Batalha de Manzicerta
{{Info/Conflito militar |nome =Batalha de Manzicerta |conflito =guerras bizantino-seljúcidas |imagens_tamanho=295 |imagem =131 Bataille de Malazgirt.jpg |legenda =Representação da batalha numa iluminura de um livro francês do século XV, onde os cavaleiros são apresentados com vestes e armaduras contemporâneas da Europa Ocidental
Apesar do Império Bizantino ter permanecido uma entidade forte e poderosa durante a Idade Média, começou a declinar durante o reinado do militarmente incompetente Constantino IX (r. 1042–1055) e depois durante o reinado de Constantino X (r. 1059–1067). Durante o breve reinado de Isaac I (r. 1057–1059) foram feitas algumas reformas, que mais não fizeram do que apenas adiar a deterioração das forças armadas bizantinas. O primeiro contacto dos bizantinos com os seljúcidas ocorreu durante o reinado de Constantino IX, quando os seljúcidas tentaram tomar Ani, a capital arménia. O imperador bizantino acordou tréguas com o seljúcidas que duraram até 1064, quando estes conquistaram Ani. No reinado de Constantino X os bizantinos perderam para os seljúcidas a Arménia, em 1067, e depois Cesareia. Em 1068, Romano IV Diógenes tomou o poder em Constantinopla e, após ter feito algumas reformas militares rápidas, nomeou Manuel Comneno (sobrinho do falecido Isaac I) para comandar uma expedição contra os seljúcidas, autorizando-o a conquistar a cidade de Hierápolis Bambice, na Síria. Um ataque turco a Icónio foi repelido quando um contra-ataque bizantino lançado da Síria redundou em vitória. No entanto, a campanha acabou num fiasco, pois Manuel foi derrotado e preso por seljúcidas comandados pelo sultão Alparslano. Não obstante o fracasso da campanha, o sultão procurou rapidamente fazer a paz com os bizantinos, pois considerava que o seu principal inimigo era o Califado Fatímida e não tinha qualquer ensejo de se envolver em hostilidades desnecessárias com os bizantinos. Em 1069 foi assinado um tratado de paz entre os impérios seljúcida e bizantino.
Um dos acompanhantes de Romano na expedição era Andrónico Ducas, o co-regente e um rival direto de Romano. O exército era composto por cerca de 40 mil homens, repartidos da seguinte forma: cinco mil soldados profissionais bizantinos das províncias ocidentais e provavelmente o mesmo número das províncias orientais; 500 mercenários francos e normandos comandados por Roussel de Bailleul; mercenários turcos (pechenegues e cumanos) e búlgaros; infantaria sob o comando do duque de Antioquia; um contingente de tropas georgianas e arménias; e parte da guarda varegue. a 70 mil O número de soldados das unidades dos temas (thémata, províncias) tinha diminuído nos anos anteriores de Romano ascender ao poder, pois o governo central desviava recursos para recrutamento de mercenários por se considerar que havia menos risco destes se envolverem em golpes de estado ou lutas entre fações dentro do império. Mas até quando eram usados mercenários, estes eram dispensados depois dos combates para poupar dinheiro.
Romano não soube da perda de Tarcaniota e continuou a dirigir-se para Manzicerta, que conquistou facilmente em 23 de agosto. Os seljúcidas ripostaram com enérgicas incursões com arqueiros. No dia seguinte, algumas unidades comandadas por Briénio que procuravam alimentos descobriram o exército seljúcida e foram forçadas a retirar de volta para Manzicerta. O general arménio Basilácio (Basilakes) foi enviado com alguns cavaleiros ao local onde estaria o exército inimigo, pois Romano não acreditava que se tratasse do principal exército de Arslan. Os cavaleiros foram desbaratados e Basilácio foi feito prisioneiro. Romano colocou as suas forças em formação de batalha e mandou sair a ala esquerda, comandada por Briénio, que foi quase cercado pelos turcos que se aproximaram rapidamente e foi mais uma vez obrigado a retirar. As forças seljúcidas esconderam-se nas colinas próximas para ali passarem a noite, tornando praticamente impossível um contra-ataque por parte dos bizantinos.
Cativeiro de Romano Diógenes
Quando o imperador Romano IV foi conduzido à presença de Alparslano, este recusou-se a acreditar que aquele homem esfarrapado, ensanguentado e sujo fosse o poderoso imperador dos romanos. Depois de descobrir a sua identidade, o sultão pôs a sua bota em cima do pescoço de Romano e forçou-o a beijar o chão. Uma conversa famosa teria então tido lugar:[fonte confiável?] Romano: "Talvez te matasse ou te exibisse nas ruas de Constantinopla." Alparslano: "A minha punição é muito mais pesada. Eu perdoo-te e liberto-te." Alparslano tratou Romano com grande simpatia e voltou a oferecer os termos de paz que tinha apresentado antes da batalha.[carece de fontes?]
Apesar do desaire de Manzicerta ter sido uma catástrofe a longo prazo para o Império Bizantino, atualmente já não é encarado como o massacre que os historiadores presumiam anteriormente. Os académicos modernos estimam que as baixas bizantinas foram relativamente baixas, que muitas unidades sobreviveram intactas à batalha e passados alguns meses já combatiam noutros locais e que a maior parte dos prisioneiros de guerra foi libertada posteriormente. Sabe-se que todos os comandantes do lado bizantino (Andrónico Ducas, José Tarcaniota, Nicéforo Briénio, de Bailleul e, sobretudo, o imperador) sobreviveram e, à exceção de arcaniota, todos participaram em eventos posteriores — Andrónico voltou para a capital, Briénio e os outros, incluindo Romano, participaram na guerra civil que se seguiu. A batalha não mudou significativamente o equilíbrio de poder entre os bizantinos e os seljúcidas, mas o mesmo não aconteceu com a guerra civil que se lhe seguiu, que indiretamente foi vantajosa para os seljúcidas.


