Pesquisa · Mapa mental

Giges da Lídia

Giges da Lídia (? – 644 a.C.) foi o primeiro rei da Lídia da dinastia Mérmnada. O seu reinado durou desde aproximadamente o ano 680 a.C. até ao ano 644 a.C. O nome do seu pai era Dascylus.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
01

Contexto histórico

Na primeira década do século VII a.C., o antigo império da Frígia foi conquistado pelos cimérios, uma poderosa tribo nómada. O famoso rei Midas até ali tinha sido capaz de repelir a agressão uma vez que era ajudado pelo rei Sargão II da Assíria, no entanto de 696 a.C. a 695 a.C. não houve ajuda de modo que não foi possível resistir às investidas, e o rei Midas perdeu a guerra. Com o reino perdido, Midas suicidou-se e a sua capital, Górdio foi destruída. Com este acontecimento a Frígia desaparecia do mapa político do mundo da sua época. Aproveitando esta circunstância, alguns líderes militares que tinham capacidade de oferecer proteção a determinadas regiões deram início à formação de pequenos reinos de que se nomeiam reis e senhores. Um destes homens poderosos foi o chamado Giges, fundador do Reino da Lídia. Muito pouco se conhece sobre a forma como chegou ao poder; no entanto, foi objeto das mais diversas e fantásticas histórias e relatos.

02

Ascensão ao poder, segundo Heródoto

Sardes, na Lídia, era governada pelos heráclidas há vinte e duas gerações, quinhentos e cinco anos, desde Ágron, bisneto de Héracles até Candaules, passando o reinado de pai para filho. Giges aparece no Livro I de Histórias de Heródoto como filho de Dáscilo e um guarda oficial do rei Candaules, este quem o dava grande confiança. Candaules era muito apaixonado pela própria esposa, e disse para Giges que ela era a mulher mais linda do mundo; propondo a Giges um plano para que este a visse nua. Giges protestou, mas Candaules insistiu. O plano de Caudaules foi introduzir Giges no seu quarto, atrás da porta, para que ele visse quando sua esposa se despisse, porém, depois de vê-la nua, Giges foi visto pela esposa de Candaules. Segundo Heródoto, para os lídios, assim como para a maioria dos bárbaros,[Nota 1] é uma vergonha ser visto nu; ele se mostra surpreso que até os homens sentem vergonha da própria nudez.

03

Início do reinado

Giges se tornou rei da Lídia e tomou a esposa de Caudaules como sua, mas os lídios se revoltaram. Eles consultaram o oráculo de Delfos, que deu legitimidade ao reinado de Giges, mas disse que a vingança dos heráclidas chegaria na quinta geração após Giges. Ele foi o primeiro a fazer ofertas de prata e ouro ao santuário de Delfos.

04

Política exterior a oeste

O novo rei da Lídia não tinha nada que temer desde que tinha derrotado os Cimérios em 679 a.C. pelo que assim Giges podia embrenhar-se numa campanha de expansão territorial em direcção ao Oeste, em direcção das cidades gregas situadas na costa ocidental da Ásia Menor. Giges atacou as cidades de Mileto e Esmirna em vão, mas atacou também Colofón, com sucesso, o que deu à Lídia o seu primeiro porto de mar. Segundo a história também Tróade foi subjugada por Giges. Durante um século a sua capital Adramitio converteu-se num feudo do príncipe e da coroa Lídia. Desde estes combates, a Lídia e a Grécia travaram contacto. Giges iniciou uma política que duraria mais de um século: enquanto atacava as cidades gregas da Ásia, oferecia regalias e generosos presentes aos santuários da Grécia continental. O resultado foi que o oráculo grego desencorajou as cidades da Grécia europeia a intervir em ajuda as suas irmãs asiáticas. Este foi um dos vários usos políticos que Giges fazia do ouro e da prata, metais preciosos encontrados no rio Pactolo perto de Sardes.

05

Política exterior a este

Assim, o reinado de Giges foi iniciado com êxito. Foi assumido durante bastante tempo que o mesmo foi o responsável por um tratado com o faraó do Egipto, Psamético I (664 a.C - 610 a.C), no entanto novos dados põem em duvida esta questão. Sem problemas, é certo que mercenários gregos e cários apoiaram Psamético quando este subiu ao poder e expulsou o exército assírio do Egipto. O argumento mais forte contra à aliança Lídio – Egípcia, foi que Giges precisava da Assíria pelo que não fazia muito sentido que fosse apoiar um dos seus inimigos. Uma geração depois dos Cimérios destruírem Górdio, os nómadas regressaram. Giges enviou emissários a Nínive, pedindo ajuda do rei Assurbanípal (668 a.C. – 631 a.C.) contra os cimérios, que haviam acabado de derrotar Midas, rei da Frígia (676 a.C.), mas não se sabe se a Assíria enviou tropas para lutar em Tabal. Numa determinada altura do seu reinado Giges, não se sabe se por tributo, enviou prisioneiros de guerra a Assurbanípal.

06

O fim de Giges

No ano de 644 a.C. as relações complicaram-se entre os Lídios e os seus vizinhos. Um exército cimério, comandado por um homem chamado Ligdamis (Dugdammê), derrotou o exército lídio e capturou a parte baixa de Sardes, e contínuo em direcção a Oeste cegando às cidades gregas que saqueou. Giges foi assassinado. Quando Ligdamis voltava com os seus exércitos foi encontrar pela frente o poderoso exército Assírio que o derrotou. Apesar da invasão ciméria ter sido sangrenta e destrutiva, o reino de Giges sobreviveu. Giges foi sucedido pelo seu filho Ardis, e foi o fundador de monarquia Lídia. Foi enterrado em Sardes, no cemitério real de Bin Tepe. Pouco mais se conhece sobre o rei Giges. De facto, até se desconhece o resto do seu nome ou a maneira como seria tratado na corte. O nome Giges pode ser uma tradução da palavra luvia hûha ("abuelo"). Alguns eruditos bíblicos argumentam que Giges está por detrás da figura de Gog, governante que foi de Magog, que é mencionado por Ezequiel no Apocalipse.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando