Batalha do Campo de Sangue
Batalha do Campo de Sangue(em latim: Ager Sanguinis), por vezes também chamada Batalha de Sarmada ou de Balat, teve lugar em uma planície perto da cidade de Sarmada, no actual distrito de Harém da Síria, em 28 de Junho de 1119. Opôs os cruzados do Principado de Antioquia aos muçulmanos ortóquidas da cidade-estado de Alepo, e nela o exército do regente Rogério de Salerno seria aniquilado pelas forças de Ilgazi de Mardin, governador de Alepo.
Imagem: felipefelicioni · PDM · Openverse
Desde a sua fundação, o Principado de Antioquia e os restantes estados cruzados estavam constantemente em guerra com os estados muçulmanos do norte da Síria e de Al-Jazira na Mesopotâmia, e particularmente com Alepo e Mossul. A morte de Ridwan de Alepo em 1113 trouxe um período de inactividade por alguns anos. Tal como Balduíno II de Edessa e Pôncio de Trípoli, Rogério de Salerno, o regente do jovem conde Boemundo II de Antioquia, não teve oportunidade para aproveitar este momento em um ataque contra Alepo. Em 1115, Rogério tinha conseguido derrotar uma incursão seljúcida liderada por Bursuque ibne Bursuque na batalha de Sarmim. Em 1117 Alepo passou para o controlo do bei ortóquida Ilgazi. No ano seguinte Rogério conquistou Azaz, que confirmou o seu ímpeto vitorioso e deixou Alepo estrategicamente vulnerável a ataques dos cruzados; em retaliação, Ilgazi invadiu o principado em 1119. Rogério saiu de Arta com patriarca latino de Antioquia Bernardo de Valência, apesar dos conselhos deste para permanecerem nesta cidade próxima a Antioquia, e possuidora de uma fortaleza bem defendida, ideal para travarem o avanço dos muçulmanos. Bernardo também aconselhou Rogério a solicitar ajuda ao rei Balduíno II de Jerusalém e ao conde Pôncio de Trípoli; Rogério fez o apelo mas acabaria por não aguardar a chegada dos aliados, convencido de conseguir derrotar o inimigo.
Ilgazi também decidiu não aguardar os reforços esperados, do emir de Damasco; marchando por um trajecto pouco utilizado, durante a noite de 27 de Junho surpreendeu e cercou Rogério, que montara campo em um vale arborizado e íngreme, com pouco espaço de manobra para retirar. Apressadamente, os 700 cavaleiros (500 dos quais arménios) e 3000 de infantes (entre os quais alguns turcopolos), formaram cinco batalhões em uma linha em forma de V, com o vértice o mais afastado da corpo do exército muçulmano. Da esquerda para a direita, os batalhões foram comandados por Roberto de Saint-Lô, Rogério de Salerno, Guy de Frenelle, Godofredo o Monge e Pedro. Um sexto batalhão sob o comando de Reinaldo Mansoer ficou encarregado de proteger a retaguarda. Enquanto o exército muçulmano aguardava para iniciar o ataque, o cádi ibne Alcaxabe cavalgou até à linha da frente dos soldados, usando o turbante de juiz mas simultaneamente empunhando uma lança. Pregando a jihad, segundo o historiador contemporâneo de Alepo Camaladim, emocionou e moralizou os guerreiros para a batalha.
Enquanto o exército turco se espalhava para pilhar os territórios vizinhos, Ilgazi comemorou a vitória embriagando-se. Adoecido pelo excesso de álcool, acabou por não aproveitar para atacar Antioquia, onde o patriarca Bernardo de Valência organizava as defesas possíveis. Desconfiados dos populares cristãos sírios, arménios e gregos da cidade, os latinos desarmaram-nos e proibiram-nos de sair das suas casas. Mas a perda do exército do principado deixou os seus territórios desprotegidos e levou à reconquista das praças de Ataribe, Zerdana, Sarmim, Maarate Anumane e Cafir Tabe pelos muçulmanos, apesar de Ilgazi ter sido derrotado a 14 de Agosto pelas forças de Balduíno II e Pôncio de Trípoli na batalha de Hab. O rei de Jerusalém assumiria a regência de Antioquia e conseguiria recuperar algumas das cidades perdidas. No entanto, esta derrota enfraqueceu enormemente o principado, que seria sujeito a constantes ataques na década seguinte, até eventualmente ser forçado a prestar vassalagem ao Império Bizantino. A influência latina na Síria só seria parcialmente recuperada na batalha de Azaz em 1125.


