Batávia (navio de 1628)
O Batavia, navio-almirante da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) construído em 1628, naufragou em sua viagem inaugural em 1629 nas costas da Austrália Ocidental. Sua história é marcada por um motim, massacres e uma subsequente saga de sobrevivência e resgate, culminando em descobertas arqueológicas significativas.
Pontos-chave
- O Batavia foi um navio da VOC construído em 1628 e naufragou em 1629 em sua primeira viagem.
- A viagem inaugural do Batavia foi marcada por um motim planejado por Ariaen Jacobsz e Jeronimus Cornelisz.
- Após o naufrágio, Cornelisz liderou um período de terror e assassinatos entre os sobreviventes.
- O resgate e o julgamento dos envolvidos ocorreram nas ilhas próximas ao naufrágio.
- Descobertas arqueológicas revelaram partes do casco, canhões, âncora, artefatos e carga do navio.
Nos séculos XVI e XVII, os holandeses lideravam a construção naval na Europa, com inovações em design e tecnologia. Utilizavam a técnica "baseada no fundo", onde o revestimento externo inferior do casco era feito primeiro. Os navios da VOC, como o Batavia, eram construídos em estaleiros próprios, seguindo especificações detalhadas em cartas patente, que incluíam um revestimento duplo de carvalho e pinho para proteção contra o ataque de organismos marinhos.
Partindo em 29 de outubro de 1628, o Batavia dirigiu-se às Índias Orientais Holandesas pela Rota de Brouwer. A navegação era desafiadora devido à dificuldade em medir a longitude, aumentando o risco de encalhar na Austrália. A viagem foi marcada por tensões entre o capitão Francisco Pelsaert e o mestre Ariaen Jacobsz, além da presença de Jeronimus Cornelisz, um boticário fugitivo.
O Plano de Motim
Segundo Pelsaert, Jacobsz e Cornelisz planejaram tomar o navio para iniciar uma nova vida com o tesouro a bordo. Após a parada no Cabo da Boa Esperança, Jacobsz teria desviado o navio da rota. Um plano para incriminar Pelsaert envolveu o ataque a uma passageira, Lucretia Jans, mas ela não conseguiu identificar os agressores.
O Naufrágio
Em 4 de junho de 1629, o Batavia colidiu com um recife perto das Ilhas Abrolhos, na Austrália Ocidental. A maioria dos 322 passageiros e tripulantes sobreviveu inicialmente, sendo transferidos para ilhas próximas. A falta de água potável e alimentos limitados levou Pelsaert a buscar ajuda no continente, partindo com um grupo em um escaler sobrecarregado em direção a Batávia.
O Terror de Cornelisz
Jeronimus Cornelisz, um dos sobreviventes que chegou à Ilha Beacon, assumiu a liderança dos remanescentes. Ele planejava roubar qualquer navio de resgate e fundar um novo reino. Para isso, começou a eliminar sistematicamente os sobreviventes que poderiam se opor a ele.
Resgate e Confronto
Soldados liderados por Hayes encontraram água e comida na Ilha West Wallabi e, ao saberem dos massacres, improvisaram armas e construíram um forte. Cornelisz tentou eliminar essa ameaça, mas foi capturado por Hayes. Após confrontos, os soldados prevaleceram e capturaram o grupo de Cornelisz quando o navio de resgate Sardam chegou.
O Julgamento e Punição
Pelsaert realizou o julgamento nas ilhas. Cornelisz e seus cúmplices mais perigosos foram executados após terem as mãos decepadas. Outros, como Loos e Jan Pelgrom de Bye, considerados culpados de crimes menores, foram abandonados no continente australiano, tornando-se os primeiros europeus a viverem permanentemente ali.
O naufrágio do Batavia foi identificado pela primeira vez em 1963. Investigações arqueológicas sistemáticas a partir de 1971 recuperaram cerca de 20 toneladas de madeira do casco, além de canhões, âncora, cerâmicas, armas, equipamentos de cozinha, instrumentos de navegação e itens comerciais.
Tesouros Recuperados
O Batavia transportava uma carga valiosa, incluindo moedas de prata, prataria manufaturada (como armações de leito) e joias. Estima-se que cada navio da classe do Batavia carregasse cerca de 250.000 florins em prata, destinados à compra de especiarias. As moedas eram majoritariamente rijksdaalders de prata holandeses e de cidades alemãs.
Uma réplica fiel do Batavia foi construída entre 1985 e 1995, usando métodos e materiais do século XVII. Baseada em relatos, destroços e outras embarcações da época, a réplica serve como navio-museu em Lelystad, Países Baixos, desde o final de suas viagens comemorativas.
A história do Batavia inspirou diversas obras de não ficção, ficção, cinema, televisão e música, mantendo viva a memória deste trágico evento.
Não Ficção
Livros como "Voyage to Disaster" (1963) de Henrietta Drake-Brockman, "Islands of Angry Ghosts" (1966) de Hugh Edwards, "Batavia's Graveyard" (2001) de Mike Dash e "The Wreck of the Batavia" (2005) de Simon Leys detalham os eventos e a descoberta do navio.
Ficção
Romances como "The Wicked and The Fair" (1957) de Henrietta Drake-Brockman, "The Devil's Own" (1990) de Deborah Lisson e "Strange Objects" (1990) de Gary Crew exploram a história do Batavia, adaptando-a para diferentes públicos.
Cinema e TV
O naufrágio foi tema do filme "The Wreck of the Batavia" (1973) e de documentários como "The Batavia – Wreck, Mutiny and Murder" (1995) e "Batavia Revealed: Shipwreck Psycho" (2018). Uma adaptação cinematográfica do livro de Hugh Edwards também foi planejada.
Podcasts e Música
O incidente foi abordado em episódios de podcasts. Musicalmente, o conjunto holandês Flairck dedicou um álbum e turnê à viagem do Batavia, e a banda Deströyer 666 compôs uma música sobre o motim.
Música
O conjunto musical holandês Flairck baseou seu álbum de 1996, De Gouden Eeuw, bem como a subsequente turnê e apresentações teatrais, na fatídica viagem do Batavia. A banda de extreme metal Deströyer 666 compôs uma canção sobre o motim, intitulada "Batavia's Graveyard", integrante do álbum Never Surrender.


