Batalha de Cesar
A Batalha de Cesar foi uma batalha que decorreu a 23 de março de 1035 entre os exércitos de Bermudo III, Rei de Leão e os exércitos mouros de Abu Alcácime, Emir da Taifa de Sevilha, perto da aldeia de Cesar, Aveiro.
Imagem: Cesar Mascarenhas · BY-ND · Openverse
Depois das campanhas de Almançor no final do século X e início do século XI, toda a região a norte do Mondego tinha sido novamente subjugada e ocupada pelos mouros. Em 985 foi saqueada a cidade de Braga, e dois anos depois, numa campanha de razias sucessivas contra os reinos cristãos, Almançor capturou Coimbra, Seia, Viseu e Lamego. Posteriormente, raides viquingues e normandos na região do Minho e da Galiza no início do século XI, enfraqueceram em grande modo o poder bélico do Condado Portucalense e causaram grande instabilidade política dentro deste. Em 1009, após a grande fragmentação do Califado de Córdova, torna-se independente a Taifa de Badajoz, primeiro governada por um ex-escravo de nome Sabur, e usurpada pelo seu vizir Abedalá ibne Alaftas , que fundou a dinastia Aftácida . No ano de 1023, dá-se também a independência da Taifa de Sevilha por Abu Alcácime Maomé. Os filhos de Sabur fugiram para Lisboa, onde criaram a curta taifa de Lisboa, que logo foi reconquistada por Badajoz em 1034.
Perto do antigo Castro Calbo, vila de Cesar, deu-se o embate das forças muçulmanas e das forças cristãs comandadas por Bermudo III, a 23 de Março de 1035. Os exércitos de Bermudo III encontrava-se na posição mais elevada tendo a vantagem do terreno. Presume-se que os exércitos de Alcácime tenham ido ao encontro das hostes leonesas e portucalenses, o que infligiu grandes baixas no exército muçulmano que terá retirado depois da carga cristã. O desfecho da batalha foi uma vitória decisiva das forças de Bermudo III, que permitiu a este aniquilar a força expedicionária de Abedalá e travar a incursão muçulmana acima do Mondego. Segundo a Crónica dos Godos, o próprio rei da taifa de Sevilha, Abu Alcácime foi feito prisioneiro nesta batalha
Com a retirada dos exércitos muçulmanos da região acima do Mondego, Bermudo III planeia com a nobreza portucalense uma ofensiva para retomar os territórios perdidos até ao Mondego. No entanto, com a morte de Sancho III de Pamplona a 18 de outubro de 1035, Bermudo III decide dirigir-se rapidamente para Leão, onde foi imediatamente recebido como Rei de Leão, e começou uma campanha para recuperar Castela de Fernando. Com a ausência de Bermudo III, a ofensiva cristã perde o ímpeto e acaba por fracassar a sua contra-ofensiva. Apenas em 1057, com a Conquista das Beiras, é que existirá de facto uma ofensiva contra as taifas muçulmanas, de modo a retomar e reconquistar cidades como Lamego, Viseu, Seia, Coimbra entre outras.


