Batalha de Tsushima
A Batalha de Tsushima, também conhecida como Batalha do Estreito de Tsushima ou Batalha Naval do Mar do Japão, foi o maior confronto naval entre a Rússia e o Japão durante a Guerra Russo-Japonesa. Este evento singular marcou a única batalha marítima decisiva travada com frotas modernas de encouraçados de aço na história naval. Foi também a primeira vez que a radiotelegrafia desempenhou um papel crucial em uma batalha naval, sendo caracterizada como um "eco moribundo da antiga era", pois foi a última vez na história das batalhas navais que navios de linha de uma frota derrotada se renderam em alto-mar.
Pontos-chave
- Foi a maior e única batalha naval decisiva entre frotas modernas de encouraçados de aço na história.
- A radiotelegrafia teve um papel crucial, sendo a primeira vez que a tecnologia foi amplamente utilizada em um confronto naval.
- A frota russa estava em condições precárias devido à longa viagem e à falta de manutenção, afetando sua velocidade e desempenho.
- O Almirante Tōgō do Japão utilizou táticas superiores, incluindo o reconhecimento e a manobrabilidade, para obter vantagem.
- A batalha resultou em uma derrota esmagadora para a frota russa, com a maioria de seus navios afundados ou capturados.
A Guerra Russo-Japonesa começou com um ataque surpresa japonês à frota russa em Port Arthur. O Japão buscava garantir suas linhas de comunicação e suprimentos para a Manchúria, neutralizando o poder naval russo no Extremo Oriente. A inatividade inicial da frota russa e a morte do Almirante Makarov levaram à decisão de enviar a Segunda Esquadra do Pacífico da Frota do Báltico para a região.
Conflito no Extremo Oriente
Em 8 de fevereiro de 1904, destróieres japoneses lançaram um ataque surpresa contra a frota russa ancorada em Port Arthur, danificando três navios e marcando o início da Guerra Russo-Japonesa. O objetivo japonês era assegurar suas linhas de comunicação e suprimentos para a Ásia continental, permitindo uma guerra terrestre na Manchúria, o que exigia a neutralização do poder naval russo. Inicialmente, as forças navais russas permaneceram inativas, permitindo desembarques japoneses sem resistência na Coreia. No entanto, a chegada do Almirante Stepan Makarov revitalizou os russos, que obtiveram algum sucesso. Infelizmente, o navio-almirante de Makarov, o encouraçado Petropavlovsk, atingiu uma mina, resultando na morte do almirante. Seus sucessores falharam em desafiar a marinha japonesa, e os russos foram efetivamente reprimidos em sua base em Port Arthur.
A Segunda Esquadra do Pacífico
Com a inatividade da Primeira Esquadra do Pacífico após a morte do Almirante Makarov e o agravamento do cerco japonês a Port Arthur, a Rússia considerou enviar parte da Frota do Báltico para o Extremo Oriente. O plano era libertar Port Arthur por mar, unir-se à Primeira Esquadra do Pacífico, superar a Marinha Imperial Japonesa e, em seguida, atrasar o avanço japonês sobre a Manchúria até que reforços russos chegassem pela ferrovia Transiberiana para dominar as forças terrestres japonesas. Diante da deterioração da situação no Extremo Oriente, o Czar (incentivado por seu primo Kaiser Wilhelm II) aprovou a formação da Segunda Esquadra do Pacífico. Esta esquadra seria composta por cinco divisões da Frota do Báltico, incluindo 11 dos seus 13 encouraçados, e partiu em 15 de outubro de 1904 sob o comando do Almirante Zinovy Rozhestvenski.
O Estreito de Tsushima
Para alcançar Vladivostok, os russos poderiam ter navegado por um dos três estreitos: La Perouse, Tsugaru ou Tsushima. O Almirante Rozhestvenski optou por Tsushima para simplificar o percurso. O Almirante Tōgō, baseado em Busan, também antecipava que Tsushima seria a rota escolhida pelos russos. O Estreito de Tsushima, localizado a leste da Ilha de Tsushima, entre as ilhas japonesas de Kyushu e a Península da Coreia, era a rota mais curta e direta a partir da Indochina. As outras rotas exigiriam que a frota navegasse a leste, contornando o Japão. A Frota Combinada japonesa e as segunda e terceira Esquadras Russas do Pacífico, enviadas da Europa, se enfrentariam neste estreito entre a Coreia e o Japão, próximo às Ilhas de Tsushima.
A longa jornada de 18.000 milhas deixou a frota russa em condições precárias para a batalha. Exceto pelos quatro novos encouraçados da Classe Borodino, a 3ª Divisão do Almirante Nebogatov era composta por navios mais antigos e mal conservados. A incrustação excessiva nos cascos russos, devido à falta de manutenção durante a viagem, reduziu significativamente suas velocidades, permitindo que os navios japoneses, com 15 nós, superassem os russos, que mal alcançavam 14 nós. Essa diferença de manobrabilidade foi crucial, permitindo a Tōgō usar a tática de 'cruzar o T' duas vezes. Além disso, a frota russa apresentava deficiências em equipamentos (torpedos com falhas) e treinamento. A maior vantagem de Tōgō era sua experiência, sendo o único almirante ativo com experiência em combate a bordo de encouraçados.
A batalha foi marcada por táticas navais complexas e o papel decisivo da radiotelegrafia. Após o primeiro contato e a descoberta da frota russa, o Almirante Tōgō liderou a Frota Combinada para interceptar e destruir o inimigo. A superioridade da artilharia japonesa e as manobras táticas de Tōgō foram cruciais durante o combate diurno, enquanto ataques noturnos de torpedeiros japoneses causaram ainda mais estragos à dispersa frota russa.
Táticas Navais Japonesas
Na Batalha de Tsushima, encouraçados, cruzadores e outras embarcações foram organizadas em divisões, cada uma sob o comando de um oficial general. O Almirante Tōgō comandava o Mikasa, seu navio-almirante, seguido pelos encouraçados Shikishima, Fuji e Asahi, e depois por dois cruzadores blindados. Tōgō, utilizando reconhecimento e escolhendo sua posição estrategicamente, "assegurou além dos riscos plausíveis seu objetivo estratégico de trazer a frota russa para a batalha, independentemente das velocidades". Ao decidir executar uma virada a bombordo em sequência, ele preservou a ordem de sua linha de batalha, mantendo o Mikasa na liderança, o que sugere que Tōgō desejava que suas unidades mais poderosas entrassem em ação primeiro.
Primeiro Contato e Descoberta
Para tentar passar despercebida para Vladivostok, a frota russa alterou seu trajeto, saindo dos canais regulares de transporte marítimo. Na noite de 26 para 27 de maio, a frota russa alcançou o Estreito de Tsushima, sob uma espessa neblina que poderia ter sido uma vantagem. No entanto, às 02h45 JST, o cruzador auxiliar Shinano Maru avistou três luzes no horizonte, que investigou. As luzes pertenciam ao navio hospitalar Oryol, que, conforme as leis de guerra, as mantinha acesas. Às 04h30, o Shinano Maru se aproximou, notando que o Oryol não portava armas e parecia ser um auxiliar. O Oryol, confundindo o Shinano Maru com outro navio russo, não tentou notificar a frota, mas sim sinalizou que havia outras embarcações próximas. O Shinano Maru então avistou dez outras embarcações russas na névoa. A frota russa foi descoberta, e qualquer chance de alcançar Vladivostok sem ser detectada desapareceu.
Início da Batalha Principal
Às 06h34, antes de partir com a Frota Combinada, o Almirante Tōgō enviou uma mensagem confiante ao ministro da marinha em Tóquio: "Acabo de receber notícias [por radiotelegrafia] de que a frota inimiga foi avistada. Nossa frota irá prosseguir imediatamente para o mar para atacar o inimigo e destruí-lo. O tempo hoje está bom mas as ondas estão altas." Simultaneamente, toda a frota japonesa se fez ao mar, com o Almirante Tōgō em seu navio-almirante Mikasa liderando mais de quarenta embarcações para encontrar os russos. As embarcações batedoras japonesas enviavam relatórios por rádio a cada poucos minutos sobre a formação e o curso da frota russa, apesar da névoa e do mau tempo que reduziam a visibilidade. A radiotelegrafia concedeu aos japoneses uma vantagem crucial, conforme Tōgō destacou em seu relatório sobre a batalha.
Batalha à Luz do Dia
Os russos navegaram de su-sudoeste para nor-nordeste, "continuando a um ponto de interseção que possibilitou somente a seus canhões de proa o enfrentamento; permitindo a ele [Togo] interromper a maioria da artilharia russa sucessivamente fora de combate". A frota japonesa se dirigiu do nordeste para o oeste. Tōgō ordenou que a frota virasse em sequência, permitindo que seus navios tomassem o mesmo caminho que os russos, embora arriscando cada encouraçado consecutivamente. Essa manobra foi bem-sucedida. Rozhestvenski tinha apenas duas alternativas: "uma investida direta, num alinhamento lado-a-lado", ou iniciar "uma batalha campal formal". Ele escolheu a última, e às 14h08, o navio-almirante japonês Mikasa foi atingido a cerca de 7.000 metros, com os japoneses revidando a 6.400 metros. A artilharia japonesa demonstrou sua superioridade, danificando a maioria dos encouraçados russos. Como os combates navais tradicionalmente se iniciavam a distâncias consideravelmente curtas, Tōgō imediatamente obteve a vantagem da surpresa.
Ataques Noturnos e Perdas Russas
À noite, por volta das 20h00, 21 contratorpedeiros e 37 barcos torpedeiros japoneses lançaram-se contra os russos. Os contratorpedeiros atacaram pela vanguarda, enquanto os torpedeiros atacavam a partir do leste e sul da frota russa. Os japoneses foram agressivos, mantendo seus ataques por três horas sem pausa. Consequentemente, durante a noite, ocorreram várias colisões entre as pequenas embarcações e os navios de guerra russos. Os russos foram dispersos em pequenos grupos, tentando seguir para o norte. Às 23h00, parecia que os russos haviam desaparecido, mas eles revelaram suas posições para seus perseguidores ao ligarem seus holofotes – ironicamente, os holofotes foram acesos para detectar os agressores. O velho encouraçado Navarin atingiu uma mina e foi obrigado a parar; subsequentemente, foi torpedeado quatro vezes e afundou. De uma tripulação de 622, apenas três sobreviveram para serem resgatados pelos japoneses.


