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Bicho-de-pé

O bicho-de-pé, cientificamente conhecido como Tunga penetrans, é uma pequena pulga originária das Américas Central e do Sul. Este inseto, também chamado de pulga-da-areia, nígua, tunga, matacanha e bitacaia, foi introduzido acidentalmente na África subsariana pelo ser humano. Sua característica mais notável é a capacidade da fêmea de penetrar na pele do hospedeiro, causando a doença conhecida como tungíase.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 01/11/2026

Pontos-chave

  • O Tunga penetrans, conhecido como bicho-de-pé, é originário da América Central e do Sul.
  • A fêmea do bicho-de-pé penetra na pele do hospedeiro para se alimentar e desenvolver seus ovos.
  • A tungíase, doença causada pelo bicho-de-pé, pode levar a infecções secundárias graves.
  • O ciclo de vida envolve a fêmea que se incha até o tamanho de uma ervilha e libera centenas de ovos.
  • Andar descalço em áreas infestadas aumenta o risco de contrair a infestação.
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Origem do Nome e História

O nome 'tunga' vem da língua tupi antiga e foi adotado pelo português brasileiro, gerando variações como tunga, zunga e zunge. O inseto foi descrito por viajantes europeus a partir do século XVI, como Hans Staden, que relatou sua experiência com esses pequenos insetos que se alojavam nos pés. Acredita-se que o bicho-de-pé tenha se originado nas regiões tropicais e subtropicais das Américas e Antilhas, tornando-se conhecido pelos europeus após a chegada de Colombo. Relatos de experiências penosas com o bicho-de-pé foram documentados por diversos viajantes e escritores ao longo dos séculos, inclusive em obras literárias brasileiras.

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Características Físicas e Habitat

O bicho-de-pé pertence à ordem Siphonaptera e mede cerca de um milímetro. Possui características específicas em suas patas e abdômen. A fêmea fecundada se distingue por desenvolver espiráculos abdominais posteriores muito maiores, essenciais para a respiração ao penetrar na pele. Sua cor é vermelho-acastanhada e possui olhos pequenos. A fêmea, ao se alimentar, pode inchar até o tamanho de uma ervilha, perdendo a segmentação visível. Este inseto prefere terrenos secos e arenosos, como lamaçais, currais e praias, tanto em ambientes internos quanto externos, sendo comum em locais quentes e sombreados. Indivíduos que andam descalços em áreas infestadas são as vítimas mais frequentes.

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Ciclo de Vida e Reprodução

O ciclo de vida do bicho-de-pé é similar ao de outras pulgas. Machos e fêmeas não fecundadas vivem na superfície da pele. Após a fecundação, a fêmea invade a pele do hospedeiro, perfurando-a para se alimentar de sangue e fluidos tissulares. Esse processo causa coceira. Em 8 a 10 dias, a fêmea incha até 80 vezes, atingindo o tamanho de uma ervilha, formando uma estrutura chamada neosoma no hospedeiro. Ela mantém uma abertura para respirar e expelir ovos. Diariamente, produz de 100 a 200 ovos, totalizando cerca de 3 mil. Os ovos são expelidos e caem em terrenos propícios. Após a ovoposição, a fêmea morre ou é removida pelo hospedeiro.

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Tungíase: A Doença Causada

A tungíase é a doença provocada pela infestação do bicho-de-pé, nomeada a partir do gênero científico Tunga. A fêmea penetra na epiderme, preferencialmente na sola dos pés, calcanhares, entre os dedos, bordas das unhas e mãos, mas pode afetar outras partes do corpo. A penetração causa coceira e pode levar a complicações sérias como infecções secundárias, úlceras, necrose óssea e tendinosa, dificuldade de locomoção e até perda de dedos. Infecções bacterianas como gangrena gasosa (Clostridium perfrigens) e tétano (Clostridium tetani), além de micoses como a blastomicose (Paracoccidiodes brasiliensis), podem ocorrer.

Histórico da Infestação

Acredita-se que o bicho-de-pé tenha se originado nas regiões tropicais e subtropicais das Américas e Antilhas. Tornou-se conhecido pelos europeus logo após a chegada de Colombo em 1492. Durante o período colonial, exploradores do interior do Brasil relataram suas experiências difíceis com o inseto. Figuras notáveis como o frade André Thevet, os viajantes Francisco Pyrard, Richard Fleckno, Chancel de Lagrange, Príncipe Maximiliano zu Wied-Neuwied, Auguste de Saint-Hilaire, e Sir Richard Francis Burton, entre outros, documentaram a presença e os efeitos do bicho-de-pé. A infestação também é mencionada em obras literárias, como 'Dona Sinhá e o Filho do Padre' de Gilberto Freire e em contos de Guimarães Rosa.

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Fontes consultadas

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