Berguatas
Berguata, também referidos como Barghawata, Barghwata ou Berghouata, foi um confederação de tribos berberes da costa atlântica de Marrocos que pertenciam ao grupo de tribos Masmudas. Depois de se aliarem ao que ficou conhecido como Grande Revolta Berbere ou Revolta de Maysara, dos sufritas carijitas contra os Omíadas, em 744 estabeleceram um reino independente sob a liderança de Tarife, o qual durou até 1058, na área de Tamesna, no zona costeira entre Safim e Salé.
Alguns historiadores acreditam que o termo Berguata é uma deformação fonética do termo barbati, uma alcunha de Tarife. Pensa-se que ele terá nascido na região de Barbate, próximo de Cádis, Espanha. No entanto, outros historiadores, como Jérôme Carcopino, pensam que o nome é muito mais antigo e que a tribo é a mesma que aquela a que os romanos chamaram Baquatas, que até ao século VII viveram perto da cidade romana de Volubilis.
Apesar de se terem convertido ao Islão no início de século VIII e da Revolta de Maysara (739-742), os Berguata seguiam uma religião sincrética, que apesar de baseada no islamismo, talvez influenciado pelo judaísmo, tinha elementos dos ramos muçulmanos sunita, xiita, carijita misturados com astrologia e outras crenças tradicionais berberes. Supostamente teriam o seu próprio Alcorão escrito em berbere, que era composto por 80 suras, escrito durante o reinado do segundo elemento da dinastia, Sali ibne Tarife, que também tinha participado na revolta de Maysara e se proclamou profeta e último mádi. Além disso, Sali dizia que Issa (nome dado pelos muçulmanos a Jesus) seria seu companheiro e que rezaria por ele por detrás dele. Alguns autores acreditam que Sale era um judeu nascido na Península Ibérica.
São conhecidos pouco detalhes sobre os Berguata. A maior parte das fontes históricas são muito posteriores à extinção do seu reinado e é frequente apresentarem um contexto contraditório e confuso. No entanto, há uma tradição interessante, originária de Córdova, e o seu autor é o Grande Prior de Berguata e o embaixador em Córdova Abu Sali Zamur. Esta tradição, datada de meados do século X é considerada a mais detalhada em relação os Berguata e foi ressaltada por Albacri, Abzeme e Ibne Caldune, embora as interpretações desses autores apresentem várias divergências de pontos de vista. Juntamente com os Gomaras e os mequinaças, os Berguatas lançaram a Grande Revolta Berber de 739-740. A revolta foi inflamada por pregadores sufritas carijitas, uma seita muçulmana que defendia uma doutrina que defendia o igualitarismo total, em oposição à aristocracia coraixita que se tinha tornado mais proeminente sob o Califado Omíada. Os rebeldes elegeram Maiçara Almategari para liderar a revolta e conseguiram tomar o controlo de quase todo o território que constitui Marrocos atualmente, o que inspirou outras rebeliões no Magrebe e Alandalus. Na Batalha de Bagdura os rebeldes aniquilaram um exército particularmente poderoso enviado pelo califa omíada da Síria. Mas as tropas dos rebeldes acabaram por ser derrotadas nos arredores de Cairuão (atual Tunísia), em 741.


