Barbara Stanwyck
Barbara Stanwyck foi uma atriz da era de ouro de Hollywood conhecida por sua forte e realista presença na tela e versatilidade. Ela era a favorita de diretores, incluindo Cecil B. DeMille, Fritz Lang e Frank Capra, e fez 86 filmes em 38 anos antes de se voltar para a televisão. A intérprete recebeu vários elogios, incluindo três Primetime Emmy Awards, um Globo de Ouro e foi indicada a quatro Oscars.
Ruby Catherine Stevens nasceu em 16 de julho de 1907, no Brooklyn, Nova York. Ela foi a quinta e mais nova filha de Kathryn Ann "Kitty" (nascida McPhee) e Byron E. Stevens. As famílias de ambos os pais estavam na América do Norte desde a década de 1740. Byron tem antepassados ingleses e seu pai era natural de Lanesville no Massachusetts sendo um importante proprietário de terras. Ele pretendia se tornar advogado, mas abandonou a faculdade em favor do trabalho após a morte de seu pai, eventualmente tornando-se pedreiro. A mãe de Stanwyck, Kitty, era uma imigrante canadense de ascendência escocesa-irlandesa vindo de Sydney, Nova Escócia. Os pais da atriz se conheceram quando Kitty estava visitando a família em Boston. Stanwyck tinha três irmãs mais velhas, Laura Mildred (chamada Millie, n. 1886), Viola Maud (n. 1889) e Mabel (n. 1890), e um irmão mais velho, Malcolm Byron (n. 1905). A família havia se mudado da Nova Inglaterra para Flatbush no Brooklyn, um ano antes do nascimento de Stanwyck, em busca de melhores oportunidades de trabalho para o patriarca. Em julho de 1911, quando a artista tinha quatro anos, e seu irmão de seis estavam andando de bonde com a mãe, um passageiro bêbado caiu e empurrou ela para fora do veículo. Kitty Stevens estava grávida na época, e o acidente induziu o parto prematuro, o que causou sepse fatal. O alcoolismo de Byron Stevens piorou após a morte de sua esposa e ele deixou a família logo depois, acabando por fazer parte da equipe de escavação do Canal do Panamá em 1912, morrendo lá alguns anos depois de uma epidemia.
A garota Ziegfeld e o sucesso na Broadway
Em 1923, alguns meses antes de seu aniversário de 16 anos, Stanwyck fez um teste para uma vaga no coro do Strand Roof numa boate sobre o Strand Theatre na Times Square. Poucos meses depois, ela conseguiu um emprego como dançarina nas temporadas de 1922 e 1923 do Ziegfeld Follies dançando no Teatro New Amsterdam e chegou a dividir um quarto com Mae Clarke. Pelos próximos anos, trabalhou como corista, se apresentando da meia-noite às sete da manhã em casas noturnas de propriedade da Texas Guinan ocasionalmente servindo como instrutora de dança em um bar clandestino para gays e lésbicas. Um de seus bons amigos durante aqueles anos foi o pianista Oscar Levant que a descreveu como sendo "cautelosa com [pessoas] sofisticadas e falsas".
Carreira cinematográfica
O primeiro filme sonoro de Stanwyck foi The Locked Door (1929), seguido por Mexicali Rose lançado no mesmo ano. Nenhum deles fez sucesso; no entanto, Frank Capra a escolheu para seu longa-metragem Ladies of Leisure (1930) e seu trabalho nessa produção estabeleceu uma amizade duradoura com o diretor e a levou a participações futuras em sua filmografia. Outros papéis de destaque se seguiram, entre eles como uma enfermeira que salva duas meninas do motorista vilão (Clark Gable) em Night Nurse (1931). No romance de Edna Ferber trazido às telas por William Wellman, ela retrata a professora de uma pequena cidade e valente fazendeira do Centro-Oeste, Selena em So Big! (1932) e no ano seguinte seguiu com uma performance como uma mulher ambiciosa dormindo com vários homens em seu caminho para chegar ao topo em Baby Face (1933), um controverso thriller pré-código. Em The Bitter Tea of General Yen (1933), outro polêmico filme pré-código do diretor Frank Capra, Stanwyck retrata uma cristã idealista presa durante a Guerra Civil Chinesa e sequestrada pelo senhor da guerra Nils Asther. Um fracasso na época, embora tenha recebido algumas boas avaliações da crítica, com o The New York Times o descrevendo como "[uma] coisa sombria, e é difícil imaginar outra atriz lidando com essa [...] conversão filosófica tão destemidamente quanto a Sra. Stanwyck. Ela não faz um clima pesado com isso".
Carreira na televisão
Como a carreira cinematográfica de Stanwyck declinou durante a década de 1950, ela se mudou para a televisão. Em 1958, estrelou como convidada em "Trail to Nowhere", um episódio da série de antologia de faroeste Dick Powell's Zane Grey Theatre interpretando uma esposa que mata um homem para vingar seu marido. Em 1961, ela apresentou uma série dramática de antologia intitulada The Barbara Stanwyck Show, que não foi um sucesso de audiência durando apenas 36 episódios, mas lhe rendeu um prêmio Emmy. Durante este período, a atriz também estrelou como convidada em outras séries de televisão, como The Untouchables e quatro episódios de Wagon Train. Voltou ao cinema em 1964, no filme Roustabout, de Elvis Presley no qual interpreta uma dona de parque de diversões.
Casamentos e relacionamentos
Enquanto atuava em The Noose (1928) relatos afirmam que Stanwyck teria se apaixonado por seu colega de elenco casado, Rex Cherryman. Quando Cherryman adoeceu no início de 1928, seu médico o aconselhou a fazer uma viagem marítima, então Cherryman partiu para Le Havre com a intenção de continuar para Paris, onde a atriz e ele haviam combinado de se encontrar. Enquanto estava no mar, o astro contraiu envenenamento séptico e morreu logo após chegar à França, aos 31 anos. Em 26 de agosto de 1928, Stanwyck se casou com seu colega de elenco de Burlesque, Frank Fay. Fay e ela mais tarde alegaram que não gostavam um do outro no início, mas se tornaram próximos após a morte de Cherryman. Fay era católico, então Stanwyck se converteu para o catolicismo antes do casamento. Ela teria sido incapaz de ter filhos, e um biógrafo alega que a causa de sua infertilidade foi um aborto malsucedido aos 15 anos que resultou em sequelas. Depois de se mudar para Hollywood, o casal adotou um menino de 10 meses em 5 de dezembro de 1932. Eles o chamaram de Dion, mais tarde alterando o nome para Anthony Dion, apelidado de Tony. O casamento foi problemático; a carreira de sucesso de Fay na Broadway não se converteu para o cinema, enquanto a atriz alcançou o estrelato em Hollywood. O cônjuge quando estava embriagado costumava agredi-lá. Alguns afirmam que o relacionamento deles serviu de base para o filme A Star Is Born (1937) de William Wellman estrelado por Janet Gaynor e Fredric March. O casal se divorciou em 30 de dezembro de 1935 e Stanwyck ganhou a custódia de seu filho, a quem ela criou de forma rígida. Isto levou ao afastamento de ambos um contra o outro, encontrando-se apenas algumas vezes depois que ele se tornou adulto, a qual morreu em 2006. Richard Corliss escreveu que a criança "se parecia com ela em apenas um aspecto: ambos eram, efetivamente, órfãos".
Ideologia política
Republicana conservadora, Stanwyck se opôs à presidência de Franklin D. Roosevelt. Ela achava que se alguém de sua origem desfavorecida tivesse alcançado o sucesso, outros deveriam ser capazes de prosperar sem a intervenção ou assistência do governo. A atriz foi um dos primeiros membros da Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (MPA) após sua fundação em 1944. A missão deste grupo era "combater [...] métodos subversivos [usados na indústria] para minar e mudar o modo de vida americano". Abertamente criticou às "influências comunistas" em Hollywood. Ela apoiou publicamente as investigações do Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, e seu marido, Robert Taylor, apoiou. Stanwyck votou em Thomas E. Dewey nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 1944 e 1948.
Religião
Stanwyck era originalmente protestante e foi batizada em junho de 1916 pelo reverendo J. Frederic Berg da Igreja Reformada Protestante Holandesa. Ela se converteu ao catolicismo romano quando se casou com seu primeiro marido, Frank Fay, mas não parece ter permanecido como adepta após o fim do casamento.
Irmão
O irmão mais velho dela, Malcolm Byron Stevens (1905–1964) também virou ator, usando o nome artístico de Bert Stevens. Ele apareceu principalmente em papéis coadjuvantes, muitas vezes sem créditos incluindo em dois filmes estrelados por Stanwyck: The File on Thelma Jordon e No Man of Her Own, ambos lançados em 1950. Malcolm atuou mais na televisão como em dois episódios de Alfred Hitchcock Presents: "O Youth and Beauty!" (sexta temporada, episódio oito (1960): como membro do clube não creditado) e "Burglar Proof" (sétima temporada, episódio 21 (1962) num papel não-creditado). O ator também apareceu em um episódio de The Alfred Hitchcock Hour: (segunda temporada, episódio 25 (1964): "The Ordeal of Mrs. Snow" como Carl the Butler não creditado).
Em 1981, em sua casa na exclusiva seção Trousdale de Beverly Hills, ela foi acordada durante a noite por um intruso que a atingiu na cabeça com sua lanterna, a forçou a entrar em um armário e fugiu com US$ 40.000 em joias. Em 1982, durante as filmagens de The Thorn Birds, Stanwyck inalou fumaça de efeitos especiais no set, o que pode ter causado bronquite, agravada pelo hábito de fumar cigarros. A atriz começou a fumar aos nove anos e parou apenas quatro anos antes de sua morte. Stanwyck morreu em 20 de janeiro de 1990, aos 82 anos, de insuficiência cardíaca congestiva e doença pulmonar obstrutiva crônica no Saint John's Health Center em Santa Monica, Califórnia. Ela havia indicado que não queria nenhum serviço funerário. De acordo com seus desejos, seus restos mortais foram cremados e as cinzas espalhadas de um helicóptero sobre Lone Pine onde foi filmado alguns de seus filmes de faroeste.
O longa-metragem A Star Is Born (1937) de William A. Wellman e estrelado pela dupla Fredric March e Janet Gaynor é considerado um retrato irônico da situação real entre Frank Fay e Barbara Stanwyck: a esposa, até então desconhecida, ascende ao estrelato enquanto a carreira do marido entra em declínio acentuado. O filme acabaria por se tornar um clássico folhetim Hollywoodiano, tendo sido feitas outras três versões:


