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Barco torpedeiro

Um barco torpedeiro ou, simplesmente, torpedeiro é um embarcação de guerra relativamente pequena e rápida, concebida especialmente para lançar torpedos contra navios de maiores dimensões.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Torpedeiros de torpedos de haste

A Guerra Civil Americana assistiu ao aparecimento de uma série de inovações na guerra naval, incluindo os primeiros torpedeiros, armados com torpedos de haste. Em 1861, o presidente Abraham Lincoln ordenou um bloqueio naval aos portos dos Estados Confederados da América, no sentido de evitar que os sulistas rebeldes obtivessem material de guerra no exterior. Como os sulistas não dispunham dos meios para construir uma esquadra naval capaz de fazer frente à marinha federal, adoptaram a estratégia de desenvolver torpedeiros, embarcações pequenas e rápidas concebidas para atacar os navios de guerra federais, como forma de furar o bloqueio. O CSS David , lançado em 1863, e subsequentes embarcações da mesma classe eram torpedeiros de propulsão a vapor com um casco parcialmente fechado. Não eram verdadeiros submarinos, mas eram semi-submersíveis já que, com balastro, apenas a chaminé e uma reduzida parte do casco permaneciam acima da linha de água. Numa noite escura e queimando carvão de antracite, sem fumo, estes torpedeiros eram virtualmente invisíveis. O David foi batizado em honra da personagem bíblica que enfrentou o gigante Golias.

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Torpedeiros de torpedos automóveis

Os primeiros protótipos do torpedo automóvel - hoje, chamado, simplesmente, "torpedo" - foram criados por Ivan Luppis, um oficial da marinha austríaca, originário de Fiume (atualmente Rijeka na Croácia) então, um importante porto e base naval do Império Austro-Húngaro. Em 1860, ele apresentou o salvacoste (salva-costas), uma arma flutuante, dirigida por cordas, a partir de terra. Este projeto não foi adotado pela marinha. Entretanto, Luppis conheceu Robert Whitehead, um engenheiro inglês, gerente de uma fábrica em Fiume e, em 1864, estabeleceu um contrato com este, de modo poder aperfeiçoar a sua invenção. O resultado foi uma arma submarina batizada de Minenschiff (literalmente: "navio mina", em Alemão). A Minenschiff foi o primeiro torpedo verdadeiramente autopropulsado, oficialmente apresentado a 21 de dezembro de 1866. Durante a década de 1880, os navios de linha à vela e em madeira foram, definitivamente, substituídos pelos couraçados, grandes navios a vapor, pesadamente armados e protegidos por uma forte blindagem. O seu desenvolvimento culminou, em 1906, com o lançamento do HMS Dreadnought, um couraçado armado apenas com peças de artilharia de grande calibre. O elevado peso da blindagem destes navios, tornou-os lentos. Por outro lado, a penetração da sua blindagem, só poderia ser feita por projéteis disparados por peças de grande calibre, que dispunham de uma rapidez de tiro muito baixa.

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Contratorpedeiros

A introdução do torpedeiro provocou uma grande agitação nas marinhas de todo o mundo, levando à instalação, a bordo dos principais navios de guerra, de armas de menor calibre, mas de tiro rápido, para proteção contra a nova ameaça. Ao mesmo tempo começaram os trabalhos de desenvolvimento de pequenas embarcações destinadas, especificamente, a combater os torpedeiros. Eventualmente, na década de 1880, foi criada um novo tipo de navio, o contratorpedeiro. O primeiro contratorpedeiro do mundo foi o espanhol Destructor, desenhado por Fernando Villaamil e lançado em 1886. Este navio era, essencialmente, uma canhoneira de 58 m de comprimento e 350 t, capaz de atingir os 22,5 nós e armada com peças de tiro rápido, metralhadoras e dois tubos lança-torpedos. Os projetos posteriores, de contratorpedeiros, serão baseados, não em canhoneiras mas, nos próprios torpedeiros, aumentando-se o seu deslocamento e melhorando-se a sua capacidade oceânica. Serão assim o japonês Kotaca, lançado em 1887 e o britânico HMS Havoc, lançado em 1892.

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Torpedeiros rápidos

Antes da Primeira Guerra Mundial, eram usados torpedeiros a vapor, que se tinham vindo a tornar maiores e mais bem armados. O motor de combustão interna gerava muito mais potência, para o mesmo peso e tamanho, que as máquinas a vapor, permitindo o desenvolvimento de um novo tipo de embarcações pequenas e rápidas. Estes motores potentes permitiam o aproveitamento de projetos de cascos hidroplanadores, capazes de permitir uma velocidade muito superior, sob as adequadas condições do mar, à dos cascos tradicionais. O resultado foi um pequeno torpedeiro com 15 m a 30 m de comprimento, atingindo uma velocidade de 30 a 50 nós, armado com dois a quatro torpedos em lançadores fixos e com várias metralhadoras. Este tipo de torpedeiros manteve a sua eficácia durante a Segunda Guerra Mundial. Eram deste tipo os torpedeiros britânicos MTB (motor torpedo boats), os alemães S-Boote (Schnellboote, designados E-boats pelos Britânicos), os italianos MAS (motoscafo armato silurante) e os norte-americanos PT (patrol torpedo boats).

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Embarcações de ataque rápido modernas

Embarcações de guerra semelhantes a torpedeiros ainda estão, atualmente, em uso, mas armadas com mísseis antinavio com maior alcance, que podem ser usados contra alvos a uma distância de 30 km a 70 km. Isto reduz a necessidade de uma perseguição a alta velocidade e dá às embarcações mais espaço de manobra, durante a aproximação aos seus alvos. As aeronaves continuam a constituir uma grande ameaça, tornando o uso de embarcações de ataque rápido contra qualquer esquadra com cobertura aérea, num risco muito elevado. A reduzida altura do mastro do radar torna difícil a aquisição e o rastreamento de um alvo, mantendo, ao mesmo tempo, uma distância segura. Como resultado as embarcações de ataque rápido têm vindo a ser substituídas por corvetas, maiores que têm a capacidade de levar mísseis antiaéreos para autodefesa e helicópteros para designar alvos para lá do horizonte. Apesar dos torpedeiros terem desaparecido da maioria das marinhas do mundo, mantiveram-se, até recentemente, em forças navais a operar em determinados ambientes especiais, nomeadamente no mar Báltico. As águas confinadas e as interferências radio-eletromagnéticas com origem em terra, do Báltico, neutralizavam a vantagem, em termos de alcance, dos mísseis antinavio. Operando próximos da costa, apoiados por cobertura aérea e de radar baseadas em terra e - no caso da marinha norueguesa - escondidos em bases escavadas nos flancos de fiordes, os torpedeiros mantinham-se como um dissuasor económico e viável contra ataques anfíbios.

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