Pesquisa · Mapa mental

Protestos em Hong Kong em 2019–2020

Os protestos em Hong Kong em 2019 são uma série de manifestações em Hong Kong e em cidades da República Popular da China que começaram em 31 de março de 2019, exigindo a retirada do projeto de lei de extradição, proposto pelo Governo de Hong Kong. Teme-se que o projeto de lei faça com que a região administrativa se abra ao alcance da lei chinesa e que as pessoas de Hong Kong fiquem sujeitas a um sistema legal diferente, ou seja, se promulgada, a lei permitiria às autoridades locais deter e extraditar pessoas que são procuradas em territórios com os quais Hong Kong não possui acordos de extradição, incluindo a China continental e Taiwan. Alguns temem que o projeto coloque os cidadãos de Hong Kong e visitantes sob jurisdição na China continental, prejudicando a autonomia da região e os direitos dos cidadãos. Vários protestos realizaram-se em Hong Kong pelo público em geral e pelas comunidades legais. Entre eles, o protesto realizado em 9 de junho pela Frente Civil de Direitos Humanos (FCDH), que a organização estima que teve a participação de 1.03 milhão de pessoas, ganhou grande cobertura em massa da mídia. Protestos em outros lugares também aconteceram por pessoas estrangeiras de Hong Kong. Apesar das manifestações generalizadas, o governo insiste na aprovação do projeto, afirmando que a lei é urgente e que a "brecha" legal deve ser corrigida.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
01

Contexto

O Projeto de Lei de Extradição foi proposto pela primeira vez pelo governo de Hong Kong em fevereiro de 2019 em resposta a um homicídio de 2018 envolvendo um casal de Hong Kong que foi tirar férias em Taiwan. O homem matou a sua namorada em Taiwan, voltou para Hong Kong e um mês depois confessou o crime. No entanto, Hong Kong não podia mandá-lo de volta para Taiwan para ser acusado de assassinato pois não tinha um tratado de extradição com Taiwan e negociar um seria problemático, já que o governo da China não reconhece a soberania de Taiwan. Para resolver essa questão, o governo de Hong Kong propôs uma emenda ao Decreto dos Infratores Fugitivos (Cap. 503, em inglês) e à Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal (Cap. 525, em inglês) que estabeleceria um mecanismo para transferências de fugitivos caso a caso, por ordem do Chefe do Executivo, a qualquer jurisdição com a qual a cidade não tenha um tratado formal de extradição. Isso incluiu a extradição para a China continental.

02

História

Março–junho de 2019: Estágio inicial

A Frente Civil dos Direitos Humanos, uma plataforma de 50 grupos pró-democracia, lançou duas marchas de protesto contra o projeto em 31 de março e 28 de abril. No segundo protesto, os organizadores alegaram que 130 000 pessoas participaram da marcha, a maior desde o protesto de 1º de julho de 2014. A causa ganhou mais atenção quando os Conselheiros Legislativos pan-democráticos lançaram uma campanha contra o projeto de extradição, o que levou o Secretário de Segurança John Lee a anunciar que o governo retomaria a segunda leitura do projeto de lei em uma reunião completa do Conselho Legislativo em 12 de junho, ignorando a prática usual de examinar o projeto de lei no Comitê de Contas. A posição dura do governo em aprovar o controverso projeto de extradição, com Carrie Lam chamando a oposição de "lixo falante", e o governo de Taiwan rejeitando o plano de extradição de Hong Kong, também atraiu atenção significativa da mídia.

Julho de 2019: Protestos em todos os lugares

A FCDH realizou a marcha anual em 1º de julho, uma marcha anual que sempre acontece em Hong Kong, e reivindicou uma participação recorde de 550 000 pessoas. O protesto foi amplamente pacífico. À noite, os manifestantes invadiram o Complexo do Conselho Legislativo, mas a polícia tomou poucas medidas para detê-los. Os manifestantes quebraram móveis, desfiguraram o emblema de Hong Kong e apresentaram um novo manifesto com dez pontos. Alguns dos manifestantes que invadiram o Complexo do Conselho Legislativo foram motivados pelo desespero decorrente de vários casos de suicídios desde 15 de junho. Carrie Lam condenou os manifestantes que invadiram o conselho.

Junho de 2020: Lei de Segurança Nacional de Hong Kong

Em outubro de 2019, o bloco pró-democrático da LegCo lançou uma campanha de difamação liderada pelo vice-presidente Dennis Kwok, que presidiu as reuniões da LegCo, para interromper os procedimentos de eleição do Comitê da Câmara e, portanto, a segunda leitura do Projeto Nacional de Hino, um projeto de lei que foi considerado "mau" pelos democratas. Um artigo da Hong Kong Watch opinou que a obstrução era a única estratégia disponível para os democratas, devido à sua marginalização no conselho legislativo, apesar de representarem a maioria da população. Os diretores do Gabinete de Assuntos Chineses de Hong Kong e Macau (HKMAO) e do Gabinete de Ligação ameaçaram desqualificar Kwok. Suas ações foram controversas, pois o Artigo 22 da Lei Básica de Hong Kong afirma que nenhum departamento do Governo Popular Central pode interferir nos assuntos de Hong Kong. Os dois diretores alegaram que os dois departamentos estavam isentos, e isso foi acordado pela administração de Lam, apesar de dizer o contrário no passado. O parlamentar pró-Pequim Starry Lee foi reeleito presidente do Comitê da Câmara em 18 de maio, depois que os seguranças removeram a maioria dos membros pró-democracia devido a uma briga violenta antes da votação.

03

Suicídios

Houve cinco casos de suicídio atribuídos aos protestos do projeto de lei anti-extradição, e mais três por eventos relacionados ao projeto de lei de extradição e aos eventos seguintes. Cada pessoa havia deixado uma nota de suicídio que deplorava o governo não eleito que não dá respostas e a insistência das autoridades em forçar o cumprimento do projeto de extradição; a maioria dos indivíduos expressou desânimo, enquanto pedia que os cidadãos de Hong Kong continuassem sua luta. Uma nota chegou a afirmar: "O que Hong Kong precisa é de uma revolução". A primeira pessoa cometeu suicídio em 15 de junho, quando Marco Leung Ling-kit, de 35 anos, subiu ao pódio elevado no telhado do Pacific Place, um shopping center em Admiralty às 16h30 da tarde. Usando uma capa de chuva amarela com as palavras "A polícia brutal é sangue frio" e "Carrie Lam está matando Hong Kong" em chinês escrito nas costas, ele pendurou um banner no andaime com vários slogans anti-extradição. Após um impasse de cinco horas, durante o qual policiais e o legislador do Partido Democrata Roy Kwong tentaram acalmá-lo, Leung morreu, sem nenhum colchão inflável montado por bombeiros.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando