Pesquisa · Mapa mental

Diocese de Viseu

A Diocese de Viseu é uma diocese da Igreja Católica em Portugal. É sufragânea da Arquidiocese de Braga. A sua sede episcopal encontra-se na Sé de Viseu, na Região Centro. O atual bispo é António Luciano dos Santos Costa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
01

História

Primeiras menções

A génese da Diocese de Viseu remonta a meados do século VI d.C, sendo a referência documental escrita mais antiga conhecida o Concílio de Lugo (datado de c.569). Apesar de documentos que comprovam o a presença do culto cristão nesta região, pelo menos desde o século VI, não existem vestígios arqueológicos da existência de igrejas ou locais de culto até ao século VIII, e não existe vestígios arqueológicos da existência de mosteiros antes do século X. Apesar disto, abundam na área sepulturas comprovativas de que, desde há muito, ali viveriam fiéis de Cristo. O primeiro líder diocesano confirmado é Remissol em 572, bispo católico romano, presente explicitamente no Segundo Concílio de Braga. O bispado remontará, portanto, pelo menos a 561, pois o bispo de Viseu assina a seguir ao metropolita. No entanto, com a queda, e consequente conquista do reino Suevo pelos visigodos, há uma perseguição notável dos bispos católicos romanos das antigas dioceses suevas, sendo estes substituídos por bispos arianistas. Tal como outras, a diocese de Viseu não é exceção, tendo sido Remissol substituído por Sunila. É, também, colocado em hipótese que durante esta altura houvesse um pretendente a bispo católico romano, João, e que, após o Terceiro Concílio de Toledo, tenha sido Sunila colocado como bispo coadjutor deste. No entanto este facto não é certo.

Invasão Muçulmana e Reconquista

Após a conquista da península pelos muçulmanos, e Viseu ocupada, a diocese entra no seu maior período de sede vacante. No entanto, durante essa altura, a diocese mantinha-se titular, e eram eleitos e/ou nomeados bispos mesmo durante esse tempo. O titular bispo Teodomiro, auxiliou na consagração da Catedral de Santiago de Compostela em 876, e, no ano seguinte, participou no Segundo Concílio de Oviedo. No século X, Viseu ainda se manteve ocupada durante várias décadas, tendo nesta altura os seus bispos residindo em Oviedo, até à sua reconquista definitiva por Fernando Magno, rei de Leão, em 1058. [carece de fontes?] No século seguinte, até 1144, a diocese era governada por priores ordenados pelos Bispos de Coimbra, por bula papal de Pascoal II. Durante este tempo, é escolhido para Viseu, em 1112, o prior São Teotónio, futuro santo padroeiro da cidade, e da diocese. É-lhe, posteriormente, oferecido o título de bispo, mas acaba por recusar. O título de bispo é novamente restaurado com Odório em 1147, sendo para muitos académicos, reiniciada a contagem.

Grande Cisma do Ocidente e Crise de 1383–1385

Durante o Grande Cisma do Ocidente, a instabilidade religiosa aumenta consideravelmente. Este tornar-se-á, no essencial fio condutor das relações entre os reinos de Portugal e Castela, e um fator decisivo para a defesa da posição do Mestre de Avis nas cortes de Coimbra. As frequentes mudanças de obediência dos dois reinos dependiam diretamente do acontecer da Guerra dos Cem Anos e do decurso das rivalidades entre as sés de Avinhão e Roma: cada nova posição soía trazer consigo uma nova estratégia no jogo das alianças. Após o prelado de João Eanes, vieram dois prelados, cujo mandato foi curto. Foi Pedro Lourenço do Amaral, bispo de Viseu durante a Crise de 1383–1385, e posteriormente D. João Peres feito bispo, durante ou imediatamente após. Este, acaba mesmo por ser deposto pelo Papa Urbano VI. Em 1392, sucede-se no governo da diocese João Homem e, sendo muito estimado pelo rei, foi escolhido como padrinho do infante D. Henrique, e recebeu do monarca o presente de uma torre romana para os sinos da catedral. Luís do Amaral, bispo natural da cidade, representou Portugal no Concílio de Basileia e, abraçando a causa do antipapa Félix V, foi enviado em várias embaixadas; retornou, no entanto, à obediência ao Papa em Roma antes da sua morte.

Idade Moderna

O século XV, um pouco como em todo o país, demonstrar-se-ia um século de desenvolvimento e avanço na diocese. D. Luís Coutinho II , bispo de Viseu desde 1438, e promovido à diocese de Coimbra em 1446, é sucedido, pelo mestre João Vicente, na altura, lente em medicina da Universidade de Coimbra. D. João Vicente, também apelidado de "o bispo santo", fundador da Congregação dos Cónegos Seculares de São João Evangelista (Congregação dos Lóios), empenhou-se intensamente na reforma e reestruturação da diocese, aquando o seu mandato. Por sua mão, reformou a Ordem de Cristo e conferiu-lhe novos estatutos, com o aval do grão-mestre o infante D. Henrique. A D. João Vicente sucedeu D. João Gomes de Abreu.

Idade Contemporânea

Após a sua morte, foi, em 1792, sucedido por Francisco Monteiro Pereira de Azevedo, um prelado de grande modéstia e caridade, conhecido na cidade com o "pai dos pobres". Instituiu cinco paróquias suburbanas anexas à catedral e subsidiou os reitores com os seus próprios fundos. Doou um novo órgão que custou 20.000 cruzados à catedral e lançou a pedra fundamental do novo hospital da Misericórdia. Este mandato foi perturbado pelas Invasões Francesas e, em 1810, com sua permissão, o seu palácio e outros edifícios eclesiásticos, foram ocupados por tropas aliadas, de modo a albergar os feridos e não só. Em 1819 acaba por falecer, provocando grande comoção na cidade. Nesse ano foi nomeado D. Francisco Alexandre Lobo. Por causa dos acontecimentos políticos de 1820, D. Francisco ficou em Lisboa, entrando na diocese em fins desse ano. Foi eleito pouco depois deputado pela Beira e pelo Alentejo, mas não aceitou. Mudou o seminário maior de Viseu de Santa Cristina, para a casa dos padres de São Filipe de Néry, depois de um acordo com eles, em 1824. Em 31 de Outubro de 1826 tomou posse do lugar de par do Reino e em Dezembro foi nomeado ministro, cargo que exerceu durante seis meses. No final entregou o dinheiro que recebera para a Real Casa dos Expostos de Lisboa.

02

Território

O território da Diocese de Viseu variou largamente durante os vários séculos e, as fronteiras territoriais exatas da diocese nesta altura são pouco conhecidas, e foram oscilando ao longo dos séculos. No entanto, é de notar que, desde sempre, teve em Viseu a sua sede. Apesar de pouco conhecidas as suas divisões eclesiásticas durante a Alta Idade Média, as suas fronteiras estão inseridas numa região com coerência física, climática, demográfica e até identitária, que viria posteriormente, a ser designada por Beira Alta. Presente no Parochiale Suevorum, nos seus primórdios, à diocese de Viseu competia uma vasta área de paróquias, desde a atual região de Mortágua a sul, e S. Pedro do Sul a oeste, até à comarca de Cidade Rodrigo, na atual Espanha. A Diocese dilatava-se, então, em larga áreas entre o Águeda e o Côa, com a notável paróquia de Calióbrica ou Calióbria. Do ponto de vista da sua extensão, população, riqueza e prestígio, ainda considerando as variações que todos estes indicadores sofreram, era uma diocese intermédia no quadro dos demais bispados portugueses, à semelhança do Porto (até à contemporaneidade), Algarve e das vizinhas Lamego e Guarda. Superior, por conseguinte, às mais modestas Miranda, Portalegre, Leiria, Elvas e, mais tarde, Pinhel, Castelo‑Branco, Beja, Aveiro ou Penafiel, mas inferior aos arcebispados de Braga, depois aos de Lisboa e Évora, além da diocese Coimbra, com a qual sempre manteve um limiar de extensa contiguidade. Foi este um território de notável importância nos séculos primevos da História de Portugal. Pesem as polémicas subsistentes, é de admitir que nele terá nascido, e quiçá baptizado na catedral original, o primeiro rei português D. Afonso Henriques, numa época em que esta foi zona de fronteira entre cristãos e muçulmanos. A corte régia ainda voltou a residir esporadicamente em Viseu, nos finais do século XIV, e na cidade nasceria o futuro rei D. Duarte, em 1391. Com o gradual deslocamento do centro da vida política portuguesa mais para Sul e Ocidente, processo que se acentuou e consolidou a partir dos primórdios de Quinhentos, a urbe perdeu relevância estratégica.

03

As primeiras edificações do primitivo templo episcopal em Viseu datam de aproximadamente século VI d.C. Escavações conduzidas por Inês Vaz, junto ao Paço episcopal, revelaram um primitivo templo, aparentemente de tripla ábside e datável da época suevo-visigótica. Os resultados não foram, até ao momento, inteiramente satisfatórios, pelo que o alargamento da área de escavação se assume como prioritário. No processo de reconquista, dois edifícios episcopais aqui terão existido, destacando-se o do século X, altura em que Viseu foi a capital do vasto território entre-Mondego-e-Douro. A catedral que hoje observamos começou a ganhar forma no século XII, no reinado de D. Afonso Henriques. Sob o impulso do bispo D. Odório, iniciou-se a construção da Catedral românica, de que resta muito pouco. Um capitel vegetalista, datável de finais do século XII e, eventualmente, o portal lateral Sul, já do século seguinte e que dá, hoje, acesso ao Claustro, são elementos que poderão pertencer a esse edifício. Dois séculos depois, com D. Dinis, a cidade atingiu um período áureo, a que não foi alheio o enérgico bispo D. Egas. Em condições favoráveis, procedeu-se a uma renovação profunda do edifício românico, arrancando as obras ainda em finais do século XIII. No entanto, a crise do século seguinte foi nefasta para este estaleiro, arrastando-se a sua atividade até à mudança dinástica de 1383-85. Mesmo tendo à frente o bispo D. João Vicente, homem bem colocado na sociedade quatrocentista, as obras continuaram ainda por muitos anos.

04

Bispos

Durante os séculos, foram vários os bispos que contribuíram para a Diocese de Viseu, de diferentes formações e ordens religiosas dentro da Igreja Católica, tais como carmelitas, franciscanos, dominicanos, jesuítas ou meramente diocesanos. O atual bispo da Diocese é D. António Luciano dos Santos Costa, ordenado presbítero em 1985 e sucessor de Ilídio Pinto Leandro, bispo emérito de Viseu, e falecido em 2020.

05

Atualidade

A diocese de Viseu tem, atualmente, mais de duzentos e sessenta mil habitantes e 3400 km2. Entre 1991 e 2001 , assistiu-se ao envelhecimento da população, bem como ao aumento significativo do índice de longevidade. Em 2001, o número de residentes com mais de 65 anos é superior ao dos menos de 15 anos, o que não acontecia em 1991. Com 19, 4% de idosos, o distrito situa-se acima da média nacional que é de 16,4% de idosos. Não obstante, continua a ser das dioceses em Portugal com maior percentagem de fiéis católicos praticantes, de 32,4% dos diocesanos cristãos católicos apostólicos romanos praticantes em 2001. No entanto, com o recente envelhecimento da população, e não religiosidade das gerações mais novas, será expectável uma queda aos valores de média nacional e europeia nos próximos anos. Em 2015, a população diocesana era de 260.356 habitantes, sendo destes, 239.375 batizados, aproximadamente 91,9% da população. A diocese conta com 6 arciprestados. 208 paróquias.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando