Idries Shah
Idries Shah, também conhecido como Idris Shah, Saíde Idris al-Hashimi ou pelo pseudônimo Arkon Daraul, foi um prolífico autor e mestre da tradição Sufi. Com mais de trinta títulos publicados, sua obra abrangeu desde psicologia e espiritualidade até livros de viagem e estudos culturais, influenciando um público ocidental com seus ensinamentos adaptados à linguagem contemporânea.
Pontos-chave
- Idries Shah foi um autor e mestre Sufi com mais de 30 livros sobre diversos temas.
- Ele apresentou o Sufismo como uma sabedoria perene, adaptável a diferentes tempos e culturas.
- Shah utilizou histórias de ensino e humor para ilustrar a sabedoria Sufi, impactando psicólogos e escritores.
- Seus livros venderam mais de 15 milhões de cópias em doze idiomas, recebendo aclamação crítica e prêmios.
- Shah fundou o Instituto de Pesquisa Cultural (ICR) e a Sociedade de Estudos Sufi (SSS) para promover o estudo do pensamento humano.
A vida de Idries Shah foi marcada por uma intensa produção literária e um compromisso com a divulgação do Sufismo, mesmo após enfrentar sérios problemas de saúde. Ele faleceu em Londres em 1996, aos 72 anos, deixando um legado de mais de 15 milhões de livros vendidos globalmente e um impacto duradouro em diversas áreas.
Família e Juventude
Nascido em Simla, Índia, Idries Shah era filho do escritor e diplomata afegão-indiano Sirdar Ikbal Ali Shah e da escocesa Saira Elizabeth Luiza Shah. Sua família paterna, Sayyids Musavi, tinha raízes próximas aos Jardins Paghman de Cabul, e seu avô paterno, Saiyyid Amjad Ali Shah, era o Nawab de Sardhana. O título hereditário foi concedido a um antepassado, Jan-Fishan Khan, por serviços prestados aos britânicos. Shah passou a maior parte da juventude perto de Londres, acompanhando frequentemente seu pai em viagens que faziam parte do trabalho Sufi de Ikbal Ali Shah, o que lhe permitiu conhecer estadistas e figuras importantes do Oriente e Ocidente.
Vida Pessoal
Idries Shah casou-se com Cynthia (Kashfi) Kabraji em 1958. Eles tiveram uma filha, Saira Shah, em 1964, e, em 1966, gêmeos: um filho, Tahir Shah, e outra filha, Safia Shah.
Amizades e Publicações Iniciais
No final da década de 1950, Shah se conectou com círculos da Wicca em Londres, atuando como secretário de Gerald Gardner, fundador da Wicca moderna. Nesse período, ele recebia interessados em Sufismo em um restaurante em Londres. Em 1960, fundou sua editora, Octagon Press, publicando a biografia de Gardner, 'Gerald Gardner, Witch', escrita por Shah, mas atribuída a Jack L. Bracelin para evitar confusão entre seus alunos Sufi. Frederic Lamond, praticante de Wicca, relatou que Shah parecia desiludido com Gardner.
Conexão com Gurdjieff e John G. Bennett
Em junho de 1962, antes de publicar 'Os Sufis', Shah contatou membros do movimento Gurdjieff-Ouspensky. Um artigo de imprensa descreveu sua visita a um mosteiro secreto na Ásia Central, onde métodos semelhantes aos de Gurdjieff eram ensinados. Reggie Hoare, aluno de Ouspensky, contatou Shah, afirmando que Shah havia revelado segredos sobre o enneagrama do Quarto Caminho que superavam o que ele ouvira de Ouspensky. Através de Hoare, Shah conheceu outros gurdjieffianos, incluindo John G. Bennett, fundador do 'Instituto para o Estudo Comparativo de História, Filosofia e Ciências' em Coombe Springs.
Institutos e Estudos Sufis
Em 1965, Shah fundou a Sociedade para Compreender Ideias Fundamentais (SUFI), posteriormente renomeada para Instituto de Pesquisa Cultural (ICR), uma instituição educacional focada no estudo do pensamento e comportamento humano. Ele também estabeleceu a Sociedade de Estudos Sufi (SSS). Langton House, em Langton Green, tornou-se um centro de encontro para intelectuais, poetas e estadistas, onde o ICR realizava reuniões, palestras e concedia bolsas de estudo a estudantes internacionais, como Sir John Glubb e Robert Cecil.
Últimos Anos de Atividade
Nas décadas seguintes, Shah escreveu cerca de mais duas dúzias de livros, muitos baseados em fontes Sufi clássicas. Seus escritos, com grande circulação mundial, atraíram principalmente um público ocidental intelectualmente orientado. Ele traduziu os ensinamentos Sufi para uma linguagem psicológica contemporânea e acessível, e seus contos, que ilustravam a sabedoria Sufi através de anedotas, tornaram-se particularmente populares. Shah aceitou convites para lecionar como professor visitante em diversas instituições acadêmicas, incluindo a Universidade da Califórnia e a Universidade de Genebra.
Os ensinamentos de Idries Shah focavam na apresentação do Sufismo como uma sabedoria perene e dinâmica, adaptada aos tempos modernos. Ele utilizava histórias de ensino e abordava a cultura e a vida prática sob uma perspectiva que revelava fatores ocultos do comportamento humano, enfatizando a importância do trabalho prático e do autoconhecimento.
Livros sobre Magia e Ocultismo
Os primeiros livros de Shah, como 'Magia Oriental' (1956) e 'As Tradições Secretas da Magia: Livro dos Feiticeiros' (1957), eram estudos sobre o que ele chamava de 'crenças minoritárias'. Seus títulos originais foram alterados por 'exigências das práticas de editoras comerciais'. Segundo seu pai, a publicação desses livros visava evitar um renascimento da crença popular em magia e ocultismo, uma tarefa que Shah concluiu após anos de pesquisa.
Sufismo como Sabedoria Perene
Shah apresentava o Sufismo como uma forma de sabedoria perene que antecede o Islã, enfatizando sua natureza viva e adaptável a novos tempos e lugares. Ele citava Ahmad al-Badawi: 'As escolas Sufis são como ondas que quebram nas rochas: [são] do mesmo mar, em formas diferentes, para o mesmo fim'. Shah criticava as descrições orientalistas do Sufismo, argumentando que o estudo acadêmico de suas formas históricas não era suficiente para uma compreensão correta, e que a obsessão por essas formas poderia ser um obstáculo, comparando-a a 'mostrar a um homem demasiados ossos de camelo, ou mostrá-los a ele com demasiada frequência, e ele não será capaz de reconhecer um quando se depara com um camelo vivo'.
Histórias de Ensino
Shah utilizava histórias de ensino e humor de forma eficaz em seu trabalho, destacando a função terapêutica de anedotas surpreendentes e as novas perspectivas que elas revelavam. A leitura e discussão desses contos em grupo tornaram-se uma parte importante das atividades dos círculos de estudo organizados por Shah. A capacidade transformadora dessas histórias intrigantes, que desestabilizavam o modo normal e inconsciente de consciência do estudante, foi estudada por psicólogos como Robert Ornstein e Charles Tart, e influenciou escritores como Ted Hughes e Doris Lessing.
Ponto de Vista sobre Cultura e Vida Prática
A preocupação de Shah era revelar os fatores ocultos que determinam o comportamento individual. Ele criticava o foco ocidental nas aparências e superficialidades, que frequentemente refletiam apenas modas e hábitos, e chamava a atenção para as origens da cultura e as motivações inconscientes de indivíduos e grupos. Ele enfatizava como desastres temporários muitas vezes se transformam em bênçãos – e vice-versa – e como o conhecimento disso pouco afeta a resposta das pessoas aos eventos. Shah não defendia o abandono dos deveres mundanos; pelo contrário, argumentava que o autoconhecimento buscado pelos discípulos deriva das lutas da vida cotidiana, considerando o trabalho prático um meio para o 'auto trabalho', em linha com a adoção tradicional de profissões comuns pelos Sufis.
Legado Duradouro
Idries Shah considerava seus livros seu legado, destinados a cumprir sua função quando ele não estivesse mais presente. A promoção e distribuição das publicações de seu mestre era uma atividade crucial para os alunos de Shah, tanto para captação de recursos quanto para transformar a consciência pública. O ICR encerrou suas atividades em 2013 com a formação da Fundação Idries Shah, enquanto o SSS já havia cessado. Nos Estados Unidos, o ISHK (Instituto para o Estudo do Conhecimento Humano), liderado por Ornstein, continua ativo; após os ataques de 11 de setembro, por exemplo, o ISHK distribuiu uma brochura sobre os livros de Shah e seu círculo relacionados ao Afeganistão, conectando essas publicações à necessidade de uma melhor compreensão intercultural.
Os livros de Idries Shah sobre Sufismo foram amplamente aclamados pela crítica, rendendo-lhe um documentário da BBC, prêmios da UNESCO e elogios de importantes figuras literárias e acadêmicas. Sua abordagem inovadora de transmitir o conhecimento místico através de histórias e parábolas foi particularmente valorizada por sua capacidade de impactar o subconsciente do leitor.
Críticas e Textos 'Escola-Shah'
Um crítico hostil foi James Moore, um gurdjieffiano que discordava da afirmação de Shah de que o ensinamento de Gurdjieff era essencialmente Sufi. Moore criticou a publicação de 'Os Maestros de Gurdjieff', um livro pseudônimo conectado a Shah, como cronologicamente impossível. Em um artigo de 1986, Moore descreveu Shah como cercado por uma 'auréola de adulação exorbitante' atiçada por ele mesmo, e apoiado por um 'círculo de jornalistas, editores, críticos, animadores, radialistas e escritores de viagens de conveniência'. Moore questionou a suposta herança e educação Sufi de Shah e deplorou os escritos pseudônimos da 'escola-Shah', de autores como 'Omar Michael Burke, Ph. D.' e 'Hadrat BM Dervish', que, a partir de 1960, teciam elogios exagerados a Shah, referindo-se a ele como 'Tariqa Grande Sheikh Idries Shah Saheb', 'Príncipe Idries Shah', 'King Enoch', 'A Presença', 'o Rei Estudioso', 'a encarnação de Ali' e até o Qutb ou 'Eixo', tudo para promover o Sufismo de Shah ao público ocidental.
Avaliação e Reconhecimento
Doris Lessing, uma das mais proeminentes defensoras de Shah, afirmou em 1981 que o Sufismo ensinado por Idries Shah era 'apropriado a este tempo e lugar', não sendo 'algo regurgitado do Oriente nem aguado pelo Islã'. Após a morte de Shah em 1996, Lessing descreveu 'Os Sufis' como o livro mais surpreendente que já lera, caracterizando a obra de Shah como um 'fenômeno como nada que existe no nosso tempo'. Ela o descreveu como um homem multifacetado, gracioso, gentil, generoso, modesto ('Não reparem tanto meu rosto, mas tomem o que tenho na minha mão'), e seu bom amigo e maestro por mais de 30 anos.


