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Dragnet

Dragnet é um programa do rádio e depois da televisão dos Estados Unidos cujo tema é o cotidiano perigoso de dedicados investigadores da Polícia de Los Angeles, o sargento Joe Friday e seus parceiros. O nome do programa que se refere a uma rede de pesca do tipo "arrastão" é uma gíria policial em inglês verdadeira e que significa sistema coordenado de procedimentos para investigação de criminosos ou suspeitos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Introdução

Imagem: misha maslennikov · BY-NC-ND · Openverse

Dragnet foi talvez o mais influente drama policial na história do rádio e televisão estadunidense. As séries conseguiram dar a seus milhões de ouvintes e telespectadores a noção do tédio e do trabalho repetitivo bem como do perigo e heroísmo, sempre presentes no cotidiano real da atividade policial nas grandes cidades. Dragnet foi elogiado por melhorar a imagem dos policiais perante a opinião pública. O ator e produtor Jack Webb dizia que Dragnet tinha a intenção de ser realista e de apresentação despretensiosa. Conseguiu ambos os objetivos pois o programa permanece como uma influência chave para dramas do gênero apresentados em qualquer mídia. O impacto cultural da série pode ainda ser sentido após cinco décadas do seu encerramento. Elementos característicos de Dragnet são conhecidos mesmo por aqueles que nunca o assistiram: A versão original de Dragnet foi estrelada com Jack Webb como o Sargento Friday durante o período de 3 de junho de 1949 a 26 de fevereiro de 1957. Na televisão, de 16 de dezembro de 1951 a 23 de agosto de 1959 e de 12 de janeiro de 1967 a 16 de abril de 1970. As redes de rádio e televisão da NBC transmitiram as três séries. Todas as três versões foram adaptadas para filmes: uma produção de 1954 com Webb; um filme de TV em 1966; e uma comédia em 1987. Após o falecimento de Jack Webb, duas tentativas de relançamento de Dragnet foram feitas: um programa semanal em 1989 e outro para a ABC em 2003. Uma tira diária de quadrinhos publicada em jornais foi distribuída pelo Los Angeles Mirror Syndicate entre 23 de junho de 1952 a 21 de maio de 1955. O autor era o roteirista do programa Jack Robinson (não creditado) e os desenhos eram de Joe Sheiber (23 de junho a 20 de setembro de 1952), Bill Ziegler (22 de setembro de 1952 a 9 de janeiro de 1954) e Mel Keefer (11 de janeiro de 1954 a 21 de maio de 1955). O pesquisador de quadrinhos Ron Goulart, em seu livro The Funnies, atribui a frequente troca de artistas da tira ao desejo de Webb de encontrar alguém que desenhasse sua aparência como ele queria e não como era.

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História

Imagem: imvern · BY-NC-ND · Openverse

Criação

Dragnet foi criado e produzido por Jack Webb, que atuava como o Sargento Joe Friday. Webb tinha trabalhado antes em alguns programas de rádio mas Dragnet o transformou numa das maiores celebridades para o público americano de sua era. Dragnet teve origem num pequeno papel de Webb como perito forense policial no filme de 1948 He Walked by Night, inspirado por uma violenta onda de crimes praticada em 1946 por Erwin Walker, um perturbado veterano da Segunda Guerra Mundial e policial aposentado da Policia de Glendale. O filme recebeu o estilo de semidocumentário e Marty Wynn (na vida real sargento da Divisão de Roubos da Polícia de Los Angeles) participara como consultor técnico. Inspirado nas histórias de Wynn sobre investigações criminais verdadeiras e procedimentos policiais, Webb convenceu o policial de que o cotidiano da atividade poderia ser tema de um programa de rádio que fosse realista e deixasse de lado os melodramas detetivescos característicos que eram o padrão naquele momento.

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Rádio

Dragnet estreou de forma pouco auspiciosa. Durante as primeiras semanas a qualidade foi irregular, com Webb e equipe desenvolvendo o melhor formato e tentando ficarem mais confortáveis com seus personagens (Friday era retratado inicialmente como mais enérgico e impetuoso, depois ficaria mais relaxado). Gradualmente apareceria a fala rápida sem expressividade de Friday. John Dunning descrevia o personagem (em tradução livre) como "um tira que era tira, persistente sem ser duro, conservador mas cuidadoso". (Dunning, 210). O primeiro parceiro de Friday foi o sargento Ben Romero, interpretado por Barton Yarborough, um veterano ator de rádio. Raymond Burr estava no elenco e interpretava o Chefe dos Investigadores Ed Backstrand. Dragnet logo se tornou um programa de grande audiência. Webb insistia que o realismo prevalecesse em todos os aspectos do programa. Os diálogos eram poucos, estilo seco e franco influenciado pela narrativa usada na ficção literária sobre crimes (apelidada em inglês de hardboiled). Os textos traziam rápidas mudanças mas isso não era muito notado. Todos os aspectos da investigação policial eram narrados, passo a passo: Das patrulhas e relatórios, passando pela investigação da cena do crime, o trabalho em laboratório e da perícia até os interrogatórios das testemunhas e suspeitos. A vida pessoal dos detetives era mencionada mas raramente eram o centro da narrativa. (Friday era um solteirão que morava com a mãe; Romero era um mexicano-americano do Texas, irrequieto marido e pai). "Retratar ainda é atuar" disse Webb (em tradução livre) para a revista Time. "Nós tentamos fazer isso tão real como um cara bebendo uma xícara de café”. (Dunning, 209). Os chefes policiais de Los Angeles C.B. Horrall, William A. Worton e William H. Parker foram creditados como consultores e muitos policiais se tornaram fãs do programa.

Realismo

Webb era obcecado pela acurácia da história e por detalhes e Dragnet usava autênticos efeitos sonoros como o sinal de chamada do rádio da polícia (KMA367), além dos nomes de policiais reais que trabalhavam nos diferentes departamentos tais como Ray Pinker e Lee Jones do laboratório de criminalística ou o Chefe dos Detetives (e mais tarde chefe de polícia, entre 1967-69) Thad Brown. O programa tinha dois apresentadores. O episódio começava com o locutor George Fenneman dizendo o conhecido e já citado texto de abertura e Hal Gibney descrevia a premissa básica do relato. "Big Saint" (26 de abril de 1951) por exemplo, começava com (em tradução livre) "Você é um Sargento-Detetive. Você investiga roubos de carros. Uma bem organizada quadrilha desses ladrões começou a operar na cidade. Esse é um dos mais intrincados casos que chegou ao seu conhecimento. Seu trabalho: parar isso".

Conteúdo e temas

Os roteiros traziam uma grande variedade de temas, explorando desde o emocionante (assassinatos, pessoas desaparecidas e roubos à mão armada) até o mundano (cheques sem fundos e furtos), sem que houvesse perda de interesse graças as rápidas reviravoltas no roteiro e realismo nas cenas. Em "The Garbage Chute" (15 de dezembro de 1949), eles investigaram o mistério de uma porta trancada. Apesar de contido para os padrões atuais, Dragnet incluia principalmente nos roteiros para rádio, crimes sexuais e consumo de drogas com um realismo sem precedentes até então. Um dos exemplos da quebra de tabus não escritos ocorreu no já citado episódio ".22 Rifle for Christmas" transmitido em 22 de dezembro de 1949 e reprisado no ano seguinte. A história era sobre a busca a dois adolescentes desaparecidos, Stanley Johnstone e Stevie Morheim, quando finalmente é descoberto que Stevie tinha sido morto acidentalmente quando brincava com um rifle que era para Stanley ganhar no Natal mas que abrira a embalagem antes da hora; Stanley conta a Friday que Stevie corria segurando o rifle quando tropeçou e caiu, provocando o disparo e o ferimento fatal em si mesmo.

"Apenas os fatos, madame"

A citação em inglês "Just the facts, ma'am" ficou sendo conhecida como um dos bordões de Dragnet (copiada e parodiada em muitas produções subsequentes) mas na verdade nunca foi dita por Joe Friday. As citações corretas são "All we want are the facts, ma'am" ("Tudo o que nós queremos são os fatos, madame") e "All we know are the facts, ma'am". ("Tudo o que sabemos são os fatos, madame")

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Televisão

1951–59 (versão original)

Quando a televisão ficou interessada em Dragnet, Webb contrariou a ideia vigente de que artistas de rádio não se adaptariam ao novo meio. Ele insistiu na contratação dos atores, escritores e equipe de produção do rádio Essa lealdade de Webb garantiu a amizade de seus colegas por várias décadas e manteve a continuidade entre a série do rádio e da televisão. O programa piloto de Dragnet, "The Human Bomb" (adaptado do episódio radiofônico de 21 de julho de 1949), foi ao ar pela televisão em 16 de dezembro de 1951, numa apresentação especial do programa da NBC Chesterfield Sound-Off Time. Ali foram introduzidos os close-ups que se tornaram a marca registrada de Webb no novo meio. Após o piloto ter sido bem-sucedido, foi iniciada a série regular em janeiro de 1952. O parceiro original de Friday nos episódios de TV e no rádio era o sargento Ben Romero, interpretado por Barton Yarborough, que faleceu de ataque cardíaco após a gravação de apenas três episódios. O personagem Romero (que iria morrer do mesmo mal no episódio radiofônico de 27 de dezembro de 1951, "The Big Sorrow") foi substituído primeiramente pelo detetive sargento Ed Jacobs (Barney Phillips) e depois pelo policial Frank Smith. Smith de início foi interpretado por Herb Ellis. Após quatro episódios, Ben Alexander assumiu o papel tanto no rádio como na televisão.

Remakes entre 1967–70

Quando Webb remontou Dragnet em 1966, ele tentou que Ben Alexander voltasse ao papel de Frank. Alexander estava comprometido com a série policial da ABC Felony Squad e os produtores não o liberaram. Webb relutantemente criou um novo parceiro para Joe Friday: Bill Gannon, interpretado pelo veterano do cinema e da TV Harry Morgan. Morgan em 1949 fizera a voz de um proprietário no episódio "James Vickers". Bill Gannon, como Frank Smith, era eficiente no cumprimento do dever mas relaxado em situações informais. Os diálogos de comédia leve com Ben Alexander agora ficavam a cargo de Morgan; em "The Big Neighbor" ele faz com que Webb ria abertamente e em "The Weekend" a preparação passo a passo de Gannon de um sanduíche de alho, margarina e nozes causa reações de incredulidade entre seus amigos.

Término da carreira de Webb

Webb queria trazer Dragnet de volta à televisão em 1982 e escreveu e produziu cinco roteiros. Webb retornaria ao papel de Joe Friday mas Harry Morgan ainda estava no elenco de M*A*S*H e tinha assinado para AfterMASH, estando, portanto, indisponível;Kent McCord de Adam-12 foi chamado para interpretar o novo parceiro de Friday (embora não estivesse claro se seria um novo papel ou o personagem Jim Reed que interpretara em Adam-12). Contudo, antes que a nova série pudesse ter a produção iniciada, Webb morreu repentinamente de um ataque do coração, em 23 de dezembro de 1982, fazendo com que esse retorno de Dragnet fosse cancelado. Após a morte de Webb, o chefe Daryl Gates da Polícia de Los Angeles anunciou que o distintivo 714 seria aposentado e os postos policiais da cidade hastearam as bandeiras a meio-pau. No funeral de Webb, a polícia providenciou uma guarda de honra e o Chefe comentou sobre a ligação do autor com os policiais. Um auditório da polícia da cidade recebeu o nome do ator, como homenagem. Os famosos distintivos de Sargento LAPD 714 e o cartão da LAPD I.D. estão em exibição na Academia de Polícia de Los Angeles.

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Versões em filmes

Imagem: On Location in Los Angeles · BY-NC-ND · Openverse

Dragnet (1954)

Em 1954, uma adaptação de longa metragem para o cinema foi lançada, com Webb, Alexander e Richard Boone no elenco. Dennis Weaver aparece num papel menor como um detetive capitão. A história começa com um tiroteio num vilarejo provocado por Miller Starkie (Dub Taylor) que estava sob as ordens de seu chefe, Max Troy (Stacy Harris). Friday e seu superior imediato Smith junto do Capitão da Divisão de Inteligência da Polícia de Lo Angeles, capitão Jim Hamilton (Boone), um membro real do departamento, assumem o caso. A inteligência concentra as investigações em figurões do crime organizado e alguns dos hábitos de Max Troy se assemelhavam ao do chefão da vida real Mickey Cohen; como por exemplo, Troy aparece nos arquivos da polícia como frequentador de tavernas na "Sunset Strip", como Cohen. O filme destaca as relações da polícia com o Gabinete do Promotor Público; Friday e Smith trabalham para colher provas para que o promotor possa pedir a condenação de Troy e seus comparsas. Uma violenta luta de socos envolvendo os detetives é mostrada com uso de close-ups, técnica cinematográfica típica de Webb na direção.

Dragnet 1966 (1969)

Dragnet 1966 é um filme para TV lançado em 1969. O filme trouxe de volta a série Dragnet que recebeu o nome de Dragnet 1967. O filme tem Jack Webb como o Sargento Friday e Harry Morgan como o policial Bill Gannon. A história se concentra num crime típico da época: os dois detetives tentam encontrar um serial killer "voyeur" similar a Harvey Glatman (interpretado por Vic Perrin que tinha aparecido no filme de 1954 como assistente do promotor). Outra participação é de Virginia Gregg, que atuou no filme de 1954 e era uma atriz convidada frequente nas séries de 1951-59 e 1967-70.

Dragnet (1987)

Em 1987, uma versão cômica de Dragnet foi lançada com Dan Aykroyd como Joe Friday (sobrinho do Detetive Friday original), e Tom Hanks como seu parceiro Pep Streebeck. Além da imitação que Aykroyd faz de Webb, Harry Morgan aparece numa participação como o personagem Bill Gannon, agora capitão e o comandante de Joe Friday. O tenente Dan Cooke que trabalhara com Jack Webb, também é consultor técnico do filme.

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Outras adaptações

Imagem: On Location in Los Angeles · BY-NC-ND · Openverse

Em um desenho animado de 1956 do Looney Tunes, Patolino e Gaguinho são os sargento Joe Monday e detetive Schmoe Tuesday, respectivamente. No desenho, os personagens são condenados e presos acusados de falsas prisões. E dois anos antes em 1954 desenho animado do Pica Pau no episodio Under the Counter Spy (espiao espiado). Faz uma referencia ao seriado Dragnet aonde o Sargento é o Quinta Feira. uma clara referencia ao sagento Sexta Feira da serie original. O vilao the Bat é uma possivel referencia ao vilao morcego dos filmes da decada de 20 do diretor Rolland West. Em 1958, Webb escreveu o livro The Badge. O livro relata uma série de histórias verdadeiras contadas sob o ponto de vista de patrulheiros, sargentos, tenentes e outros policiais. Trazia várias fotografias e recentemente foi relançado com prefácio de James Ellroy, autor de LA Confidential.

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Fontes consultadas

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