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Bebê-diabo

O bebê-diabo foi o tema de diversas notícias falsas publicadas pelo jornal brasileiro Notícias Populares entre maio e junho de 1975. Segundo o jornal, um "bebê-diabo" teria nascido numa maternidade em São Bernardo do Campo. A cobertura do fato levou a um aumento na venda dos exemplares. É considerado um dos fatos mais marcantes do Notícias Populares e foi analisado em livros e artigos acadêmicos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/10/2026
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Contexto

Imagem: elbragon · BY · Openverse

O periódico Notícias Populares já era famoso por suas matérias exageradamente sensacionalistas. Seu público era composto de pessoas mais simples, com maior tendência a acreditar em crendices sobrenaturais; meses antes, o jornal já havia publicado sobre a "loira fantasma" e o "vampiro de Osasco". Em maio de 1975, o repórter Marco Antônio Montandon, da Folha de S.Paulo — jornal responsável pelo Notícias Populares — foi à Região do Grande ABC confirmar o relato de que havia nascido uma criança com "duas saliências na testa" e "prolongamento no cóccix" em um hospital de São Bernardo do Campo. Tratavam-se apenas de más formações, corrigidas com uma breve cirurgia. Montandon transformou a história numa crônica fictícia de terror, na Folha. Entretanto, o secretário de redação do Notícias Populares, José Luiz Proença, e o editor de polícia, Lázaro Campos Borges, convocaram um repórter para "repaginar" esse texto e transformá-lo na notícia do nascimento de um "bebê-diabo".

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História e conteúdo

A primeira notícia sobre o bebê-diabo foi publicada na edição do dia 11 de maio de 1975, dia das Mães, trazendo estampada em letras garrafais a manchete "Nasceu o diabo em São Paulo". A notícia dizia que havia ocorrido um "parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios", notado pela "correria e pânico por parte de enfermeiras e médicos". A criança teria "aparência sobrenatural, com todas as características do diabo, em carne e osso", e nasceu falando, ameaçando a própria mãe de morte. O bebê possuiria o corpo cheio de pelos, dois chifres pontiagudos, um rabo de aproximadamente 5 centímetros e um olhar "feroz", "que causa medo e arrepios". Na edição de 12 de maio, o Notícias Populares contou que o bebê-diabo ameaçou funcionárias de morte, rasgou travesseiros com os chifres e fugiu do hospital. Antes de escapar, teria dito "Aqui não é meu lugar. Essa mulher não é minha mãe..." e "Vou embora, não pertenço a este mundo. Não sou daqui. Vocês são pavorosos. Faltam acessórios em vocês".

Lista

A seguir, está a lista das manchetes divulgadas na primeira página do jornal, ao lado da data em que foram publicadas — todas se referem ao ano de 1975.

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Repercussão e legado

As reportagens sobre o bebê-diabo tiveram grandes reações do público — o que também foi noticiado no próprio Notícias Populares. Uma mulher foi à maternidade onde teria nascido a criança, exigindo: "Que isso aconteceu, aconteceu. Então, por que não o mostram?". Feiticeiros, fanáticos religiosos e o Zé do Caixão se dispuseram a "acabar" com o bebê-diabo. O jornal foi o único a noticiar o caso. Com uma circulação média anterior de 70 a 80 mil exemplares por dia, saltou para mais de 150 ou 200 mil com as reportagens do caso. A primeira notícia, de 11 de maio, bateu todos os recordes de vendas da época, e sobraram somente oito exemplares do jornal nas duas mil bancas em que ele era vendido. O assunto foi um dos mais marcantes da história do Notícias Populares e é contado em detalhes em livros como Espreme Que Sai Sangue: Um Estudo do Sensacionalismo na Imprensa, de Danilo Angrimani, e Nada Mais Que a Verdade: A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares, de Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima. Também há um documentário de 2002 sobre lendas urbanas, chamado Nasceu o Bebê-Diabo em São Paulo, de Renata Druck, que coloca esta história entre outras lendas urbanas paulistas. O assunto também foi discutido em artigos acadêmicos (vide § Artigos acadêmicos).

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Fontes consultadas

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