Bira Presidente
Ubirajara Félix do Nascimento, ou simplesmente Bira Presidente, foi um compositor, cantor e percussionista brasileiro, notabilizado por ser um dos fundadores do bloco carnavalesco Cacique de Ramos e do grupo de samba Fundo de Quintal.
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Filho de Domingos Félix do Nascimento e de Conceição de Souza Nascimento, era o mais velho de quatro irmãos (Ubiracy, Ubirany e Conceição). O pai, criado no bairro do Estácio de Sá, foi boêmio e serralheiro. A mãe era mãe de santo da Umbanda, e iniciada no Candomblé pela ialorixá Mãe Menininha do Gantois. O batismo de Bira no samba foi aos sete anos na Estação Primeira de Mangueira. Domingos levava os três filhos homens para rodas de samba e de choro em diversos lugares. Nesses espaços, Bira e os irmãos puderam conviver com sambistas e chorões amigos do pai, gente como Donga (músico), João da Baiana, Pixinguinha, Bide da flauta, Carlos Cachaça, Aniceto do Império, Honório Guarda e Gastão Viana. Esses dois últimos foram seus primeiros exemplos na execução do pandeiro, instrumento que abraçaria pela vida toda. A família também promovia festas na residência da rua Carvalho Moutinho, no bairro de Ramos. Nesses momentos, depois da parte espiritual, conduzida por Dona Conceição, seguia-se a confraternização, com comida e samba. Aí estreitaram-se os laços entre os residentes no bairro, aproximando as famílias que estariam na fundação do bloco Cacique de Ramos.
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Fundação do Cacique de Ramos
No final dos anos 1950, Bira, os irmãos e amigos criaram uma ala que saía brincando, nos dias de carnaval, pelas ruas de Ramos. Chamavam-se "Os Homens da Caverna". Da junção desse grupo carnavalesco, com o de Aymoré do Espírito Santo, e o bloco Cacique Boa Boca, da família dos irmãos Sereno, Chiquita e Walter Tesourinha, surgiu, em 20 de janeiro de 1961, o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos. O bloco de embalo era inicialmente preto e branco, tendo como símbolo um índio apache dos Estados Unidos. Bira foi uma destacada liderança desde o princípio, tornando-se o primeiro presidente da agremiação, cargo que ocupa até os dias atuais. O Cacique adotou como fantasia uma roupa estilizada de índio norte-americano, impressa em napa. O visual da agremiação tornou-se, assim, um diferencial no carnaval carioca.
Pagode do Cacique de Ramos
Na metade da década de 1970, o Cacique passou a ocupar um terreno na rua Uranos, em Olaria. Nesse espaço, às quartas-feiras, surgiram encontros entre integrantes do bloco e amigos, regados a comida, samba e futebol. O pagode cresceu e passou a ser um ponto de encontro de sambistas, que apresentavam sambas inéditos. Nessa primeira fase, podem-se destacar como compositores e ritmistas que seguravam a roda: Jorge Aragão, Milton Manhães, Dida, Neoci, Tio Hélio Careca, Dedé da Portela, além da tríade Bira, Ubirany e Sereno. Esses dois últimos seriam responsáveis por disseminar o repique de mão e o tantã, respectivamente. Almir Guineto - que chegou à roda algum tempo depois - introduziu o banjo a partir dos pagodes do Cacique.
Fundo de Quintal
No ano de 1979, o grupo amador que tocava no Cacique - dentre eles Bira - foi convidado a participar do show "Samba é no fundo de quintal" no Teatro Opinião. A partir daí, o conjunto adotaria o nome de Fundo de Quintal. A formação inicial contava com Bira (pandeiro), Ubirany (repique de mão), Sereno (tantã), Almir Guineto (banjo), Jorge Aragão (violão), Sombrinha (violão) e Neoci (tantã). A estreia em disco foi na gravadora RGE com o LP" Samba é no fundo de quintal" (1980), em cuja contracapa veem-se os integrantes vestidos com as cores do Cacique, e posando na quadra da agremiação. A partir daí, o Fundo de Quintal iniciou uma trajetória vitoriosa de shows e gravações. O grupo emplacou diversas músicas nas paradas de sucesso, e consolidou um estilo próprio de tocar e compor, servindo de modelo para inúmeros grupos que surgiriam. Esse fenômeno é reconhecido por estudiosos como uma verdadeira revolução no meio do samba. Bira Presidente permanece no grupo desde a sua fundação. Ele também moldou um jeito próprio de tocar seu instrumento, sendo inspiração de gerações de percussionistas
Atuações diversas e homenagens recebidas
No início de sua atuação como músico, tocou com diversos artistas em apresentações. Com o grupo Fundo de Quintal fez shows acompanhando Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento e Clementina de Jesus. Na primeira metade da década de 1980, fez parte da banda do saxofonista Paulo Moura, e também da cantora Nara Leão. Nas décadas seguintes, trabalhou em estúdio nos discos de cantores como Beth Carvalho, Gonzaguinha, Mestre Marçal, Maria Bethânia, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Ivan Lins, Dudu Nobre. Durante os anos 80, fez parte do grupo que integrou marcantes comissões de frente na Imperatriz Leopoldinense. Até aquela época, de um modo geral, as comissões não realizavam coreografias nem encenações ligadas ao enredo, sendo compostas por membros da diretoria ou da velha guarda. O jogador de futebol Alcir Capita foi responsável por escolher e ensaiar o grupo, formado apenas por negros jovens, altos e esguios, todos já integrados de algumas maneira ao samba. Além dele e de Bira, a comissão contava com Ubirany (do Fundo de Quintal) e os jogadores Jairzinho, Nilson, Renê, dentre outros. O diferencial deles estava em manter a tradição do garbo, serenidade e elegância das comissões de frente de outrora, com um balanço de cintura, conjugado ao movimento dos braços. Também realizavam alguns movimentos e passos que se encaixavam no enredo. Foi o início das comissões de frente coreografadas. O grupo garantiu diversas notas máximas e dois Estandarte de Ouro.


