J. R. R. Tolkien
John Ronald Reuel Tolkien, CBE, FRSL, conhecido mundialmente como J. R. R. Tolkien, foi um escritor, professor universitário e filólogo britânico, nascido na atual África do Sul, que recebeu o título de doutor em Letras e Filologia pela Universidade de Liège e Dublin, em 1954. É autor das obras como O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Em 28 de março de 1972, Tolkien foi nomeado Comendador da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II.
Tolkien nasceu em Bloemfontein, na República do Estado Livre de Orange, na atual África do Sul, e, aos três anos de idade, com a sua mãe e irmão, passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais. Desde pequeno fascinado pela linguística, fez a licenciatura na faculdade de Letras em Exeter. Participou ativamente da Primeira Guerra Mundial, e logo depois começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu "mundo secundário", complexo e cheio de vida, denominado Eä, palco das suas mundialmente famosas obras como O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, esta última, sua maior paixão, postumamente publicada, que é considerada a sua principal obra, embora não a mais famosa. Se por um lado Tolkien exerceu grande influência na era da informática, por outro, isso bate de frente com a visão nostálgica e radical do autor. Ele sempre foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada, à indústria em si. Tolkien acreditava que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, "trazem sofrimento à criação" (referindo-se ao seu Mundo Secundário). Este ponto de vista foi criado devido a sua experiência como veterano da Primeira Guerra Mundial e pai de rapazes que lutaram na Segunda Guerra Mundial, e ele não alimentava mais a ilusão do papel benéfico e salvador do desenvolvimento das tecnologias. Talvez, com esse pensamento, ele venha a colocar o problema da tecnologia no coração de O Senhor dos Anéis. O Um Anel é o instrumento máximo do poder. Poder esse que até Gandalf preferiu não arriscar, deixando o fardo para Frodo. E cabe ao pequeno hobbit o dilema da saga: ter o poder não é possuir o Um Anel, e sim destruí-lo. Frodo deve então renunciar ao poder porque ele corrompe. Só assim ele será capaz de destruir Sauron.
A família Tolkien
Recuando no passado até onde se pode, a maioria dos parentes paternos de Tolkien eram artesãos. A família teve origem na Saxônia (Alemanha), mas viveu na Inglaterra desde o século XVII, tornando-se "rápida e intensamente inglesa (mas não britânica)". O sobrenome Tolkien é um anglicismo de Tollkiehn (em alemão, tollkühn, temerário, imprudente, que em uma tradução etimológica deveria ser dull-keen, algo como estúpido-sagaz, uma tradução literal de oxímoro; no conto The Notion Club Papers, Tolkien cria um personagem com o nome John Jethro Rashbold, fazendo piada com o seu próprio nome, já que Jethro e Reuel são nomes do mesmo personagem bíblico, o sogro de Moisés). Mesmo sendo um Tolkien, considerava-se mais um Suffield (a sua família materna) do que propriamente um Tolkien.
A vida na sua obra
A infância de Tolkien teve duas realidades distintas: a vida rural em Sarehole, ao sul de Birmingham, lugar que inspirou o famoso Shire (Condado), e o período urbano, na escura Birmingham, onde iniciou os seus estudos. Nesta frase, Tolkien fala sobre Sarehole: "a ancestral Sarehole há muito que se foi, engolida pelas estradas e por novas construções. Mas era muito bonita, na época em que vivi lá...". Ainda criança, mudou-se para King's Heat, numa casa próxima de uma linha de trem. Foi aí que ele começou a desenvolver uma imaginação linguística, motivada pelos estranhos nomes das estações do percurso, tais como Nantyglo, Perhiwceiber e Seghenydd. Sua infância foi muito marcada pelos contos de fadas, que estimularam sua imaginação para o Faërie, o Belo Reino, como ele se referia ao mundo dos seres fantásticos.
Tolkien e as sociedades
Tolkien foi muito ligado a sociedades. Nas que participou, a literatura era o tema fundamental, algo que o ajudou na criação de suas obras, pois nestas sociedades encontrou seu primeiro público e encorajadores. Em sua juventude, a sua primeira sociedade foi a T.C.B.S. (Tea Club, Barrowian Society), formada por Tolkien e três amigos. Não era dedicada apenas a literatura, mas ela estava presente. A Primeira Guerra Mundial dissolveu o grupo, matando Rob Gilson, e algum tempo depois G. B. Smith. Os dois restantes, Christopher Wiseman (inspiração para o nome do terceiro filho de Tolkien) e Tolkien, foram amigos até o fim da vida de Wiseman. G. B. Smith, pouco depois da morte de Rob Gilson, disse que "a morte pode nos tornar repugnantes e indefesos como indivíduos, mas não pode acabar com os quatro imortais!".
Relação com C. S. Lewis
Cristão convicto e católico apostólico romano, Tolkien foi amigo íntimo de C.S. Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, ambos membros do grupo de literatura The Inklings. Juntos planejaram, na década de 1940, escrever um livro sobre a língua, que seria publicado na década seguinte. O livro, que se chamaria "Linguagem e Natureza Humana", no entanto, nunca chegou a ser publicado. Tolkien e Lewis foram grandes amigos durante décadas, até que a amizade se desgastou em razão de diversos motivos. Na época da morte de Lewis (em 1963) eles já não se falavam por quase dez anos. A amizade entre os dois escritores foi explorada no livro O Dom da Amizade: Tolkien e C. S. Lewis. A publicação de O Senhor dos Anéis foi muito incentivada por Lewis, que aliás foi um dos primeiros a ouvir a história, juntamente com Christopher Tolkien. Tolkien jamais deixou de admirar Lewis como amigo, embora não gostasse da maioria de seus livros, em especial As Crônicas de Nárnia, que entendia como sendo alegórico e infantil demais.
"Numa toca no chão vivia um hobbit"
A ideia de seu primeiro grande sucesso, O Hobbit, surgiu em 1928, enquanto Tolkien examinava documentos de alunos que queriam ingressar na Universidade e Tolkien contou que "um dos alunos deixou uma das páginas em branco – possivelmente a melhor coisa que poderia ocorrer a um examinador – e eu escrevi nela: Numa toca no chão vivia um hobbit, não sabia e não sei por quê". Foi a partir desta frase que ele começou a escrever O Hobbit, somente dois anos depois, mas o abandonou a meio. Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a reverenda Madre de Cherwell Edge na época, quando esta estava doente, e ele foi visto por Susan Dagnall, uma bacharel de Oxford, que trabalhava para Allen & Unwin (comprada em 1990 pela Editora Harper Collins) e analisado depois por Rayner Unwin (filho de Stanley Unwin, fundador da Allen & Unwin, na época com 10 anos de idade) que ficou maravilhado com a história. Dagnall ficou tão encantada com o material que encorajou Tolkien para que ele terminasse o livro, e em 1937 é publicada a primeira edição de O Hobbit.
Exímio linguista
Tolkien era um homem apaixonado por idiomas. Quando criança se encantava com nomes galeses que via nos caminhões de carvão. Com suas primas aprendeu rapidamente uma língua artificial e bem simples criadas pelas garotas, chamada Animálico, com base nos nomes de animais. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas. Chamava-se Nevbosh, traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin, mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol. Tolkien, em dezembro de 1910, tornou-se aluno do curso de literatura clássica na Universidade de Oxford, onde obteve uma bolsa de estudos do Exeter College, mas desinteressou-se por este curso e começou a gastar mais tempo nos estudos de filologia, sendo orientado por Joseph Wright, um dos grandes pesquisadores britânicos desta ciência e grande conhecedor do tronco linguístico indo-europeu. Pediu transferência para a Honour School of English Language and Literature, onde teve uma notável melhoria de notas, devido ao seu interesse pela filologia germânica.
Tolkien aprendeu a pintar e desenhar quando criança e continuou a fazê-lo durante toda a sua vida adulta. Desde o início de sua carreira de escritor, o desenvolvimento de suas histórias foi acompanhado por desenhos e pinturas, principalmente de paisagens, e por mapas das terras onde os contos se passavam. Também produziu fotos para acompanhar as histórias contadas aos seus próprios filhos, incluindo aquelas posteriormente publicadas em Mr Bliss e Roverandom, e enviou-lhes cartas elaboradamente ilustradas alegando vir do Papai Noel. Embora se considerasse um amador, o editor usou a arte da capa do próprio autor, seus mapas e ilustrações de página inteira para as primeiras edições de O Hobbit. Ele preparou mapas e ilustrações para O Senhor dos Anéis, mas a primeira edição continha apenas os mapas, sua caligrafia para a inscrição no Um Anel e seu desenho a tinta das Portas de Durin. Muitas de suas obras de arte foram coletadas e publicadas em 1995 como um livro: J. R. R. Tolkien: Artist and Illustrator. O livro discute pinturas, desenhos e esboços de Tolkien e reproduz aproximadamente 200 exemplos de seu trabalho. Catherine McIlwaine foi curadora de uma grande exposição de obras de arte de Tolkien na Biblioteca Bodleiana, Tolkien: Maker of Middle-earth, acompanhada por um livro de mesmo nome que analisa as realizações de Tolkien e ilustra toda a gama de tipos de obras de arte que ele criou.
Apesar de ter dado início em 1937 com O Hobbit, o livro infantojuvenil, foi somente após o lançamento da trilogia de "O Senhor dos Anéis" (1954-1955) que Tolkien passou a ser conceituado por milhões de fãs. Em 1996, uma pesquisa feita pela livraria londrina Waterstone's, que conta com mais de 200 lojas em toda Grã-Bretanha, em parceria com o canal de televisão Channel 4, elegeu O Senhor dos Anéis como o melhor livro do século e O Hobbit entre os vinte melhores. Uma outra pesquisa mais recente, datada de 2003, feita pela BBC, perguntando às pessoas qual o livro favorito delas, "O Senhor dos Anéis" ficou em primeiro, e "O Hobbit" em vigésimo quinto. Foram vendidos mais de 50 milhões de exemplares em vários países, traduzido para 34 idiomas, juntamente com legiões de fãs que se dedicam a ler e estudar a obra do autor. O mundo artístico também foi muito influenciado por Tolkien. O cinema (principalmente a trilogia "O Senhor dos Anéis"), a música, o RPG (liderado pelo D&D), os desenhos animados, a literatura, as histórias em quadrinhos, os jogos de computador e até mesmo a Internet, com milhares de websites dedicados a sua obra sofreram inúmeras influências do escritor frequentemente aclamado como o maior autor do século XX em pesquisas de opinião.
História em quadrinhos
Tolkien também marcou presença nas histórias em quadrinhos. Há influência dele em Bone, de Jeff Smith, e na mega-série Elfquest, que já tem mais de vinte anos de publicação e conta a história de um mundo recheado de elfos.
Música
A obra do autor também marcou profundamente a música, principalmente estilos como o hard rock, o new age e variantes do heavy metal. Milhares de canções de bandas como Led Zeppelin, Blind Guardian, Marillion, a banda austríaca Summoning, que detém como principal temática a literatura de Tolkien, além da banda sueca Za Frûmi’s (que compôs uma música com uma versão modificada do idioma orc), Rush, Jethro Tull e outras, são creditadas como de alguma forma associadas às obras de Tolkien.
Cinema e televisão
Em 1978, o animador britânico Ralph Bakshi (o mesmo de Super Mouse e Gato Felix) adaptou "O Senhor dos Anéis" para o cinema num longa-metragem de animação de duas horas. Outras duas obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (em 1977) e O Retorno do Rei (1980), ambas criadas para especiais de TV e dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho. O desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons foram baseados no RPG D&D, e por isso também pode-se dizer que foram influenciados pela obra de Tolkien.Em 2011, foi anunciado que uma versão cinematográfica do livro Mirkwood: A Novel About JRR Tolkien, que narra de forma fácil a vida do autor, seria produzido e lançado em 2012.
Revista escolar de Oxfordshire
Em 1936, Tolkien publicou alguns trabalhos numa revista escolar em Oxfordshire, Abingdon Chronicle. Em 2016 foram redescobertos o «The Story of Kullervo» e dois poemas de "The Shadow Man" e "Noel". O The Shadow Man, faz alusão a um homem solitário que viveu sob a sobra da Lua, enquanto o outro, Noel, menciona o senhor da neve.


