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Beleza

A beleza é comumente descrita como uma característica de seres ou objetos que torna esses objetos prazerosos de perceber. Tais objetos incluem paisagens, pores-do-sol, seres humanos e obras de arte. A beleza, junto com a arte e o gosto, é o tema principal da estética, um dos ramos maiores da filosofia. Como valor estético positivo, ela é contrastada com a fealdade como sua contraparte negativa. Junto com a verdade e o bem, é um dos transcendentais, que muitas vezes são considerados os três conceitos fundamentais da compreensão humana.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Visão geral

A beleza, junto com a arte e o gosto, é o tema principal da estética, um dos ramos maiores da filosofia. A beleza é geralmente categorizada como uma propriedade estética além de outras propriedades, como a graça, a elegância ou o sublime. Como um valor estético positivo, a beleza é contrastada com a fealdade como sua contraparte negativa. A beleza é frequentemente listada como um dos três conceitos fundamentais da compreensão humana, além da verdade e do bem. Os objetivistas ou realistas veem a beleza como uma característica objetiva das coisas belas independente da mente, o que é negado pelos subjetivistas. A fonte deste debate é que os julgamentos de beleza parecem ser baseados em fundamentos subjetivos, ou seja, em nossos sentimentos, enquanto afirmam a correção universal ao mesmo tempo. Esta tensão é às vezes referida como "antinomia do gosto" (antinomy of taste). Aderentes de ambos os lados sugeriram que uma certa faculdade, comumente chamada de sentido do gosto, é necessária para fazer julgamentos confiáveis sobre a beleza. David Hume, por exemplo, afirma que esta faculdade pode ser treinada e que os veredictos dos especialistas coincidem a longo prazo.

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Etimologia

O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Em grego koiné, a palavra para bonito ou belo era ὡραῖος, hōraios, um adjetivo que vem da palavra ὥρα, hōra, que significa "hora". No grego koiné, a beleza, então, era associada a "estar em sua hora/seu momento". Assim, um fruto maduro (em seu tempo) era considerada bonito, enquanto uma jovem mulher que tenta parecer mais velha ou uma mulher mais velha tentando parecer mais jovem não seria considerado bonito. Em grego ático, hōraios teve muitos significados, incluindo "jovem" e "idade madura".

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Objetivismo e subjetivismo

Julgamentos de beleza parecem ocupar uma posição intermediária entre os julgamentos objetivos, por exemplo, sobre a massa e a forma de uma toranja, e os gostos subjetivos, por exemplo, sobre se a toranja sabe bem. Os julgamentos de beleza diferem dos primeiros porque são baseados em sentimentos subjetivos e não na percepção objetiva. Mas eles também diferem dos últimos porque reivindicam a correção universal. Esta tensão também se reflete na linguagem comum. Por um lado, falamos da beleza como uma característica objetiva do mundo que é atribuída, por exemplo, a paisagens, pinturas ou seres humanos. O aspecto subjetivo, por outro lado, é expresso em ditos como "a beleza está nos olhos de quem vê". Estas duas posições são frequentemente chamadas de objetivismo ou realismo e subjetivismo. O objetivismo é a visão tradicional, enquanto o subjetivismo se desenvolveu mais recentemente na filosofia ocidental. Os objetivistas sustentam que a beleza é uma característica das coisas independente da mente. Neste sentido, a beleza de uma paisagem é independente de quem a percebe ou se ela é percebida em absoluto. As discordâncias podem ser explicadas pela incapacidade de perceber esta característica, às vezes referida como "falta de gosto". O subjetivismo, por outro lado, nega a existência de beleza independente da mente. Influente para o desenvolvimento desta posição foi a distinção de John Locke entre qualidades primárias, que o objeto possui independentemente do observador, e qualidades secundárias, que constituem poderes no objeto para produzir certas ideias no observador. Quando se aplica à beleza, ainda há um sentido no qual ela depende do objeto e de seus poderes. Mas este relato torna implausível a possibilidade de desacordos genuínos sobre afirmações de beleza, já que o mesmo objeto pode produzir ideias muito diferentes em observadores distintos. A noção de "gosto" ainda pode ser usada para explicar por que diferentes pessoas discordam sobre o que é belo. Mas não há um gosto objetivamente correto ou errado, há apenas gostos diferentes.

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Concepções

Várias concepções das características essenciais das coisas belas foram propostas, mas não há consenso sobre qual é a correta.

Clássica

A concepção clássica define a beleza em termos da relação entre o objeto belo como um todo e suas partes: as partes devem estar na proporção correta entre si e, assim, compor um todo harmonioso integrado. Segundo este relato, que encontrou sua articulação mais explícita no Renascimento italiano, a beleza de um corpo humano, por exemplo, depende, entre outras coisas, da proporção correta das diferentes partes do corpo e da simetria geral. Um problema com esta concepção é que é difícil dar uma descrição geral e detalhada do que se entende por "harmonia entre as partes". Isto levanta a suspeita de que definir a beleza através da harmonia só resulta na troca de um termo pouco claro por outro. Algumas tentativas foram feitas para dissolver esta suspeita através da busca de leis de beleza, como a proporção áurea. Alexander Baumgarten, por exemplo, via leis da beleza em analogia com leis da natureza e acreditava que elas poderiam ser descobertas através de pesquisas empíricas. Mas estas tentativas falharam até agora em encontrar uma definição geral de beleza. Vários autores afirmam até mesmo o contrário, que tais leis não podem ser formuladas, como parte de sua definição de beleza.

Hedonista

Um elemento bem comum em muitas concepções de beleza é sua relação com o prazer. O hedonismo torna esta relação parte da definição de beleza ao sustentar que há uma conexão necessária entre prazer e beleza, por exemplo, que para que um objeto seja belo é necessário que cause prazer, ou que a experiência da beleza é sempre acompanhada de prazer. Este relato às vezes é rotulado como "hedonismo estético" para distingui-lo de outras formas de hedonismo. Uma articulação influente desta posição vem de Tomás de Aquino, que trata a beleza como "aquilo cuja apreensão agrada". Immanuel Kant explica este prazer através de uma interação harmoniosa entre as faculdades de compreensão e imaginação. Outra questão para os hedonistas é como explicar a relação entre beleza e prazer. Este problema é semelhante ao dilema de Eutífron: é algo belo porque gostamos ou gostamos porque é belo? Os teóricos da identidade resolvem esse problema negando que haja uma diferença entre beleza e prazer: identificam a beleza, ou a aparência dela, com a experiência do prazer estético.

Outras

Várias outras concepções de beleza foram propostas. G. E. Moore explica a beleza em relação ao valor intrínseco como "aquilo cuja contemplação admiradora é boa em si mesma". Esta definição conecta a beleza à experiência enquanto consegue evitar alguns dos problemas usualmente associados às posições subjetivistas, pois permite que as coisas possam ser belas mesmo que nunca sejam experimentadas. Outra teoria subjetivista da beleza vem de George Santayana, que sugere que projetamos prazer nas coisas que chamamos de "belas". Assim, em um processo semelhante a um erro de categoria, tratamos nosso prazer subjetivo como uma propriedade objetiva da coisa bela. Outras concepções incluem definir a beleza em termos de uma atitude amorosa ou ansiada em relação ao objeto belo, ou em termos de sua utilidade ou função. Os funcionalistas podem seguir Charles Darwin, por exemplo, ao explicar a beleza de acordo com seu papel na seleção sexual.

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Visão histórica

Embora o estilo e a moda variem amplamente, pesquisas com diferentes culturas encontraram uma variedade de pontos em comum na percepção das pessoas sobre a beleza. A mais antiga teoria ocidental de beleza pode ser encontrada nas obras dos primeiros filósofos gregos pré-socráticos, tais como Pitágoras. A escola pitagórica viu uma forte conexão entre matemática e beleza. Em particular, eles observaram que os objetos com medidas de acordo com a proporção áurea pareciam mais atraentes. Platão considerava que a beleza era a ideia (forma) acima de todas as outras ideias. Aristóteles viu uma relação entre o belo e a virtude, argumentando que "A virtude visa à beleza." A filosofia clássica e esculturas de homens e mulheres produzidos de acordo com os princípios desses filósofos de ideal da beleza humana foram redescobertos no Renascimento europeu, levando a uma readoção do que ficou conhecido como um "ideal clássico". Em termos de beleza humana feminina, uma mulher cuja aparência está em conformidade com esses princípios ainda é chamada de "beleza clássica" ou diz-se que possui uma "beleza clássica", enquanto que as bases estabelecidas por artistas gregos e romanos também forneceram o padrão para a beleza masculina na civilização ocidental. Durante a era gótica, o cânone estético clássico da beleza foi rejeitado como pecaminoso. Somente Deus é belo e perfeito, enquanto o homem é falho pelo pecado original e não pode alcançar nenhuma beleza em sua vida se não for através de Deus. Mais tarde, a Renascença e o Humanismo rejeitaram essa visão, e consideraram a beleza como um produto da ordem racional e da harmonia das proporções. Artistas e arquitetos da Renascença (como Giorgio Vasari em seu "Vidas de Artistas") criticaram o período gótico por ser irracional e bárbaro. Este ponto de vista sobre a arte gótica durou até o Romantismo, no século XIX.

Teorias da Beleza nos séculos XVII e XVIII

Desde sempre na história da arte a relação entre os sentidos humanos e a beleza foi estudada. Os estudos sobre essa relação começam desde sua origem da palavra na Grecia Antiga: a palavra Estética deriva do grego aesthetikos , que significa "pertencente à percepção sensorial". Alguns pensadores, como Descartes, o maior expoente do chamado racionalismo clássico, defendiam que a beleza empregada pelos sentidos era falha, pois fugia da única coisa confiável para ele, ou seja, o próprio ato de pensar e que a arte e a beleza confiáveis seriam aquelas ditas Cartesianas, que exigiam significados objetivos para as coisas, significados que deviam ser deduzidos, não sentidos, excluindo manifestações espontâneas e imaginárias que a arte tem a oferecer. Esse pensamento Cartesiano acarretaria mais tarde na ideia de que a dedução é mais importante do que os sentimentos, os sentidos, na esfera arquitetônica e artística.

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Tipos de beleza

Universal e científica

Os gregos descobriram o número de ouro, uma relação de proporções que obedece a uma escala constante. Seu padrão é uma relação de um lado com dimensão "1" e o outro com dimensão "1.618"(...) ou "0.618"(...). Apesar de ser um número importante na natureza, também não é o único, havendo as escalas decimais, a relação de 0,7, entre outras. De certa forma, apesar da predominância de alguns números constantes, pode-se constatar que para diversas espécies há uma proporção específica que poderá gerar a "beleza" orgânica (formas, sons, cores...). Na cultura grega e romana, e consequentemente na ocidental pós-helênica, houve a constante aplicação destes padrões numéricos, em especial no Renascimento, uma era "racionalista", e ainda hoje é fartamente aplicada na indústria do design de produtos, nas artes plásticas, arquitetura, automobilismo etc.

Singular

A beleza grega e romana, a beleza matemática e científica são derivadas de um universalismo asséptico e puro, não contaminado com a eventualidade (ruído), de certa forma. E portanto, deve no mínimo, agradar a todos, mesmo que não possa ser considerada tocante. É o que Giulio Carlo Argan segregou e categorizou como Clássico (na acepção arganiana). Em contrapartida, ele criou a definição Anticlássico, para designar tudo aquilo que seria belo em determinado momento, para uma minoria específica. Os quadros abstratos de Kandinsky ou Miró por exemplo, não guardam nenhuma relação matemática e portanto, não podem ser "medidos" pelos critérios iniciais. Mas agradam a muitos, e inclusive, podem ser considerados por outros tantos, mais tocantes e essenciais que qualquer produção clássica. A arte contemporânea apresenta forte presença do anticlassicismo, relacionando-se mais à interpretação dos signos e ao roteiro da obra, e seus aspectos situacionistas que ao aspecto harmônico-material (visual) do produto.

Platônica e religiosa

Para a filosofia, a beleza advém da pureza do raciocínio, da surpresa e da consistência dos axiomas. Raramente está relacionada à aparência superficial (salvo no caso das correntes como o hedonismo, por exemplo). Já para os religiosos, a verdadeira beleza está na integralidade da propriedade da conduta do indivíduo para com um plano sagrado, em detrimento do mundo físico. Quanto mais completa é a imersão e desprendimento do mundo vulgar, maior beleza há naquele que a faz viver.

Interior

É um conceito relacionado a valores éticos, morais, religiosos, etários, ou melhor, culturais em geral. Diferentemente da beleza visual, que apresenta alguns aspectos biológicos e matemáticos, o conceito de beleza interior está sempre à mercê da pessoa que a avalia e portanto, não pode ser definida para uma sociedade em geral, já que dentro desta há uma infinidade de variações. É resultado tanto de um processo de elaboração mental quanto de empatia pura, e dessa forma, é um elemento simbólico cuja existência depende também da inserção e/ou conhecimento do conceito delimitador. Um indivíduo que nunca ouviu falar de beleza interior não apresenta condições de perceber ou tentar demonstrar a percepção de sua existência, diferentemente da beleza físico-sexual por exemplo, que em parte é instintiva.

Simbólica

O ser humano é um organismo complexo e misto. De forma incisiva, a presença do fator simbólico na constituição das sociedades, dominando os instintos e portanto o plano biológico, gerou um nicho (ecológico) simbólico-social onde há constante movimento, evolução, reciclagem, revisão e ondas de valores sociais que alteram profundamente os pontos principais que determinam os fundamentos da beleza humana. Além disso, as diversas fontes de sua acepção fazem com que ela seja o resultado de uma sobredeterminação, excluindo assim a possibilidade de qualquer tentativa de isolamento de sua realidade absolutamente singular e múltipla. Enquanto, para os animais, a beleza está relacionada a impulsos nervosos primários, para os seres humanos esta abordagem seria absurda. Há transformação e desdobramentos dos critérios a respeito do belo em toda a história da humanidade, trazendo, muitas vezes, elementos cômicos (as gordinhas da renascença e a Vênus de Willendorf por exemplo... ou as anoréxicas contemporâneas, nem tão cômicas assim...) que comprovam a subordinação de todos os conceitos de beleza às sociedades que os geram, variando temporalmente, racialmente, socialmente (também economicamente...) e geograficamente. E muitos outros entes que a determinam assim, volátil e instável segundo o critério humano.

Humana

Há evidências de que a preferência por rostos bonitos surge no início do desenvolvimento da criança, e que os padrões de atratividade são similares nos diferentes sexos e culturas. A simetria é, também, importante, pois ela sugere a ausência de defeitos adquiridos ou genéticos, como sugere um estudo publicado em 2008. Pesquisadores têm estudado a percepção de beleza em indivíduos cuja face representava uma média matemática de proporção em condições mais controladas e descobriram que o rosto gerado por computador através da média aritmética de uma série de rostos é avaliado de forma mais favorável do que os rostos individuais. Evolutivamente, faz sentido que as criaturas sejam atraídas por companheiros que possuem características predominantemente comuns ou médias.

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Fontes consultadas

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