Genocídio em Ruanda
O genocídio de Ruanda, também conhecido como genocídio tútsi, foi um massacre em massa de pessoas dos grupos étnicos tútsis, tuás e de hútus moderados em Ruanda, que ocorreu entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 durante a Guerra Civil de Ruanda.
Distinguem-se em Ruanda os dois maiores grupos étnicos do país: a maioria hútu e o grupo minoritário, tútsi. Durante a colonização do país pela Bélgica, os líderes apontados pela metrópole foram sempre tútsi, num contexto de rivalidade étnica que se acentuou com o tempo, dada a escassez de terras e a fraca economia nacional, sustentada pela exportação de café. Após a independência, em 1962, os hútus tomaram o poder e começaram a marginalizar os tútsis. Segundo acadêmicos, a diferença entre tútsis e hútus era mínima e fora artificialmente criada pelos belgas em uma tentativa de exercer melhor controle sobre a região através de um sistema de castas sociais. Em 1989, o preço mundial do café reduziu-se em 50%, e Ruanda perdeu 40% de sua renda oriunda de exportações. Nessa época, com a economia a beira do colapso, o país enfrentou sua maior crise alimentar em 50 anos, ao mesmo tempo que aumentavam os gastos militares em detrimento de investimentos em infraestrutura e serviços públicos. Em outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tútsis expulsos do país pelos hútus com o apoio do exército, invade Ruanda pela fronteira com Uganda. Em 1993, os dois países firmam um acordo de paz - o Acordo de Arusha. Cria-se em Ruanda um governo de transição, mediado pela ONU, composto por hútus e tútsis. Em 1994, as tropas hútus, chamadas Interahamwe, são treinadas e equipadas pelo exército ruandês, em meio a arengas e incitação à confrontação com os tútsis por parte da Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM), dirigida pelas facções hútus mais extremas. Essas mensagens exaltavam as diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e, à medida que os ânimos se exaltavam, os apelos à confrontação e à "caça aos tútsis" tornaram-se mais explícitos, sobretudo a partir do mês de abril, em que se fez circular o boato de que a minoria tútsi planejava o genocídio dos hútus.
Em abril de 1994, o presidente ruandês Juvénal Habyarimana (um hútu) foi morto num atentado contra o avião em que viajava. Logo no dia seguinte, o genocídio começou. Sem apresentar provas, as lideranças hútus acusaram os tútsis pelo assassinato do presidente e conclamaram a população a iniciar a matança. Horas depois, as milícias hútus já avançaram contra vilarejos e cidades por todo o país, matando tudo que viam pela frente. Postos de controle foram estabelecidos nas ruas. Pessoas identificadas como membros da minoria tútsi eram sumariamente executadas. O massacre sistemático no país contra os tútsis causou um deslocamento maciço da população para os campos de refugiados situados nas áreas de fronteira, em especial com o Zaire (hoje República Democrática do Congo) e Uganda. Em agosto de 1995, tropas do Zaire tentaram forçar o retorno desses refugiados para Ruanda. Catorze mil pessoas foram então devolvidas a Ruanda, enquanto outras 150 000 refugiaram-se nas montanhas.
Em 8 de novembro de 1994, através da resolução 955 do Conselho de Segurança da ONU, foi criado o Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) para julgar os principais responsáveis pelo genocídio. A Corte Penal Internacional é competente para julgar somente os crimes cometidos após a sua criação, em 1º de julho de 2002. Não é portanto competente para julgar os crimes cometidos em Ruanda, durante o genocídio. O primeiro-ministro do governo interino ruandês, Jean Kambanda, foi julgado culpado e condenado por genocídio pelo TPIR. 75% dos membros do governo interino foram presos. Vários ministros desse governo foram considerados culpados de participação no genocídio ou estão em fase de julgamento. Dois outros foram liberados. Em 2011, alguns antigos chefes militares foram considerados culpados de genocídio.


