Batalha de Marengo
A Batalha de Marengo foi travada no dia 14 de Junho de 1800, durante a Segunda Campanha de Napoleão em Itália. Esta batalha foi uma importante vitória das forças francesas, sob o comando de Napoleão Bonaparte, porque obrigou os austríacos a aceitarem a derrota da campanha e a se retirarem do norte da Itália.
Após a assinatura do Tratado de Campoformio (1797), que punha um fim à Guerra da Primeira Coligação (1792-1797), a França continuou a expandir-se em Itália. Depois da assinatura daquele tratado os Franceses ocuparam Roma e proclamaram a República Romana (1798-1799). No mesmo ano ocuparam Nápoles e fundaram a República Napolitana. Ainda nesse ano de 1799, as tropas do Exército do Oriente, sob o comando de Napoleão Bonaparte, ocuparam Malta e invadiram o Egito. Esta expansão alarmou as outras potências europeias e levou à formação da Segunda Coligação. Os confrontos entre Austríacos e Franceses começaram antes de a Segunda Coligação estar concluída. No Norte de Itália, os exércitos austríaco e russo, sob o comando do General Alexander Suvarov, infligiram várias derrotas aos Franceses que perderam praticamente todos os ganhos da Primeira Campanha de Napoleão em Itália. No entanto, na Suíça, a 25 de Setembro, o General Massena derrotou as forças russas do General Korsakov. Suvarov dirigiu-se para a Suíça mas os Franceses impediram-no de atravessar os Alpes. A Norte, a expedição anglo-russa sob o comando do Duque de York, que tinha desembarcado na República Batava, foi obrigada a retirar. Esta sucessão de derrotas e as divergências nos objetivos da guerra levaram o casar Paulo I a retirar a Rússia da Segunda Coligação. Embora os Franceses tenham perdido as suas anteriores conquistas em Itália, a realidade é que se verificou uma grande falta de coordenação entre as forças da Coligação.
Marengo é uma aldeia do Nordeste de Itália, Província do Piemonte, situada cerca de 4 km a Leste de Alexandria, perto da confluência dos rios Tanaro e Bormida. Trata-se da referência que deu o nome a esta batalha. Os combates, no entanto, estenderam-se numa frente entre Marengo e Castel-Ceriolo e para Leste até San Giuliano Vecchio. Na época em que se deu a batalha, o terreno entre San Giuliano e o Rio Bormida era levemente ondulado e descia até à planície na margem do rio, onde cresciam alguns bosques. Para além deste, a cerca de 11 km à frente, podiam ser vistas as muralhas e as torres de Alexandria. Este terreno estava cultivado com cereais, oliveiras e vinhas e existiam várias quintas com os seus muros altos. Em San Giuliano passa uma estrada no sentido Este-Oeste, com uma bifurcação que passava por Marengo; uma outra estrada, para sul vai em direção a Novi e, para norte, em direcção a Sale. A ausência de diques de irrigação tornava este terreno, em geral, apropriado para a cavalaria. A norte de Marengo, junto ao rio, os terrenos tinham zonas pantanosas.
As forças francesas
As forças francesas estavam sob o comando de Napoleão Bonaparte e eram constituídas pelo Exército de Reserva e um destacamento do Exército do Reno que não chegou a participar na batalha. Assim, as tropas francesas que estiveram presentes na Batalha de Marengo tinham um efectivo de 28 127 homens e estavam organizadas emː
As forças austríacas
As forças austríacas estavam sob o comando do general Michael von Melas. Na Batalha de Marengo participaram 23 294 homens de infantaria, 5 202 de cavalaria e 600 de engenharia. Os austríacos dispunham ainda de 92 bocas de fogo de artilharia. As tropas austríacas atacaram organizadas em três colunasː
Localização, dispositivo e planos
Napoleão Bonaparte tinha poucas informações sobre a situação das unidades austríacas e, quando estas atacaram, os Franceses foram surpreendidos e as suas unidades encontravam-se muito dispersas. O general Suchet, que comandava a parte do Exército de Itália que não tinha ficado cercada em Génova, encontrava-se nos Apeninos ocidentais onde podia controlar os desfiladeiros de Scrivia e Bocchetta e a estrada para Génova. Esta cidade encontrava-se na posse dos austríacos desde 4 de Junho. O corpo de tropas sob o comando do general Bon-Adrien Jeannot de Moncey, destacado do Exército do Reno, encontrava-se a norte do Rio Pó a vigiar as passagens daquele rio bem como as do Rio Ticino. Napoleão encontrava-se em Stradella, cerca de 5 km a sul do Rio Pó. O seu objetivo era cortar todas as linhas de retirada de Melas e, para isso, não manteve o seu exército reunido. Imediatamente disponíveis estavam as tropas de Murat, Victor, Lannes e Desaix. A uma distância que não permitia estabelecer contacto, encontravam-se o corpo de tropas de Moncey e as divisões de Chabran (Corpo de Victor), de Thureau (Corpo de Desaix) e de Loison ou seja, cerca de 23.000 homens.
O ataque austríaco
Ao amanhecer do dia 14 de Junho, a coluna do general O'Reilly, que constituía a testa de ponte, atacou as tropas de Gardanne em Pietra Bona. Para permitir um avanço tão rápido quanto possível das outras colunas para a margem oriental do Bormida, os austríacos construíram duas pontes provisórias. No entanto, a fortificação da testa de ponte tinha apenas uma passagem para as tropas poderem desenvolver o dispositivo de ataque e, assim, demoraram algum tempo a colocar todas as forças em posição. Só pelas 08h00 o ataque atingiu as restantes forças de Victor-Perrin. O ataque foi forte e os franceses retiraram para Marengo. Melas teve conhecimento de que as tropas de Suchet se encontravam em Acqui e receou que a sua retaguarda fosse ameaçada. Assim, destacou uma força de 2 200[nota 6] homens de cavalaria para enfrentar aquele perigo. Quando todas as tropas se encontravam dispostas no terreno, prontas para avançar, foi lançado o ataque aos franceses que se encontravam em Marengo. Os combates foram muito violentos mas as tropas de Victor-Perrin, apoiadas pela cavalaria de Kellermann, conseguiram resistir.
Da quase derrota à vitória francesa
Os austríacos demoraram muito tempo a organizar a coluna para perseguir os franceses. Depois, quando se dirigiram para San Giuliano, fizeram-no em coluna de marcha e não em coluna de ataque. As tropas francesas em San Giuliano prepararam-se para recuar para Torre de Garofoli. Finalmente, Desaix, com a divisão do general Boudet (5 300 homens), apareceu vinda de Rivalta. As ondulações do terreno permitiram-lhe ocultar o seu movimento e surpreender o inimigo, eram pouco mais que 17h00. As tropas francesas formaram uma linha em que a ala esquerda assentava em San Giuliano. Marmont colocou a artilharia à direita de Desaix. Kellermann colocou-se entre as tropas de Desaix e as de Lannes. Este general, com alguns dos batalhões da divisão de Monnier, reformulou a frente do dispositivo para norte. A Guarda Consular colocou-se à retaguarda da ala direita de Lannes. A cavalaria de Champeaux formou em linha à retaguarda de Desaix. Victor-Perrin esforçou-se para conseguir reunir e formar uma segunda linha à retaguarda de Desaix com os batalhões que se encontravam dispersos.
De acordo com os dados fornecidos pelo general Berthier, os franceses sofreram 1 100 mortos e 3 600 feridos; 900 homens foram capturados ou desapareceram; o general Desaix morreu no campo de batalha; quatro outros generais foram feridos e, um deles, o general Champeaux acabou por falecer em Milão, a 28 de Julho, em consequência desses ferimentos. Os austríacos, por seu lado, sofreram 963 mortos, entre eles o general Haddick, e 5 518 feridos, entre os quais se encontravam 5 oficias generais e 238 outros oficiais. Foram capturados 2 921 austríacos. Os franceses capturaram também 13 bocas de fogo de artilharia e 13 carros de munições. Os austríacos, na retirada para Alexandria, abandonaram 20 bocas de fogo de artilharia no Rio Bormida. Esta foi a batalha mais sangrenta da campanha. As tropas austríacas e francesas no Norte de Itália só voltariam a defronta-se, nesta campanha, nos dias 25 e 26 de Dezembro, no confronto que ficou conhecido como Batalha do Rio Mincio ou Batalha de Pozzolo, travada já depois de assinado o armistício. Após a batalha de Marengo, o general Melas assinou uma convenção em Alexandria na qual se estabeleciam os termos do armistício em Itália. A paz entre a França e a Áustria só foi estabelecida no Tratado de Lunéville, assinado a 9 de Fevereiro de 1800, depois de as tropas austríacas sofrerem uma importante derrota na Batalha de Hohenlinden, na Baviera, a 3 de Dezembro desse ano.


