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BDSM

BDSM é a sigla que denomina um conjunto de práticas de estimulação sexual consensuais, envolvendo bondage, disciplina, dominação, submissão, sadomasoquismo e outros tipos de comportamento sexual humano relacionados a essa subcultura. Dada a ampla gama de práticas, muitas delas acabam sendo realizadas por pessoas que não se consideram praticantes assumidos de BDSM ou fetiches; são pessoas que não se identificam com essas práticas onde em geral são conhecidas como baunilha ou vanilla.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Fundamentos

BDSM é um termo guarda-chuva para certos tipos de comportamento erótico entre adultos conscienciantes que engloba diversas subculturas. BDSM é um acrônimo para os subgrupos bondage e disciplina (B&D ou B/D), dominação e submissão (D&s ou D/s) e sadomasoquismo (S&M ou S/M). O princípio fundamental do BDSM é o consentimento entre todos os participantes. Desde os anos 80, muitos praticantes e organizações adotaram o lema seguro, são e consensual (SSC, originalmente, foi cunhado pelo grupo ativista gay sadomasoquista GMSMA). Ele significa que todas as atividades precisam ser seguras e todos os envolvidos precisam estar aptos a consentir. O consentimento é o que torna claro a distinção ética e legal entre BDSM e crimes como abuso emocional e violência doméstica. Alguns praticantes de BDSM preferem o termo risk-aware consensual kink (RACK), que sai do pressuposto que nenhuma atividade é 100% segura. Ainda, existem outros princípios, como o personal responsibility, informed consensual kink (PRICK), que enfatiza a responsabilidade individual na cena, e o cuidado, comunicação, consenso e cautela (4Cs), que foca no cuidado e comunicação durante a cena.

Subgrupos

O termo bondage descreve a prática de restrição física, como a utilização de algemas, cordas ou acorrentar alguém a algum objeto. O bondage é geralmente, mas nem sempre, uma prática sexual. O termo disciplina descreve restrições psicológicas, com o uso de regras e punições para controlar o comportamento do submisso. Castigos são aplicados quando as regras são violadas pelo submisso. Esses castigos podem vir como físicos (como chicotadas), psicológicos (como humilhação pública) ou uma combinação de ambos (como acorrentar alguém ao pé da cama). O termo dominação e submissão explora o aspecto mais mental do BDSM. É um conjunto de comportamentos, costumes e rituais que envolvem a submissão de uma pessoa a outra em um contexto ou estilo de vida erótico. O contato físico não é necessário em atividades de dominação e submissão, mas em muitos casos ele pode ser intensamente físico e estar envolvido com outros subgrupos como o sadomasoquismo. É comum na abreviação desse subgrupo o "D" de dominação ser escrito em letra maiúscula, mas o "s" de submissão ser escrito em letra minúscula.

Terminologia

Uma cena é uma encenação feita entre os praticantes de BDSM. Ela envolve uma negocicação prévia e certo nível de planejamento, apesar de existirem pessoas com um nível de conexão onde a negociação não é necessária. Também é comum que exista o cuidado pós-cena, onde os participantes cuidam um dos outros após a prática. Algumas das práticas podem ser consideradas desagradáveis em outros contextos,como a humilação ou ser acorrentado. A cena pode ou não envolver práticas de sexo explícito. Por razões legais, práticas explícitas são raramente vistas em ambientes públicos, ou são banidas em determinado local. As regulações do evento podem variar, com alguns locais exigindo, por exemplo, que os membros utilizem roupa íntima e as mulheres usem Pasties..mw-parser-output .tmulti .multiimageinner{display:flex;flex-direction:column}.mw-parser-output .tmulti .trow{display:flex;flex-direction:row;clear:left;flex-wrap:wrap;width:100%;box-sizing:border-box}.mw-parser-output .tmulti .tsingle{margin:1px;float:left}.mw-parser-output .tmulti .theader{clear:both;font-weight:bold;text-align:center;align-self:center;background-color:transparent;width:100%}.mw-parser-output .tmulti .thumbcaption{background-color:transparent}.mw-parser-output .tmulti .text-align-left{text-align:left}.mw-parser-output .tmulti .text-align-right{text-align:right}.mw-parser-output .tmulti .text-align-center{text-align:center}@media all and (max-width:720px){.mw-parser-output .tmulti .thumbinner{width:100%!important;box-sizing:border-box;max-width:none!important;align-items:center}.mw-parser-output .tmulti .trow{justify-content:center}.mw-parser-output .tmulti .tsingle{float:none!important;max-width:100%!important;box-sizing:border-box;text-align:center}.mw-parser-output .tmulti .tsingle .thumbcaption{text-align:left}.mw-parser-output .tmulti .trow>.thumbcaption{text-align:center}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .tmulti .multiimageinner img{background-color:white}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .tmulti .multiimageinner img{background-color:white}}

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Segurança

Palavra de segurança

Dentro da prática BDSM, existe a palavra de segurança (também popularmente conhecida pela tradução literal em inglês, safe word). Ela é um código designado para comunicar o estado físico ou emocional do praticante durante a realização do fetiche. As palavras de segurança são usadas para parar determinado ato, indicando que a pessoa envolvida já atingiu seu limite físico ou emocional. As palavras de segurança também podem ser usadas para comunicar a vontade de continuar com a prática, mas num menor nível de intensidade. As palavras de segurança são decididas antes de se iniciar a atividade sexual. É comum expressões como "não" e "pare" fazerem parte da encenação durante as atividades BDSM, portanto, palavras de segurança são geralmente palavras fora desse contexto BDSM, como o nome de uma cor ou fruta, por exemplo.

São, seguro e consensual

As práticas BDSM seguem a linha do "são, seguro e consensual", comumente abreviado como SSC. Isso significa que toda atividade deve ser segura, tanto fisicamente quanto psicologicamente, e no caso de riscos físicos ou mentais serem tomados, as pessoas devem estar bem informadas sobre os possíveis riscos, implicações e repercussões que determinada prática pode causar. Todos os participantes devem estar com a mente sã o suficiente para aceitarem qualquer tipo de ato decidido. E todos os participantes envolvidos devem consentir com tudo que será realizado ou está sendo realizado. São essas regras de consentimento mútuo que fazem uma clara distinção legal e ética do BDSM de crimes como assédio e violência.

RACK

RACK é o acrônimo de risk-aware consensual kink, que em português significa "consciência de risco em fantasias sexuais consensuais". Esse termo é utilizado por alguns praticantes do BDSM para descrever uma visão de que toda prática sexual possui certo grau de risco, e assumir esses riscos é permitido desde que todos os envolvidos estejam plenamente conscientes desses riscos. O RACK é geralmente visto como um contraste ao SSC, que diz que todas as práticas devem ser sãs, seguras e consensuais. Enquanto o SSC tenta descrever e diferenciar o BDSM de assédio e violência de uma maneira fácil para o público não-BDSM compreender, o RACK diz que nenhuma prática é isenta de riscos. Os adeptos do RACK afirmam que o que pode ser considerado seguro e sadio para uma pessoa não pode ser considerado seguro e sadio para outra. Na filosofia RACK não há "seguro" e "não seguro", apenas "mais seguro" e "menos seguro".

Edgeplay

No BDSM, edgeplay é um termo subjetivo para qualquer atividade que desafie o conceito convencional de segurança do SSC. A palavra "edge" significa "beira" ou "beirada" em português, portanto, o edgeplay pode se referir ao ato de empurrar consensualmente os limites de uma pessoa durante determinada prática. Cada indivíduo possui seus próprios limites, então o que é considerado edgeplay para um não necessariamente pode ser considerado edgeplay para outro. O que uma pessoa considera como prática de risco, outra pessoa pode considerar como uma prática comum. A prática do edgeplay sem o devido cuidado pode gerar danos físicos ou psicológicos que podem variar de leve à grave, ou até mesmo a morte. Breath play, fear play e fire play são alguns exemplos de práticas que geralmente são associadas ao edgeplay pela maioria das pessoas.

Aftercare

O aftercare ou pós-cuidado é um termo dentro do BDSM que se refere à atenção que um parceiro dá ao outro após o fim de uma prática. Esse pós-cuidado é uma atenção feita com o propósito de verificar e garantir uma boa saúde física e estabilidade emocional dos praticantes. Geralmente a pessoa dominante é a cuidadora e a pessoa submissa é quem recebe os cuidados. Algumas cenas de BDSM podem ser muito intensas e acabar sendo emocionalmente desgastantes para algum dos envolvidos, deixando-os num estado de vulnerabilidade, portanto, o aftercare busca assegurar que os praticantes estejam num estado de conforto após a prática. Lesões físicas que podem requerir algum pós-cuidado também é algo que pode ocorrer.

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História

Origem

Práticas de BDSM estão contidas em alguns dos escritos mais antigos da Terra, associados com rituais para a deusa Inana (Ishtar em acadiano). Há textos em cuneiforme dedicados à Inana que incorporam rituais de dominação. Alguns textos em particular mostram seções de dominação entre Inana e Ebih e um hino a Inana que envolve práticas de cross-dressing e rituais "cheios de dor e êxtase, que trazem iniciações e jornadas em estados alterados de consciência; punição gemidos, êxtase, cantos de lamentação, e os participantes se exaurindo de tanto choro e dor". Durante o século 9 aC, rituais de flagelação ocorriam em Artemis Orthia, um dos mais importantes sítios religiosos da antiga Esparta. A prática acontecia durante o culto de Orthia, uma religião pré-olímpica. No ritual, que chamava-se diamastigosis, homens adolescentes eram chicoteados por uma sacerdotisa. A prática foi descrita por diversos autores, como Pausânias (III, 16: 10–11).

O movimento leather

Após a Segunda Guerra Mundial, começaram a surgir nos Estados Unidos e na Europa grupos de motociclistas majoritariamente compostos por homens gays. Esses motoclubes adotaram estilos e atividades envolvendo vestimentas de couro, criando assim, a subcultura leather, também conhecida como subcultura do couro, na língua portuguesa. Com o passar dos anos, diversos bares e clubes voltados para gays da comunidade leather foram surgindo e esses estabelecimentos também passaram a se tornar o local prático para a exploração aberta de homens interessados em sadomasoquismo e fetiches em geral. Na década de 1970, ativistas da subcultura do couro formaram diversos grupos como The Eulenspiegel Society e Society of Janus, que tinham como principal objetivo serem um grupo de apoio à sadomasoquistas e de luta contra o abuso em ambientes sadomasoquistas. Ao longo dessa mesma década, a ativista Cynthia Slater, uma das fundadoras do Society of Janus, foi uma das principais responsáveis pelo reconhecimento e aceitação de mulheres dentro da comunidade leather, que até então era composta majoritariamente por homens gays. Após isso, ativistas feministas também passaram a fundar grupos de apoio exclusivos para mulheres, como Samois e Lesbian Sex Mafia.

Internet

Apesar das siglas B/D e S/M terem sido usadas de formas distintas na comunidade leather durante muito tempo, a sigla BDSM só se popularizou após o surgimento da internet. No final da década de 1980 e início da década de 1990 os fóruns de discussão do usenet proporcionaram um meio para pessoas com interesses semelhantes comunicarem anonimamente. No fórum alt.sex, especificamente o alt.sex.bondage (também conhecido como ASB) criado em 1991, a sigla BDSM começou a ser utilizada e disseminada para se referir às práticas envolvendo B/D, D/s e S/M. Com a popularização das redes sociais, foi criado em 2008 a FetLife, rede social voltada para pessoas das comunidades BDSM, leather e fetichistas em geral.

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Aspectos culturais

Símbolos

O símbolo mais comumente usado na comunidade BDSM é uma derivação do tríscele (também conhecido como triskelion). Várias formas de tríscele tiveram muitos usos e significados em muitas culturas diferentes ao longo da história. O seu uso no BDSM deriva do Anel de O do romance erótico francês A História de O, onde a protagonista realizava práticas de dominação e submissão e utilizava esse anel como um símbolo de obediência. A divisão tripla do tríscele BDSM pode representar os três subgrupos da sigla BDSM, que são BD, DS e SM (Bondage & Disciplina, Dominação & Submissão, Sadismo & Masoquismo), os três princípios éticos do BDSM, que é o "são, seguro e consensual", e as três preferências de papéis nas práticas BDSM, que são top, bottom e switch.

Literatura

O Kama Sutra descreve quatro formas diferentes de bater no ato sexual, regiões do corpo humano que podem ser atingidas e diferentes tipos de expressões de dor de um bottom. Esses textos históricos relacionados a experiências sexuais enfatiza explicitamente que brincadeiras de impacto, mordidas e beliscões durante atividades sexuais só devem ser realizadas de maneira consensual. Nesta perspectiva, o Kama Sutra pode ser considerado uma das primeiras obras escritas a lidar com atividades sadomasoquistas e regras de segurança. Textos adicionais com conotação sadomasoquista apareceram em todo o mundo regularmente nos séculos seguintes. Fanny Hill, romance de John Cleland publicado em 1749, incorpora uma cena de flagelação entre a protagonista da história Fanny Hill e Mr Barville. Um grande número de publicações de flagelação surgiram nos anos seguintes, incluindo Fashionable Lectures: Composed and Delivered with Birch Discipline de 1761, que promovia o nome de diversas mulheres dominadoras que ofereciam esse tipo de serviço numa sala com varas e chicotes.

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Fontes consultadas

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