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Batalha dos Campos Cataláunicos

A batalha dos Campos Cataláunicos foi travada a 20 de junho de 451 entre o Império Romano do Ocidente, os visigodos e os alanos, sob o comando de Flávio Aécio e de Teodorico I, por um lado e os hunos, comandados por Átila, o Huno. Esta batalha foi a última grande campanha militar do Império Romano do Ocidente e o culminar da carreira de Aécio.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Antecedentes

Imagem: TcfkaPanairjdde (talk · contribs) · BY · Openverse

O Império Romano do Ocidente, em 450, estava a perder, paulatinamente, o controlo da Gália, tal como acontecia com as províncias fora da Itália. A Armórica céltica (a Bretanha actual) fazia parte do Império apenas formalmente. As tribos germânicas que haviam invadido o Império haviam sido apaziguadas com o estatuto de federados: a Gália do norte, entre os rios Reno e Mosela, havia sido entregue aos francos, enquanto a sul, os visigodos da Gália Narbonense davam sinais de revolta. Os burgúndios da região alpina estavam aparentemente submetidos, mas também ameaçavam revoltar-se. As únicas regiões leais ao Império Romano eram as costas do Mediterrâneo e uma faixa de território entre Aureliano (Orleães) e os cursos dos rios Loire e Ródano. O historiador Jordanes afirma que Átila fora atraído pelo rei dos vândalos Genserico para atacar os visigodos. Ao mesmo tempo, Genserico tentaria semear a discórdia entre os visigodos e o Império Romano do Ocidente (Gética 36.184-6).

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A batalha

Informado da invasão, o patrício Aécio deslocou-se rapidamente da Itália para a Gália. De acordo com Sidônio Apolinário, Aécio comandava uma força composta por escassos auxiliares, sem um único soldado regular (Carmina 7.329f). Tentou imediatamente convencer Teodorico I a juntar-se a ele. O rei visigodo soube, no entanto, que Aécio dispunha de poucos soldados, e decidiu que seria mais sensato esperar pelos hunos nas suas próprias terras. Aécio voltou-se então para o poderoso aristocrata Ávito, pedindo-lhe auxílio; este conseguiu convencer Teodorico e uma quantidade de outros "bárbaros" da Gália (Carmina 7.332-356). A aliança tomou então o caminho de Aureliano (Orleães), chegando àquela cidade a 14 de junho. De acordo com o autor da Vida de S. Aniano, chegaram a Aureliano precisamente a tempo de impedir que os hunos explorassem uma brecha que tinham aberto nas muralhas da cidade. Muito embora estivessem prestes a conseguir tomar a cidade, os hunos, confrontados com um exército inimigo recém-chegado, sabiam que conservar a cidade significaria serem cercados. A decisão foi de levantar o cerco e recuar, procurando um local onde pudessem dar batalha em condições vantajosas. Teodorico I e Aécio lançaram-se em sua perseguição, e as duas forças encontraram-se finalmente nos Campos Cataláunicos a 20 de junho, uma data que foi primeiro avançada por J.B. Bury e desde então aceite por muitos, embora algumas fontes indiquem 20 de setembro.

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As forças em confronto

Jordanes indica como aliados de Aécio os visigodos, os francos sálicos e ripuários, os sármatas, os armóricos, os litícios, os burgúndios, os saxões, os olibões (descritos como "antigos soldados romanos e hoje a flor das forças aliadas") e outras tribos celtas ou germanas. (Gética 36.191). Os aliados dos hunos, ainda segundo Jordanes, eram os gépidas comandados pelo seu rei Ardarico, os ostrogodos comandados pelos irmãos Valamiro, Teodomiro (pai do mais tarde rei Teodorico, o Grande) e Videmiro, da linhagem dos Amalos (Gética 38.199). Sidônio apresenta uma lista maior de aliados: os rúgios, os gépidas, os gelónios, os burgúndios, os siranos, os belonotianos, os neurianos, os bastarnas, os turíngios, os brúcteros e os francos que viviam ao longo do rio Necar (Carmina 7.321-325). Os números indicados por Jordanes e por Hidácio são improváveis de tão altos. A título de comparação, no início do século III, o Império Romano mantinha em permanência 30 legiões com 5200 combatentes cada uma; se o número de auxiliares fosse igual ao de combatentes por legião, e a eles juntarmos a guarda pretoriana com 5 000 homens, e 6 coortes urbanas, verificamos que o Império, nos píncaros do seu poderio, reunia ao todo 323 000 homens dispersos por todo o seu território.

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Consequências e relevância da batalha

Átila viu-se obrigado a retirar para além do Reno, muito embora esta batalha não tenha posto fim às suas incursões na Europa. Gibbon caracteriza a batalha como sendo "a última vitória em nome do Império Romano do Ocidente." Um último motivo para a reputação desta batalha é o facto desta ter sido a primeira depois da morte de Constantino onde um exército cristão se opôs a um inimigo pagão. Este facto era muito significativo para os contemporâneos da batalha, os quais referem repetidamente a importância das orações na batalha (v.g., a história de Gregório de Tours acerca das orações da mulher de Aécio terem salvo a vida deste na Historia Francorum 2.7).

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Fontes consultadas

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