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Papiamento

O papiamento, ou papiamentu, é uma língua crioula de base portuguesa falada no Caribe Neerlandês. É a língua mais falada em Aruba, Bonaire e Curaçau. Tem estatuto de língua oficial em Aruba, Bonaire e Curaçau. Papiamento também é uma língua reconhecida nos órgãos públicos neerlandeses de Santo Eustáquio e Saba.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Etimologia

Imagem: Fobos92 · BY-SA · Openverse

O nome procede da palavra papiá, que significa 'conversar', derivada originalmente da palavra portuguesa "papear". Origina-se igualmente deste verbo coloquial o nome do crioulo de base lusófona de Malaca, o papiá kristáng.

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História

Imagem: Kallmemel · BY-SA · Openverse

O papiamento originou-se do pidgin português conhecido como guene, por ser falado pelos escravos africanos (originários das zonas de Guiné-Bissau e São Tomé/Golfo da Guiné, entre outras) trazidos pelos neerlandeses para o trabalho na lavoura de cana-de-açúcar. Após a reconquista da Nova Holanda pelos portugueses, alguns judeus sefarditas e quase todos os do Nordeste brasileiro foram para as Antilhas Neerlandesas levando consigo o idioma português. A linguagem judaico-portuguesa iria se misturar ao guene dos escravos africanos, dando origem à primeira forma do papiamento no século XVIII. Com a administração do império colonial neerlandês nas ilhas, a influência neerlandesa legou muitas palavras de seu idioma ao papiamento. No final do século XIX, a influência do espanhol ocorreu com o contato com os países vizinhos, especialmente a Venezuela. O papiamento sofreu também influencia da língua inglesa pelos missionários que se estabeleceram nas ilhas e posteriormente pela presença de turistas vindos de países anglófonos.[carece de fontes?]

Laços linguísticos e históricos com os crioulos portugueses da Alta Guiné

As pesquisas atuais sobre as origens do papiamento incidem especificamente sobre as relações linguísticas e históricas entre o papiamento e os crioulos de base portuguesa da Alta Guiné falados na ilha de Santiago, em Cabo Verde e na Guiné-Bissau e Casamansa. Elaborando sobre as comparações feitas por Martinus e Quint, Jacobs defende a hipótese de que o papiamento é uma ramificação de uma variedade inicial do crioulo da Alta Guiné, transferido da Senegâmbia para Curaçau na segunda metade do século XVII, um período em que os neerlandeses controlaram o porto de Goreia, logo abaixo da ponta da península de Cabo Verde. Em Curaçau, esta variedade sofreu alterações internas, assim como as alterações induzidas por contato em todos os níveis da gramática (embora particularmente no léxico) devido ao contato com o espanhol e, em menor grau, com o neerlandês, bem como com uma variedade de línguas cuás e bantas.

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Fonologia

Imagem: Natalie Liao Jen · BY-SA · Openverse

Vogais

O papiamento possui nove vogais: a ([a]), e ([e]), è ([ɛ]), i ([i]), o ([o]), ò ([ɔ]), u ([u]), ù ([ʏ]) e ü ([y]) e duas semivogais: w ([u]) e j ([y]). Entre as vogais, há distinção entre os sons de "e", "o" e "u" e, portanto, as vogais que aparecem com acento grave (`) são pronunciadas como [ɛ], [ɔ] e [ʏ], respectivamente. A vogal "ü", por sua vez, é utilizada para substituir "uu" de palavras vindas do holandês, como em "hür" (aluguel), do holandês "huur".[carece de fontes?] As semivogais só se distinguem graficamente das vogais quando são posicionadas no início de uma sílaba. Como exemplo, a semivogal "w" é destacada em "wesu" (osso), mas aparece como "u" em ruina (ruína), apesar de seguir sendo uma semivogal do ditongo ascendente ui. Igualmente, o vocábulo "yabi" (chave) não pode ser escrito como "iabi". Além disso, "w" nunca aparece entre "u" e uma outra vogal qualquer e também "y" não aparece entre "i" e outras vogais.

Consoantes e encontros consonantais

Há quatro dígrafos em papiamento: "ch", "dj", "sh" e "zj", pronunciados respectivamente como [tʃ], [dʒ], [ʃ] e [ʒ].[carece de fontes?] O papiamento emprega a letra "c" forte [k] e fraca [s] como em vários idiomas derivados do latim. A letra "c" é pronunciada como [s] antes de "e" e "i", enquanto o "c" forte é utilizado nas demais situações. As letras "k" e "s" podem substituir o "c" em algumas ocasiões, mas o "c" tem preferência em relação a "k" quando aparece antes das letras "a", "o", "u", "l", "n", "r" e "t" e, igualmente, em relação a "s" na última sílaba de um vocábulo, bem como em conjugações verbais como "conoce" (conhece).[carece de fontes?]

Diacríticos

A variação de Curaçao e Bonaire adora o acento grave (`) para denotar diferenças de pronúncia entre duas vogais e o acento agudo (´) para indicar a tonicidade de uma palavra. Quanto à tonicidade, as palavras em papiamentu podem ser oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas ou "sobresdrúhulo". Essa última classificação ocorre no espanhol e caracteriza a sílaba tônica como a sílaba anterior à antepenúltima sílaba de uma palavra. Também há uso do trema nessa variação.[carece de fontes?]

Apócope

Assim como na língua espanhola, o fenômeno da apócope acontece no papiamento, principalmente em verbos no infinitivo (marcar — marká) ou em algumas profissões (pescador — piskadó).[carece de fontes?]

Tons

O papiamento possui dois níveis de tom: alto (A), representado pelo acento agudo (´), e baixo (B), representado pelo a acento grave (`), que auxiliam na identificação do significado de palavras de mesma grafia. Como exemplo, a palavra "papa", se pronunciada como "pápà", se refere ao cargo de Pontífice, enquanto "pàpá" significa "pai" ou "papai". Em geral, esse contraste entre tons altos e tons baixos não ocorre em palavras monossílabas, trissílabas ou polissílabas.

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Gramática

Imagem: Ginelly.Q · CC0 · Openverse

Pronomes

Observações: Os pronomes pessoais são utilizados da mesma forma, independentemente se são empregados como sujeito ou como objeto de uma oração. É considerado rude utilizar o pronome "bo" para se referir a uma pessoa desconhecida, sendo preferível empregar "Señor" (senhor) ou "Señora" (senhora).[carece de fontes?] Os pronomes reflexivos, que apresentam certa semelhança com o português, são:[carece de fontes?] Os principais pronomes indefinidos em papiamento são: Os pronomes interrogativos são: [carece de fontes?] Os pronomes relativos em papiamento são:

Verbos

A conjugação dos verbos em papiamento é dada pela adição das partículas "ta", "lo" e "a" antes do verbo, que não varia em o pessoa ou número. É importante destacar que não há precisamente a ideia de passado, presente e futuro como nas línguas indoeuropeias*, mas sim a ideia de aspectos. São eles contínuo/não contínuo, perfectivo/não perfectivo e real/hipotético. A partícula "ta" se refere a uma ação em progresso, seja no momento em que se fala ou em outro momento indicado pelo enunciador, podendo também indicar ação habitual ou contínua, a exemplo da estrutura "ta komiendo" (está comendo) que reproduz a estrutura espanhola "está comiendo". Ainda, é usada para indicar que uma ação está para ocorrer ou quando é certo que irá ocorrer. Não há, portanto, distinção entre ações imediatas ou ações que ocorrerão em um futuro próximo. A partícula "ta" também pode ser usada para enfatizar uma ação na frase, como em "mi mes ta kana bai" (eu mesmo posso ir).

Orações

A ordem sintática do papiamento é sujeito-verbo-objeto, sendo o objeto indireto posicionado antes do objeto direto. Exemplo: E manda mi ruman bo number di telefon. (Ele manda à minha irmã o seu número de telefone). Quando alguma estrutura sintática recebe o foco, ela passa a estar no início da frase, preferencialmente junto do marcador de foco "ta". Exemplo de foco em uma frase adverbial: "M'a bisa awor si mi ta bai skirbi-bo. (Eu disse (...) agora vou escrever para ela). As frases negativas em papiamento são formadas através da adicao da partícula "no" (não) ou de partículas negativas como "nada", "ningun" (nenhum), "ningun hende" (ninguém), nunka (nunca), "ningun kaminda" (nenhum lugar).

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Vocabulário

Imagem: Kallmemel · BY-SA · Openverse

Tur ser humano ta nace liber y igual den dignidad y den derecho. Nan ta dota cu rason y cu consenshi y nan mester comporta nan den spirito di fraternidad pa cu otro." Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.) [carece de fontes?]

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Fontes consultadas

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