Batalha de Bakhmut
A Batalha de Bakhmut foi uma série contínua de confrontos militares perto da cidade de Bakhmut entre a Ucrânia e a Rússia durante a ofensiva do leste da Ucrânia, parte da Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Durante a invasão russa da Ucrânia em 2022, um dos principais objetivos russos era capturar a região do Donbas, que consiste nos oblasts de Donetsk e Luhansk. Após as batalhas de Severodonetsk e Lysychansk no início de julho, a Rússia e as forças separatistas capturaram todo o oblast de Luhansk, e o campo de batalha mudou para as cidades de Sloviansk, Bakhmut e Soledar. Antes da batalha em Bakhmut, o brigadeiro-general ucraniano Oleksandr Tarnavskiy afirmou que a Rússia tinha uma vantagem de cinco para um em número de tropas sobre a Ucrânia ao longo da frente oriental. A partir de 17 de maio, as forças russas começaram a bombardear Bakhmut, matando cinco pessoas, incluindo uma criança de dois anos. Após a queda de Popasna em 7 de maio, as forças ucranianas se retiraram da cidade para reforçar as posições em Bakhmut. Enquanto isso, as forças russas conseguiram avançar na rodovia Bakhmut-Lysychansk, colocando em perigo as tropas ucranianas restantes na área de Lysychansk-Severodonetsk. O posto de controle russo ao longo da rodovia foi posteriormente demolido, embora os combates tenham recomeçado em 30 de maio ao longo da rodovia Kostiantynivka-Bakhmut, onde as forças ucranianas defenderam com sucesso a rodovia.
Ofensivas russas e começo do cerco (agosto–outubro de 2022)
Em 1.º de agosto, as forças russas lançaram ataques terrestres maciços aos assentamentos aosudeste sul e de Bakhmut. Tanto o Ministério da Defesa da Rússia quanto as páginas pró-russas do Telegram afirmaram que a batalha de Bakhmut havia começado. No dia seguinte, a Ucrânia informou que as forças russas aumentaram os ataques aéreos e bombardeios da cidade, iniciando um ataque terrestre na parte sudeste da cidade. O bombardeio continuou até 3 de agosto. Em 4 de agosto, os mercenários do Grupo Wagner conseguiram romper as defesas ucranianas e chegar à rua Patrice Lumumba, na periferia leste de Bakhmut. Em 10 de agosto, as forças russas bombardearam a parte central da cidade, matando sete civis e ferindo outros seis. Muitos edifícios foram danificados no bombardeio. Nos dias seguintes, as forças russas continuaram avançando em direção a Bakhmut pelo sul, com o Estado-Maior ucraniano declarando em 14 de agosto que as forças russas haviam alcançado "sucesso parcial" perto de Bakhmut, mas não oferecendo detalhes.
Chegada do inverno e intensificação dos combates (novembro–dezembro de 2022)
Em novembro, com a chegada do inverno, os combates em torno de Bakhmut teriam decaído em condições de guerra de trincheiras, com nenhum dos lados fazendo avanços significativos e centenas de baixas relatadas diariamente em meio a ferozes bombardeios e duelos de artilharia. Em 10 de novembro, os ucranianos afirmaram que o Grupo Wagner havia sofrido quase 140 baixas nas últimas 24 horas, incluindo mais de 40 homens mortos, em combates perto de Bakhmut. Em 27 de novembro, o The New York Times relatou um alto nível de baixas para ambos os exércitos, também colocando o número de ucranianos feridos em 290 nas 36 horas anteriores. As forças russas romperam as linhas de defesa ao sul de Bakhmut no final de novembro, avançando em Opytne até 28 e 29 de novembro, iniciando uma pequena ofensiva ao sul de Bakhmut e capturando as aldeias de Andriivka, Ozarianivka e Zelenopillia. As tropas do Wagner atacaram Kurdyumivka, adjacente a Ozarianivka, com alguns milbloggers russos alegando que o assentamento foi capturado. As forças russas também atacaram posições ucranianas a sudeste de Bakhmut.
Queda de Soledar e quase cerco (janeiro–abril de 2023)
No começo de janeiro de 2023, o ritmo de combate e a taxa de fogo de artilharia no setor de Bakhmut diminuíram significativamente, com o jornal The Kyiv Independent observando que a batalha estava "quase culminando" no seu auge. Em 7 de janeiro de 2023, o líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, fez comentários em seu canal do Telegram sobre Bakhmut: "A cereja do bolo é o sistema de Soledar e Bakhmut". O governo dos Estados Unidos acreditava que os mercenários do Grupo Wagner estavam interessados no "sal e gesso" da região por "razões comerciais", o que explicaria parcialmente a obsessão de Prigozhin pela cidade. Em 16 de janeiro, forças russas conquistaram a cidade de Soledar, localizada a 20 km ao norte de Bakhmut. A captura dessa cidade permitiria ao exército russo e aos mercenários do Grupo Wager a cercar Bakhmut pelo flanco, cortando as linhas de abastecimento da Ucrânia e cercando a cidade. Quatro dias depois, tanto o Ministério da Defesa russo quanto os mercenários do Grupo Wagner afirmaram ter capturado Klishchiivka, um vilarejo localizado 9 km a sudoeste de Bakhmut, embora a Reuters não pudesse verificar independentemente as alegações na época.
A Rússia reivindica o controle de Bakhmut e combate nos flancos (maio de 2023)
Em 1.º de maio, Yevgeny Prigozhin afirmou no seu canal no Telegram que havia um grave problema de falta de munição para suas tropas Wagner, alegando que suas forças precisam de trezentas toneladas por dia. Em um post separado, ele disse que os mercenários do Wagner avançavam cerca de 120 metros em troca da perda de cerca de oitenta e seis combatentes. Quatro dias depois, a liderança do Grupo Wagner afirmou que começaria a retirar seus mercenários da luta em Bakhmut, citando a falta de munição e apoio do Kremlin. O líder checheno Ramzan Kadyrov afirmou que ofereceria seus próprios guerreiros para substituir os homens de Prigozhin nas linhas de frente. Em 7 de maio, contudo, Prigozhin afirmou que Valery Gerasimov, o comandante das forças armadas, retomaria a distribuição de munição de artilharia para as forças Wagner, o que permitiria a eles permanecer em Bakhmut e ainda disse que Sergey Surovikin estaria agindo como um intermediário entre o Grupo Wagner e o Ministério da Defesa da Rússia. O instituto ISW avaliou que Gerasimov provavelmente concordou em manter Kadyrov fora do alto comando russo e a situação mostrou que o Ministério da Defesa russo estava tendo dificuldade em comandar as forças Wagner no campo.
Luta nos flancos e contraofensivas (junho–novembro de 2023)
Em seu relatório de 1.º de junho, o ISW relatou que as forças russas lançaram novos ataques malsucedidos contra Orikhovo-Vasylivka e Bila Hora. Além disso, eles afirmaram que a vice-ministra da Defesa, Hanna Malyar, relatou em 31 de maio que as forças ucranianas mantêm o controle sobre os arredores do sudoeste e a entrada da cidade de Bakhmut. Por fim, eles observaram que somente noventa mercenários Wagner permaneciam na cidade e começaram a partir apenas em 5 de junho. Em seu relatório de 2 de junho, o ISW observou as alegações do coronel Serhiy Cherevaty de que as unidades russas não participaram do estilo de guerra de atrito que as forças Wagner tinham e que, em vez disso, os militares russos estavam engajando em uma estratégia defensiva. Prigozhin afirmou que as forças militares russas estavam tentando atacar suas forças usando minas antitanque. Ele alegou que nenhum de seus homens foi ferido nos ataques.
Forças militares
Existem poucos relatos sobre as unidades militares e as forças empregadas tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia durante a batalha. No entanto, há relatos de que o Grupo Wagner foi empregado pela Rússia durante os combates em torno de Bakhmut e especialmente durante os combates em maio, o que levou à alegada captura do centro da cidade. Prigozhin relatou que o Grupo Wagner empregou 35 mil mercenários regulares. Esse número foi complementado por 50 mil mercenários recrutados em prisões russas. Em 10 de janeiro de 2023, foi relatado que os defensores ucranianos eram cerca de 30 mil. Em 17 de abril, Prigozhin relatou que 80 mil tropas ucranianas estavam defendendo Bakhmut.
Baixas militares
No começo de dezembro de 2022, estimava-se que centenas de militares de ambos os lados eram mortos e feridos diariamente. O intenso bombardeio e os ataques frontais russos, com ganhos mínimos, foram comparados às condições da Primeira Guerra Mundial. Rússia e Ucrânia têm travado uma batalha de exaustão. No entanto, as perdas russas têm sido desproporcionais em comparação. Em 6 de março, uma avaliação da OTAN indicou que cinco vezes mais russos estavam sendo mortos, enquanto o governo ucraniano afirmava que os russos haviam "potencialmente" perdido sete vezes mais soldados do que a Ucrânia. No início de junho, o exército ucraniano aumentou essa afirmação para 7,5 vezes. O general Mark Milley, Presidente do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, ao comparecer perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes em 29 de março, descreveu as graves baixas infligidas às forças russas lá como um "massacre".
Mortes civis
No início de dezembro, apenas 7 mil dos 80 mil habitantes anteriores à batalha permaneciam em Bakhmut. Em 31 de maio, o prefeito da cidade, Oleksiy Reva, relatou que 204 moradores haviam sido mortos e 505 feridos desde o início da invasão, e apenas 500 moradores ainda permaneciam na cidade.
Campo de batalha
A Batalha de Bakhmut foi descrita como uma das batalhas mais sangrentas do século XXI, com o campo de batalha sendo descrito como um "vórtice" para os militares ucranianos e russos. Com baixas extremamente altas, muito pouco terreno conquistado e paisagens repletas de crateras causadas por artilharia, a mídia ocidental e o governo dos Estados Unidos compararam os combates em Bakhmut como nada visto desde a Primeira Guerra Mundial. O coronel aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Andrew Milburn, líder de um grupo voluntário estrangeiro na Ucrânia chamado Mozart Group, comparou as condições no interior de Bakhmut com Terceira Batalha de Ypres e a própria cidade com o Bombardeamento de Dresden na Segunda Guerra Mundial.
Forças e táticas
As forças de assalto russas consistiram principalmente por mercenários do Grupo Wagner e recrutas recém-mobilizados, conhecidos como mobiks. Em meados de novembro, houve relatos de que a Rússia poderia ter realocado algumas forças da frente de Kherson para áreas próximas a Bakhmut em apoio aos combatentes do Grupo Wagner, bem como reforços de forças recém-recrutadas, após a retirada russa de Kherson. Alegadamente, as forças do Wagner consistiam em uma maioria de ex-presidiários recrutados e mal treinados e uma minoria de contratados bem treinados servindo como comandantes de grupo que operavam com eficiência e criptografam comunicações de rádio. Alguns analistas compararam as táticas russas aos ataques de ondas humanas no estilo soviético, atacando asrepetidamente posições ucranianas com ondas de infantaria. Alguns soldados ucranianos alegaram que Wagner usam seus ex-presidiários recrutados da primeira onda como "isca humana" para revelar as posições ucranianas, com aqueles que se recusaram a avançar sendo ameaçados de "execução" por pelotões de fuzilamento ou tropas de barreira e aqueles que eram feridos nos ataques geralmente não eram resgatados.
Valor estratégico
O real valor estratégico de Bakhmut tem sido considerado duvidoso por muitos analistas. Após a contraofensiva de Kharkiv e a libertação de Kherson, Bakhmut permaneceu uma das poucas áreas onde a Rússia estava na ofensiva no final de 2022. Muitos analistas acreditam que o principal motivo é que o Grupo Wagner provavelmente recebeu a tarefa de capturar Bakhmut pelo Kremlin, e isso poderia trazer recompensas monetárias e políticas significativas para seu líder Yevgeny Prigozhin. Zelensky atribuiu tanto valor tático quanto simbólico a Bakhmut, chamando-a de "fortaleza de nossa moral" e recusou-se a ordenar uma retirada tática da cidade em março de 2023, afirmando que sua captura daria à Rússia uma "estrada aberta" para cidades importantes no leste da Ucrânia. Outras fontes descreveram como a importância da cidade "não pode ser subestimada", detalhando como a cidade está localizada em uma bifurcação apontando para as maiores cidades do Donbas, como Kostiantynivka, Kramatorsk e Sloviansk.


