Almuiz ibne Badis
Almuiz ibne Badis Aziri, nascido Xarafe Adaulá Almuiz ibne Badis foi o terceiro emir zírida de Ifríquia, que reinou entre 1016 e a sua morte.
Primeiros anos; confrontos com Hamade
Almuiz tinha apenas oito anos quando da morte do seu pai, Badis (r. 995–1016), a quem sucedeu. O território sob o domínio dos Zíridas tinha sido bastante reduzido durante o reino do seu pai devido às sucessivas secessões dos Zíridas de Granada, que o fizeram perder os territórios na Alandalus em 1012, e do tio do seu pai, Hamade, que fundou a sua própria dinastia (hamádida) no noroeste de África. Quando o jovem Almuiz se tornou emir, o emirado limitava-se à Ifríquia propriamente dita, conservando-se Cairuão como capital. Hamade, que já tinha ocupado Massila e Achir, a antiga capital zírida, fez o cerco de Bugia. Este cerco foi levantado quando Hamade foi informado de que as tropas de Almuiz marchavam contra ele. Hamade sofreu uma pesada derrota, que o obrigou a abandonar o seu acampamento e o seu irmão Ibrahim às mãos do adversário. Refugiou-se em Alcalá e conseguiu pôr fim às hostilidades. Em 1017, o filho de Hamade apresentou-se a Almuiz e pediu-lhe que cessasse a guerra.
Rutura com o Califado Fatímida e invasões hilálias
Até então os Zíridas tinham sido vassalos fiéis dos Fatímidas do Egito, mas o facto de estes suseranos não terem prestado qualquer apoio ao seu pai para enfrentar as secessões fez com que Almuiz mudasse de política, talvez por influência do seu primeiro mestre sunita (os Fatímidas eram xiitas) ou para satisfazer a opinião pública hostil ao xiismo na região de Cairuão. Almuiz rompeu com os Fatímidas em 1048 e declarou-se vassalo dos Abássidas. Esta declaração de obediência foi mais um sinal de rutura completa com o Cairo do que uma verdadeira união com Bagdade. O emir zírida proferiu publicamente imprecações contra os rafiditas ("desertores"),[nt 2] um termo pejorativo para os xiitas, e deu ordem para que estes fossem mortos. Durante um passeio a cavalo, estando a sua montada prestes a cair, ele evocou Abu Becre e Omar, o que foi interpretado como uma profissão de fé sunita e a multidão se lançou num massacre dos xiitas, descrito como "hediondo". Entretanto, o califa fatímida Almostancir Bilá enviou as suas repreensões a Almuiz, que respondeu lançando dúvidas sobre a origem dos califas fatímidas. Almuiz proibiu a menção ao nome de Almostancir Bilá nas mesquitas e mandou queimar as bandeiras do califa.
Últimos anos em Mádia
Em 1057, Almuiz procurou refúgio em Mádia, sob a proteção do emir hilálio do clã dos Banu Ria, cuja filha ele desposara há pouco. Chegado a Mádia, ficou hospedado na casa do seu filho Tamime, enquanto os Banu Hilal entravam em Cairuão, que saquearam. Durante esta estadia em Mádia, as revoltas multiplicaram-se no reino zírida. Em 1059, Sfax entregou o poder a um emir berguata. A cidade de Sousse proclamou-se independente e Tunes foi tomada por Anácer, neto de Hamade e filho de Bologuine ibne Maomé ibne Hamade, senhor de Alcalá. O governador de Gabès aliou-se a Muniz ibne Iáia, o emir dos Banu Ria. Almuiz ibne Badis morreu em 1062, o mesmo ano que o seu rival hamádida Bologuine. O seu filho Tamime ibne Almuiz sucedeu-lhe como quinto emir zírida.
Almuiz é apontado como tendo sido o autor do célebre “Kitab `umdat al-kuttab wa `uddat dhawi al-albab” ("Corpo dos Escribas"). É uma obra dividida em 12 capítulos que versa, entre outros assuntos, sobre a excelência da pena, a preparação de vários tipos de tintas, o fabrico de tintas coloridas, metálicas (incluindo as preparadas a partir de limalha de prata e álcool, escrita secreta, fabrico de papel, goma-arábica e cola.[nt 5]


