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Belair Filmes

A Belair foi uma produtora de filmes criada no Rio de Janeiro pelos diretores Júlio Bressane e Rogério Sganzerla e pela atriz Helena Ignez. Entre fevereiro de 1970, data de sua criação, e maio de 1970, data de seu fim, a Belair produziu sete filmes. Entre eles, estão importantes marcos do cinema marginal, como Copacabana Mon Amour e Barão Olavo, O Horrível.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Contexto de criação e início

Imagem: -MRGT · BY-NC-SA · Openverse

Em 1969, Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, ao frequentarem o 5º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (apresentando seus filmes O Anjo Nasceu e A Mulher de Todos, respectivamente), conversam sobre a possibilidade de iniciarem, juntos, uma série de produção. Dessa ideia inicial, descrita por Bressane em entrevista no documentário Belair (2009), surgiu também a ajuda de Luiz Severiano Ribeiro: “um passo decisivo além disso foi o Severiano Ribeiro. Não esse que tá aí, o pai. Ele passou o Matou a Família e Foi ao Cinema no Rio (...) num grande circuito daquela época, do Leblon até o subúrbio. Quando o Matou a Família e Foi ao Cinema foi interditado, pela polícia, pela censura, o Severiano Ribeiro me telefonou e disse pra mim 'olha, não se preocupe, vamos fazer outro filme'. Mostrei a ele uma sinopse que eu tinha, com o Grande Otelo - o filme ia se chamar Divina Dama, subtítulo Eu Amei Greta Garbo. Aí eu falei 'olha, Rogério, vamos fazer o seguinte, eu tenho esse contrato, mas eu vou propor ao Ribeiro - que tinha lançado A Mulher de Todos e o Bandido da Luz Vermelha -, ao invés desse filme, eu vou produzir quatro filmes - cê faz dois eu faço dois’. Severiano topou na hora” - Júlio Bressane em Belair (2009)

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Estética e objetivos das produções

Imagem: -MRGT · BY-NC-SA · Openverse

Essas escolhas que levaram à posição de clandestinidade da produtora estão intimamente relacionadas aos ideais de seus criadores, principalmente no que tange ao entendimento de obra artística, repudiando as ideias tradicionais de estética “bem acabada”, “propósitos edificantes” e “bom gosto”, mas sim voltando-se para um conceito de “antiarte”. Tal conceito conduzia por um caminho de relação com o público através da agressão, do humor ácido, da falta de transparência. A presença da atriz Helena Ignez e suas formas de atuação, que tendem a explorar o extremo de suas personagens, também marcaram o estilo da produtora. Segundo Bressane,.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

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Fim

Imagem: On Location in Los Angeles · BY-NC-ND · Openverse

A Belair chega ao fim no momento em que Bressane e Sganzerla se veem pessoalmente perseguidos por agentes da ditadura. "Uma noite tava eu na sala de mixagem da Rua México, chegou lá meu pai e me disse que havia uma denúncia muito grave contra mim e contra o Rogério também. Desses filmes que nós estávamos fazendo. E que eu devia ir com ele na casa de um general, que era o general Sílvio Frota, comandante do primeiro exército naquele momento, que ele queria falar. Eu fui lá - foi de noite, eu lembro, era em frente ao Maracanã, uma casa que tinha ali, cor-de-rosa, do exército - ele me recebeu, e me disse que havia um relatório contra mim - apontou o relatório, eu não vi, mas me mostrou assim com a mão - e que ligava esses filmes da Belair, ou pelo menos esses filmes que estavam interditados lá, inclusive Matou a Família e Foi ao Cinema, sobretudo, a um plano de subversão nacional. Disse que esses filmes eram com o dinheiro do terrorismo, Marighella, uma coisa sem fundamento nenhum. Era um cinema simpático a isso, sem dúvida. Mas ele não determinou cortes na Família do Barulho, ele interditou A Família do Barulho. (...) Aí o Severiano chegou pra mim e falou 'olha, tá difícil, estamos em outro momento, não sei porque, questões de política...'. Foi aí que quebrou o negócio. Com isso, em uma semana nós saímos do Brasil. Eu levei com o Rogério o Cuidado Madame e o Sem Essa, Aranha pra Paris, revelei, montamos, e tiramos cópia dos dois filmes na França. Terminamos os filmes e foi de fato o fim da Belair." - Júlio Bressane em Belair (2009)

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Legado

Imagem: On Location in Los Angeles · BY-NC-ND · Openverse

Em São Paulo, um grupo de cineastas que seguia os mesmos propósitos da Belair ligava-se à Boca do Lixo, e começou a atrair um número mais expressivo de espectadores e consequentemente lucro, como foi o caso de Rogério Sganzerla com o filme “O Bandido da Luz Vermelha”, de 1968. Apesar do sucesso de "O Bandido da Luz Vermelha", a produtora Belair colocava constantemente em questão a necessidade de uma demanda de exibição, como pode ser observado na fala de Bressane para uma entrevista à Folha de S.Paulo em 1979: “A transgressão, a rachadura que é a 'Belair' ainda não foi examinada devidamente. Os filmes não chegaram ao público. Continuam numa cortina de silêncio. [...] Os filmes da “Belair” tiveram seu acesso às salas de exibição proibido. Entretanto, foram estes filmes que transformaram o panorama dos produtores que fazem cinema. Todo este novo ar novo quem trouxe foi a “Belair”, terremoto clandestino, vento que sopra em uma pátria cinematográfica futura. O cinema nacional está de olho no sucesso – o cinema experimental está de olho na sucessão” (BRESSANE, 1979, apud MARCELINO, 2016, p. 59 ).

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