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Domiciano

Tito Flávio Domiciano foi imperador romano de 14 de setembro de 81 até a sua morte a 18 de setembro de 96. Tito Flávio Domiciano era filho de Tito Flávio Sabino Vespasiano com sua mulher Domitila e irmão de Tito, a quem ele sucedeu.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Biografia

Juventude

Nascido a 24 de outubro de 51, foi o terceiro filho de Tito Flávio Sabino Vespasiano e Domitila Maior. Seus irmãos eram Domitila Menor (nascida em 39) e Tito (também nascido em 39). As décadas de guerra civil que abalaram o império ao longo do século I a.C. contribuíram enormemente para a decadência da velha aristocracia romana, que foi gradualmente substituída no poder por uma nova nobreza provincial, durante a primeira parte do século I. Uma dessas famílias foi a dos Flávios, ou gens Flavia, que se elevou a partir de uma obscuridade relativa até a proeminência em apenas quatro gerações, adquirindo considerável riqueza e influência sob o reinado dos imperadores da dinastia júlio-claudiana. O bisavô de Domiciano, Tito Flávio Petro, serviu como centurião sob as ordens de Cneu Pompeu Magno, durante a Segunda Guerra Civil da República de Roma. A sua carreira militar terminou quando Pompeu foi derrotado de maneira esmagadora por Júlio César na Batalha de Farsália.

Ascensão da dinastia flaviana

A 9 de junho de 68, entre a crescente oposição do senado e o exército, Nero suicidou-se, terminando assim com a dinastia júlio-claudiana e desencadeando uma devastadora guerra civil conhecida como o "ano dos quatro imperadores". Em tal guerra, os quatro generais mais influentes do Império Romano — Galba, Otão, Vitélio e Vespasiano — disputaram sucessivamente o controle imperial. Informado da morte do último Júlio-Cláudio, bem como da nomeação como imperador de Sérvio Sulpício Galba, então governador da Hispânia Tarraconense, o futuro imperador decidiu pausar a sua campanha e enviar seu filho Tito a apresentar os seus respeitos ao novo imperador.

Imperador

Como imperador, Domiciano pôs pronto fim à falsa fachada de democracia republicana estabelecida pelo seu pai e estimulada durante o reinado do seu irmão. Fez do senado uma instituição obsoleta ao concentrar nas suas mãos os poderes governamentais. À margem do seu poder político, o seu papel como imperador abrangia os aspectos da vida cotidiana da sociedade romana. Constituía o referente cultural, bem como a autoridade moral. Ao embarcar-se numa série de ambiciosos projetos econômicos, militares e culturais destinados a restabelecer a glória que experimentou o império durante o reinado de Augusto, marcou o caminho para uma nova época de prosperidade imperial dirigida pelo governo dos "cinco bons imperadores".

Morte

O imperador foi assassinado a 18 de setembro de 96 como consequência de uma conspiração palaciana urdida por uma série de oficiais da corte. Suetônio oferece uma detalhada descrição do homicídio, afirmando que o líder dos conspiradores era o camareiro imperial Partênio. Este oficial inimistara-se com o imperador como consequência da execução do seu secretário Epafroditos. Os autores do crime foram um liberto de Partênio, chamado Máximo, e Estêvão, mordomo da sobrinha do imperador, Flávia Domitila. Não foi determinada com certeza a participação da guarda pretoriana, liderada por Norbano e Petrônio Segundo. Dentre eles, é sabido que este último tinha conhecimento do complô. A História Romana de Dião Cássio, escrita quase cem anos depois do delito, cita Domícia Longina entre os conspiradores. Porém, a fé e devoção que esta mulher sentiu pelo seu marido até mesmo depois da sua morte faz que a sua participação na conjura fosse pouco provável.

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Legado

Fontes antigas

A má relação que mantinha o imperador com as classes senatorial e aristocrática - com a que a maior parte de historiadores clássicos mantinham uma estreita relação - fez que estes oferecessem nas suas obras uma visão muito desfavorável do último dos Flávios. Por outro lado, historiadores coetâneos como Plínio, Tácito e Suetônio completaram as obras sobre o seu reinado depois que este terminasse, e após a emissão da damnatio memoriae. As obras de alguns poetas cortesões como Marcial e Estácio constituem os únicos testemunhos escritos durante o seu reinado. Apesar disso, não é surpreendente que, como consequência da posição dos autores dos poemas, estes escritos sejam uma mera coleção de bajulações; de fato chegam a comparar o imperador com um deus.

Revisionismo moderno

Esta visão do reinado de Domiciano ficou até os começos do século XX, quando os avanços arqueológicos e numismáticos deram aso a que os expertos voltassem a interessar-se pelo seu reinado. Foi nesta época que se advertiu a necessidade de revisar os escritos de Tácito e de Plínio. Em 1930 Ronald Syme ofereceu uma nova perspectiva sobre a política financeira deste imperador, considerada durante séculos um desastre. Durante o transcurso do século XX, voltaram-se a avaliar as políticas militares, administrativas e econômicas de Domiciano. Contudo, não se publicaram os escritos que expunham o resultado destes estudos até a década de 1990, quase cem anos depois da publicação do Essai sur le règne de l'empereur Domitien (1894), de Stéphane Gsell. A mais importante destas obras é The Emperor Domitian, escrita pelo historiador Brian W. Jones, que chega à conclusão, em sua monografia sobre o imperador, que este era um desapiedado embora eficiente autocrata. Este historiador afirma que durante a maior parte do seu reinado não existiu um sentimento hostil generalizado para o imperador ou para a sua administração. Somente uns poucos foram os que denunciaram a sua dureza; os mesmos que à sua morte seriam os que se atreveriam a exagerar o seu despotismo a fim de obter o favor da dinastia antonina.

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Fontes consultadas

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