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Batalha de Uclés

A batalha de Uclés de 1108 foi travada na localidade espanhola de Uclés (Cuenca), a 29 de maio de 1108, entre as tropas cristãs de Afonso VI de Leão e Castela e as almorávidas de Iúçufe ibne Taxufine, com a derrota das primeiras.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Antecedentes

O caudilho almorávida Iúçufe ibne Taxufine, que já derrotara Afonso VI na batalha de Zalaca em 1086, teve de regressar para a África por causa da morte do seu filho, pelo qual não pôde aproveitar adequadamente a vitória conseguida em tal batalha. Outras quatro vezes cruzou o estreito. Na segunda vinda, em 1088, aconteceu o cerco de Aledo, o qual se tornou num rotundo insucesso. Na terceira, em 1090, foram destituídos os reis de taifas de Granada, Córdova, Sevilha, Málaga, e Badajoz. Na quarta vinda, travou-se a batalha de Consuegra (1097), na qual Afonso VI voltou a ser derrotado e faleceu o filho de El Cid. Nesta época, os Almorávidas conquistaram Valência (1102) e conseguiram uma importante via de penetração para o interior peninsular. Na quinta vinda de Iúçufe, em 1103, travou-se a batalha de Salatrices (1106) na qual Afonso VI foi ferido numa perna.

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A marcha para Uclés

Em setembro de 1106 faleceu Iúçufe e foi sucedido pelo seu filho Ali ibne Iúçufe, que decidiu prosseguir a tarefa bélica iniciada pelo pai. Após diversos ataques contra os condados catalães, decidiu atacar o reino castelhano-leonês pelo seu flanco leste, escolhendo Uclés como primeiro objetivo. Uclés era um ponto estratégico celtibero, posteriormente romanizado e que era chamado Pago Oculense, daí Uclés, em árabe Uklis. Ao desaparecer Segóbriga, passou a capitalidade da cora (região) a Santavéria (Celtibéria) e Uclés tornou-se numa das suas principais cidades. Aqui, em 775 sublevou-se contra Abderramão I, Alfate ibne Muça ibne Dulnune, e ergueu diversos edifícios, como termas e mesquita. Posteriormente, os príncipes de Uclés proclamar-se-iam reis da taifa de Toledo. Após a conquista de Toledo (1085), Alcadir marchou para Cuenca (1085) e posteriormente para Valência (1086), onde foi proclamado rei com a ajuda de Álvar Fáñez. Uclés e os domínios da cora de Santavariya ficaram sob a proteção de Afonso VI, que estabeleceu em Uclés uma guarnição própria, em representação teórica de Alcadir, mas controlada por Álvar Fáñez.

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A reação cristã

Quando um espião cristão informou a Toledo que um exército almorávida se mobilizava e parecia dirigir-se para Toledo, o infante Sancho Alfónsez e os nobres que o acompanhavam enviaram emissários a Calatañazor, Alcalá e outros locais para recrutarem tropas e concentrá-las junto a Toledo. Afonso VI não pôde acudir à batalha, pois encontrava-se em Sahagún, recém casado e convalescente da ferida recebida em Salatrices. Ao comando das tropas cristãs ia o infante Sancho Alfónsez, acompanhado por Álvar Fáñez e sete condes que residiam com ele em Toledo. Sancho era o único filho varão de Afonso VI, fruto das relações amorosas com a jovem e bela princesa Zaida. Do mesmo momento do seu nascimento foi reconhecido como herdeiro, designado a reinar nos domínios cristãos apesar de ter nascido fora do matrimônio e de a sua mãe ser moura. Seu pai assim o quis, fazendo figurar nos diplomas reais a partir de 1103 ostentando as denominações de puer, regis filius, infans, regnum electus patrifactum et Toletani imperatoris filius. No "quirógrafo da moeda", que é o último diploma no qual subscreve o infante, figura o dado de que seu pai lhe encomendara o governo de Toledo. Os cronistas dizem, referindo-se à sua idade, que era adhuc párvulo, que podia montar a cavalo mas era incapaz de se defender, pelo qual estaria em torno dos treze anos. Ao cuidado deste príncipe de duplo sangue, estava o conde de Nájera, García Ordóñez, a quem chamam Boqui torto bem como Crispim, a quem o rei lhe fez a encomenda especial de ser o direto responsável pela sua segurança.

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A batalha

Não há unanimidade entre os diversos cronistas sobre o desenvolvimento da batalha, pelo qual é difícil a sua reconstrução. Seguimos o exposto por M. Salas, no capítulo La batalla de Uclés 1108, após analisar oito crônicas: quatro árabes e quatro cristãs. À alba, da Sexta-Feira 29 de maio, saíram os muçulmanos ao passo dos castelhanos situando-se a pouca distância de Uclés, a sudoeste. Avançavam os cordoveses em vanguarda, as alas formadas pelas tropas de Múrcia e Valência, e o centro mandado por Tamim com os soldados granadinos. Além disso, contavam com seteiros que combatiam em ordenadas filas paralelas. A tática de massas compactas e disciplinadas que agem em concordância era nova para os cristãos, afeitos aos encontros singulares. Os dois exércitos estavam à vista o um do outro, frente a frente. As crônicas relatam os principais capitães do exército castelhano-leonês: o infante Sancho, Álvar Fáñez, o conde de Cabra, García Ordóñez, os alcaides de Toledo, Calatañazor e Alcalá de Henares, etc. A distribuição do exército castelhano-leonês parece que foi a seguinte: no centro Álvar Fáñez, num dos flancos (que foi o que cedeu) o infante Sancho acompanhado pelo conde García Ordóñez e alguns condes mais, e no outro flanco o restante dos condes.

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Consequências

As principais consequências da batalha de Uclés foram as seguintes: O rei ficou sem um filho varão herdeiro dos seus reinos, o qual deu lugar a que o herdassem as suas filhas, Urraca e Teresa. As desavenças matrimoniais de Urraca com o seu marido, o rei Afonso I de Aragão e Navarra, ocasionaram lutas intestinas e adiaram a reconquista. Além disso, ocorreu a independência de Portugal, ao reclamar Teresa o condado português. Os muçulmanos chamaram o lugar no que se travou a batalha de Sete Porcos. Mais tarde, o comendador de Uclés, Pedro Franco, mudou o nome por Siete Condes, vocábulo que derivou em Sicuendes. Com este nome foi erguido um pequeno povoado, atualmente desaparecido, entre Tribaldos e Villarrubio, cerca de seis quilômetros a sudoeste do castelo.

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Os sete condes

Os investigadores do século XX perguntaram-se pela identidade dos sete condes que acompanharam o infante Sancho Alfónsez e que faleceram em Sicuendes por protegê-lo. Reilly, revisando a coleção diplomática de Afonso VI, detecta aqueles personagens que confirmam os documentos reais antes de 1108 e que deixam de fazê-lo depois da batalha de Uclés. Entre eles encontravam-se os seguintes nobres que deveram perecer em Uclés: Martín Fláinez, neto do conde Fernando Flaínez, e o seu filho Gómez Martínez, Fernando Díaz, filho de Diogo Fernandes de Oviedo e cunhado do Cid, Diego Sánchez e o seu irmão Lope Sánchez, que era sobrinhos de Lope Jiménez. A eles tem-se de acrescentar o conde de Nájera, García Ordóñez, aio do infante.

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