Batalha de Cerro Corá
A Batalha de Cerro Corá ou Aquidabanigui foi a última batalha da Guerra do Paraguai, travada no dia 1 de março de 1870, nas imediações de Cerro Corá, 454 quilômetros ao nordeste de Assunção. É notória por ter sido a batalha em que o marechal Francisco Solano López, presidente paraguaio, foi morto às mãos do Exército Imperial Brasileiro.
O conflito
A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado da América do Sul, envolvendo a Argentina, o Brasil e o Uruguai contra o Paraguai. Iniciou-se em novembro de 1864, quando Solano López autorizou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, que navegava no rio Paraguai e levava o presidente da província de Mato Grosso Frederico Carneiro de Campos. Em dezembro do mesmo ano, López ordenou a invasão desta província. Ao mesmo tempo, o presidente paraguaio coordenou ofensivas militares que acabaram por ocasionar a invasão de Corrientes, na Argentina e a invasão do Rio Grande do Sul, no Brasil. Tal ato hostil possibilitou a formação da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865, entre os países invadidos e o Uruguai. O ataque paraguaio a Corrientes e São Pedro do Rio Grande do Sul revelou-se um fracasso militar, obrigando as tropas de López a recuar para seu território, passando de atacantes a atacados pelas tropas da Tríplice Aliança. Neste meio tempo, ocorreu a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a Armada Imperial Brasileira desferiu uma grande derrota à Marinha do Paraguai que destruiu quase toda sua frota, impôs um bloqueio naval e isolou o país do mundo exterior.
À procura de Solano López
As batalhas de Piribebuy e Campo Grande foram os dois últimos grandes embates da guerra. O que restou dos soldados que delas participaram se juntou a Francisco Solano López, antes de rumarem para o arroio Hondo. A partir de lá, a coluna marchou para a Vila de Caraguataí, onde o presidente paraguaio proclamou a quarta capital do país. A esta altura, a superioridade numérica dos aliados permitiu que organizassem três colunas, com o intuito de flanquear a coluna de Lopez, atingindo os três caminhos que davam para Caraguataí. A primeira coluna, o 2.º Corpo de Exército sob o comando do marechal Vitorino José Carneiro Monteiro, vindo de Campo Grande, avançou pela picada de Caaguijuru, no caminho central da vila. A segunda coluna, uma força mista de argentinos e brasileiros comandados pelos generais Emílio Mitre e José Auto da Silva Guimarães, avançou à direita da primeira coluna. À esquerda marchava o 1º Corpo de Exército comandado diretamente pelo Conde d'Eu. Dionísio Cerqueira, à época alferes da coluna de Vitorino, testemunhou uma cena, que ele chamou de "quadro horroroso", quando se aproximaram da picada. Foram encontrados alguns soldados brasileiros mutilados e enforcados em galhos de árvores, sobre fogueiras que haviam carbonizados seus pés. Tal cena, segundo Cerqueira, "encheu de indignação a soldadesca".
Acampamento de Cerro Corá
No dia 8 de fevereiro de 1870, Francisco Solano López e sua coluna, composta de cerca de 500 pessoas - incluindo o vice-presidente Domingo Sánchez, os generais Bernardino Caballero, Isidoro Resquín, Francisco Roa e José María Delgado, além de mulheres e crianças, todos famintos e esfarrapados, munidos principalmente de lanças e espadas, - chegavam a Cerro Corá, um local de mata fechada e aflorações rochosas, localizada a 454 quilômetros ao nordeste de Assunção. Ao norte, sul e oeste estava o rio Aquidabán e o arroio Aquidabá-nigüi, seu afluente. O local escolhido por López para acampar recebeu o apelido de “circo de gigantescas rocas”, por um de seus seguidores. Pela particularidade de sua localização, Cerro Corá era uma região que favorecia a defesa, se esta fosse feita por tropas em condições; se não, tratava-se de uma verdadeira ratoeira, pois existiam apenas dois caminhos por onde se atingia o acampamento: a estrada que cruzava os passos do arroio Tacuara e do rio Aquibadán, no noroeste, e o caminho que vinha do território brasileiro, passando por Bella Vista, Dourados, Capivari e Ponta Porã, terminando em Chiriguelo a sudeste.
Coluna de ataque imperial
No dia 18 de fevereiro, uma coluna imperial com 2 000 ou 2 600 homens, sob o comando de Correia da Câmara, estava em marcha próximo a Bela Vista. O general soube que o acampamento de López estava em Cerro Corá, pelo coronel Bento Martins. Tal informação foi obtida por meio de desertores e prisioneiros. Diferente dos homens de López, a coluna do general brasileiro estava muito bem armada, apetrechada e alimentada. Diante das informações passadas pelos pasados,[nota 2] Câmara acreditou que a coluna paraguaia se dirigia para Dourados, no Mato Grosso. O general brasileiro então planejou um ataque em duas frentes: o grosso da tropa, sob o comando de Antônio Paranhos, atacaria pela frente, na estrada Concepción-Bella Vista-Dourados, enquanto Câmara avançaria pela retaguarda.
Tomada das posições defensivas
No dia 1º de março de 1870, às seis horas da manhã, o mariscal foi informado que a defesa do passo do arroio Tacuara fora atacada, e esta informação foi repassada à defesa de Aquidabán. O ataque foi confirmado por soldados em fuga que se dirigiam ao acampamento central, gritando que os "negros" haviam chegado. Em Tacuara, as forças imperiais, sob o comando do tenente-coronel Francisco Antônio Martins, atacaram pela retaguarda da posição, a baioneta, conquistando rapidamente a artilharia, sem esta ter disparado um único tiro. O ataque foi bem-sucedido pela prévia informação, vinda de desertores do acampamento, sobre onde o ataque seria mais eficaz. Uma vez que não houve tiro da artilharia, a informação da perda de Tacuara demorou para chegar aos ouvidos de López. O marechal paraguaio enviou dez homens, sob o comando do tenente-coronel Candido Solís, para ver o que se passava nesta posição, porém foram massacrados durante o trajeto. Pela demora em retornar, López incumbiu a mesma missão ao coronel Crisóstomo Centurión e ao comandante Ângel Riveros. Mal foi dada a ordem, ouviram-se tiros da defesa de Aquidabán, a poucos quilômetros de Tacuara. Apesar dos disparos da artilharia defensiva, nenhum imperial foi atingido e esta posição também foi tomada com facilidade.
Ataque ao acampamento
O ataque ao acampamento de Cerro Corá durou apenas 15 minutos. Ao meio-dia, as forças imperiais constituídas por cavalaria e infantaria, sob o comando do coronel João Nunes da Silva Tavares, avançaram para o centro do acampamento, encontrando Solano López, que estava montado em um cavalo, o coronel Panchito, alguns oficiais e o combalido batalhão de rifreros. Mesmo com pouca munição para atirar, Centurión comandou um grupo de cem rifreros, organizando-os em táticas de guerrilha. López e outros oficiais se posicionaram por detrás dos rifreros. Ao adentrarem no acampamento, os imperiais encontraram muitos soldados velhos, jovens, doentes, quase nus e semi-desarmados, e interromperam o ataque.
Morte de oficiais
Durante a fuga de López e sua família, o carro que levava sua esposa ficou para trás, a cerca de trezentos metros de distância, e seu filho, o nomeado coronel Juan Francisco Solano López,[nota 3] Panchito, de 15 anos, voltou para escoltá-la. Neste momento é alcançado por um ginete imperial e recebe a ordem de render-se, dada pelo tenente-coronel Francisco Antônio Martins. Até mesmo sua mãe o instou para se render aos brasileiros, porém ele se negou a fazê-lo. Iniciou combate com seu sabre, até ser atingido por uma bala. Nesta hora, depois de saltar e cobrir o corpo de seu filho, Elisa Lynch exclamou:"¿Ésta es la civilización que han prometido?", uma referência a alegação dos aliados de que pretendiam libertar o Paraguai de um tirano e oferecer liberdade e civilização ao país. Segundo a tradição oral, antes de ser executado Panchito teria dito a seguinte frase: "un coronel paraguayo no se rinde, jamás".
Remanescentes
O general Bernadino Caballero e seus 54 soldados não se encontravam no acampamento durante a batalha. Eles haviam sido enviados para buscar provisões para López, e nesta busca atravessaram a fronteira com o Brasil, pelo rio Apa. Em seu encalço estava a coluna do coronel Bento Martins. No dia 4 de abril, as forças brasileiras encontraram os paraguaios e os atacaram na fazenda Cândido Oliveira, na Colônia Militar de Miranda. Caballero fugiu da região e na fuga perdeu sua espada. O escritor Hernâni Nonato não registra baixas nesta ação em nenhum dos lados. No dia 8, os paraguaios se encontravam na vila de Bela Vista, ainda resistindo, porém, o general Caballero foi convencido de que Solano López estava morto, e assim se rendeu, com seus 54 soldados, ao major Francisco Xavier Marques. Estes foram os últimos soldados paraguaios a se renderam.
Prelúdio
O relato da morte de Francisco Solano López é cercado por algumas divergências e imprecisões sobre o que, de fato, ocorreu quando dos acontecimentos dentro da floresta, para onde fugiu. Ainda assim existem pontos em comum no relato de oficiais e combatentes paraguaios e imperiais. Após a derrota dos rifreros, López se dirigiu ao quartel-general, no centro do acampamento, e de lá, junto com o coronel Silverio Aveiro, o major Manuel Cabrera e o alferes Ignacio Ibarra, todos a cavalo, tentaram fugir, mas foram alcançados por alguns elementos da cavalaria imperial, pela esquerda, o que impediu uma fuga para o arroio Aquidabán-nigüí. Neste ato, os imperiais fizeram uma intimação para que Solano López se rendesse.
Relato do general Câmara
Os momentos finais da morte de Solano López foram testemunhados por poucos ou nenhum soldado paraguaio e por apenas alguns soldados imperiais, incluindo o general brasileiro Correia da Câmara. Ao fim da guerra, Câmara redigiu três relatórios contraditórios sobre a morte do presidente paraguaio. Ao marechal Vitorino José Carneiro Monteiro, o general imperial redigiu o primeiro relatório militar, chamado de parte, ainda no dia 1 de março, declarando, por duas vezes, que o marechal havia sido morto em sua frente, pois não aceitou se render, mesmo estando "completamente derrotado e gravemente ferido". Em um segundo relatório, datado de 13 de março, sugerira que ele morreu em decorrência de seus ferimentos, pois ao intimá-lo a se render, recebeu como resposta um golpe de espada. Após que ordenou a um soldado desarmá-lo, no momento "em que exalava o último suplício". No terceiro relatório, mais longo, detalhado e divulgado pelo governo imperial, o general Câmara diz que encontrou o major José Simeão de Oliveira e este o informou que López "se apeara e internara" na mata, já ferido durante a perseguição que enfrentara. O general, então, partira no encalço do marechal junto com dois soldados imperiais, encontrando-o à margem do arroio Aquidabán-nigüín, prostrado na barranca oposta. Em sua companhia, havia dois oficiais paraguaios que foram prontamente mortos por demonstrarem uma postura ofensiva.
Relato do coronel Silva Tavares
O então general João Nunes da Silva Tavares resolveu responder a um artigo publicado por Correia da Câmara no jornal Gazeta de Porto Alegre, no dia 8 de março de 1880, sobre a morte de Solano López. Ficou indignado com a proposta de Câmara, de que o marechal paraguaio teria um ferimento a bala no ventre advinda de tiroteio natural, enquanto este tentava atravessar o arroio, omitindo o fato de que ele fora ferido nesta parte do corpo por uma lança. Segundo Silva Tavares, tal relato se opunha "à verdade dos fatos...". Ele declarou que o general Câmara recebeu sua parte oficial do dia 2 de março de 1870, e nela relatava que López fugira para o mato, já ferido pela lança do seu comandado, o cabo Francisco Lacerda, vulgo "Chico Diabo".
Recompensa
A morte de Solano López era, em certo sentido, desejável pelo alto comando imperial, uma vez que Silva Tavares teria oferecido cem libras para quem matasse o marechal em combate. O próprio imperador Dom Pedro II aferrava-se à destruição do presidente paraguaio, não aceitando qualquer tipo de negociação. A Província do Maranhão também havia oferecido um prêmio, ainda maior, para quem executasse o "tirano" em combate. Silva Tavares deu todo o crédito pela morte de Solano López ao cabo de seu regimento Francisco Lacerda, vulgo Chico Diabo, mas divergiu disso anos depois. Ele teria recebido de seu superior cem novilhas em Bagé, entrando para a história como o responsável pela morte do marechal. Porém, o autor do disparo que, de fato, matou López, foi João Soares, cavaleiro. Este reivindicou também a recompensa, porém sem nenhum oficial para defendê-lo, teve o seu nome esquecido. Partes do corpo de Solano López, como orelha, dentes e um dedo foram arrancadas por soldados imperiais como troféus.
Imediatamente à batalha
Com o término da batalha e a morte de Solano López a guerra se encerrou. Após anos de conflito e sofrimento, as tropas brasileiras estavam eufóricas e perderam o autocontrole. Os soldados começaram a matar inocentes e atearam fogo no acampamento, matando doentes e feridos que lá se encontravam. Foram feitos cerca de 240 prisioneiros paraguaios, incluindo os generais Resquín e Delgado, tendo havido provavelmente mais de cem mortos. Entre os imperiais houve apenas sete feridos. Em 2 de março, as tropas imperiais levaram os prisioneiros para a vila de Concepción. No dia 4, as notícias sobre a morte de Solano López chegaram a Concepción, onde estava o Conde d'Eu. O príncipe consorte pôde finalmente retornar ao Rio de Janeiro. Foi realizado um baile em comemoração, com participação das melhores famílias entre a população da vila, que pareciam estar contentes com a morte do ditador, bem como com a participação de oficiais paraguaios antilopiztas. No Rio de Janeiro, a notícia da morte de López foi recebida com enorme alegria. Dom Pedro II recuperou sua abalada popularidade, e na noite da chegada da notícia, ele, sua esposa e a princesa Isabel caminharam pelas ruas da cidade, que estavam cheias de gente, bem iluminadas e enfeitadas com bandeiras. Recusou a iniciativa de comerciantes de construir uma estátua sua, aconselhando a usarem os recursos para a construção de escolas. O conde d'Eu chegou ao Rio em 29 de abril, com grande manifestação popular, promovida pelos liberais em detrimento dos feitos de Caxias, que era do partido conservador, apresentando Osório e o Conde como os vencedores da guerra.
Paraguai
Ao fim da guerra, o Paraguai estava devastado, além de ter perdido territórios disputados com os países vizinhos. A derrota, segundo Doratioto, causou "a ruptura definitiva de um modelo de crescimento econômico que significava, à época, as bases para uma formidável expansão capitalista em todo o sistema [produtivo] nacional". Mesmo após décadas, o país não conseguiu seguir, em comparação com os vizinhos, um ritmo de crescimento anterior à guerra. A destruição da economia paraguaia após a guerra foi tão profunda que seu impacto só se tornou evidente com o passar dos anos, quando países vizinhos, como Argentina e Uruguai, prosperaram com a consolidação de suas economias e o aumento das levas de imigrantes europeus. Fontes divergem sobre as perdas humanas, mas, em média, as estatísticas variam de 8,7% a 69% de uma população que contabilizava entre 285 715 e 450 mil habitantes. Isso significava que os mortos estão entre 28 286 no mínimo e 278 649 no máximo. O país ficou ocupado até 13 de maio de 1876, quando os últimos 1 894 soldados brasileiros foram retirados.
Aliados
O Império do Brasil enviou ao Paraguai cerca de 139 mil soldados, 1,5% da população da época; mais de 50 mil morreram e uns 10 mil ficaram inválidos. Houve um sentimento de patriotismo entre a população, que enchia as fileiras de combatentes no início da guerra. Nos grandes centros urbanos, bandeiras e o hino nacional se tornaram parte do cotidiano das pessoas. A figura do imperador estava fortalecida. A questão da navegabilidade no rio Paraguai foi resolvida, pondo um fim à ameaça de isolamento da província de Mato Grosso. Porém, financeiramente, o Brasil sofreu anos de retraimento econômico, devido aos gigantescos gastos com a guerra, que custou cerca de onze anos do orçamento público anual, o que explicaria o constante déficit entre as décadas de 1870 e 1880. Além disso houve uma consolidação do exército como nunca antes. Tal instituição foi responsável, anos mais tarde, pelo golpe que levaria a queda da monarquia e a instauração da república.
Revisionismos
No decorrer dos anos após a morte de Francisco Solano López, iniciou-se a construção de uma figura mítica sobre ele, variada de acordo com a época em que se passava. No início, prevaleceu a visão dos vencedores, de que López era um tirano, o único responsável pela guerra e pela destruição de seu país, reduzindo-o a mero tributário do Império do Brasil e da Argentina. No final do século XIX e início do século XX, surgiram pensamentos discordantes desta primeira interpretação, acusando-se o Império do Brasil como o responsável pela guerra, na figura de positivistas contrários ao regime monárquico. Nos anos 60, uma nova interpretação a respeito do líder paraguaio pairou-se entre movimentos de esquerda latino-americanos, que exaltavam López como um grande estadista e chefe militar anti-imperialista. Segundo tal revisionismo, López era um líder que combatia o imperialismo internacional, que tinha transformado o Paraguai pré-guerra em um país progressista, modernizando-o e trazendo um bem-estar social à população, fugindo das pretensões capitalistas da Inglaterra. De acordo com essa ideia, Argentina e Brasil haviam sido manipulados pelos ingleses para aniquilarem o desenvolvimento autônomo paraguaio. Esse entendimento foi ensinado a gerações de estudantes no Brasil, no sentido de que o imperialismo inglês destruiu o único estado economicamente autônomo da América do Sul.
Histórico
Logo após a morte de Solano López e o fim da Batalha de Cerro Corá até o final do século XIX, não se questionava entre os sobreviventes paraguaios que seu presidente havia empreendido de maneira imprudente uma guerra com os países vizinhos. Estes o odiavam a ponto de atribuírem a ele as causas do conflito. Porém, com o passar do tempo, desenvolveram-se novas visões a respeito da guerra; são os chamados revisionismos. No século XXI, Cerro Corá, nome que dá a ideia de uma faixa montanhosa cercada, se tornou uma palavra presente em vários campos da cultura paraguaia. Diversas ruas, lojas e empresas do país ostentam o nome. Além disso, Cerro Corá tornou-se um sinônimo de bravura e martírio do povo paraguaio, representado na figura do presidente Francisco Solano López. Ainda no Paraguai, o dia 01 de março é celebrado o Dia dos Heróis, com atividades durante todo o mês relembrando as batalhas da chamada Guerra de los 70. No Brasil, tal nome representou o fim vitorioso para uma longa e dura guerra, ainda que tenha se propagado de maneira raríssima. Para homenagear os soldados brasileiros que lá lutaram, foi dado o nome Cerro Corá a um município do Rio Grande do Norte em 1953. Em 2011, uma busca no Google Maps pelo termo Cerro Corá retornava dez ruas, uma avenida e uma ladeira no Brasil.
Cultural
Em 1978, foi produzido no Paraguai um filme de mesmo nome da batalha. Cerro Corá, dirigido por Guillermo Vera, foi financiado pela ditadura de Alfredo Stroessner e usado como propaganda para os ideais propostos pelo regime, tornando-se uma peça fundamental para o fortalecimento do revisionismo histórico no país. A produção cinematográfica é considerado um filme de destaque dentro do Paraguai. A obra retrata os últimos dias do conflito em 1869, apresentando uma tropa cansada formada basicamente por crianças e idosos. Logo no início do filme, é exposta a proposta da produção: “O filme é uma mensagem do governo e povo paraguaios em prol da compreensão das nações em paz e harmonia, ao demonstrar que as guerras não conquistam a livre determinação dos povos, ideal sublime que conduziu o Marechal Francisco Solano López ao seu épico final”. Isso demonstra o caráter revisionista da produção.


