Pesquisa · Mapa mental

Bartolomeu dos Mártires

Bartolomeu dos Mártires, O.P., foi um Arcebispo, que atuou em Braga entre 1559 e 1582. É lembrado como um modelo de benevolência e dedicação para a Igreja Católica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
01

Trajetória eclesiástica

Primeiros anos

Bartolomeu Fernandes, filho de Domingos Fernandes e de sua mulher Maria Correia, nasceu no dia 3 de maio de 1514, em Verdela, na freguesia dos Mártires, na região de Lisboa. Veio duma família humilde e, até ao fim da sua vida, manteve-se fiel às suas origens. A sua infância foi marcada pelo seu fervor religioso. Ingressou na Ordem Dominicana a 11 de novembro de 1528, aos catorze anos de idade, sob o nome de Frei Bartolomeu dos Mártires, em alusão aos ditos que deram o seu nome às suas Paróquia e Freguesia de nascimento, e estudou no studium do Convento de São Domingos de Lisboa, dando início a um curso de Artes. Só começou seu primeiro curso de Teologia em 1542, aos vinte e oito anos, no Convento de Batalha. Ambos os estudos contribuíram para seu convívio com elementos da ordem Dominicana.

Primeiros escritos

Frei Bartolomeu dos Mártires teria começado os seus primeiros trabalhos sobre a Suma Teológica de São Tomás de Aquino em 1542, durante seus os estudos sobre Teologia. Nesses escritos, ele fazia análises críticas e debatia questões polémicas. Depois, em 1548, ele iniciou suas lições sobre as questões da Secunda Secundae, na qual cita diversos teólogos durante as suas análises. Entre 1550 e 1551, também escreve sobre a Prima Secundae, até deixar o convento em 1552. Ofereceu também a sua opinião sobre um tema bastante debatido na época, o preceito da correção fraterna. Frei Bartolomeu dos Mártires defendia a proteção da boa fama dos pecadores junto à comunidade, acreditando que pecados que eram cometidos em segredo deveriam ser corrigidos também em segredo, e não publicamente, algo que ia contra algumas premissas da Inquisição.

02

Atuação no Concílio de Trento

O século XVI foi turbulento para a Igreja Católica. A vida de muitos membros era dominada por luxúria e ganância, com o consequente desleixo religioso. São conhecidas as desavenças que conduziram à formação de novas confissões cristãs. D. Frei Bartolomeu dos Mártires também ansiava por uma reforma, mas não com esse desfecho, já que defendia a plena comunhão eclesial, na terceira fase do Concílio de Trento. Tratava-se de uma reforma para a qual há muito se preparava pelo modo de viver simples e despretensioso, piedoso e dedicado de frade dominicano. A sua participação no Concílio de Trento marca uma importante época na vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que teve um papel principal na assembleia. Há inclusivamente muitos historiadores que o elegem como “a figura maior do Concílio”. Igualmente reconhecido é o seu pioneirismo na aplicação nas normas e doutrina lá definidas. O Arcebispo de Braga Primaz das Espanhas estava entre os três prelados portugueses que atenderam ao chamado de Roma para participar do Concílio e seu vasto conhecimento teológico e o fato de ter sido um dos primeiros a atender a convocação, fizeram com que logo ele fosse respeitado entre os presentes.

03

Actuação no Arcebispado de Braga

Preocupado com o despreparo do clero e com a falta de conhecimento da doutrina católica por parte dos fiéis, Bartolomeu escreveu um catecismo, que foi distribuído a todos os clérigos do Arcebispado de Braga. Este catecismo foi separado em duas partes. Uma primeira fazia uma exposição da oração do Pai Nosso, da profissão de fé (o Credo ou Creio), dos Dez Mandamentos, dos pecados capitais e dos sacramentos. A segunda parte possuía práticas e sermões a serem lidos aos fiéis aos domingos e dias de festa. A leitura deste catecismo se fez obrigatória a todos aqueles que não eram profundos conhecedores (doutos) da Sagrada Escritura, de Teologia ou dos Cânones, o que abrangia grande parte da população, e por esse motivo a obra se difundiu por todo o território português. Bartolomeu tinha como objetivo atingir as camadas mais simples da população, abordando a doutrina cristã de forma acessível, para que todos tivessem conhecimento dos pecados contra a fé, especialmente a feitiçaria, para que esse crime fosse erradicado.

Visitas pastorais

Conhecido por ser um arcebispo muito cuidadoso, D. Frei Bartolomeu dos Mártires realizou mais de 90 visitas em todas as 1260 paróquias que faziam parte da Arquidiocese de Braga. Elas possibilitaram que o Frei colocasse seu plano pastoral em prática. O qual foi desenvolvido desde o início do seu episcopado e baseou-se em formulários que se aplicavam a cada paróquia, sendo eles novos e/ou específicos conforme as suas necessidades. Daí se criou um autêntico programa de reforma pastoral. Grande defensor da permanência do arcebispo em sua arquidiocese para que assim pudesse melhor administrá-la, D. Frei Bartolomeu dos Mártires foi um dos primeiros a tomar essa atitude. As normatizações elaboradas possibilitaram a prosperidade de seu projeto: formação de um clero mais preparado, aumento no número de fiéis participativos e devotos. Dentre elas, podemos citar:

04

Beatificação e canonização

A Arquidiocese de Braga é uma Igreja com raízes históricas muito antigas e profundas. Seu patrimônio é bastante rico, em Portugal, é apelidada de “Roma Portuguesa”. Tal desenvolvimento espiritual e pastoral deve-se à atividade dos seus pastores, inclusive a marcante atuação de D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Pelas suas virtudes, já em vida foi considerado santo. Tanto clérigos, quanto leigos o chamavam de "Arcebispo Santo". O processo de reconhecimento da santidade de D. Frei Bartolomeu dos Mártires foi iniciado pouco tempo depois da sua morte pelos seus sucessores na sede de Braga. Constatando a profunda veneração que o povo tinha por ele e as inúmeras graças obtidas de Deus, por seu intermédio, ordenaram a recolha de depoimentos entre os fiéis em diversos territórios como Braga, Viana do Castelo e de sua cidade natal. O seu famoso caso de intervenção percorreu então o itinerário canônico, desde a Cúria Arquidiocesana de Braga, via postulação, até à Congregação para a Causa dos Santos. O estudo pericial a que foi sujeito na Cúria Romana confirmou que o acontecimento era "inexplicável pela Ciência", o que levou os Teólogos Consultores e a Sessão Ordinária de Cardeais e Bispos a declararem tratar-se de "um milagre divino". Na sequência disso, o Papa São João Paulo II declarou, a 4 de novembro de 2001, D. Frei Bartolomeu dos Mártires como Beato, estabelecendo o 18 de julho como dia litúrgico da sua veneração oficial.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando