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Guerra dos Cem Anos

A Guerra dos Cem Anos foi uma série de conflitos entre a Inglaterra e a França na Idade Média, originada por disputas dinásticas pelo trono francês. Inicialmente uma luta pelo poder entre as casas reais inglesa e francesa, evoluiu para um confronto maior envolvendo a Europa Ocidental e impulsionado pelo nacionalismo emergente de ambos os lados.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 04/08/2026

Pontos-chave

  • Disputa dinástica pelo trono francês entre as casas Plantageneta (Inglaterra) e Valois (França).
  • A guerra evoluiu de um conflito dinástico para uma luta de poder europeia, alimentada pelo nacionalismo.
  • A França possuía uma superioridade demográfica e agrícola significativa no início do século XIV.
  • A guerra viu o declínio dos exércitos feudais e o surgimento de exércitos profissionais e artilharia.
  • A vitória francesa resultou na expulsão dos ingleses do continente e no fortalecimento do nacionalismo em ambos os reinos.
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Forças da França

No século XIV, a França era a principal potência demográfica da Europa, com uma agricultura próspera e um sistema feudal hierárquico.

Reino da França no Século XIV

No início do século XIV, a França, com uma população de 16 a 17 milhões de habitantes, era a potência demográfica da Europa. Um censo de 1328 revelou 2.469.987 lares, cerca de 12 milhões de pessoas, e 32.500 paróquias. Paris sozinha tinha mais de 200.000 habitantes. O país beneficiava de um clima favorável, agricultura florescente e extensas bacias hidrográficas. O desmatamento para a agricultura, baseada num regime feudal e religioso hierárquico, era comum. O desenvolvimento da energia hidráulica e o uso de ferro, juntamente com novas técnicas agrícolas e o uso de cavalos em vez de bois, permitiam sustentar a população densa. A nobreza tinha o dever de defender as terras.

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Visão Geral da Guerra

A Guerra dos Cem Anos foi marcada por diversas fases, com vitórias e reveses para ambos os lados, além de eventos cruciais como a Peste Negra.

Origens do Conflito

As causas da guerra remontam à crise do século XIV e às tensões crescentes entre os reis da França e da Inglaterra sobre territórios. O pretexto oficial foi a extinção da linhagem masculina direta da dinastia capetiana. As tensões eram antigas, datando da conquista normanda de 1066, que fez os reis ingleses, de origem francesa, vassalos dos reis da França por suas terras continentais. Os reis franceses buscavam controlar o poder inglês na França, enquanto os ingleses tentavam expandir suas posses. Em 1337, apenas a Gasconha permanecia inglesa.

Fase Eduardiana (1337-1360)

Nos primeiros anos, os ingleses, liderados pelo Rei Eduardo III e seu filho Eduardo, o Príncipe Negro, obtiveram vitórias significativas, como em Crécy (1346) e Poitiers (1356), onde o Rei João II da França foi capturado.

Fase Carolina e a Peste Negra

Sob Carlos V, em 1378, os franceses reconquistaram a maior parte das terras cedidas no Tratado de Brétigny (1360). Nas décadas seguintes, a instabilidade política, a Peste Negra (1347-1351), que dizimou populações na França e Inglaterra, e uma crise econômica levaram a um período de agitação civil em ambos os reinos, com a Inglaterra se recuperando mais rapidamente.

Fase Lancastriana e Posterior

Henrique V da Inglaterra, aproveitando a doença mental de Carlos VI da França e a guerra civil francesa, retomou o conflito. Vitórias em Azincourt (1415) e Verneuil (1424), e uma aliança com os borguinhões, pareciam garantir o triunfo inglês. No entanto, as mortes de Henrique V e Carlos VI em 1422, o surgimento de Joana d'Arc, que elevou o moral francês, e a perda da aliança com a Borgonha impediram a vitória inglesa.

Conflitos Relacionados e Efeitos

Conflitos locais como a Guerra da Sucessão Bretã e a Guerra Civil Castelhana foram utilizados pelas partes em conflito. Ao final da guerra, exércitos feudais foram substituídos por tropas profissionais, e o domínio aristocrático deu lugar à democratização das forças armadas. A guerra estimulou o nacionalismo francês e inglês, e a artilharia ganhou importância, levando à criação dos primeiros exércitos permanentes na Europa Ocidental desde o Império Romano.

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Causas e Prelúdio

A guerra teve origens complexas, incluindo disputas sucessórias na França e o status das terras inglesas no continente.

Crise Sucessória Francesa (1316-1328)

A morte de Luís X em 1316 levantou a questão da sucessão feminina. Filipe V, irmão de Luís X, assumiu o trono, estabelecendo a inelegibilidade feminina para a sucessão, regra que passou para seu irmão Carlos IV em 1322.

Disputa pela Aquitânia

As tensões entre as coroas francesa e inglesa datam da conquista normanda de 1066. Os reis ingleses, como duques da Aquitânia, eram vassalos do rei francês, gerando conflitos constantes sobre soberania e posse de terras.

Gasconha sob o Rei Inglês

No século XI, a Gasconha foi incorporada à Aquitânia. Os reis angevinos da Inglaterra, como duques da Aquitânia, mantinham estas terras em vassalagem à coroa francesa. No século XIII, Aquitânia, Guiena e Gasconha eram sinônimos. Em 1327, apenas o Ducado da Gasconha permanecia sob o controle inglês.

Aliança Franco-Escocesa

A França e a Escócia mantinham a 'Velha Aliança' desde 1295, renovada em 1326. Esta aliança prometia apoio mútuo contra a Inglaterra. Em 1336, uma frota francesa ameaçou a Inglaterra, levando Eduardo III a planejar ações contra a Escócia e a Gasconha, e a enviar embaixadores à França.

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Início da Guerra (1337-1360)

O conflito começou com o confisco da Aquitânia pela França e batalhas navais e terrestres cruciais.

Fim da Homenagem

Em maio de 1337, Filipe VI da França confiscou o Ducado da Aquitânia, alegando que Eduardo III violara suas obrigações de vassalo. Em resposta, Eduardo III desafiou o direito de Filipe VI ao trono francês.

Canal da Mancha e Bretanha

Em 1340, a Batalha de Sluis resultou na destruição quase total da frota francesa, garantindo o domínio inglês do Canal da Mancha. A morte de João III, Duque da Bretanha, em 1341, desencadeou uma disputa de sucessão que manteve a guerra ativa.

Batalha de Crécy e Calais

Em 1346, Eduardo III invadiu a Normandia. Após saquear a região, o exército inglês cruzou o rio Somme e se posicionou para a batalha. Na Batalha de Crécy, os ingleses obtiveram uma vitória decisiva. A cidade de Calais foi posteriormente tomada pelos ingleses.

Batalha de Poitiers

Após a Peste Negra, em 1355, Eduardo, o Príncipe Negro, liderou um chevauchée devastador pela França. Em 1356, perto de Poitiers, ele enfrentou e derrotou o exército francês, capturando o Rei João II da França.

Campanha de Reims e Segunda-Feira Negra

Eduardo III invadiu a França visando Reims para sua coroação, mas a cidade resistiu. Após escaramuças nos subúrbios de Paris e a cidade de Chartres, a campanha não alcançou seus objetivos.

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Primeira Paz (1360-1369)

O Tratado de Brétigny estabeleceu uma trégua, mas a fuga de reféns e as disputas navarrenhas mantiveram a tensão.

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Ascendência Francesa (1369-1389)

Sob Carlos V, a França recuperou territórios, auxiliada por líderes militares como Bertrand du Guesclin.

Aquitânia e Castela

Em 1366, a Inglaterra apoiou Pedro I de Castela em uma guerra civil, enquanto a França apoiou Henrique de Trastámara, liderado por Bertrand du Guesclin. Eduardo, o Príncipe Negro, interveio em favor de Pedro I, restaurando-o ao poder após a Batalha de Nájera.

Campanha de João de Gante (1373)

João de Gante liderou uma expedição de Calais através da França. Apesar de sucessos iniciais, o exército inglês sofreu pesadas baixas devido à resistência francesa e às condições climáticas severas, chegando a Bordeaux com perdas significativas.

Tumulto Inglês

A saúde debilitada de Eduardo III e Eduardo, o Príncipe Negro, levou à sucessão de Ricardo II em 1377. Apesar das perdas territoriais, os franceses, sob Bertrand du Guesclin, empurraram os ingleses, que em 1380 detinham apenas Calais e alguns portos.

Tumulto Francês

Após as mortes de Carlos V e Bertrand du Guesclin em 1380, a França enfrentou instabilidade sob a regência de Carlos VI. A alta tributação para o esforço de guerra gerou revoltas, como as de Harelle e Maillotin em 1382.

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Segunda Paz (1389-1415)

A impopularidade da guerra na Inglaterra e a falta de fundos levaram a uma trégua de três anos, a Trégua de Leulinghem.

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Retomada da Guerra (1415-1429)

Henrique V da Inglaterra retomou a guerra, obtendo vitórias cruciais e aliando-se à Borgonha.

Aliança da Borgonha e Azincourt

Em 1415, Henrique V sitiou Harfleur e, em seguida, marchou para Calais. Na Batalha de Azincourt, apesar de em menor número, os ingleses infligiram uma derrota catastrófica aos franceses, com a morte de grande parte da nobreza Armagnac.

Sucesso Inglês

Henrique V retornou à França, atacando Meaux. Após a morte de Henrique V e Carlos VI em 1422, o filho de nove meses de Henrique V, Henrique VI, tornou-se rei da Inglaterra e, nominalmente, da França.

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Vitória Francesa (1429-1453)

Joana d'Arc inspirou o renascimento francês, levando à expulsão dos ingleses e ao fim da guerra.

Joana d'Arc e o Renascimento Francês

A aparição de Joana d'Arc no Cerco de Orleães em 1429 reanimou o espírito francês. Sob sua inspiração, os franceses levantaram o cerco e recapturaram fortalezas, abrindo caminho para a coroação de Carlos VII em Reims.

Coroações e Deserção da Borgonha

Henrique VI foi coroado rei da Inglaterra e da França. Joana d'Arc foi capturada e queimada em 1431. Em 1435, Filipe III de Borgonha desertou para o lado francês, assinando o Tratado de Arras, um golpe significativo para a soberania inglesa.

Ressurgência Francesa

Carlos VII centralizou o estado francês e reorganizou seu exército, substituindo tropas feudais por um exército profissional moderno. A artilharia francesa tornou-se a melhor do mundo, permitindo a rápida captura de castelos.

Conquista Francesa da Gasconha

Após a campanha na Normandia, Carlos VII focou na Gasconha. Bordeaux foi recapturada em 1451, mas brevemente retomada pelos ingleses em 1452. A decisiva Batalha de Castillon em 1453, com uso eficaz da artilharia francesa, selou a vitória francesa e a perda da Gasconha.

Fim da Guerra

Embora a Batalha de Castillon seja considerada o fim, a guerra formalmente durou mais 20 anos. A perda de propriedades continentais contribuiu para a Guerra das Rosas na Inglaterra. O Tratado de Picquigny em 1475 encerrou formalmente o conflito, com Eduardo IV renunciando à sua reivindicação ao trono francês.

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Significância

A guerra teve profundas consequências históricas e militares, moldando o nacionalismo e a organização militar na Europa.

Significado Histórico

A vitória francesa marcou o fim das posses inglesas no continente, exceto Calais. O inglês tornou-se a língua oficial em 1362, substituindo o francês como língua da elite. A guerra reforçou o nacionalismo em ambos os reinos.

Significado Militar

A França organizou o primeiro exército regular permanente na Europa Ocidental desde os tempos romanos em 1445. Este exército profissional, com abordagem disciplinada, substituiu as companhias de mercenários e as tropas feudais.

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Fontes consultadas

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