Biblioteca Nacional da China
A Biblioteca Nacional da China é a maior biblioteca da Ásia e uma das maiores bibliotecas do mundo. Localizada no Distrito de Haidian, em Pequim, China, ela possui uma coleção de mais de 41 milhões de itens, conforme estimativa de dezembro de 2020, e o maior acervo de literatura chinesa e documentos históricos do mundo, ocupando uma área de 280.000 metros quadrados. A Biblioteca Nacional é uma instituição de bem-estar público financiada pelo Ministério da Cultura e Turismo chinês.
Antecedentes
As primeiras referências chinesas a bibliotecas públicas no estilo ocidental foram feitas por Lin Hse Tsu no Sizhou Zhi (四洲志; 1839) e por Wei Yuan no Tratado ilustrado sobre os reinos marítimos (海國圖志; 1.ª ed., 1843), ambas traduções de livros ocidentais. No final do século XIX, em resposta a várias derrotas militares contra potências ocidentais, o governo da dinastia Qing (1644–1912) enviou várias missões ao exterior para estudar a cultura e as instituições ocidentais. Vários membros da primeira missão diplomática chinesa, que visitou os Estados Unidos, a Inglaterra, a França e outros países entre 1867 e 1870, registraram suas opiniões sobre bibliotecas ocidentais, observando que elas atraíam um grande número de leitores. O jornalista Liang Qichao (1873–1929), que se tornou um intelectual exilado de destaque após o fracasso da Reforma dos Cem Dias em 1898, escreveu sobre a Biblioteca Pública de Boston [en] e a Biblioteca da Universidade de Chicago, elogiando sua abertura ao público e a virtude dos leitores que não roubavam os livros emprestados. Dai Hongci (chinês tradicional: 戴鴻慈, chinês simplificado: 戴鸿慈), membro de outra missão Qing enviada ao exterior para estudar constituições modernas, observou a eficácia do empréstimo de livros na Biblioteca do Congresso dos EUA.
Fundação
Em 1906, o então governador da província de Hunão, Pang Hongshu, enviou uma comunicação oficial ao imperador anunciando que havia concluído os preparativos para a criação de uma biblioteca provincial em Changsha. Em 1908 e 1909, funcionários de alto escalão das províncias de Fengtian, Xantum, Xanxim, Chequião e Iunã pediram permissão a Corte Imperial para estabelecer bibliotecas públicas em suas respectivas jurisdições. Em resposta, em 2 de maio de 1909, o Ministério da Educação da dinastia Qing (chinês tradicional: 學部, chinês simplificado: 学部, pinyin: Xuébù) anunciou planos de abrir bibliotecas em todas as províncias do país. Em 9 de setembro de 1909, Zhang Zhidong [en], um líder de longa data do Movimento de Autofortalecimento que havia sido vice-rei de Huguang e agora servia no Grande Conselho, enviou uma comunicação oficial ao imperador solicitando a fundação de uma biblioteca na capital da China. A fundação da biblioteca foi aprovada por édito imperial no mesmo dia. Inicialmente, a instituição foi chamada de Biblioteca Imperial de Pequim ou Biblioteca Metropolitana (chinês tradicional: 京師圖書館, chinês simplificado: 京师图书馆, pinyin: Jīngshī Túshūguǎn). Lu Xun e outros estudiosos famosos fizeram grandes esforços para sua construção.
Anos seguintes
A Biblioteca Nacional de Pequim foi aberta ao público em 27 de agosto de 1912, alguns meses após a abdicação de Pu Yi (r. 1908–12), o último imperador da dinastia Qing. A partir de então, foi gerida pelo Ministério da Educação da República da China. No dia anterior à abertura da biblioteca, seu novo diretor-chefe Jiang Han (江瀚: 1853–1935) afirmou que a Biblioteca Nacional de Pequim era uma biblioteca de pesquisa e recomendou a abertura de uma nova biblioteca com revistas e publicações recentes que pudesse atrair um público mais popular. Em junho de 1913, tal Biblioteca Filial foi aberta fora do Portão Xuanwumen, e mais de 2.000 livros foram transferidos da biblioteca principal para lá. Em 29 de outubro de 1913, como o Templo Guanghua se mostrou pequeno e inacessível demais, a própria biblioteca principal foi fechada, aguardando a escolha de um novo local.
Visão geral
A coleção da Biblioteca Nacional da China é a maior da Ásia. Seus acervos de mais de 41 milhões de itens (em dezembro de 2020) também a tornam uma das maiores bibliotecas do mundo [en], abrigando publicações oficiais das Nações Unidas, de governos estrangeiros e uma coleção de literatura e materiais em mais de 115 idiomas. A biblioteca contém ainda cascos de tartaruga e ossos com inscrições, manuscritos antigos e volumes impressos em blocos de madeira. Entre as coleções mais valiosas da Biblioteca Nacional da China estão documentos e registros raros e preciosos de dinastias passadas da história chinesa. A coleção original da Biblioteca Metropolitana foi reunida de várias fontes. Em 1909, a corte imperial deu à biblioteca a única cópia completa restante da Biblioteca Completa dos Quatro Tesouros [en] (ou Siku Quanshu), uma compilação enorme concluída em 1782 feita em apenas quatro cópias. Essa cópia estava guardada no Pavilhão Wenjin da Residência Imperial de Verão em Chengde. Por ordem do Ministério da Educação de Qing, os livros antigos, arquivos e documentos do Grande Secretariado também foram transferidos para a nova biblioteca. O mesmo ocorreu com a coleção do Guozijian ou Universidade Imperial, uma instituição descontinuada em 1905 assim como o sistema de exames imperiais. Essas coleções imperiais incluíam livros e manuscritos datados da dinastia Song (1127–1279). O acervo de três bibliotecas privadas da área de Nanquim foi doado sob a supervisão de Duanfang, o vice-rei de Liangjiang, e o Ministério providenciou a transferência do que restava dos Manuscritos de Dunhuang de Gansu. Por fim, a corte esforçou-se ao máximo para obter cópias de inscrições raras em pedra ou bronze.
O Projeto de Promoção da Biblioteca Digital foi lançado em 2011, com o apoio do Conselho de Estado. O objetivo é conectar bibliotecas em todos os níveis e tornar recursos e serviços acessíveis a mais de 3.000 bibliotecas em todo o país. Para permitir o compartilhamento total de recursos digitais em todo o território nacional, esse projeto registrou e integrou recursos em bibliotecas conforme o princípio de "gestão centralizada de metadados, armazenamento descentralizado de dados de objetos". Até 2013, o hardware para apoiar esse projeto havia sido instalado em 30 bibliotecas provinciais e 139 bibliotecas de nível prefectural, o que ajudou a registrar mais de 1,5 milhão de metadados em 123 bancos de dados, tornando mais de 12 terabytes de recursos digitais disponíveis para compartilhamento. No mesmo ano, houve um aumento de 67% em relação ao ano anterior no número de usuários acessando o Sistema de Gestão de Usuários, com 221.000 visitas. A Plataforma de Leitura Móvel do Projeto de Promoção da Biblioteca Digital também foi implementada pela primeira vez em 2013 e mais de 10 províncias começaram a fornecer novos serviços baseados em celular e televisão.
Os complexos Norte e Sul da biblioteca estão localizados no Distrito de Haidian, enquanto a Biblioteca de Livros Antigos fica no Distrito de Xicheng. Em 2012, a BNC alocou 11.549 metros quadrados para construir o Museu Nacional de Livros Clássicos, inaugurado em 2014. O museu abriga livros e mapas raros, desenhos de arquitetura Yangshi Lei, decalques de pedra e bronze, ossos oraculares e muitos outros itens únicos. Em 2022, durante o que a Biblioteca Nacional da China chamou de "Período de Prevenção e Controle Normalizado da Epidemia", os horários de funcionamento da biblioteca ainda não haviam retornado totalmente aos tempos pré-pandemia. O Complexo Norte, o Complexo Sul e a Biblioteca Infantil ficam abertos das 9h às 17h de terça a domingo e são fechados às segundas-feiras. A Biblioteca de Livros Antigos fica aberta das 9h às 17h de terça a sábado e é fechada aos domingos e segundas-feiras. Visitantes devem fazer reservas com antecedência. Em 2013, a Biblioteca mantinha 14 escritórios filiais, sendo o mais recente na Universidade Juvenil de Estudos Políticos da China [en].
A biblioteca principal, localizada na Estrada Sul de Zhongguancun no Distrito de Haidian, em Pequim, pode ser acessada por ônibus ou metrô.


