sitócoco (sitokokkon), grama, óbolo (obolos), dracma (drachme), úngia (ungia), litra, centenário (kentenarion), gomário (gomarion) e pesa.
Cronologia Bizantina
A cronologia bizantina dedica-se ao estudo da medição do tempo e da datação. De acordo com os diversos sistemas de calendário em Bizâncio, o ano 1 da era comum (ou cristã) correspondia ao ano 754 ab urbe condita, ao ano 1 da 195ª Olimpíada, ao ano 49 da era antíoca, 5.493 da era alexandrina, 312 da era selêucida e 5.509 da criação do mundo. O ano bizantino começava em 1º de setembro, que se acreditava ser o dia da criação. Assim, o período de 1º de janeiro a 31 de agosto do ano 1 d.C. pertencia ao ano 5.508, e o período de 1º de setembro a 31 de dezembro ao ano 5.509. A datação baseada nas indicções foi amplamente utilizada ao longo de toda a história bizantina.


