The Godfather
The Godfather é um filme policial de 1972, dirigido por Francis Ford Coppola,produzido nos Estados Unidos e baseado no livro homônimo de Mario Puzo,com o roteiro escrito por ambos. Primeira parte da trilogia The Godfather, narra a história da família Corleone sob o comando do patriarca Vito Corleone, de 1945 a 1955, concentrando-se na transformação de seu filho mais novo, Michael Corleone, de relutante forasteiro da família a implacável chefe da máfia. É estrelado por Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Sterling Hayden, John Marley, Richard Conte e Diane Keaton.
No verão de 1945, Don Vito Corleone ouve pedidos de favores durante o casamento da sua filha Connie, enquanto o seu consigliere e filho adotivo, Tom Hagen, apenas escuta. O cantor e afilhado do Don, Johnny Fontane, pede ajuda para estrelar um filme que vai ajudá-lo a reerguer sua carreira. Hagen vai à Califórnia para se encontrar com o chefe do estúdio Jack Woltz com o objetivo de adquirir o papel para Fontane; depois de recusar-se a escalar Fontane, Woltz desperta na manhã seguinte com a cabeça decapitada do seu valioso e estimado cavalo Khartum na cama. Quando Hagen retorna, os líderes da família encontram-se com Virgil "O Turco" Sollozzo, que solicita a Don Corleone a proteção dos negócios de heroína da família Tattaglia. Vito desaprova o negócio e considera que as suas conexões políticas poderão ser prejudicadas, assim recusando um acordo lucrativo. Ele manda o seu homem de confiança, Luca Brasi, para conhecer melhor a organização de Sollozzo; porém, os homens de Sollozzo identificam-no e Brasi é assassinado.
Desenvolvimento
O filme é baseado no romance The Godfather, de Mario Puzo, que permaneceu na lista dos best-sellers mais vendidos do The New York Times por sessenta e sete semanas e vendeu mais de nove milhões de cópias em dois anos. Publicado em 1969, The Godfather tornou-se a obra publicada em livro mais vendida da história por vários anos. A Paramount Pictures descobriu originalmente sobre o romance de Puzo em 1967, quando um olheiro literário da empresa contatou o então vice-presidente de produção da Paramount, Peter Bart, sobre o manuscrito inacabado de sessenta páginas de Puzo então intitulado "Mafia"; Bart acreditava que o trabalho de Puzo estava "muito além de uma história da Máfia" e ofereceu a Puzo uma oferta de compra por doze mil e quinhentos dólares pelo trabalho, com uma opção de oitenta mil se o trabalho finalizado fosse transformado em filme. Apesar do agente de Puzo lhe dizer para recusar a oferta, Puzo estava precisando de dinheiro e aceitou o acordo. Robert Evans, então executivo da Paramount, relata que, quando se conheceram no início de 1968, ele ofereceu a Puzo o acordo depois que o autor confidenciou a ele que precisava urgentemente de dez mil dólares para pagar dívidas adquiridas em jogos de azar.
Direção
Evans queria que o filme fosse dirigido por um ítalo-americano para tornar a produção "étnica até a medula". O último filme policial da Paramount, The Brotherhood, foi muito mal nas bilheterias; Evans acreditava que o motivo de seu fracasso foi a quase completa falta de membros do elenco ou pessoal criativo de ascendência italiana (o diretor Martin Ritt e a estrela Kirk Douglas não eram italianos). Sergio Leone foi a primeira escolha da Paramount para dirigir o filme; contudo, Leone recusou a oferta, a fim de trabalhar em seu próprio filme de gângster Era uma Vez na América. Peter Bogdanovich foi então abordado, mas também recusou a oferta porque não estava interessado em realizar filmes envolvendo a máfia. Da mesma maneira, Peter Yates, Richard Brooks, Arthur Penn, Costa-Gavras e Otto Preminger também receberam ofertas para o cargo e também recusaram. O assistente-chefe de Evans, Peter Bart, sugeriu Francis Ford Coppola pelo mesmo ser um diretor de ascendência italiana e também pelo fato dele ter aceitado trabalhar por um cachê e orçamento baixo após a má recepção de seu último filme The Rain People. Coppola inicialmente recusou o trabalho porque achou o romance de Puzo desprezível e sensacionalista, descrevendo-o como "coisas muito baratas". Na época, o estúdio de Coppola, American Zoetrope, devia mais de quatrocentos mil dólares à Warner Bros devido ao prejuízo do filme THX 1138. Após repensar sua opinião sobre o livro de Puzo, Coppola mudou sua decisão inicial e decidiu assumir o cargo de diretor. Coppola foi oficialmente anunciado como diretor do filme em 28 de setembro de 1970, num acordo onde o mesmo aceitou receber US$ 125.000 de cachê e 6% do lucro dos aluguéis brutos de bilheteria do filme. Coppola mais tarde encontrou um tema mais profundo para o material e decidiu que o filme não deveria ser sobre o crime organizado, mas uma crônica familiar, uma metáfora para o capitalismo na América.
Roteiro
Em 14 de abril de 1970, foi revelado que Puzo foi contratado pela Paramount por cem mil dólares, junto com uma porcentagem dos lucros do filme, para trabalhar no roteiro. Trabalhando a partir do livro, Coppola queria ter os temas de cultura, personagem, poder e família na vanguarda do filme, enquanto Puzo queria manter aspectos de seu romance; seu o rascunho inicial de cento e cinquenta páginas foi concluído em 10 de agosto de 1970. Depois que Coppola foi contratado como diretor, Puzo e Coppola trabalharam no roteiro, mas separadamente; Puzo trabalhou em seu rascunho em Los Angeles, enquanto Coppola escreveu sua versão em San Francisco. Coppola "criou um livro" onde ele rasgou as páginas do livro original de Puzo e as colou em "seu livro"; nele, ele fez anotações sobre cada uma das cinquenta cenas do livro, relacionadas aos principais temas predominantes delas, se tal cena deveria ser incluída no filme, junto com ideias e conceitos que poderiam ser usados durante as filmagens para tornar o filme fiel à cultura italiana. Os dois permaneceram em contato enquanto escreviam seus respectivos roteiros e tomavam decisões sobre o que incluir e o que remover da versão final. Um segundo rascunho foi concluído em 1º de março de 1971 e tinha 173 páginas. O roteiro final foi concluído em 29 de março de 1971, e acabou tendo 163 páginas, 40 páginas a mais do que a Paramount havia pedido. Durante as filmagens, Coppola referiu-se ao "livro" que havia criado durante a versão final do roteiro. O roteirista Robert Towne trabalhou sem créditos no roteiro, particularmente na cena do jardim onde Vito e Michael conversam antes de Vito morrer. Apesar de terminarem um terceiro rascunho, algumas cenas do filme ainda não tinham sido escritas e foram feitas durante a produção.
Escolha do elenco
Mario Puzo foi o primeiro a mostrar interesse em Marlon Brando para o papel de Don Vito Corleone, enviando uma carta a Brando na qual afirmava que Brando era o "único ator que poderia interpretar o Poderoso Chefão". Apesar dos desejos de Puzo, os executivos da Paramount foram contra a vinda de Brando, em parte por causa do fraco desempenho de seus filmes recentes e também de seu temperamento explosivo. Coppola preferiu Laurence Olivier para o papel, mas o agente de Olivier recusou o papel alegando que o ator estava doente (embora Olivier passou a estrelar Sleuth no final daquele ano); O estúdio pressionou principalmente para que Ernest Borgnine recebesse o papel; também foram considerados George C. Scott, Richard Conte, Anthony Quinn e Orson Welles. Este último se tornou a escolha preferida da Paramount para o papel.
Filmagens
Antes do início das filmagens, o elenco recebeu um período de duas semanas para ensaios, que incluiu um jantar onde cada ator e atriz teve que assumir o personagem durante sua duração. As filmagens estavam programadas para começar em 29 de março de 1971, com a cena entre Michael Corleone e Kay Adams quando eles deixam uma loja da Best & Co. em Nova York depois de comprarem presentes de Natal. A previsão do tempo para o dia 23 de março previu rajadas de neve, o que fez com que Albert S. Ruddy adiasse a data de filmagem; a neve não se materializou e uma máquina de neve teve de ser usada. As filmagens principais em Nova York continuaram até 2 de julho de 1971. Coppola pediu uma pausa de três semanas antes de ir para o exterior para filmar na Sicília. Após a partida da equipe para as filmagens na Itália, a Paramount anunciou que a data de lançamento seria transferida para o início de 1972.
Trilha sonora
Francis Coppola contratou o compositor italiano Nino Rota para criar a trilha sonora do filme, incluindo "Love Theme from The Godfather". Para a música, Rota deveria se relacionar com as situações e personagens do filme. Rota sintetizou novas músicas para o filme e pegou algumas partes de sua trilha sonora do filme italiano Fortunella de 1958 a fim de criar uma sensação que remetesse a Itália e evocasse a tragédia dentro do filme. O executivo da Paramount, Robert Evans, achou a partitura muito "intelectual" e não quis usá-la, no entanto acabou convencido por Coppola; o diretor acreditava que a peça musical de Rota dava ao filme um toque ainda mais italiano. O pai de Coppola, Carmine, criou algumas músicas adicionais para o filme, mais especificamente a música tocada pela banda durante a cena de abertura do casamento.
Teatral
A estreia mundial de The Godfather ocorreu no Loews's State Theatre em Nova York na terça-feira, 14 de março de 1972, quase três meses após a data de lançamento planejada para o dia de Natal de 1971, com lucros da estreia doada ao The Boys Club de Nova York. Antes da estreia do filme, o filme já havia arrecadado US$ 15 milhões com aluguel antecipado de mais de 400 salas de cinemas. No dia seguinte, o filme estreou em cinco cinemas de Nova York (Loew's State I e II, Orpheum, Cine e Tower East). Em seguida entrou em cartaz no Imperial Theatre de Toronto em 17 de março e depois em dois cinemas de Los Angeles no dia 22 de março. The Godfather recebeu um lançamento amplo nos Estados Unidos em 24 de março de 1972, ficando em cartaz em mais de trezentos cinemas pelo país em cinco dias.
Mídia doméstica e televisão
Os direitos televisivos do filme foram vendidos nos Estados Unidos por um recorde de US$ 10 milhões para a NBC por uma exibição dividida em duas metades; a versão teatral de The Godfather estreou na rede de televisão americana NBC com apenas pequenas edições. A primeira metade do filme foi ao ar no sábado, 16 de novembro de 1974, e a segunda metade dois dias depois. As exibições na televisão americana atraíram um grande público com uma classificação média de 38,2 e participação de audiência de 59% segundo dados da Nielsen Media Research (empresa que pesquisa as audiências das emissoras de TV nos Estados Unidos), tornando-o o oitavo filme mais assistido na televisão estadunidense. A transmissão na NBC ajudou a gerar expectativa para a sequência. No ano seguinte, Coppola criou a minissérie The Godfather Saga para a NBC em um lançamento que combinou The Godfather e The Godfather Part II com imagens não utilizadas desses dois filmes em uma narrativa cronológica que atenuava o material violento, sexual e profano, a qual estreou em 18 de novembro de 1977.
Desempenho comercial
The Godfather se tornou um blockbuster, quebrando vários recordes de bilheteria além de se tornar o filme de maior receita de 1972. A receita bruta do dia de estreia do filme em cinco cinemas foi de US$ 57.829, com os preços dos ingressos aumentando de três dólares para três dólares e cinquenta centavos; os preços em Nova York aumentaram ainda mais no fim de semana para quatro dólares e o número de exibições aumentou de quatro para sete vezes por dia. O filme arrecadou US$ 61.615 em Toronto no seu primeiro final de semana e US$ 240.780 em Nova York, totalizando uma estreia bruta de US$ 302.395. O filme arrecadou US$ 454.000 em sua primeira semana em Nova York e US$ 115.000 em Toronto totalizando uma receita bruta de US$ 568.800 na primeira semana, o que fez o filme se tornar o número um nas bilheterias dos Estados Unidos na semana. Em seus primeiros cinco dias de lançamento nacional, arrecadou US$ 6,8 milhões, elevando seu faturamento para US$ 7.397.164. Uma semana depois, sua receita bruta atingiu US$ 17.291.705 com a receita bruta nacional de uma semana de cerca de US$ 10 milhões, sendo um recorde da indústria. The Godfather arrecadou mais US$ 8,7 milhões em 9 de abril, totalizando US$ 26.000.815. Após dezoito semanas seguidas ocupando a primeira posição nos cinemas dos Estados Unidos, o filme atingiu a marca de US$ 101 milhões arrecadados, batendo o recorde de menos tempo ao atingir tal quantia. Na época, alguns artigos de notícias declararam que The Godfather havia sido o primeiro filme a arrecadar US$ 100 milhões só na América do Norte, mas esses relatos estavam errados uma vez que The Sound of Music, lançado em 1965, já tinha conseguido esse feito. O filme conseguiu permanecer na liderança da bilheteria doméstica por vinte e três semanas consecutivas até ser ultrapassado por Butterflies Are Free, embora este filme tenha ocupado a primeira posição apenas uma semana pois The Godfather voltou a ocupar a liderança na semana seguinte (e permaneceu no primeiro lugar por mais três semanas).
Resposta da crítica
O filme recebeu aclamação esmagadora da crítica e é visto como um dos maiores e mais influentes filmes de todos os tempos, particularmente envolvendo o gênero gangster. No agregador de resenhas online Rotten Tomatoes, o filme detém uma taxa de aprovação de 97% com base em 148 resenhas, com uma classificação média de 9,40/10; o consenso dos críticos do site diz: "Um dos maiores sucessos de crítica e comercial de Hollywood, The Godfather acerta em tudo; o filme não apenas superou as expectativas, mas também estabeleceu novos padrões para o cinema americano". O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação 100/100 com base em 16 críticas, indicando "aclamação universal".
Prêmios, indicações e homenagens
The Godfather foi indicado a sete prêmios para a trigésima cerimônia do Globo de Ouro: melhor filme de drama, melhor ator coadjuvante em cinema (por James Caan), melhor ator em filme dramático (por Marlon Brando e Al Pacino), melhor trilha sonora original, melhor direção e melhor roteiro; dessas indicações, o filme levou os prêmios de melhor roteiro, melhor direção, melhor ator pela atuação de Brando, melhor trilha sonora original e melhor filme de drama. A trilha sonora de Nino Rota também foi indicada ao Grammy de Melhor Trilha Sonora Original para Filme ou Especial de TV durante a décima quinta cerimônia; Rota foi anunciado o vencedor da categoria em 3 de março na cerimônia do Grammy realizada em Nashville, Tennessee.
Embora muitos filmes sobre gângsteres tenham precedido The Godfather, Coppola imergiu seu filme na cultura imigrante italiana e sua representação de mafiosos como pessoas de considerável profundidade e complexidade psicológica tornou-se sem precedentes. Coppola foi além ao lançar a sequência The Godfather Part II e o sucesso desses dois filmes, crítica, artística e financeiramente, foi um catalisador para a produção de inúmeras outras representações de ítalo-americanos como mafiosos, incluindo filmes como Goodfellas de Martin Scorsese Goodfellas e séries de TV como The Sopranos, de David Chase. Um estudo abrangente da cultura ítalo-americana no cinema de 1914 a 2014 foi conduzido pelo Italic Institute of America, mostrando a influência de The Godfather. Antes de The Godfather, foram produzidos apenas 98 longas apresentando ítalo-americanos como mafiosos; após 1972 (ano de lançamento do filme) esse número saltou para 430 filmes até 2014, atingindo uma média de 10 lançamentos por ano.
O filme foi referenciado e parodiado em vários tipos de mídia:


