Instituto Biológico
O Instituto Biológico (IB)/APTA é um centro de pesquisa vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, voltado à produção, difusão e transferência de tecnologias e conhecimento científico nas áreas de agronegócio, biossegurança e atividades correlatas. Localiza-se no distrito de Vila Mariana, na cidade de São Paulo, nos arredores do Parque do Ibirapuera. O instituto foi criado em 1927 e, atualmente, é um dos principais centros de formação de cientistas do estado, com forte atuação na área de pós-graduação.
Das origens 1924 a 1970
O surgimento do Instituto Biológico remete a primeira metade do século XX quando, em maio de 1924, uma forte praga assolou os cafezais paulistas. A essa altura, o antigo desejo de criar um órgão responsável por zelar por uma das maiores riquezas do estado, o café, finalmente se consumou. Tendo em vista os fortes prejuízos que a praga representava e a forte pressão dos barões do café, não demorou muito para que a Secretaria da Agricultura criasse uma comissão dedicada ao estudo e combate do parasita – conhecido popularmente como broca (Hypothenemus hampei). Foi assim que, dispondo de dois laboratórios e liderados pelo médico baiano Arthur Neiva, Ângelo da Costa Lima e Edmundo Navarro configuraram a "Commissão de Estudo e Debellação da Praga Cafeeira", que tinha como objetivo principal o combate da praga. Após algum tempo de pesquisa, o grupo iniciou uma extensa campanha de divulgação, fiscalização e controle que atingiu mais de 1300 fazendas (o equivalente a cerca de 50 milhões de pés de café).
Antecedentes
Doado pelo Governo do Estado de São Paulo durante a década de 1930, a enorme área designada a abrigar o Instituto (que atualmente se restringe apenas a região da Vila Mariana) possuía cerca de 239.000 m² e atravessava a atual Av. 23 de Maio e chegava até o local que hoje abriga o Parque Ibirapuera. Ali, onde atualmente avistamos o Planetário do Parque, diversas espécies de animais (e suas respectivas doenças) eram estudadas pelos pesquisadores entre as décadas de 1930 e 1940. Já a região onde hoje funciona a Bienal era o campo de treinamento do Biológico Futebol Clube, parte importante da história do Instituto, onde também treinavam diversos outros times da cidade A planta original do complexo mostra, ainda, o projeto de construção de dois lagos no terreno pertencente ao Instituto – mas, até onde se sabe, eles nunca chegaram a ser construídos.
O edifício principal
Inaugurada em janeiro de 1945, a sede do Instituto Biológico (localizada na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252) levou quase duas décadas para ficar pronta – sendo que as obras começaram em 1928. Projetado pelo arquiteto Mário Whatey, o prédio destaca-se pelas características arquitetônicas europeias do art-déco (como o uso de formas geométricas influenciadas por movimentos vanguardistas como o futurismo, o cubismo e o construtivismo[carece de fontes?]) sendo um dos principais exemplos da modernidade da arquitetura paulistana. O mesmo estilo pode ser encontrado em outras importantes construções da cidade, como no Viaduto do Chá e na Biblioteca Mario de Andrade
Outros espaços de pesquisa
A fim de ampliar os ambientes de estudos e pesquisa, o Instituto adquiriu, em 1937, uma área de aproximadamente 60 alqueires na Fazenda Experimental Mato Dentro – em Campinas, no interior do estado. Desde 2002 o local é vinculado a CEIB (Centro Experimental Central do Instituto Biológico) e dedica-se a estudos da sanidade vegetal. Pouco tempo depois a Fazenda dos Cristais, em Jundiaí, também foi adquirida. Lá eram realizados experimentos com relação ao combate de carrapatos em bovinos. Atualmente o local é dedicado ao estudo de vacinas, cujos testes são realizados em porcos. Em 1982, mais uma fazenda experimental foi incorporada ao Instituto, desta vez em Presidente Prudente. Além dela, outros 10 Laboratórios Regionais foram criados em Sorocaba, Registro, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Marília, São José do Rio Preto, Araçatuba, Bauru, Descalvado e Bastos.
Tombamento
Iniciado em 1995 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (o CONDEPHAAT), o processo de tombamento do local só se consolidou em março de 2002 – e se deve, em grande parte, aos esforços e à pressão feitos pela comunidade de Vila Mariana – bairro onde o edifício está situado. Coincidência ou não, o tombamento definitivo só aconteceu após 3 mil moradores da região participarem de um ato que ficou conhecido como “o domingo do abraço” – caracterizado pelo “abraço” dos moradores ao edifício. Para além do Edifício Sede, o CONDEPHAAT incluiu na Resolução SC-113, de 25/2/02,os seguintes edifícios:
Preservação
Fortemente engajada na preservação do prédio, a comunidade da Vila Mariana continua ativa até hoje, cobrando ações efetivas do Governo do Estado em relação à restauração do prédio – que, desde a sua construção, só foi reparado uma única vez, em 1975. Apesar de anunciada no final de 2014 pelo governador Geraldo Alckmin, a obra de restauração do edifício (que atualmente possui problemas de infiltração de água, vazamentos de esgoto, más condições da rede elétrica, entre outros) ainda não aconteceu.


