Basílica de São Clemente de Latrão
San Clemente al Laterano ou Basílica de São Clemente é uma igreja titular e basílica menor de Roma, Itália, dedicada ao papa São Clemente I. Arqueologicamente falando, a estrutura é um complexo composto por três edifícios um sobre o outro: (i) a basílica atual, construída pouco antes do ano 1100, no auge da Idade Média; (ii) abaixo dela está uma basílica do século IV construída com base na casa de um nobre romano, parte da qual foi utilizada como igreja doméstica por um breve período no século I e cujo porão serviu como um mitreu, também por um curto período, no século II; e (iii) a casa de um nobre romano construída sobre as fundações de um edifício da era republicana destruído no Grande Incêndio de Roma em 64 d.C.
Esta antiga igreja foi transformada ao longo dos séculos, de uma residência que abrigava um local de adoração cristão clandestino no século I até uma grande basílica pública no século VI, refletindo o avanço do cristianismo no Império Romano, tanto em legitimidade quanto em poder. Os vestígios arqueológicos da história da basílica foram descobertos na década de 1860 por Joseph Mullooly, leitor em Teologia a partir de 1849 na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum).
Antes do século IV
Os níveis mais profundos da basílica atual abrigam os restos das fundações de um edifício da era republicana, provavelmente destruído no Grande Incêndio de Roma. Um outro edifício, de uso industrial — uma interpretação é que seria a casa da moeda de Roma, uma tese que se baseia num desenho do século XVI de um fragmento da planta em mármore severiana da cidade e que apresenta a legenda "MON." e que vem sendo contestada — foi construído no local durante o período flaviano. Logo em seguida, uma insula, uma casa de múltiplos andares também foi erguida ali e separada do edifício industrial por uma estreita viela. Cerca de cem anos depois (c. 200), a sala central da insula foi remodelada para ser utilizada como parte de um mitreu, um santuário dedicado aos mistérios mitraicos. A sala de culto principal do santuário (em latim: speleum - "caverna"), de 9,6 x 6 metros, foi descoberta em 1867, mas só pôde ser investigada em 1914 por que estava inundada e não havia como remover a água. A êxedra, a abside rasa na parede do fundo do espaço abobadado de baixo pé-direito, foi recoberta com pedra pomes para aumentar a similaridade do local com uma caverna.
Basílica antiga
Em algum momento do século IV, o nível mais baixo do edifício industrial foi preenchido com entulho e o segundo andar foi remodelado. Uma abside foi construída sobre da antiga insula, cujo nível inferior, incluindo o mitreu, também foi entulhado. Sabe-se que esta "primeira basílica" já existia em 392, quando São Jerônimo escreveu sobre uma igreja dedicada a "São Clemente", um cristão convertido do século I e considerado por patrologistas e historiadores eclesiásticos como sendo Tito Flávio Clemente, cônsul em 95 e membro da família imperial, mas que pode também ser o papa Clemente I ("Clemente Romano") ou outra pessoa de mesmo nome. Restaurações foram realizadas no século IV e novamente entre 1080 e 1099.
Segunda basílica
A moderna basílica foi reconstruída pelo cardeal Anastácio entre 1099 e c. 1120. Uma hipótese, hoje ultrapassada, defendia que a igreja original havia sido queimada durante o saque de Roma pelos normandos de Roberto Guiscardo em 1084, mas não há evidências de incêndio na basílica antiga. Uma possível explicação é que ela tenha sido preenchida com entulho e a nova igreja foi construída sobre ela por causa da associação do edifício com o antipapa Clemente III. Seja como for, a basílica atual é uma das mais decoradas de Roma. A entrada cerimonial — visitantes modernos utilizam uma entrada lateral — atravessa um átrio (B na planta) rodeado por arcadas e que atualmente serve como claustro, com edifícios conventuais à volta. De frente para o átrio está a fachada de Carlo Stefano Fontana (sobrinho de Carlo Fontana), com suas colunas antigas, e uma pequena torre sineira. A igreja em si conta com uma nave e dois corredores, separados por arcadas de antigas colunas de mármore ou granito decoradas em cosmatesco. A "schola cantorum" (E na planta) incorpora elementos de mármore reaproveitados da antiga basílica e atrás dela, no presbitério, está um baldaquino (H na planta), assentado sobre quatro colunas e acima da cripta com o santuário de São Clemente. A cátedra está na abside, coberta por mosaicos sobre o "Triunfo da Cruz", um dos mais importantes mosaicos romanos do século XII.


