Batalha de Aráusio
A Batalha de Aráusio foi travada em 105 a.C. em Aráusio, moderna Orange (França), perto do rio Ródano. Os romanos enviaram dois exércitos consulares para interceptar a massa migratória de cimbros e teutões, comandados por seus reis Boiorix e Teutobode. Um dos exércitos era dirigido pelo cônsul Cneu Málio Máximo e o outro pelo procônsul Quinto Servílio Cepião. A falta de cooperação entre os dois comandantes resultou no maior desastre militar para os romanos desde a derrota para Aníbal na Batalha de Canas mais de um século antes. Os romanos perderam cerca de 80 000 legionários e praticamente todas as tropas auxiliares e seguidores do exército.
A migração das tribos germânicas de cimbros e teutões pela Gália depois da Batalha de Noreia alterou o equilíbrio de forças região. Os vencedores absorveram tribos menores e incitaram outras, como os helvécios, a um conflito contra Roma. Uma emboscada a um pequeno contingente de tropas romanas (Batalha de Burdígala) e uma rebelião temporária em Tolosa convenceram o Senado romano a mobilizar suas principais forças para enfrentar os invasores. Os germânicos, segundo os historiadores romanos, seriam cerca de 800 000, dos quais 200 000 eram guerreiros, uma cifra considerada um exagero pelos historiadores modernos. Depois de recuperar Tolosa partindo da Gália Narbonense, o procônsul Quinto Servílio Cepião adotou uma estratégia defensiva, esperando que os cimbros irrompessem em território romano, o que aconteceu em outubro de 105 a.C.. O cônsul Málio Máximo, com o seu exército consular, marchou para se juntar a Cepião às margens do Ródano e os dois tinham a missão de encerrar, de uma vez por todas, a ameaça de cimbros e teutões.
Cepião era um patrício da antiga e prestigiosa gente dos Cornélios e Málio era um homem novo sem antepassados nobres. Porém, como Málio era o cônsul, Cepião deveria se subordinar a ele nesta campanha. Ferido em seu orgulho, Cepião marchou até a outra margem do Ródano para indicar que não estava sob o comando de Málio. Enquanto isso, o cônsul enviou a sua cavalaria, cerca de 5 000 ginetes, sob as ordens de Marco Aurélio Escauro, para um outro acampamento, a 35 milhas para o norte, com o duplo objetivo de vigiar e desanimar os germânicos, mas o efeito foi o contrário do pretendido. Este novo acampamento foi cercado, invadido e tomado. Escauro foi capturado vivo e levado preso até Boiorix, rei dos cimbros. De forma arrogante, Escauro afirmou que Boiorix deveria fugir antes que seu povo fosse destruído pelos romanos. O rei, furioso, ordenou que ele fosse executado. Enquanto isso, Málio Máximo conseguiu convencer Cepião a mudar seu acampamento para a mesma margem do rio onde ele estava, mas Cepião insistia em ter seu próprio acampamento, que ele montou ainda mais perto do inimigo. A visão dos dois exércitos romanos provocou alguma hesitação em Boiorix, que deu início às negociações com o cônsul.
Os romanos eram um povo marcial e guerreiro, acostumado a sofrer perdas. Porém, a recente sequência de derrotas desastrosas que culminou em Aráusio provocou grande alarme em Roma. A derrota deixou Roma numa situação crítica tanto em recrutamento quando em equipamentos militares e com um terrível inimigo acampado do outro lado dos indefesos passos dos Alpes. Em Roma, a derrota de Aráusio foi atribuída muito mais à arrogância de Cepião do que a uma deficiência intrínseca no exército romano, e a insatisfação da plebe em relação aos patrícios acentuou-se. Logo depois da vitória, os cimbros enfrentaram os arvernos e marcharam para os Pirenéus ao invés de seguirem imediatamente para a península Itálica, o que deu aos romanos tempo para se reorganizarem. A escala catastrófica da derrota, que produziu uma enorme lacuna populacional entre patrícios e plebeus, inspirou o Senado e o povo de Roma a deixarem de lado as leis que impediam que uma pessoa fosse cônsul por duas vezes no intervalo de dez anos e imediatamente elegeram o experiente general Caio Mário, o vencedor da Guerra de Jugurta, como cônsul sênior in absentia apenas três anos depois de seu primeiro consulado. Em seguida, Mário foi re-eleito para mais três mandatos sucessivos para que pudesse continuar a guerra sem impedimentos.


