Pesquisa · Mapa mental

Marraquexe

Marraquexe é uma cidade do centro-sudoeste de Marrocos, situada perto do sopé norte da cordilheira do Alto Atlas. Conhecida como a "cidade vermelha", a "pérola do sul" ou a "porta do sul", é a capital da prefeitura homónima e da região de Marraquexe-Safim. Em 2004 tinha 801 043 habitantes na zona urbana e 1 070 838 habitantes na prefeitura.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
01

Toponímia

O significado e origem exatas do topónimo são temas de debate. Provavelmente tem origem nas palavras amazigues (berberes) mur (n) akush (em tifinague: ⵎⵓⵔ ⵏ ⴰⴽⵓⵛ), que significam "Terra de Deus". Contudo, alguns alegam que o nome da cidade foi documentado pela primeira vez num manuscrito século XI da biblioteca Quaraouiyine de Fez, onde o seu significado é apresentado como "país dos filhos de Cuxe". A palavra mur é usada atualmente em berbere na sua forma feminina tamurt. A mesma palavra mur pode ter originado o nome Mauritânia do reino norte-africano da Antiguidade, apesar dessa ligação ser controversa porque esse mesmo nome possivelmente tem origem no grego μαύρος (mauros), a antiga designação grega para os negros. A grafia em alfabeto berbere latino é Mṛṛakc e em árabe marroquino a pronúncia soa algo como "mer-reqx" (ou "merrequexe com as 3 últimas vogais praticamente mudas). Desde a Idade Média até ao início do século XX, Marrocos era conhecido como "Reino de Marraquexe", devido à cidade ter sido frequentemente a capital histórica do país ou dos seus reinos mais importantes. O nome de Marrocos em persa (مراكش), urdu e muitas línguas do Ásia Meridional ainda hoje é o mesmo da cidade. Em várias línguas europeias, nomeadamente em português, o nome do país deriva diretamente da palavra berbere Murakush. Por outro lado, a cidade era chamada no passado simplesmente "Cidade de Marrocos" (ou algo semelhante) por viajantes estrangeiros. O nome da cidade e do país divergiram depois do Tratado de Fez ter tornado Marrocos um protetorado francês e espanhol, mas o antigo uso intermutável continuou a ser muito usado até ao interregno de Maomé ibne Arafa (r. 1953–1955). Este último episódio pôs em marcha o retorno do país à independência, quando Marrocos se tornou oficialmente al-Mamlaka al-Maġribiyya (em árabe: المملكة المغربية; "Reino do Magrebe" ou "Reino do Ocidente"), sem referência à cidade de Marraquexe.

02

História

Origens e fundação da cidade pelos Almorávidas

A região de Marraquexe foi habitada por agricultores desde o Neolítico, conforme é atestado por vários artefactos de pedra desenterrados na área. A cidade foi fundada em 1062 (454 da Hégira) por Abu Becre ibne Omar, caudilho dos Almorávidas e primo em segundo grau do fundador da dinastia almorávida, Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106). Sob o regime dos Almorávidas, guerreiros piedosos e eruditos do deserto, foram construídas em Marraquexe numerosas mesquitas e madraças (escolas corânicas). O crescimento muito rápido fez com que a cidade se tornasse uma cidade um centro cultural e religioso, suplantando Agmate, que há muito era a capital do al Haouz, e se constituísse como um importante centro de comércio entre o Magrebe e a África subsariana. Artesãos andalusinos de Córdova e de Sevilha construíram e decoraram vários palácios na cidade, desenvolvendo o estilo Omíada, caracterizado por cúpulas esculpidas e arcos apontados.

Período almóada e declínio

Os almóadas, membros da tribo berbere dos Masmudas, originários das montanhas Alto Atlas e muçulmanos ortodoxos, tomaram Marraquexe em 1147, liderados por Abde Almumine. Depois de um longo cerco e da morte de cerca de 7 000 pessoas, os últimos Almorávidas foram exterminados, à exceção dos que lograram fugir para as ilhas Baleares. A cidade foi saqueada e muitos dos monumentos da cidade foram destruídos. Os almóadas construíram vários palácios e edifícios religiosos, dentre os quais se destaca a famosa mesquita Cutubia (1184–1199), erigida sobre as ruínas de um palácio almorávida, cujo minarete é gémeo da Giralda de Sevilha e da Torre Haçane de Rabate, desenhadas pelo mesmo arquiteto. A casbá era a residência do califa, um título ostentado pelos governantes almóadas a partir do reinado de Abde Almumine, que rivalizava com o Califado Abássida do Oriente. A casbá recebeu o nome do califa Almançor. O sistema de irrigação foi aperfeiçoado para abastecer de água os novos palmeirais e jardins, incluindo os da Menara. Graças à sua reputação cultural, Marraquexe atraiu muitos escritores e artistas, especialmente do Alandalus, entre eles o célebre filósofo e polímata Averróis (ibne Ruxide) de Córdova.

Períodos sádida e alauita

No início do século XVI Marraquexe voltou a ser novamente a capital do reino, depois de um período em que foi a capital dos emires Hintata. A cidade restabeleceu rapidamente o seu estatuto, sobretudo durante os reinados dos sultões sádidas Abu Abedalá Alcaim (r. 1509–1517) e Amade Almançor (r. 1578–1603). Graças às riquezas acumuladas pelos sultões sádidas, Marraquexe foi embelezada com palácios sumptuosos e os seus monumentos arruinados foram restaurados. O Palácio el Badi, erigido em 1578, era quase uma réplica da Alhambra, o palácio dos reis nacéridas de Granada, que foi construído com materiais caros e raros, incluindo mármores de Itália, pó de ouro do Sudão, pórfiro da Índia e jade da China. O palácio destinava-se principalmente à realização de receções faustosas a embaixadores da Espanha, Inglaterra e do Império Otomano, mostrando o Marrocos sádida como uma nação cujo poder e influência chegavam a paragens tão distantes como as fronteiras do Níger e do Mali. Durante a dinastia sádida, Marraquexe retomou a sua anterior posição como ponto de contacto entre as rotas das caravanas do Magrebe, do Mediterrâneo e da África subsariana.

Século XX, protetorado

Durante o início do século XX, Marraquexe passou alguns anos agitados. Depois da morte prematura do grão-vizir Bamade (Amade ibne Muça), que tinha sido nomeado regente até que o sultão Mulei Abdalazize atingisse a maioridade, o país foi atormentado por anarquia, revoltas tribais, conspirações de senhores feudais e intrigas das potências europeias. Em 1907, Abdal Hafide, irmão de Abdalazize, apoiado por Thami El Glaoui, o poderoso líder tribal dos Glaoua, é proclamado sultão pelas tribos do Alto Atlas e pelos académicos da Ulemá, que negavam a legitimidade do irmão. Ainda em 1907, o Dr. Mauchamp, um médico francês, foi assassinado em Marraquexe por ser suspeito de ser espião ao serviço do seu país. A França usou este incidente como pretexto para enviar tropas da cidade oriental de Ujda para o importante centro urbano de Casablanca, na costa ocidental. O exército colonial francês deparou com forte resistência da parte de Ahmed al-Hiba (o "Sultão Azul"), um filho do xeque Maa el-Ainin, que veio do Sara à frente dos seus guerreiros da tribo nómada dos reguibates.

Pós-independência

Desde a independência de Marrocos que Marraquexe se tem desenvolvido como destino turístico. Nas décadas de 1960 e início da década de 1970, a cidade tornou-se uma "meca hippie", atraindo numerosas estrelas de rock e da moda, músicos, artistas, realizadores de cinema, atores, etc., que contribuíram decisivamente para que as receitas turísticas do país duplicassem entre 1965 e 1970. Yves Saint Laurent, Jean Paul Getty, Beatles e os Rolling Stones foram algumas das celebridades mundiais que passaram bastante tempo em Marraquexe nessa altura. Saint Laurent e o seu amante, o mecenas e filantropo Pierre Bergé, compraram uma villa com um grande jardim na cidade, construída pelo pintor Jacques Majorelle, conhecida como Jardim Majorelle. Graham Nash também esteve na cidade e uma das canções mais célebres dos Crosby, Stills and Nash, "Marrakesh Express", relata a sua viagem de comboio feita entre Casablanca e Marraquexe em 1966.

03

Geografia e clima

Marraquexe situa-se 330 km a sudoeste da capital, Rabate, 580 km a sudoeste de Tânger, 240 km a sul de Casablanca, 180 km a leste de Essaouira, 200 km a sudoeste de Beni Mellal, 500 km a sudoeste de Fez e 250 km a nordeste de Agadir (distâncias por estrada). A cidade encontra-se num oásis junto ao flanco norte da cordilheira do Alto Atlas, cujos picos dominam o horizonte a sudoeste e sudeste. O ponto mais alto do Norte de África, o Jbel Toubkal (4 167 m de altitude) encontra-se cerca de 70 km em linha reta a sul da cidade. A horizonte a sul da cidade é dominado pelo Jbel Yagour, um extenso planalto com 2 300–2 700 m de altitude, rodeado de por altas escarpas vermelhas. A altitude média dos cumes do Alto Atlas, cobertos de neve durante grande parte do ano, é de mais de 3 000 m. As montanhas são compostas principalmente por calcário do Jurássico. O antropólogo David Prescott Barrows (1873–1954) disse sobre Marraquexe que ela era a cidade «mais estranha de Marrocos» e descreveu a sua paisagem da seguinte forma:

Clima

O clima de de Marraquexe é predominantemente do tipo semiárido quente (Köppen-Geiger: BSh), com invernos amenos com alguma humidade e verões quentes e secos. As temperaturas médias são aproximadamente 12°C no inverno e 32 a 45 °C no verão. O padrão de precipitação, com invernos relativamente chuvosos e verões secos é similar ao que se encontra em zonas mediterrânicas, mas devido ao facto de se registar menos chuva do que é típico nos climas mediterrânicos, a classificação climática é semiárida. Entre 1961 e 1990 a precipitação média anual foi de 281,3 mm. Citando novamente Barrows: «a região de Marraquexe é frequentemente descrita como sendo de natureza desértica, mas para alguém familiarizado com o sudoeste dos Estados Unidos, o local não sugere o deserto, mas sim uma área de chuva sazonal, onde o orvalho se move debaixo do solo em vez de o fazer em ribeiras à superfície, e onde o mato rasteiro ocupa o lugar das florestas das regiões com mais água. A localização de Marraquexe no lado norte do Atlas, em vez do lado sul, impede que seja classificada como um cidade sariana, mas é o foco a norte das linas de comunicação sarianas e a sua história, o seu tipo de habitantes, o seu comércio e o seu artesanato, todos estão relacionados com os grandes espaços a sul do Atlas, que vão até ao Senegal e ao Sudão.»

04

Política e administração

Marraquexe é uma das maiores cidades marroquinas (a quarta ou quinta em número de habitantes).[a] Administrativamente está dividida em um município (Mechuar-Casbá) e cinco arrondissements (Marraquexe-Medina, Annakhil, Gueliz, Menara e Sidi Youssef ben Ali). É a capital da da prefeitura homónima e da região de Marraquexe-Safim A cidade é um dos principais centros jurídicos de Marrocos e a maior parte dos tribunais da região estão nela sediados. Estes incluem o tribunal de apelação regional, o tribunal de comércio e o tribunal de apelação administrativo. Numerosos organismos da região têm a sua sede em Marraquexe, como as delegações regionais do governo, o Conselho Regional de Turismo e organismos de serviços públicos, como por exemplo os de abastecimento de água e eletricidade. Marraquexe foi a segunda cidade marroquina a eleger uma mulher para chefiar a administração municipal.[b] Fatima-Zahra Mansouri, uma advogada então com 33 anos, filha de um ex-funcionário superior da administração local de Marraquexe e dirigente do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), ganhou as eleições municipais em junho de 2009, obtendo 54 votos no conselho municipal contra os 35 do seu opositor, o então prefeito Omar Jazouli. A eleição de Fatima Mansouri, que o líder do seu partido, Mohamed Cheikh Biadillah, classificou como sendo um reflexo da imagem de Marrocos moderno, esteve envolva em controvérsias, que resultaram na perda temporária de mandato no mês seguinte à eleição, decretada por um tribunal que considerou ter havido fraude. Segundo o tribunal, alguns boletins de voto foram distribuídos antes da data legal e alguns registos de votos foram destruídos. O PAM apelou a uma greve de 48 horas para "protestar contra a conspiração contra o processo democrático". Em 7 de julho de 2011 foi noticiado que Mansouri tinha pedido a sua demissão do conselho municipal, mas no dia seguinte foi trabalhar como normalmente.

05

Economia

Marraquexe é um componente vital da economia e cultura de Marrocos. Os melhoramentos das ligações rodoviárias entre a cidade, Casablanca e o aeroporto local levaram a um crescimento notável do turismo em Marraquexe, que no início da década de 2010 atraía dois milhões de visitantes anualmente. Devido à importância do turismo na economia do nacional, o rei Maomé VI traçou como objetivo atrair 20 milhões turistas por ano a Marrocos em 2020, o dobro do número registado em 2012. A cidade é especialmente popular entre os franceses; muitas celebridades dessa nacionalidade compraram casa em Marraquexe, como é o caso dos magnatas da moda Yves Saint Laurent e Jean-Paul Gaultier. Na década de 1990 viviam na cidade poucos estrangeiros, mas os empreendimentos imobiliários cresceram acentuadamente no início do século XXI; em 2005 mais de 3 000 estrangeiros compraram casas na cidade, atraídos pela vida cultural e pelos preços relativamente baixos da habitação. A cidade tem sido chamada de "nova Costa do Sol" devido a ter-se tornado um destino de moda. Não obstante, a maior parte da população é pobre e em 2010 havia 20 000 habitações sem água nem eletricidade. Muitas empresas da cidade debatem-se com dívidas colossais.

Relações internacionais

Marraquexe tem acordos de geminação ou de cooperação com as seguintes cidades:

06

Principais locais de interesse turístico

Foram construídos no século XVI como um mausoléu para sepultar numerosos governantes sádidas e alguns artistas. Estiveram esquecidos durante muitos anos, provavelmente devido à campanha do primeiro grande monarca alauita Mulei Ismail para apagar a memória da dinastia anterior. Foram redescobertos pelos franceses em 1917 usando fotografias aéreas, junto à parede sul da mesquita almóada da casbá, num cemitério onde se encontram túmulos de vários supostos descendentes de Maomé. O mausoléu contém as sepulturas de cerca de 60 membros da dinastia sádida, originária do vale do Drá. Entre elas encontram-se as do sultão Amade Almançor e da sua família. Almançor sepultou a sua mãe na sua necrópole dinástica em 1590, depois de ter alargado a estrutura funerária quadrada original. O túmulo do próprio Almançor é ricamente decorado e teve como modelo os túmulos nacéridas de Granada. O edifício tem três salas; a mais célebre tem o teto suportado por doze colunas e contém o túmulo do filho de Almançor. A sala é um bom exemplo da arquitetura islâmica com motivos florais, caligráficos, zellige e mármore de Carrara. A estela funerária é de madeira de cedro e estuque finamente trabalhos. Fora do edifício há um jardim e sepulturas de vários militares e servos.

Jemaa el-Fna

A Jemaa el-Fna é uma das praças mais famosas de África e é o centro da atividade e comércio da cidade. É frequentemente descrita como uma praça de fama mundial ou «um ícone urbano metafórico, uma ponte entre o passado e o presente, o lugar onde a tradição marroquina encontra modernidade» Desde 1985 que está inscrita na lista de Património Mundial da UNESCO. O nome significa algo semelhante a "assembleia dos transgressores" ou "dos malfeitores". A praça foi renovada juntamente com grande parte do resto da cidade, cujas muralhas foram ampliadas, por Abu Iacube Iúçufe I (r. 1163–1184) e principalmente por Iacube Almançor, entre 1147 e 1158. Locais e edifícios das proximidades, em volta da área comercial (chamado conjuntamente soco), como a mesquita, palácio, hospital, parada e jardins, foram reconstruídos e a casbá foi fortificada. Depois disso, conforme as flutuações na importância da cidade, a Jemaa el-Fna conheceu vários períodos de declínio e renovação.[necessário esclarecer]

Socos

Os socos (ou suques ou souks) de Marraquexe, cujo conjunto é também designado genericamente no singular soco, ocupam uma parte considerável da almedina e constituem o maior mercado tradicional berbere de Marrocos. A imagem da cidade está intimamente ligada aos seus socos. Alguns autores, como o britânico Paul Sullivan descrevem os socos como a principal atração da cidade, pelo menos no que toca a compras: «um emaranhado de becos intrincadamente ligados, esta parte fundamental da cidade velha é ela própria uma microalmedina, que compreende uma número estonteante de tendas e lojas que vão desde o quiosque minúsculo do tamanho de um guarda-fatos de elfo até lojas com fachadas decadentes que se transformam em cavernas de Aladino reluzentes quando se está lá dentro».

Muralhas e portas da cidade

As muralhas de Marraquexe estendem-se por 19 km em volta da almedina. Foram construídas pelos Almorávidas no século XII. São feitas com um barro característico vermelho-alaranjado e cal e estão na origem da alcunha "cidade vermelha". Têm um altura máxima de 5,8 metros, 20 portas e 200 torres. A porta Bab Agnaou foi construída no século XII, durante o período almóada. Foi o segundo edifício em pedra da cidade (o primeiro foi o minarete da Cutubia). O seu nome pode significar "porta dos negros" (a teoria mais comum)[d] ou "porta do bode mudo sem cornos". As esquinas apresentam decorações florais, que são enquadradas por três painéis com inscrições do Alcorão em maghribi (variante norte-africana da escrita árabe) e cúfico foliado).

Jardins

Os jardins da Menara situam-se a oeste da almedina, perto das portas que dão para as montanhas. Foram construídos c. 1130 pelo califa almóada Abde Almumine. O seu nome deriva do pavilhão com uma pequena pirâmide verde no cimo (menzeh), construído durante pelos sádidas no século XVI e renovado em 1869 pelo sultão Abderramão, que costumava ali ficar no verão. O pavilhão e o lago artificial vizinho estão rodeados de pomares de olivais. O lago foi construído para irrigar as hortas, jardins e pomares em redor usando um sistema sofisticado de canais subterrâneos chamado qanat. O lago é abastecido com água das montanhas que é transportada por um sistema hidráulico ao longo de 20 km. No jardins há também um pequeno anfiteatro e um tanque simétrico.

Pálácios e riades

A prosperidade passada da cidade está patente em palácios mansões e outras residências luxuosas. Os palácios mais notáveis são o el Badi, o Palácio Real (Dar al-Makhzen) e o da Bahia. Os riades (mansões tradicionais marroquinas) são comuns em Marraquexe. De planta baseada nas vilas romanas, caracterizam-se por terem um pátio central a céu aberto, rodeado por paredes altas. Este tipo de construção garantia a privacidade dos ocupantes e baixava a temperatura do interior durante o tempo quente. Alguns dos edifícios dignos de nota no interior da almedina são, por exemplo, o Riad Argana, Riad Obry, Riad Enija, Riad el Mezouar, Riad Frans Ankone, Dar Moussaine, Riad Lotus, Riad Elixir, Riad les Bougainvilliers, Riad Dar Foundouk, Dar Marzotto, Dar Darma e Riad Pinco Pallino. Fora da almedina cabe notar, entre outros, o Ksar Char Bagh, Amanjena, Villa Maha, Dar Ahlam, Dar Alhind e Dar Tayda.

Mesquitas

A Cutubia (em francês: Koutoubia) é a maior mesquita da cidade. Situa-se na parte sudoeste da almedina, não muito longe da Jemaa el-Fna, à qual está ligada por uma área ajardinada. A sua construção terminou durante o reinado do califa almóada Iacube Almançor (r. 1184–1199) e o seu emblemático minarete serviu de inspiração a outras edificações islâmicas importantes, como a Giralda de Sevilha e a Torre Haçane de Rabate. A mesquita foi construída em pedra vermelha e tijolo e mede 80 por 60 metros. O minarete foi desenhado de forma a que do cimo dele não se conseguisse ver o que se passava nos haréns do sultão. É de estilo omíada e tem 77 metros de altura. Originalmente estava caiado de cor-de-rosa, mas na década de 1990 decidiu-se remover o reboco para expor a pedra trabalhada da construção original. O coruchéu no cimo do minarete é decorado com quatro esferas de cobre dourado sucessivamente mais pequenas quanto mais altas estão, um detalhe único em Marrocos.

07

Cultura

Museus

Está instalado no Palácio (Dar) Menebhi, no centro da almedina, construído no fim do século XIX por Mehdi Menebhi. O edifício foi cuidadosamente restaurado pela Fundação Omar Benjelloun e convertido em museu em 1997. A casa é um bom exemplo da arquitetura andalusina clássica, com fontes no pátio central, áreas tradicionais para se estar sentado, um hamame e profusas decorações intrincadas de mosaico e relevo, que já foi descrito como «uma orgia de estalactites em estuque esculpido, que caem do teto e se combinam com um assombroso trabalho excessivo de zellige». O museu expõe arte marroquina tradicional e moderna, além de exemplares de livros históricos, moedas e cerâmica produzidos por judeus, berberes e árabes de Marrocos.

Música, teatro e dança

Há dois tipos de música tradicionalmente associados a Marraquexe. Uma é a música berbere, com influências da música clássica andalusina islâmica, caracterizada pelo acompanhamento com ud. Outra, bem diferente, é a música guinaua (gnaoua; gnawa), barulhenta e extravagante, que para alguns tem reminiscências de blues. É tocado com instrumentos feitos à mão, algo toscos, como castanholas, ribabs (espécie des banjos com três cordas) e adufes (deffs, espécie de tambores de mão). O ritmo da música gnaoua, em crescendo, induz na audiência uma espécie de transe; diz-e que esse estilo musical surgiu em Marraquexe e Essaouira como um ritual de libertação da escravatura. Mais recentemente alguns grupos de música femininos de Marraquexe têm ganho popularidade.

Artesanato

As artes e ofícios tradicionais de Marraquexe sempre tiverem um amplo e profundo impacto no artesanato marroquino, que perdura até hoje. Entre as peças de decoração, típicas dos riades, destacam-se os tapetes e outros têxteis, cerâmicas, madeira e metal trabalhados e zellige. Os tapetes, carpetes e outros têxteis são tecidos, costurados ou bordados e também são usados em estofos. As mulheres marroquinas que trabalham em artesanato são conhecidas como maalems (artesãs especialistas) e fabricam belas peças, como carpetes berberes e xailes feito de sabra (seda de cato). A cerâmica e loiça são tipicamente de estilo berbere, com uma só cor, com formas e decorações arrojadas.

Festivais

Entre os vários festivais culturais que se realizam em Marraquexe, cabe destacar o Festival Nacional de Foclore, o Festival Artes Populares de Marraquexe (no qual participam várias estrelas da música marroquina e outros artistas) e o Festival Berbere. O Festival Internacional de Cinema de Marraquexe, que aspira a ser a versão norte-africana do Festival de Cannes, teve a sua primeira edição em 2001. Realiza-se todos os anos, e mostra mais de 100 filmes de todo o mundo. Já teve a participação de estrelas de Hollywood como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Susan Sarandon, Jeremy Irons, Roman Polanski, etc., além de outras vedetas do cinema europeu, árabe e indiano.

Gastronomia

A culinária da cidade é influenciada pelo facto de estar rodeada de pomares de citrinos e de oliveiras. A cozinha típica é rica e variada, muito condimentada, se bem que não seja picante. Os condimentos são variados, baseados em diversas receitas de ras el hanout (literalmente: "chefe da loja"), uma mistura de dúzias de especiarias que incluem malagueta, canela, pimenta-da-guiné, Vitex agnus-castus, noz-moscada e açafrão-da-terra. Uma das especialidades da cidade e um símbolo da sua cozinha é a tanjia marrakshia, uma tajine local preparada com carne de vaca, especiarias e smen (manteiga fermentada), que é cozinhada lentamente num forno tradicional em cinzas quentes. Também são preparadas tajines de galinha, borrego ou peixe, bem como outros tipos de tajine de vaca. É usual adicionar fruta, azeitonas, limão em conserva, hortaliças e especiarias, como cominhos, pimentos, açafrão, etc., além de ras el hanout. Outras versões de tajine incluem vegetais e grão-de-bico temperados com pétalas de flores. As tajines são preparadas na panela de barro com o mesmo nome e envolvem sempre uma cozedura lenta em vapor. Podem ser regadas com smem, uma espécie de ghi marroquino com um sabor semelhante ao do queijo azul.

Desporto

Entre os clubes de futebol de Marraquexe destacam-se o Najm de Marrakech, o Kawkab Athlétique Club de Marrakech, o Mouloudia de Marrakech e o Chez Ali Club de Marrakech. A cidade tem um cicuito autobilístico urbano, o Circuito Mulai el Hassan (Marrakech Street Circuit), com 4,624 km, onde se realizam provas do Campeonato Mundial de Carros de Turismo, Fórmula 2 e Auto GP . A Maratona de Marraquexe também ali se realiza; todos os anos participam nesta prova cerca de 5 000 atletas. O golfe é um desporto com alguma popularidade em Marraquexe. A cidade tem três campos dessa modalidade, situados na periferia, junto aos limites urbanos, que são frequentados praticamente durante todo o ano. O mais antigo desses campos é o Royal Golf Club; os outros são o Golf de Amelikis, na estrada para Ouarzazate e o Palmeraie Golf Palace, perto do Palmeraie.

08

Infraestruturas e serviços públicos

Educação

Marraquexe tem várias universidades e outros estabelecimentos de ensino superior e médio. A Universidade Cádi Ayyad, também conhecida como Universidade de Marraquexe, foi criada em 1978 e agrega 13 instituições de ensino nas regiões de Marraquexe-Tensift-Al Haouz e Doukkala-Abda, que estão concentradas sobretudo em Marraquexe, El Kelaa des Sraghna e Safim. Uma dessas instituições é a Escola Nacional de Ciências Aplicadas (École nationale des sciences appliquées de Marrakech), fundada em 2000 e especializada em engenharia e investigação científica. Outra é a Faculdade de Ciências e Tecnologia de Gueliz, conhecida como escola mais prestigiada do seu género em Marrocos.

Madraça ibne Iúçufe

Situada na parte norte da almedina, perto da mesquita homónima, foi durante séculos um colégio islâmico, que deve o seu nome ao emir almorávida Ali ibne Iúçufe (r. 1106–1142), que expandiu a cidade e sua influência consideravelmente. É a maior madraça de Marrocos e foi um dos colégios teológicos mais importantes do Norte de África, que chegou a ter 900 alunos. Dependente da mesquita vizinha, foi fundada durante o período merínida, no século XIV, pelo sultão Alboácem Ali ibne Otomão.

Saúde

Marraquexe sempre foi um polo de saúde importante em Marrocos. Os hospitais da cidade servem não só os seus habitantes, como também as populações da região. Devido ao crescimento dramático da população nos últimos anos, principalmente desde o início do século XXI, as infraestruturas de saúde têm sofrido grandes pressões. Uma das unidades hospitalares da cidade é o Hospital Universitário Ibn Tofail. Graças a um empréstimo de 8 milhões de dólares contraído pelo governo marroquino com o Fundo OPEP para o Desenvolvimento Internacional (OFID) em 2001 para melhorar os serviços médicos na área de Marraquexe, os hospitais Ibn Tofail e Ibn Nafess foram ampliados, tendo sido construídos sete novos edifícios, totalizando uma área de 43 000 m²; foram também reabilitados 29 000 m² nos edifícios existentes e instalados novos equipamentos de radioterapia e outros.

Transportes e comunicações

Marraquexe tem várias ligações ferroviárias diárias com Casablanca, Tânger, Fez, Mequinez e Rabate. Em 2007 estava planeada a construção de uma linha de alta velocidade. As principais estradas que servem a cidade e os seus arredores estão bem pavimentadas. A principal ligação rodoviária com Casablanca é a A7, uma autoestrada com portagem com 210 km de extensão; a mesma autoestrada também liga com Agadir. O troço de autoestrada com 145 km entre Settat e Marraquexe, foi inaugurado em 2007, completando a ligação por autoestrada com Tânger, numa extensão de 558 km. O Aeroporto de Marraquexe-Menara (IATA: RAK, ICAO: GMMX) situa-se 3 km a sudoeste do centro da cidade. Serve voos de várias cidades europeias, Casablanca e alguns países árabes. Formalmente tem dois terminais de passageiros, mas na prática ambos estão combinados formando um único grande terminal, com 42 000 m² e capacidade para 4,5 milhões de passageiros por ano. O terminal de carga está separado e tem 340 m² de área coberta. O aeroporto tem espaço de estacionamento para 14 Boeings 737 e 4 Boeings 747 Em julho de 2014 estava em construção um terceiro terminal que duplicará a capacidade anual para 9 milhões de passageiros. No entanto, segundo as previsões de crescimento do tráfego, essa capacidade será insuficiente em 2025, pelo que há planos para a construção de um novo aeroporto cujo custo se previa em 4,3 mil milhões * de dirrãs (c. 396 milhões de euros; 1,4 bilhões * de reais).

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando